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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A Herdeira das Sombras – Anne Bishop

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Heir to the Shadows

- N° de páginas: 478

- Sinopse: Há 700 anos, num mundo governado por mulheres e onde os homens são meros súditos, uma profetisa viu na sua teia de sonhos e visões a chegada de uma poderosa Rainha. Jaenelle é essa Rainha. Mas mesmo a proteção dos Senhores da Guerra não impediu que os seus inimigos quase a destruíssem. Agora é necessário protegê-la até as últimas consequências. Três homens estão dispostos a dar a vida por Jaenelle. Mas há quem seja capaz de tudo para controlar ou destruir a Rainha. Conseguirá ela cumprir seu destino como detentora do maior poder que o mundo já conheceu?

- Nota: image

Obs: Contém spoilers para quem não leu o primeiro volume.

A Herdeira das Sombras é o segundo livro da trilogia das Jóias Negras, escrito por Anne Bishop. O primeiro livro, A Filha do Sangue, foi a melhor leitura que tive este ano. História complexa, carregada de elementos densos, cheio de contrastes, porém trabalhados com uma delicadeza e uma sensibilidade ímpar. Os personagens são sombrios e sedutores, que pendem entre emoções intensas – boas ou ruins –, junto a um cenário carregado de magia e de aparências. Uma história arrebatadora, rica, que nos deixa sem fôlego. Para ler A Herdeira das Sombras, continuação lançada este mês, é imprescindível que se leia A Filha do Sangue primeiro.

Em A Herdeira das Sombras, o leitor inicialmente retoma alguns passos do desfecho do livro anterior. Após os eventos de Briarwood, Janelle se desprendeu do próprio corpo para se livrar do sofrimento. Dois anos depois, agora com quatorze anos, a menina enfim desperta para o mundo dos vivos, porém sua mente bloqueou os acontecimentos traumáticos daquela noite de anos atrás – incluindo lembranças de Daemon. Saetan, querendo dar tempo à ela, não faz qualquer menção ao filho, mas decide que procuraria por Daemon no momento certo.

Ao mesmo tempo em que precisa enfrentar o Conselho das Trevas, que insiste em querer tirar a guarda de Saetan, o Senhor Supremo tenta lidar com uma adolescente cheia de dilemas sombrios. A mansão da família SaDiablo recebe visitantes inusitados, que ficarão durante todo o verão. Além disso, Lucivar consegue escapar das minas de sal e é amparado por Jaenelle, que o leva para morar com a família. Finalmente pai e filho se reencontram, dando a chance para Lucivar de conhecer o próprio passado. Já Daemon, seu irmão, está perdido no Reino Distorcido, se afastando cada vez mais da realidade.

A Herdeira das Sombras é dotado das mesmas características que fizeram de A Filha do Sangue uma história singular. A relação entre os personagens beira a uma linha tênue entre o doce e o amargo, pois cada um carrega os seus próprio demônios – especialmente Jaenelle. O convívio com ela, muitas vezes, não é o dos mais fáceis, porém Lucivar parece saber lidar com os momentos mais frios da garota. A presença do filho de Saetan, a partir da metade do livro em diante, é um breve consolo para o leitor que esperava encontrar Daemon neste volume. Apesar de Lucivar ser um personagem delicioso, a ausência do Sádico parece deixar um enorme buraco na história.

É difícil explicar. Daemon é um personagem complexo, apaixonante, mas aqui ele é reduzido a uma figura vagando entre o Reino Distorcido. Menos do que um mero coadjuvante. Assim, cria-se um contraste gritante entre o primeiro e o segundo livro, pois o laço que unia Daemon e Jaenelle era um dos pontos mais fortes e arrebatadores da história. Como o leitor não sabe o que se passa na mente da pequena feiticeira, fica a sensação de que Jaenelle, na maior parte do tempo, parece indiferente à ausência de Daemon.

Outras situações incomodam durante a história. Dá a impressão de que, desta vez, a autora estava com pressa de escrever o livro, pois, de início com catorze anos, Jaenelle termina a história com a idade de vinte. Os seis anos são descritos com uma rapidez que deixa o leitor, na maioria das vezes, intrigado. O que acontece no espaço entre um ano e outro? Além disso, o universo complexo da autora em um mundo mergulhado pela magia de joias poderosas apresenta, desta vez, algumas nuances desconcertantes. Determinadas passagens são fáceis de serem questionadas, por parecerem convenientes demais à situação.

Entretanto, não posso deixa de salientar que minhas queixas baseiam-se somente em uma comparação do primeiro com o segundo volume. A Herdeira das Sombras, por si só, mantém o ritmo envolvente e uma história interessante, que desperta o leitor e o instiga a devorar as páginas do livro e a ansiar pela continuação. O clima familiar quando Lucivar, Saetan e Jaenelle se reúnem, é um sopro de ar fresco delicioso à uma história com um fundo sombrio, que retrata a esperança e a amizade em meio a um cenário deturpado. Ainda considero a melhor literatura Dark Fantasy lida este ano, e estou ansiosa pelo desfecho, embora descobri recentemente que a trilogia se tornou uma série em seu nono livro, atualmente.

Capa original:

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sábado, 12 de julho de 2014

O Rei Demônio – Cinda Williams Chima

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- Ficha Técnica:

- Título original: The King Demon

- 379 páginas

- Sinopse: O jovem ladrão reformado Han Alister é capaz de quase qualquer coisa para garantir o sustento da mãe e da irmã, Mari. Ironicamente, a única coisa valiosa que ele possui não pode ser vendida: largos braceletes de prata, marcados com runas, adornam seus pulsos desde que nasceu. São claramente enfeitiçados — cresceram conforme ele crescia, e o rapaz nunca conseguiu tirá-los. Enquanto isso, Raissa ana’Marianna, princesa herdeira de Torres, enfrenta suas próprias batalhas. Ela poderá se casar ao completar 16 anos, mas ela não está muito interessada em trocar essa liberdade por aulas de etiqueta e bailes esnobes. Almeja ser mais que um enfeite, ela aspira ser como Hanalea, a lendária rainha guerreira que matou o Rei Demônio e salvou o mundo. Em O Rei Demônio, primeiro de quatro livros, os Sete Reinos tremerão quando as vidas de Han e Raissa colidirem nesta série emocionante da autora Cinda Williams Chima.

- Nota: clip_image004

[OFF TOPIC]

O rei Demônio traz uma história com personagens jovens e cativantes, ambientado em um cenário cuja magia e política se entrelaçam de maneira sutil na trama. Fazendo uso de uma narrativa bem escrita, dinâmica e muito envolvente, a autora trabalha elementos como conspirações, segredos e lutas. Entretanto, nenhum destes tópicos são apresentados de maneira densa; O Rei Demônio é uma aventura leve e muito prazerosa.

O enredo apresenta o desdobramento de dois personagens – Han e Raisa –, além de coadjuvantes que são importantes à trama. O primeiro personagem é um ex-ladrão que tenta arranjar meios honestos para sustentar a irmã e a mãe. Han nasceu com dois braceletes em seus braços, mas jamais conseguiu tirá-los; tampouco saber a serventia deles. Já Raisa é uma princesa que está cansada de ser colocada sob uma redoma de cristal. Quando começa os preparativos para o seu rebatizado, juntamente com o cortejo de uma dúzia de pretendentes, Raisa decide que estava na hora de começar a prestar mais atenção à sua volta. E se surpreende quando descobre que está no meio de uma situação política delicada.

Os destinos de Han e Raisa se cruzam em determinado momento da história. Os dois passam por diversas situações complicadas – e apesar de serem jovens, as provações que enfrentam fazem deles personagens que amadurecem ao longo do livro. O anseio de Han para cuidar da irmã, por exemplo, é tocante. Ao mesmo tempo, a autora não abandona os traços característicos da adolescência: paixonites, amizades e dúvidas sobre o futuro são alguns dos temas que encontramos neles.

Outros personagens expõem lados bons e ruins, as vezes de caráter mais reservado em algumas passagens. Dançarino, por exemplo, quase não dá as caras, mas aparenta ser uma figura importante para os próximos livros. Amon foi um dos meus personagens favoritos – juntamente com Han, que me conquistou logo nas primeiras páginas. Raisa é inteligente, uma princesa beijoqueira que, apesar de se meter em alguns problemas e de agir de modo tolo algumas vezes, se mostrou astuta quando necessário.

O livro flerta com o romance, mas nada muito intenso. A magia é o principal argumento para o pano de fundo da história – que, acredito eu, se intensificará mais para frente. O leitor se depara com uma corte corrupta, gangues de ruas, soldados corajosos, lendas e outros artifício que, trabalhados de um jeito leve, fizeram de O Rei Demônio uma leitura muito prazerosa. Claro que há elementos clichês na trama, mas isso não diminuiu a história. De um jeito envolvente, o livro me encantou e me deixou ansiosa pela continuação. Para quem curte uma história com bastante aventura e intrigas, vai adorar O Rei Demônio.

Capa original:

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quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Filha do Sangue – Anne Bishop

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Daughter of the Blood

- 432 páginas

- Sinopse: O Reino Distorcido se prepara para o cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela ainda é jovem, e por isso pode ser influencidade e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos, inimigos viscerais - sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável.

- Nota: image

Faz muito tempo desde a última vez em que li uma história de literatura de fantasia. Aproveitei um dos lançamentos da editora Saída de Emergência – uma vez que a sinopse de “A Filha do Sangue” se mostrou deveras interessante –, para tirar este atraso de quase seis anos sem tocar em algum título do gênero. Acho que não poderia ter escolhido livro melhor! “A Filha do Sangue” é uma história simplesmente encantadora que mergulha o leitor em um universo fantástico de esperança, sensualidade, magia e personagens magníficos.

Confesso que no começo fiquei perdida pela quantidade de termos e elementos que estruturam a história. A autora não introduz o leitor a este mundo particular, como se este já o conhecesse de antemão. Entretanto, em pouco tempo tomamos conhecimento de cada detalhe apresentado, e, a partir daí, a história é desmembrada em uma trama complexa porém extremamente cativante. Moldado a uma atmosfera depravada por ganância e luxúria, o enredo apresenta elementos densos como castração, abusos sexuais, tortura e pedofilia. Ao mesmo tempo, ao retratar a esperança, o amor e a amizade – além da premissa de um inquietante romance que, admito, me conquistou –, a narrativa rege em diversos momentos situações doces e jocosas. A Filha do Sangue fala, especialmente, da essência de um ser puro em meio ao mal e da esperança de um futuro melhor em vidas pra lá de sofríveis.

Explicar o enredo é uma tarefa complexa, pois a história é destrinchada em tantas facetas que eu não conseguiria passar nem a metade da grandiosidade desta obra. Em suma, trata-se da profecia sobre a vinda de uma poderosa Feiticeira cujo poder era maior do que qualquer outro. O que surpreende a muitos é que Jeanelle é uma garota de sete anos que mal sabe realizar a Arte básica, mas possui poder suficiente para destruir um reino. Caberá a Saetan  – o Senhor Supremo do Inferno –, e seu filho Deamon – um escravo forçado a prestar serviços sexuais –, a guiá-la e instruí-la corretamente para que tanto poder não seja manipulado pelas pessoas erradas. Saetan e Deamon – dois personagens cativantes e peculiares –, constroem uma relação de amor, fidelidade e amizade com a pequena garotinha. É uma relação paterna de broncas e preocupações, bem como uma relação de amor que, algumas vezes, salta para algo maior e mais delicado.

Anne Bishop insere um reino de magia de rainhas depravadas, ligações psíquicas e jóias que determinam o poder dado a uma pessoa em uma narrativa ágil e extremamente prazerosa. A história é contada em terceira pessoa alternando na maior parte do tempo entre Deamon e Saetan. Os sentimentos apresentados no texto conduzem o leitor ao encontro de personagens reais e intensos, que demonstram o lado bom e o ruim de suas personalidades. Daemon, por exemplo, é um personagem frio, sádico e sofrível pela sua condição, mas é tocante vê-lo desabrochar para um rapaz sorridente que, ao lado de Jeanelle, volta a ser um adolescente de novo. Caí de amores por ele!

Muitas vezes o tipo de narrativa presente proporciona ao leitor um tom poético, de uma sensibilidade única. Leiam “A Filha do Sangue” de mente aberta, preparados para uma história original e maravilhosa. Um enredo que foge da mesmice sem deixar de trabalhar temas já conhecidos. Não vejo a hora de ler a continuação! Com toda certeza “A Filha do Sangue” entrou para os melhores livros lidos deste ano.

Capa original:

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Assassin’s Creed – Oliver Bowden

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Renaissence

- 367 páginas

- Sinopse: Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

- Nota: 2

Hoje vou abrir uma exceção aqui no blog. Nada de romance gracinha, erótico, chick lit ou romance adolescente… o livro de hoje é baseado nos jogos de Assassin’s Creed, criado pelos mesmos produtores do também jogo de video-game, Príncipe da Pérsia.

Antes de tudo, sou uma fanática por jogos. Posso não jogar tanto agora quanto na minha infância/adolescência (falta de tempo), mas era daquelas que comprava as revistas, lia sobre os lançamentos, alugava “fitas” (velha) todo final de semana e comprava os jogos dos mais diferentes tipos. Assassin’s Creed fez parte disso, e eu amei a história de Ezio, com todo aquele ar de conspiração, lutas e um homem em busca de vingança.

Ezio tinha uma vida tranquila em Florença. Metia-se em brigas, escalava a janela de Cristina toda a noite e corria entre os telhados das casas, apostando corrida com seu irmão. Tudo estava perfeito, até que sua família é acusada de traição. A vida que ele conhecia não existe mais. Ainda jovem, assistiu seus dois irmãos e seu pai serem enforcados. Viu como sua mãe perdeu o gosto pela vida, e como sua casa ficou destruída após a emboscada. O garoto encrenqueiro, que levava a vida tranquilamente, perdeu sua inocência aquele dia, e torna-se então um jovem em busca de vingança.

A história do livro começa boa, e o próprio enredo do jogo daria tudo para um livro digno de best-seller. Entretanto, parte do problema de Assassin’s Creed foi justamente esse… o livro segue a risca os acontecimentos do jogo.

Se fosse como aconteceu em Príncipe da Pérsia, com sua adaptação para o cinema – e nisso tivemos uma história reescrita, mas que conseguiu manter a essência do jogo – Assassin’s Creed teria sido perfeito. Porém, o autor optou pelo caminho idêntico ao game. As ações de Ezio, as falas, os passos dele… Como eu li em várias resenhas (e devo concordar), tive a impressão que estava lendo um script ao invés de uma história literária. Tanto que, na primeira parte do livro, ainda me senti lendo de fato uma história, e foi a parte que eu mais gostei. Temos momentos em que sabemos o que se passa com os sentimentos do personagem, a raiva, a frustação, o choro, o sentimento de deixar o seu amor para trás – coisas que Ezio enfrenta pela sua busca à vingança.

Entretanto, depois disso, só o que temos são cenas e mais cenas de ação, que em certo momento parecem repetitivas e não deixa o leitor respirar. Em um jogo isso é ótimo, no livro senti falta de algo mais. Os raros momentos em que Ezio dá uma pausa e temos o seu lado “humano”, que pensa em sua antiga vida, no seu antigo amor ou em quem ele se tornou, não passam de dois ou três parágrafos, poucas vezes.  O ápice de comover o leitor foi quando Ezio assistiu a morte do pai, que também durou rápido.

Não vou dizer que não gostei de nada. A leitura como um todo é boa, mas faltou mais ingredientes e, principalmente, se desprender um pouco do jogo. Se fosse para escolher um elogio, diria que as descrições de Florença e outras cidades são um prato cheio pro leitor ser transportado para época. O autor escreve bem e pesquisou bastante para trazer os ares da renascença para o livro.

Para quem já jogou, as chances de gostarem do livro são poucas. Ao mesmo tempo, vi várias pessoas que não jogaram e adoraram a história do livro. Para mim, opto pela história de Ezio no mundo dos games.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Estudos Sobre Venenos – Maria V. Snyder

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Poison Study

- Sinopse: Prestes a ser enforcada, Yelena é agraciada com uma prorrogação extraordinária para sua pena. Ela aceita se tornar provadora de comida e morrer no lugar do Comandante de Ixia. Mas Valek, o chefe da segurança, não deixa brecha para fuga e a envenena com Pó de Borboleta. Somente se apresentando diariamente para ele, Yelena poderá tomar o antídoto. Enquanto tenta encontrar um meio de escapar, rebeldes planejam sitiar Ixia, e Yelena desenvolve poderes mágicos. Sua vida é ameaçada e ela precisa escolher de novo... Estudos sobre veneno, primeiro livro da trilogia As Lendas de Yelena Zaltana, é uma história que encanta como uma poção mágica. O reino criado em detalhes por Maria V. Snyder deixa lugar para novas fábulas com Yelena. Um romance de estreia que impressiona ao mesclar fantasia, suspense e aventura e que foi comparado a Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin pela Publishers Weekly.

- Nota: 4

Certo, confesso, passei por várias fases com esse livro. Primeiro, veio toda minha empolgação quando soube que o livro ia ser lançado no Brasil. Depois, essa capa linda, e então a surpresa de ter ganhado “Estudos Sobre Veneno” em um sorteio. Assim que chegou, comecei a ler empolgadíssima.

Minha empolgação continuou por um bom tempo. A autora tem imaginação de sobra, e entra com tudo no “Universo Alternativo”. Somos apresentados ao reino de Ixia, com direito a castelos, outros reinos, calabouços, festivais, acrobatas, cozinheiros, receitas misteriosas e tantas outras coisas que fazem desse livro uma atmosfera de pura magia. Entretanto, em Ixia, magia é justamente o proibido.

As leis são rigorosíssimas. Yelena sabe na pele isso. Por ter matado o filho de um general importante, Brezell, ela foi condenada a forca, sem a chance de um julgamento. Jogada em uma cela fétida e imunda, passou dias esperando punição. Afinal, a morte em Ixia se pagava com a própria morte.

Mas as coisas mudam bruscamente ao ser lavada até Valek, o braço direito do Comandante de Ixia. Ele lhe oferece uma chance de se redimir, aceitando ser a provadora da comida do Comandante Ambrosia.  Embora o livro seja um UA, a profissão de “provador” realmente existiu na Idade Média. Como havia chances do soberano ser envenenado a todo o momento, uma pessoa costumava provar parte de sua comida para identificar (ou para morrer no lugar) possíveis venenos contidos no alimento. Sem muita escolha, Yelena aceita o destino.

Yelena e Valek possuem uma ligação poderosa. Não, a princípio não por amor, mas porque, para que ela não fugisse, Valek a envenena com o Pó de Borboleta, um veneno poderoso cuja morte poderia ser lenta e dolorosa. Para que ela não morresse, Yelena teria que se apresentar todos os dias em seu gabinete, afim que ele lhe desse pequenas doses do antídoto. Assim, Valek teria sua Provadora de Comida sem a preocupação que ela fugisse.

Desse modo, somos apresentados às crônicas diárias de sua vida como Provadora. E até aqui, só tenho elogios para com o livro e esse mundo próprio que a autora criou com tanta peculiaridade. Com uma narrativa excelente, deliciosa e rápida, Maria V. Snyder nos envolve na atmosfera mágica e única. Me senti lendo um Harry Potter novamente, com aquele gostinho de ‘mundo mágico’ para adultos. Perfeito.

Mas, nem tudo são flores. Comecei a sentir falta de algo já na metade do livro. Onde estava o romance? Certo Bruna, um livro não precisa ter romance o tempo todo. Não, não precisa. Porém, por se tratar de uma publicação vinda da Harlequin (a editora de romances femininos no Brasil), e o coro de meninas que faziam ao falar do famoso “Valek”, eu realmente esperava muito, MUITO mais do que apenas algumas trocas de olhares e uma ou outra frase superficial. Não que seja ruim. Mas uma cena aqui e acolá prometia algo intenso, que, no fim, não existiu. Talvez para quem curta apenas um romance bem, beem florzinha, vá curtir o “love” dos dois. Eu fiquei desejando mais.

Por esse motivo, deixei o livro de lado por um tempo, o que foi um erro. Quando coloquei na cabeça que não adiantava querer, não ia ter o romance tão desejado, li mais de cem páginas em poucas horas. Volto a dizer que a narrativa, misturada ao toque mágico, torna o livro delicioso. Junte isso a traições, mistérios, assassinatos, sentenças, lutas, política e fugas, até emoções intensas voltadas para outros pontos, temos um livro que, para mim, torna-se um dos preferidos deste ano.

Não debulhei em lágrimas, mas me comovi com a luta de Yelena em matar um leão por dia. Ela é justamente um dos pontos fortes do livro. Com narração em primeira pessoa, ela é a típica mocinha guerreira, forte e determinada, que tenta tirar o melhor de uma situação complicada. Se eu fosse escolher alguém para “ser quando crescer”, seria ela. :P

É, uma pontinha de esperança ainda deseja algo mais forte com Valek e Yelena, mas sei que não vai chegar a nada muito drástico. Entretanto, eles formam um casal fofo, completando o pedaço de uma chave de ouro que fecha a história. Indico para todos, até mesmo aos leitores homens (se tiver algum), deste blog. Quem quiser me dar de presente o segundo, estou aceitando, hehehe.

Capa original:

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