Mostrando postagens com marcador David Levithan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador David Levithan. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Garoto encontra Garoto – David Levitan

image

- Ficha Técnica:

- Título Original: Boy meets boy

- N° de páginas: 239

- Sinopse: Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola... E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!

- Nota:image

Garoto encontra Garoto é uma leitura leve, voltada especialmente para o nicho juvenil – porém não há restrições de idade. Ambientado dentro de um colégio peculiar, a história reúne como principal tema o romance entre dois garotos que estudam na mesma escola, mas que só se encontram após uma reunião com os amigos de Paul. A atração imediata faz com que Paul se empenhe em procurar Noah no dia seguinte, durante o intervalo da escola.

Com a ajuda de seus amigos, Paul finalmente consegue encontrá-lo. A relação entre os dois é muito doce e delicada, principalmente por Noah já ter enfrentado uma decepção amorosa em sua antiga escola. O rapaz não quer sofrer novamente, e, por isso, mantém certa distância dos seus próprios sentimentos com relação à Paul. Entretanto, ao ouvir um boato parcialmente verídico, os receios de Noah se concretizam, e os dois terminam a relação.

Agora, o garoto precisará arranjar um meio de fazer Noah perdoá-lo. Enquanto pensa em como revolver isso, Paul precisa planejar um baile, resolver de vez as pendências com o seu ex-namorado, lidar com sua amiga, Joni, e ajudar o seu amigo gay enrustido, Tony, a enfrentar os próprios pais. Assim, acompanhamos os conflitos amorosos, as intrigas, as brigas e as reconciliações do protagonista e de seus amigos no cotidiano do colégio onde estudam.

Narrado em primeira pessoa, o enredo simples faz de Garoto encontra Garoto uma história sem muitas ambições. A leitura é despretensiosa, de um jeito rápido e gostoso de se ler. O autor reúne personagens com características quase únicas, e os coloca em um ambiente juvenil com peculiaridades interessantes e divertidas – como os viciados em clubes, por exemplo. Onde o comum é presença de uma maioria gay, lésbica, travesti e bissexual, David Levitam defende  a bandeira da diversidade ao idealizar uma sociedade juvenil onde todos convivem de maneira natural – independente da orientação sexual de cada um. O preconceito é trabalhado de forma leve, porém ele está presente na figura dos mais velhos – como nos pais de Tony. O principal foi ressaltar a convivência de todos e mostrar que, sem importar orientação de cada um, os personagens são dotados de defeitos e qualidades apresentadas ao longo da história.

Garoto encontra Garoto foi um livro rápido, narrado com passagens bem humoradas, doces e delicadas. Embora não seja meu estilo de leitura - por apresentar personagens muito jovens e situações mais banais - , curti a proposta da história. Entretanto, devo também acrescentar que esperava um pouco mais. Faltou ousadia? Acredito que sim. O autor estagna numa zona de conforto e não saiu muito da mesmice de qualquer livro comum com este tema. Ainda assim, não deixa de ser uma história fofa e agradável.

Capa original:

image

image

domingo, 7 de julho de 2013

Will & Will – John Green & David Levithan

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Will Grayson, Will Grayson

- 348 páginas

- Sinopse: Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.

- Nota: clip_image004

Eu não andava muito empolgada com minhas últimas leituras, mas Will & Will me tirou dessa “letargia” por apresentar uma história que, não só mostrou diversas facetas diferentes que me surpreenderam, como também me conquistou com sua leitura leve e deliciosa. Will & Will consegue trazer uma história engraçada e ao mesmo tempo emociona por retratar dilemas amorosos, seja ele hetero ou homossexual. Além disso, temas como amizade e depressão também estão presentes na trama, tudo de uma maneira descomplicada e deliciosamente leve.

Will & Will traz uma linguagem jovem de um modo que soa natural e muito divertido. A narrativa parece própria de dois adolescentes com seus dilemas e conflitos internos. Já no começo fui surpreendida, pois imaginei que a história traria a relação entre dois Will – como parece sugerir a sinopse e o título –, mas, na realidade, o que encontramos é a vivência de dois personagens em relação a um terceiro, Tiny Cooper. Ele não é, de fato, o protagonista, mas traz consigo o argumento principal para a trama. O personagem possui 1,90, 130 quilos, é gay e está trabalhando em uma peça para o colégio cujo enredo é sobre ele mesmo. Ele e Will Grayson são melhores amigos, o que não impede que os dois briguem ou se irritem um com outro – principalmente Will se irritar com Tiny sempre que este queria interferir em seu modo de ser ou sua vida amorosa.

Em outro momento o leitor conhece… bom, Will Grayson. O outro Will, que neste caso também é gay, é caracterizado pelo contexto social – Will tem poucos amigos, não assume sua sexualidade perante eles e sua relação familiar é um tanto instável –, o que acaba refletindo, de certo modo, em um conflito interno sobre sua condição mental. Mas que fique bem claro, aqui não se trata de pieguice envolvendo clichês de existência, mas sim um problema de depressão cujo personagem trata por meio de remédios. Seus pensamentos autodestrutivos, próprios de alguém com esta doença, trazem dois lados - um que exala tristeza e inspira a afeição do leitor – e o outro que destila seu humor negro, o que tornou impossível não rir em diversos momentos.

Em uma noite os dois Will se encontram, o que faz com que o “Will gay” se aproxime de Tiny Cooper no âmbito amoroso, porém a relação é instável devido, não apenas, a sua condição social, já que isto incomoda ao personagem, mas pelo conflito interno do mesmo. Ao mesmo tempo, o “Will hétero” tenta enfrentar seus próprios dilemas de insegurança e dúvidas quanto a amar alguém, enquanto precisa lidar com problemas de sua amizade com Tiny. Qualquer coisa a mais que eu dissesse, infelizmente, considero como spoiler.

Eu nunca tinha lido nada dos dois escritores, mas gostei muito da forma como apresentaram um livro sobre preconceitos, dramas, homossexualidade, amizade e romance sem cair em uma história estereotipada. É difícil explicar, mas Will & Will traz uma abordagem criativa, diferente, sem focar em um único tópico – como eu também pensei que faria –, mas, ao mesmo tempo, dando ênfase em cada assunto de modo único… Não vou mentir, há alguns clichês, mas eles não incomodam. A história é trabalhada de forma leve e, ao mesmo tempo, sentimental. Will & Will é um sopro de ar fresco com mensagens nas entrelinhas que não são difíceis de entender a medida que o leitor se permite entrar na história. `

Os personagens transformam a leitura num momento agradável que garante boas risadas. Em vários momentos me peguei rindo das reações e pensamentos espontâneos – pois, como eu citei – os autores escrevem em linguagem descontraída, como se de fato o leitor estivesse conversando diretamente com os protagonistas e não houvesse qualquer intermediador. Tiny, entretanto, conseguiu me irritar em alguns momentos, mas o personagem compensa seus deslizes em argumentos sólidos no final da história. Já os temas são retratados sem holofotes melodramáticos – por exemplo –, Tiny Cooper é gay, mas isso é normal. Não é o fato de ele ser gay  que o livro trabalha, mas o relacionamento amoroso dele que é contextualizado nos mesmos aspectos de um relacionamento hétero, inclusive sua amizade com Will, por exemplo. Há mágoas, dilemas bobos ou simples, dramas com o mesmo conteúdo que qualquer outro relacionamento. Mesmo o preconceito, aqui, é trabalhado de forma sutil, o que torna o livro interessante por retratar temas fortes de maneira quase despretensiosa, mas, ao mesmo tempo, suficiente ao ponto de causar reflexão.

Will & Will é delicioso e me diverti muito lendo. Adoro romances gays que abordam o amor simples e sem complicações e há muito tempo sou apaixonada por esse gênero literário, embora até então só cheguei a ler literatura homo adulta retratada por autoras como J.R Ward ou Carol Lynne, mas Will & Will conseguiu me conquistar quase na mesma medida. Quando comecei a ler foram mais de 200 páginas sem que eu notasse o tempo. O desfecho me pareceu um filme americano, só lendo para entender o que quero dizer, mas, ainda assim, me tocou. Mensagens trabalhadas de um jeito simples, leves e muito gostosas. Adorei e recomendo.

image

image