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segunda-feira, 22 de junho de 2015

A Seleção – Kiera Cass

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-Ficha Técnica:
-Título Original:
The Selection
-N° de páginas: 368
-Editora: Seguinte
-Sinopse: Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria apenas ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma...

A Seleção, de Kiera Cass, é o primeiro livro de uma série juvenil publicado pela primeira vez em 2012 pela editora Seguinte. Deixando de lado o cenário sombrio distópico apresentado por muitos livros do gênero, Kiera Cass mergulha numa história singular, cujo foco está em apresentar um mundo dividido por castas. A pobreza e a miséria dependem do grau no qual você está inserido, ocorrendo de forma crescente: quanto maior o número da sua casta, mais pobre e miserável sua família será.

Contudo, um apogeu tétrico pungido por um governo opressor não é, a princípio, o foco da história. Na verdade, A Seleção é construído de um jeito leve e divertido, sobre o alicerce de uma “cinderela distópica”. Em Iléa, um país nascido após uma grande guerra, é comum que os príncipes se casem com plebéias. Foi assim com a mãe de Maxon, e assim seria quando fosse a vez dele de escolher uma pretendente. Trinta e cinco candidatas seriam selecionadas para o conhecido reality show A Seleção, onde só uma delas seria a sortuda a ganhar o posto de princesa ao lado de Maxon. Qualquer garota estaria mais do que ansiosa para ter esta chance.

Qualquer uma, menos America. Impulsionada pela mãe, a garota se inscreve e, surpresa, descobre que ficou entre as finalistas. Abandonar a família para morar no palácio, por tempo indeterminado, enquanto é acompanhada por uma rede de TV, passando por aulas de história, rivalidades e jantares reais, não estava em seus planos. Mas uma vez lá dentro, America vai descobrir que A Seleção pode ser, de fato, uma oportunidade única, especialmente ao conhecer mais a fundo o príncipe Maxon. A aproximação dos dois lhe mostrará que Maxon é mais do que apenas sua aparência de um belo príncipe.

A Seleção é, na melhor das definições, uma leitura doce e singela, que atrai pelo ritmo com que a história é contada. Sem se prender a uma narrativa densa, o que Kiera Cass nos apresenta é uma leitura rápida, onde tudo flui de forma harmoniosa. Personagens juvenis interessantes incrementam a qualidade da história, e embora não esteja livre de alguns clichês – como o triângulo amoroso –, America e Maxon deixam a leitura ainda mais viciante. America é uma protagonista forte, e Maxon, com seu jeito tímido de príncipe adolescente, é irresistível. Sua bondade e seu flerte doce é só parte do charme que acompanha o garoto.

Mesmo sendo avessa a livros distópicos, A Seleção foge a regra.  A história trata, principalmente, sobre as discrepâncias sociais, mas também aposta em um romance que há muito tempo eu não experimentava em uma leitura: doce, inocente e juvenil, mas que consegue, ainda assim, arrancar ótimos e longos suspiros de um leitor. A  Seleção fica entre as leituras mais leves que tive este ano, mas certamente uma das que ficará entre as preferidas de 2015. As expectativas para “A Elite”, continuação do livro, não poderiam ser maiores após a excelente leitura.

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Capa original:

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Obs: Queria agradecer a Mayara Tashiro, do blog Silêncio Contagiante, que foi quem me deu o livro. Obrigada pelo presentão!!!

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Longe de você – Emily Hainsworth

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Through to You

- N° de páginas: 288

- Sinopse: Camden Pike tem uma surpresa ao retornar ao local do acidente que matou Viv, sua namorada: ele encontra uma garota exatamente igual a ela. Nina vem de uma realidade paralela onde Viv está viva – mas não é bem Viv. Mas Cam está disposto a mantê-la ao seu lado. Mas eles fizeram escolhas bastante distintas em suas vidas, e quando Nina revela um segredo perigoso, fica claro que a Viv que Cam amava não é a mesma pessoa que ele reencontra. Mas será que ele conseguirá escolher entre essas duas realidades?

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Posso dizer que o principal atrativo de Longe de Você, livro de estreia da autora Emily Hainsworth, é instigar o leitor por meio do mistério. Não do tipo enrolado e cansativo, mas aquele mistério que é desmembrado a cada página, fisgando o leitor em uma história envolvente e inusitada. Confesso que tinha em mente outra ideia do livro, e a proposta da autora me surpreendeu de maneira muito positiva. Fugindo um pouco da mesmice, Longe de você traz um tema, até então, pouco visto na literatura juvenil – mundos interdimensionais paralelos.

Cam é um jovem que perdeu sua namorada, Viv, há dois meses, em um acidente de carro. O rapaz se culpa pelo ocorrido, uma vez que Viv perdeu o controle do veículo graças a ele. Desde então, Cam não tem vivido – ele tem sobrevivido. Sua perna dolorida é um lembrete do passado doloroso – um passado que ele não consegue esquecer. Em casa, sua mãe está sempre ausente e seu pai abandonou a família. Cam também não tem amigos na faculdade – pelo contrário. Sua vida está longe de ser um mar de rosas, e, muitas vezes, Cam deseja ter ido no lugar de Viv.

Em uma noite fria, ele se depara com algo inusitado. Uma garota em pânico, translúcida, confusa e perdida. Sem dizer coisas que fizesse sentido a ele, e assustado com a luz verde que emanava da jovem, Cam, em um momento de desespero, foge da aparição à sua frente. Mesmo após alguns dias, ele volta a ver a garota, porém descobre que Nina atravessou um portal que a levou para aquele mundo paralelo ao dela. Em duas dimensões parecidas, a vida de Cam segue um mesmo cursor, entretanto, algumas coisas diferem de um mundo para outro. Por exemplo, Cam descobre que, no mundo de Nina, Viv estava viva, e ele era quem havia morrido em outro acidente de carro.

É difícil explicar sobre o enredo sem entrar em muitos detalhes – especialmente para não estragar elementos que surpreenderão os leitores. Porém, posso dizer que a história, apesar de simples, foi trabalhada de maneira criativa e um tanto quanto original. O livro é dotado de um suspense delicioso, e apresenta personagens enigmáticos – sem sabermos se podemos ou não confiar neles. Há todo um mistério envolvendo a morte de Cam no outro mundo paralelo ao dele, e parte dessa incógnita está relacionada ao comportamento dos personagens. Muitos não são o que aparentam.

Bem escrito, Longe de você foi uma leitura rápida e envolvente. O livro fala de escolhas e de suas consequências – boas ou ruins –, e, embora o final tenha sido satisfatório, confesso que não fiquei de toda contente. Um dos personagens mais interessantes termina sem um fim mais conciso, gerando algumas dúvidas. Ainda assim, vale a pena a leitura, especialmente pela proposta original da autora.

Capa original:

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Garoto encontra Garoto – David Levitan

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Boy meets boy

- N° de páginas: 239

- Sinopse: Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola... E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!

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Garoto encontra Garoto é uma leitura leve, voltada especialmente para o nicho juvenil – porém não há restrições de idade. Ambientado dentro de um colégio peculiar, a história reúne como principal tema o romance entre dois garotos que estudam na mesma escola, mas que só se encontram após uma reunião com os amigos de Paul. A atração imediata faz com que Paul se empenhe em procurar Noah no dia seguinte, durante o intervalo da escola.

Com a ajuda de seus amigos, Paul finalmente consegue encontrá-lo. A relação entre os dois é muito doce e delicada, principalmente por Noah já ter enfrentado uma decepção amorosa em sua antiga escola. O rapaz não quer sofrer novamente, e, por isso, mantém certa distância dos seus próprios sentimentos com relação à Paul. Entretanto, ao ouvir um boato parcialmente verídico, os receios de Noah se concretizam, e os dois terminam a relação.

Agora, o garoto precisará arranjar um meio de fazer Noah perdoá-lo. Enquanto pensa em como revolver isso, Paul precisa planejar um baile, resolver de vez as pendências com o seu ex-namorado, lidar com sua amiga, Joni, e ajudar o seu amigo gay enrustido, Tony, a enfrentar os próprios pais. Assim, acompanhamos os conflitos amorosos, as intrigas, as brigas e as reconciliações do protagonista e de seus amigos no cotidiano do colégio onde estudam.

Narrado em primeira pessoa, o enredo simples faz de Garoto encontra Garoto uma história sem muitas ambições. A leitura é despretensiosa, de um jeito rápido e gostoso de se ler. O autor reúne personagens com características quase únicas, e os coloca em um ambiente juvenil com peculiaridades interessantes e divertidas – como os viciados em clubes, por exemplo. Onde o comum é presença de uma maioria gay, lésbica, travesti e bissexual, David Levitam defende  a bandeira da diversidade ao idealizar uma sociedade juvenil onde todos convivem de maneira natural – independente da orientação sexual de cada um. O preconceito é trabalhado de forma leve, porém ele está presente na figura dos mais velhos – como nos pais de Tony. O principal foi ressaltar a convivência de todos e mostrar que, sem importar orientação de cada um, os personagens são dotados de defeitos e qualidades apresentadas ao longo da história.

Garoto encontra Garoto foi um livro rápido, narrado com passagens bem humoradas, doces e delicadas. Embora não seja meu estilo de leitura - por apresentar personagens muito jovens e situações mais banais - , curti a proposta da história. Entretanto, devo também acrescentar que esperava um pouco mais. Faltou ousadia? Acredito que sim. O autor estagna numa zona de conforto e não saiu muito da mesmice de qualquer livro comum com este tema. Ainda assim, não deixa de ser uma história fofa e agradável.

Capa original:

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domingo, 15 de junho de 2014

Um Caso Perdido – Colleen Hoover

image- Ficha Técnica:

- Título original: Hopeless

- 381 páginas

- Sinopse: Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras... Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.

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Um Caso Perdido, da autora Collen Hoover, é um romance adolescente voltado para o drama. Acredito que o livro se encaixe na definição de sick-lit, cujo enredo transborda em acontecimentos sofríveis que marcaram ou marcam a vida dos protagonistas. Confesso que não sou muito fã deste tipo de história, o que prejudicou um pouco minha leitura. O enredo apresenta ao leitor um mistério sutil que é desmembrado aos poucos, entrelaçado a uma carga acentuada de drama.

Sky é uma garota adotada por Karen, e não se lembra de sua vida antes dos cinco anos. Sua vida é relativamente comum; possui uma melhor amiga, leva meninos para o seu quarto e mantém uma amizade com sua mãe baseado em companheirismo e confiança. Algumas coisas, porém, são diferentes: Sky jamais estudou em uma escola – e sim em casa. Além disso, Karen é contra tecnologia, e por isso jamais permitiu que Sky usasse aparelhos como televisão, telefone ou celular. Entretanto, quando Sky compartilha seu anseio por estudar no último ano de um colégio, Karen abre esta exceção a sua regra.

Um dia, enquanto estava fazendo compras, Sky conhece Holder. O encontro gera certo desconforto, pois o jovem se comporta de maneira esquisita por achar que a conhecia de algum lugar. Mais tarde, ela o encontra novamente enquanto corria na rua. Então, descobre que Holder está na mesma sala de seu colégio, e os dois travam um romance que trará alguns mistérios. Porque Hold age como se estivesse escondendo algo dela? O comportamento instável de Holder a assusta, mas ela logo descobrirá o motivo. Sky precisará encarar verdades de sua própria vida e os mistérios de sua adoção.

Achei que a história começou muito bem até Sky encontrar Holder. Daí começa uma ladainha sem fim sobre como ela se sentia sempre que ele estava por perto, a tocava, tirava a camisa, respirava… achei que ela fosse entrar em combustão alguma hora! Achei muito exagerado e a autora pecou pela repetição. Entretanto, admito que em algum momentos me envolvi com a história dos dois. Holder é um personagem misterioso mas ao mesmo tempo sua personalidade faz mais o estilo romântico devoto. Quando os segredos são desmembrados, ele protege e acompanha Karen nas situações mais complicadas de sua vida.

A história traz uma realidade cruel e revoltante. Ao mesmo tempo, a quantidade de situações convenientes e furos na trama fazem de Um Caso Perdido uma história inverossímil. Não contarei qualquer um dos fatos presentes no enredo, pois uma vez que se centram no mistério, são spoilers importante para o leitor. Só ressalto que um tema tão importante, para mim, foi trabalhada sem o menor cuidado. Em momentos em que esperava mais bom senso, a autora escolhe uma via de fuga sem sentido, e, em outros, se repete e se enrola em uma narrativa cansativa e pedante.

Narrado em primeira pessoa, Um Caso Perdido é uma leitura que, para mim, não funcionou. Gostei em alguns momentos, mas confesso que pulei e fiz uma leitura “dinâmica” na maior parte da história. O mais curioso é que, quando comecei a leitura, não sabia que se tratava da mesma autora que escreveu Métrica – livro, que, por sinal, abandonei logo no começo. É, acho que definitivamente não me encaixo nas histórias de Colleen Hoover. Uma pena.

Capa original:

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Teorema Katherine – John Green

image- Ficha Técnica:

- Título Original: An abundance of Katherines

- 302 páginas

- Sinopse: Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.
Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

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[OFF TOPIC]

Quando se trata de John Green, ainda me sinto dividida entre a satisfação encontrada ao ler Will & Will – uma obra divertida, inteligente e leve, que não chegou de fato a me tornar fã do autor, porém me agradou muito –, e, agora, a decepção ao ler O Teorema Katherine. Embora o autor prime pelo mesmo estilo narrativo de uma maneira solta e fluída, a estrutura da história e os poucos acontecimentos marcantes tornaram O Teorema Katherine uma história muito arrastada e desinteressante. Além disso, há certo toque de pedantismo irritante que falarei mais para frente.

A história retrata a vida de Colin e seus dezenove relacionamentos com dezenove Katherines. Colin é um superdotado; sua inteligência acima de média o tornou um garoto solitário, de poucos amigos. Ao terminar com sua última Katherine, Colin está depressivo, desmotivado para tudo. É seu amigo Hassan quem consegue tirar o rapaz da tristeza com uma ideia em mente: os dois viajariam sem rumo, conhecendo lugares novos. Na viagem, Colin começa a desenvolver um teorema que mostraria quando um relacionamento terminaria e qual dos dois iria fazê-lo.

A abordagem de John Green prima por um estilo mais “desleixado”. Sua narrativa é solta, cheia de notas de rodapés onde, por vezes, o autor “dá pitaco” sobre seu próprio protagonista. Há observações tolas que soam engraçadas, outras que pareceram, na minha visão, desnecessárias. O leitor também encontrará comentários aleatórios sobre algum fato recorrente na história e uma atenção especial para os vários termos encontrados ao longo do livro – em geral o islamismo – cujo próprio autor tratou de explicá-las em suas notas.

De início achei interessante o modo como o autor prometia conduzir sua história. Trazendo  um clima on the road, onde o protagonista cai na estrada e agrega alguma mensagem ao longo da narrativa, me diverti nas primeiras páginas com o jeito afoito de Hassan e o comportamento introvertido de Colin. Este, como admite mais para frente, está em busca de reconhecimento pela sua genialidade e seu teorema que inventa para explicar matematicamente quando uma pessoa terminaria com a outra em um relacionamento amoroso. Entretanto, esse estilo inusitado, que prometia uma boa história, acabou caindo no vazio.

Determinados argumentos utilizados na construção do enredo me pareceram forçados demais. Colin teve dezenove namoradas antes mesmo dos vinte anos, porém mal consegue manter um diálogo interessante com seu melhor amigo ou qualquer outra pessoa de sua idade. Os dois, durante a viagem, passam a morar em uma mansão cuja dona oferece a eles – até então dois desconhecidos –, um emprego que pagaria quinhentos dólares por semana apenas para entrevistar algumas pessoas. Infelizmente, para mim, ficou pouco crível aceitar estas e outras situações singulares que permeiam a história. O leitor que não implicar com as peculiaridades certamente será mais feliz na leitura do que eu fui.

Fiquei com a impressão que John Green estava mais preocupado em inserir alguma metáfora na história do que desenvolvê-la propriamente. Embora a narração seja fluída, o ritmo é lento, poucas coisas de fato acontecem, o que me desanimou com a leitura. O protagonista é enervante com sua monotonia e seus comentários que não agregam ou transmitem algum vínculo com o leitor - o que, por consequência, fez com que eu o detestasse. O pedantismo ao qual me refiro fica justamente por conta de Colin e seus cálculos matemáticos, cálculos estes verdadeiros, já que o próprio autor afirma que pediu ajuda a um de seus amigos da área. As páginas semeadas de matemática me pareceu uma tentativa de elevar a história a um conhecimento rebuscado e, por mim, dispensável. Fiquei me perguntando quantas pessoas realmente pararam para absorver o conteúdo das fórmulas.

Caso fosse tirar alguma mensagem de O Teorema Katherine, eu diria que a história fala sobre pessoas que tentam o reconhecimento pelos seus talentos, que procuram ser alguém neste mundo e deixar sua marca na história. Quantas pessoas não sonham com isso? Porém quanto a trama, John Green deixou muito a desejar. O Teorema Katherine passou longe de ser meu livro favorito e, por enquanto, me privo de suas obras. Uma pena.

Capa original:

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sábado, 20 de julho de 2013

O Futuro de Nós Dois – Jay Asher & Carolyn Mackler

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Future of Us

- Sinopse: É 1996, e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos Estados Unidos já tinham usado a internet. Emma acaba de ganhar o primeiro computador e um CD-ROM da America Online de Josh, seu melhor amigo. E ao instalar o programa, logo no primeiro acesso, descobrem que acabam de entrar no Facebook, dali a quinze anos. Todos se perguntam como será o futuro. Josh e Emma estão prestes a descobrir...

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Já adianto que a leitura foi muito prazerosa. A história é contada de modo leve, trazendo a experiência singular e divertida como característica principal de seu enredo. A ideia de saber como você será daqui a quinze anos não apenas atiça os personagens da história como o próprio leitor, o que por consequência este acaba sendo conquistado pela trama leve e gostosa. O livro provoca e brinca com o caráter mais antigo do ser humano: a curiosidade.

Na história, a personagem Emma ganha seu primeiro computador. Seu amigo Josh lhe entrega um CD da AOL que dá direito a cem horas grátis de internet. Ao instalar, entretanto, ela não entende o porque é direcionada a uma página denominada “facebook”. Não leva muito tempo para descobrir que a página é uma rede social em que uma Emma do futuro conta seu cotidiano, juntamente com outros amigos – inclusive Josh. A princípio, Emma e Josh desconfiam que este seja algum tipo de brincadeira, mas, aos poucos, começam a acreditar que estão de fato lendo relatos de pessoas do futuro. Com isso, também descobrem que suas ações do presente acabam mudando o que aparece na tela, como namorados, casamentos e até mesmo filhos.

A narrativa dos autores é leve, o que acaba tornando a leitura fluída e interessante. Os dilemas apresentados são para o público jovem, portanto aqui veremos temas como relacionamentos, amizade, “ficantes” e até sexo – tudo de um modo suave, sem pesar na história. O tópico predominante remete as ações do presente que, como os personagens percebem, alteram o seu futuro - neste contexto os autores abordam as questões principais da história. Um gesto simples, por exemplo, alteraria todo o futuro de Emma e, por consequência, modifica os daqueles que estavam em sua rede de contatos. Até onde alguém pode mexer em seu futuro sem prever as consequências? Como viver o presente sem se preocupar com o impacto que isso causará no amanhã? Essa e outras questões, tal como livre arbítrio e a busca pela vida perfeita, são trabalhadas nesse contexto.

Achei a história uma graça e muito gostosa de ler. Os autores souberam como atiçar o leitor mais velho inserindo alguns aspectos que caracterizam o cenário dos anos noventa. Pequenas coisas que fizeram a diferença na narrativa e deram veracidade a ambientação, como a menção a fitas piratas, programas da época, o bip, o fato de que a internet impossibilitava usar a linha telefônica, lições de casa todos os dias… é um tanque de nostalgia que provoca no leitor o sentimento de familiaridade e uma atmosfera descontraída, com a sensação de que ele já viveu aquilo e, portanto, uma identificação com os personagens. Vez ou outra eu abria um sorrisinho bobo ao me deparar com coisas do qual eu também já passei.

Os personagens são agradáveis, mas algumas vezes me apeguei mais a Kellan e Tyson quando estavam juntos do que aos próprios protagonistas – Josh e Emma. Isso porque os dois últimos passam boa parte da história se evitando devido a determinado acontecimento na história. Já Kellan e Tyson estão sempre juntos e garantem os diálogos mais descontraídos do livro. Entretanto, Josh é carismático, o personagem possui uma bondade fofa, um jeitinho divertido e, como vemos ao longo das páginas, mostra-se o mais sábio ao se deparar com seu próprio futuro. Quanto ao romance, ele peca um pouco pela falta de holofotes, mas para um livro juvenil, talvez esteja na medida certa.

O Futuro de Nós Dois fala da preocupação que temos com o nosso futuro, a nossa garantia de querer para si um final feliz. Fala sobre felicidade, sobre “deixar rolar” para viver o presente e aproveitar o que temos nele. As últimas páginas carregam uma carga de “moral da história” muito sutil e inteligente. Passei boas horas lendo e adorei. 

Capa Original:

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segunda-feira, 4 de março de 2013

O Príncipe da Névoa – Carlos Ruiz Zafón

image- Ficha Técnica:

- 180 páginas

- Título Original:

- Sinopse: A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal - o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço.

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O Príncipe da Névoa é o primeiro livro escrito pelo autor Carlos Ruiz Zafón. Eu adoraria fazer comparações com suas outras obras, mas não cheguei a ler nenhuma – ainda que incentivos não faltem. Entretanto, só posso supor que de uma escrita singela e uma narrativa agradável ao leitor, o escritor tenha apenas melhorado. O Príncipe da Névoa leva traços simples, mas nem por isso foi menos gostoso de se ler.

Max é um jovem garoto que se mudou com a família para uma vilarejo, na tentativa de fugir da guerra. Seu pai é o único que parece entusiasmado com a mudança, ainda que todos estivessem fazendo algum esforço. Andreia lhe apoia, Irina rapidamente entra no clima ao adotar um gato de rua e Alicia nos passa a ideia da típica irmã mais velha que adora virar a cara e reclamar das mais simples coisas da vida. Max, por sua vez, tenta se adaptar a essa ideia e até faz uma nova amizade.

Ao lado de Roland, Max descobre sobre seu novo lar mas, principalmente, descobre sobre os restos de um navio naufragado. E enquanto vai desvendando mais por trás da história do navio, coisas estranhas começam a acontecer com sua família. Irina sofre um acidente, Alicia sonha com um palhaço e Max está certo de que as estátuas no jardim se movem. Depois, ao encontrar estranhos filmes sobre a casa na garagem porão, ele percebe que há muito mais mistérios do que o local aparenta. Ou, como Copérnico é citado, “havia muitas e muitas coisas que escapavam a compreensão humana”.

O Príncipe da Névoa é um livro curto, terminei de lê-lo em dois dias. A escrita é fluída, porém suave, sem tentativas de rebuscamento. Achei um tom ideal para uma história juvenil de suspense, ainda que talvez toda essa simplicidade possa ser confundida vez ou outra com a escrita – na época –, iniciante do autor. Relembrando, eu não li os livros do Zafón, mas acredito que sua marca tenha amadurecido. Ainda assim, não há qualquer traço negativo em sua forma de contar uma história onde o autor nos apresenta pouco a pouco os acontecimentos misteriosos para que, no final, eles se entrelaçam de uma forma delicada e sem pontas soltas.

Embora seja narrado em terceira pessoa, a história é contada de tal forma que o leitor se sente na visão de um garoto de 13 anos. Seus pensamentos com relação a irmã, o melhor amigo ou o mistério que cercava o navio Orpheus, tudo carrega uma narrativa leve e despretensiosa, com a atmosfera própria de um menino decidido a entrar na aventura e desvendar esse mistério. Por mais que Max seja o protagonista, o autor nos mostra que os demais personagens também ganham sua dose de importância ao longo da leitura.

Zafón consegue, em poucas páginas, brincar com o drama, romance, suspense, aventura, amizade e magia. Eu gostei da proposta e os ingredientes se encaixaram sem que um engolisse o outro. Porém, é na aventura e suspense onde o autor da voz aos mistérios que rondam a casa, ao armário do quarto de Irina, ao estranho gato ou o jardim de estátuas. Um dos motivos para que eu evite livros de suspense – com um toque de terror –, é pela ansiedade que eles me causam. Mesmo sendo bem mais leve do que até outros do gênero, com O Príncipe da Névoa não foi diferente. O autor conseguiu me prender e o resultado foi um livro devorado em pouco dias.

É difícil fazer uma resenha de um livro tão curto sem deixar escapar qualquer spoiler. Porém, sem distinção de idade, a mensagem é clara: Ação e reação, causa e consequência e, principalmente, a ganância. O final é cheio de ação, e nesse momento percebi que Carlos não se preocupa tanto com a coerência e se arrisca no imaginário e surreal. Deu certo. Se tratando de uma aventura juvenil isso não parece forçado, pelo contrário. A história é ótima, fiquei encantada com a ideia e como tudo se encaixou perfeitamente na proposta.  Para qualquer leitor, mesmo aqueles não acostumados a leitura do gênero, no mínimo vai sentir uma certa pontada de nostalgia, arrisco até dizer um pouco de melancolia. O livro poderia ter facilmente se fechado em um único livro, mas a promessa de continuação é o toque final para nos deixar na vontade pelo segundo volume. Adorei.

Capa original:

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Assassin’s Creed – Oliver Bowden

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Renaissence

- 367 páginas

- Sinopse: Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

- Nota: 2

Hoje vou abrir uma exceção aqui no blog. Nada de romance gracinha, erótico, chick lit ou romance adolescente… o livro de hoje é baseado nos jogos de Assassin’s Creed, criado pelos mesmos produtores do também jogo de video-game, Príncipe da Pérsia.

Antes de tudo, sou uma fanática por jogos. Posso não jogar tanto agora quanto na minha infância/adolescência (falta de tempo), mas era daquelas que comprava as revistas, lia sobre os lançamentos, alugava “fitas” (velha) todo final de semana e comprava os jogos dos mais diferentes tipos. Assassin’s Creed fez parte disso, e eu amei a história de Ezio, com todo aquele ar de conspiração, lutas e um homem em busca de vingança.

Ezio tinha uma vida tranquila em Florença. Metia-se em brigas, escalava a janela de Cristina toda a noite e corria entre os telhados das casas, apostando corrida com seu irmão. Tudo estava perfeito, até que sua família é acusada de traição. A vida que ele conhecia não existe mais. Ainda jovem, assistiu seus dois irmãos e seu pai serem enforcados. Viu como sua mãe perdeu o gosto pela vida, e como sua casa ficou destruída após a emboscada. O garoto encrenqueiro, que levava a vida tranquilamente, perdeu sua inocência aquele dia, e torna-se então um jovem em busca de vingança.

A história do livro começa boa, e o próprio enredo do jogo daria tudo para um livro digno de best-seller. Entretanto, parte do problema de Assassin’s Creed foi justamente esse… o livro segue a risca os acontecimentos do jogo.

Se fosse como aconteceu em Príncipe da Pérsia, com sua adaptação para o cinema – e nisso tivemos uma história reescrita, mas que conseguiu manter a essência do jogo – Assassin’s Creed teria sido perfeito. Porém, o autor optou pelo caminho idêntico ao game. As ações de Ezio, as falas, os passos dele… Como eu li em várias resenhas (e devo concordar), tive a impressão que estava lendo um script ao invés de uma história literária. Tanto que, na primeira parte do livro, ainda me senti lendo de fato uma história, e foi a parte que eu mais gostei. Temos momentos em que sabemos o que se passa com os sentimentos do personagem, a raiva, a frustação, o choro, o sentimento de deixar o seu amor para trás – coisas que Ezio enfrenta pela sua busca à vingança.

Entretanto, depois disso, só o que temos são cenas e mais cenas de ação, que em certo momento parecem repetitivas e não deixa o leitor respirar. Em um jogo isso é ótimo, no livro senti falta de algo mais. Os raros momentos em que Ezio dá uma pausa e temos o seu lado “humano”, que pensa em sua antiga vida, no seu antigo amor ou em quem ele se tornou, não passam de dois ou três parágrafos, poucas vezes.  O ápice de comover o leitor foi quando Ezio assistiu a morte do pai, que também durou rápido.

Não vou dizer que não gostei de nada. A leitura como um todo é boa, mas faltou mais ingredientes e, principalmente, se desprender um pouco do jogo. Se fosse para escolher um elogio, diria que as descrições de Florença e outras cidades são um prato cheio pro leitor ser transportado para época. O autor escreve bem e pesquisou bastante para trazer os ares da renascença para o livro.

Para quem já jogou, as chances de gostarem do livro são poucas. Ao mesmo tempo, vi várias pessoas que não jogaram e adoraram a história do livro. Para mim, opto pela história de Ezio no mundo dos games.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Carolina se apaixona – Federico Moccia

image - Ficha Técnica:

- Título Original: Amore 14

- 398 páginas

- Sinopse: Carolina tem catorze anos de idade. Vive um momento mágico em sua vida. As amigas, sempre por perto. E os sonhos, quantos sonhos! E há os primeiros beijos roubados no escurinho do portão. E sempre aquela música que surge no momento certo. Festas, escola, brincadeiras, mas também existem as provas e outras coisas de gente grande. A avó é maravilhosa e sabe enxergá-la bem longe, lá no fundo de sua alma. Sobre o amor? O que se sabe? O que se vive? Como é realmente o amor? Talvez ele tenha os olhos de Massimiliano? O amor é aquilo? Quem sabe... Mas Carolina perdeu o celular, e com ele tudo o que sabia sobre o rapaz. Mesmo assim, ela não tem dúvidas de que conseguirá reencontrá-lo. Enquanto isso, sonha chegar bem perto da nuvens. E a vida transcorre sem preocupações. Entre as aventuras de cada dia e as sombras do convívio familiar não paira nem de longe a suspeita e a desconfiança. O seu coração está sempre acelerado a cada afeto que se abre e se transforma em esperança pelo futuro. E há uma estrada infinita diante dela que convida a seguir caminhos desconhecidos. Carolina está pronta para ser feliz.

- Nota: 2

Fiquei com o pé atrás com Federicco Moccia após o livro “Desculpa se te chamo de amor”. Tive uma dificuldade enorme com a leitura abandonada ao meio, e infelizmente minhas pesquisas ainda não chegaram a conclusão se isso se deve ao tradutor ou se aquela era a escrita (confusa) do autor (afinal, eu não falo italiano, não tive como comprovar hehe). Mas por indicação, fui ler “Carolina se apaixona”, e o resultado saiu um pouco diferente do meu desastre com Federicco à primeira vez.

Carolina se apaixona conta a história de… bom, Carolina. A garota é uma adolescente típica aos seus 14 anos. Possuí duas melhores amigas, odeia certas matérias na faculdade, tem problemas familiares e vive sonhando com um amor que a faça suspirar. Nesse último quesito, Carolina esbarra em um rapaz belíssimo, chamado Massi, e vive um dia romântico com ele.

Entretanto, seu sonho não dura muito. Carolina perde o celular em que anotou o número dele, perdendo assim qualquer possibilidade de manter um contato. Ainda assim, mantém certo resquício de esperança. Carolina segue com a vida, mas não esqueceu Massi.

Estava adorando o livro desde a primeira página. Os personagens são ótimos, mais reais e típicos de qualquer família. Os pais de Carolina, cujo tempo e a monotonia destruiu o amor do casamento, a irmã chata que faz questão de implicar com tudo e o irmão *suspiro* que quer ser escritor e precisa lutar para provar ao pai que pode sim sobreviver disso. Rusty James é um bônus ótimo a história e encanta com seu sonho de escrever. Federicco nada mais faz do que expressar com exatidão o que qualquer escritor, infelizmente, acaba ouvindo pelo menos uma ou duas vezes na vida.

Sim, a narrativa um tanto ousada continua lá. Federicco aposta em páginas e mais páginas de um só parágrafo, em narrativas as vezes não tão descritivas, outras mais poéticas e românticas. Os leitores de primeira viagem provavelmente ainda vão estranhar. Agora, se preciso dar credito ao tradutor eu não sei, mas a leitura fluiu bem melhor, mais gostosa e, mesmo sendo uma leitura diferenciada, a narrativa me agradou muito.

Mesmo assim, nem tudo são flores. É bonitinho o primeiro amor de Carolina, poético até, se não fosse por alguns aspectos que entram em contradição com essa idea que cerca o livro. Carolina afirma o tempo todo que Massi é seu amor, que ela nunca iria esquecê-lo (amor de um dia), mas, ao mesmo tempo, não perde a oportunidade de beijar qualquer mocinho bonitinho do livro que esteja afim dela. No começo isso se torna até irrelevante, se não fosse pelo fato que a situação se repete, repete e repete, cada situação com um garoto diferente.

E esse é justamente o ponto fraco do livro. Eu sempre sou a primeira a reforçar o conceito de, quanto maior um livro, maior a possibilidade do autor explorar a idea e envolver os personagens de modo mais profundo. Porém, são quatrocentas páginas pra poucos acontecimentos realmente impactantes na história. Ok, não quatrocentas, porque lá pelas duzentas e pouco, quando a história caiu na mesmice,  eu abandonei o livro. Talvez depois disso tenha melhorado, e eu juro que tentei prosseguir, mas não consegui. O que era uma leitura agradável, que até então fluía perfeitamente, tornou-se cansativa e arrastada. O autor escreve muito bem, mas não precisava ter enrolado tanto.

Então, fico num impasse: Alguns pontos positivos, outros bem negativos. Inclusive, fui atrás de descobrir o final do livro e não me agradou o desfecho. Ao menos, por trás da proposta do autor, achei que deveria ter tido outro final.

Se darei outra chance aos livros do autor? Claro. Como citei, a leitura fluiu muito mais rápida dessa vez, bem mais gostosa, e quem sabe eu me identifique com outros livros do Federicco. Infelizmente, não foi dessa vez.

Capa original:

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sábado, 10 de dezembro de 2011

O verão que mudou minha vida – Jenny Han

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Summer I Turned Pretty

- 287 páginas

- Sinopse: A vida de Belly é medida em férias de verão. Para ela, todas as coisas boas só acontecem entre os meses de junho e agosto, quando está na casa de praia junto a Susannah, única e melhor amiga de sua mãe e uma espécie de tia, e seus dois filhos, Jeremiah e Conrad. Mais do que irmãos postiços e companheiros de férias, os filhos de Susannah tornaram-se o centro das suas emoções. A véspera do aniversário de 16 anos de Belly marca também o fim daquele que parece ser o último verão onde estarão todos reunidos em Cousins Beach. A partir do ano seguinte todos estarão ocupados demais e talvez algum deles já nem esteja mais entre nós...

- Nota: 
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“ – Talvez este seja o nosso último verão aqui – falei, de repente.

- De jeito nenhum – disse Jeremiah, boiando até mim.

[…]

Conrad sacudiu a cabeça.

- Não importa, vamos sempre voltar.

E aí imaginei, por um momento, se ele estava falando dele e de Jeremiah. Foi quando ele completou:

- Todos nós.”

Sabe aquele livro que você, sinceramente, não daria muita coisa? Que se trataria de uma história que você leria sem se apegar muito? Eu confesso que pensava isso do livro “O verão que mudou minha vida”. A capa é singela e um charme de delicadeza. A sinopse, a principio, não tinha me atraído tanto, e meu gosto sempre foi o romance adulto. Mas uma das coisas que mais gosto é quando um livro nos surpreende e nos faz mudar completamente de opinião logo nas primeiras páginas. 

“O verão que mudou minha vida” conta com uma linguagem fácil, um enredo que de simples torna a leitura prazerosa. Acho que a história resgata um pouco daquela adolescência dos primeiros amores, daqueles momentos simples de família, mas que marcam para sempre.

Belly, Steve e sua mãe passam todo o verão na casa de praia da melhor amiga de sua mãe, Suzanne, que também possuí dos filhos: Conrad, o mais velho, e Jeremiah. Os quatro praticamente cresceram juntos, mas Belly desde os 10 anos de idade nutre uma paixão secreta por Conrad. E dessa vez, os meninos parecem que finalmente notaram a linda Belly, não mais a tratando como a criança que brincava com eles.

Porém, Conrad parece mais distante desta vez. Ele não é mais o mesmo garoto que brincava e se divertia com eles. Tampouco Suzanna estava feliz, chorava e tinha seus segredos. O verão não parecia ser tão mais perfeito como os outros.

O modo como a autora conduz a história é de um jeito tão bom e gostoso, que devorei o livro rapidinho. A história é linda, e resgata algumas lições importantes, além de nos relembrar a idade boa em que ainda não se tem o peso do mundo nas costas mas, ao mesmo tempo, se começa a entrar nos conflitos que qualquer um passa durante o amadurecimento. Jenny escreve tudo isso de forma sublime, numa mistura entre o doce e o delicado, o triste e alrege. Não tem como não gostar desse livro. No mínimo o leitor mais insensível refletirá um pouco a mensagem proposta pela autora.

Eu daria nota cinco, se não fosse por um único ponto que me senti incomodada. O pulo no tempo que a autora faz entre um capítulo e outro é um pouco confuso. Uma hora há as lembranças do verão de 11 anos, e então, de repente, a narração saltava para o tempo atual sem um aviso. Depois voltávamos para o verão de 14 anos, e assim por diante… fora isso, o livro é totalmente maravilhoso! Para quem gosta de romance juvenil, a leitura é obrigatória. Para quem não gosta, vale super a pena dar uma chance para esse. Garanto que não vão se arrepender. ;) Saber que há continuações, principalmente pelo modo como terminou, me faz torcer para que os próximos sejam publicados logo aqui no Brasil. ^^

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Onde comprar:

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Destinos Cruzados – Elizabeth Chandler

image- Ficha Técnica:
- Título Original: Evercrossed
- Sinopse: Um ano se passou desde que o namorado de Ivy, Tristan, morreu. De lá para cá, ambos seguiram em frente – Tristan para o outro lado da vida e Ivy para o doce e adorável Will. Agora, ela espera somente esquecer o horror do passado, deitar-se na praia com um copo de limonada e sair com seus amigos. Mas então, um acidente de carro põe fim à vida de Ivy. Enquanto ela flutua no além, se deparando com a vida que ela deixou para traz, Tristan a faz retornar a vida com um beijo apaixonado. Ivy acorda no hospital, cercada por Will e sua família, mas tudo o que ela consegue pensar é no amor que perdeu. Mas não são apenas as lembranças de Ivy que voltaram do passado. E dessa vez ela não tem certeza de que o amor possa salvá-la
- Nota: image
Essa não era a resenha que eu havia feito para o livro. Mas como alguns souberam, tive problemas no meu computador, no que resultou a perda das resenhas programadas, dentre elas o Beijada. Então tentarei colocar aqui as palavras que já havia dito sobre destinos cruzados. :)
Quando soube que haveria uma continuação, confesso que fiquei com o pé atrás. A autora já havia finalizado qualquer brecha ou ponto da história. Um quarto livro surgindo de súbito me fez ver que só haveria uma continuação pelo sucesso, o que em muitos casos pode ser um perigo para o autor se ele não souber conduzir isso.
Felizmente, Elizabeth Chandler não decepcionou. A nova idéia da autora é ótima, o que promete continuação para outros e outros livros. A narração simples e suave, sem muitos detalhes, continua lá. Algumas vezes dá para sentir falta de um aprofundamento maior nas cenas mas, ao mesmo tempo, foi esse jeitinho simples que me conquistou desde o primeiro livro, marca da autora até então.
Tudo ocorre um ano depois dos acontecimentos do último livro. Os amigos estão inseparáveis, o namoro de Ivy com Will está indo bem, até que de repente um acidente misterioso muda tudo. Ivy quase perde a vida, mas é resgatada pelo seu antigo amor, Tristan. E nesse processo de recuperação, ela conhece um rapaz bem misterioso.
Luke é encontrado desmaiado em uma praia. Com cortes por todo o corpo, sem memória, ele parece ser do estilo que fugiu de alguém ou de uma gangue perigosa. Sozinho, Ivy o ajuda, embora todos sejam contra por terem certeza que o garoto que pouco fala e tem um jeito “a la rebelde”, não seja boa coisa.
Senti que esse livro foi uma preparação. É uma introdução a um outro tipo de história, que só será definida, talvez, no próximo livro. Com um tema interessante, cheio de veias que, se a autora souber explorar, terá tudo para dar certo nos próximos livros. Continuo achando Will muito caminhãozinho para Ivy, rsrs. Nesse livro ele deixa de ser o Will fofo, e torna-se mais sério, mais maduro e, diga-se de passagem, bem ciumento. E confesso que dessa vez Ivy conseguiu me irritar algumas vezes. 
A história possui aquela leveza de mistério, deixando um gostinho certo de “quero mais”. Enfim, espero pelo próximo ansiosa! Adorei o livro.  :)
Beijada por um anjo – destinos cruzados é lançamento da Editora Novo Conceito. Abaixo, a capa original: 
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domingo, 26 de junho de 2011

Ladrões de Elite – Ally Carter

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Heist Society

- 230 páginas

- Sinopse: Quando tinha 5 anos, Katarina Bishop distraiu os guardas da Torre de Londres para que o pai pudesse roubá-la. Aos 7, ela ouviu o tio Eddie planejar a interceptação de 80% do caviar do planeta. Quando fez 15 anos, Katarina armou um golpe por conta própria - um esquema para entrar no melhor colégio interno dos Estados Unidos e deixar para trás os negócios da família. Só que trocar de ramo e ter uma vida normal acabou sendo mais difícil do que Kat esperava. Hale, seu amigo charmoso, bilionário e antigo comparsa, logo aparece para levá-la de volta à realidade da qual ela havia se esforçado tanto para fugir. Mas é por um bom motivo: uma inestimável coleção de arte de um temido mafioso foi roubada e ele quer recuperá-la, custe o que custar. Somente um mestre do crime poderia ter realizado essa proeza e o pai de Kat é o único suspeito, embora insista em negar qualquer envolvimento. Encurralado entre a Interpol e um inimigo assustador, ele precisa da ajuda da filha. Para Kat, só existe uma saída: encontrar os quadros e roubá-los de volta. Não importa se parece impossível, se ela não tem pistas do ladrão e se o prazo é de apenas duas semanas. Com uma equipe de adolescentes talentosos e uma mãozinha da sorte, Kat está determinada a realizar o maior golpe da história da família e provar que jamais a abandonou.

- Nota: image

 Eu tinha outra idéia do livro quando fui lê-lo. Pensei que trataria de personagens mais adultos, (embora eu não sei de onde eu tirei isso), e, quando vi que a história passaria entre crianças de 14 a 16 anos, virei um pouco a cara antes mesmo de começar a leitura. Sabe aqueles filmes americanos bizarros que passam de sessão da tarde, onde o bebê fala, e salva o mundo? Achei que seria algo no estilo…

Porém, antes de dizer que estava completamente errada, não posso esquecer que lá nos Estados Unidos, ter 16 anos é praticamente como ter 18 aqui. (inclusive, com essa idade, muitos já podem tirar carta lá). A princípio, nas primeiras páginas, foi difícil me acostumar com a idéia de um grupo de adolescentes serem os ladrões mais hábeis e competentes do mundo, mas depois fluiu naturalmente. Hale, 16 anos, milionário, com um charme especial. Kat, a quem herdou a veia da profissão através do pai, e Gabrielle, sua prima, são os três elementos mais importantes do livro (embora Simon, Nick e os outros também merecem seu mérito.) Destaque para personalidade de cada um, bem desenvolvido que a autora criou. São praticamente crianças-adultas, aquelas que precisaram amadurecer cedo na vida, uma vez que Kat fez sua primeira façanha aos 5 anos.

Sobre a narrativa, ela é maravilhosa. Simples, gostosa, ágil, tanto para jovens quanto para adultos, não chegando a se aprofundar muito nos detalhes característicos. Como por exemplo, na manhã seguinte, o que fulano vestia, ou como estava o cabelo dele, etc. Entretanto, sendo um livro que conta a história de um roubo complexo, detalhes sobre o plano facilmente compreensíveis e toda a operação é mostrada durante o livro.

Pois é isso que Kat tem que fazer. Para salvar seu pai de um mafioso que pensa que o mesmo roubou seus quadros, Kat precisa, num prazo de 13 dias, planejar e roubar novamente os quadros de um museu. Mas não é “um” e sim um dos maiores e mais completos (no quesito segurança) Museu do país. Era isso, ou seu pai morreria.

Foi uma grata surpresa o livro. Se tem romance? Sim, embora não tão aprofundado quanto os que costumo resenhar aqui no blog. A história é excelente, envolvendo o leitor e, quando vi já tinha acabado. Senti que deixou uma pontinha para uma futura continuação, mesmo que essa pontinha tenha me frustrado por chegar no final e não ter sido revelado. ;P O livro fala de amizade, companheirismo, e como a própria autora cita no final – sobre a família.

Ladrões de Elite” é lançamento da Editora Arqueiro. Abaixo, a capa original:

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