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sábado, 30 de julho de 2016

Mia Sheridan – O coração do Leão

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Ficha Técnica:
Título Original: Leo
N° de páginas: 206
Editora: Arqueiro
Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Esta história se baseia na mitologia de Leão e fala sobre as surpresas que a vida nos reserva. Evie e Leo se conheceram ainda crianças, em um lar adotivo, e logo se tornaram grandes amigos. Com o tempo, a amizade se transformou em uma paixão avassaladora, e eles juraram ficar juntos para sempre.
Quando Leo foi inesperadamente adotado na adolescência e teve que se mudar para outra cidade, prometeu a Evie que entraria em contato com ela assim que chegasse lá e que voltaria para buscá-la quando ela fizesse 18 anos. Mas ele nunca mais deu notícias. Oito anos depois, apesar das circunstâncias, Evie conseguiu dar a volta por cima. Tem um emprego, amigos e está feliz. Então, de repente, um homem chamado Jake Madsen surge em sua vida, alegando ter sido enviado por Leo para saber como ela está. Evie não consegue evitar a atração que sente por esse homem sensual e misterioso. Mas será que ela pode confiar em um estranho? Ou será que ele está guardando um segredo sobre sua real ligação com Leo e os motivos que o levaram a sumir de sua vida anos atrás?

Resenha da blogueira Luciara, do blog Leituras e Devaneios.

"Coração do Leão", da autora Mia Sheridan, é o segundo livro da Série Signos do Amor, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Já conhecia a autora antes dela ter seus livros publicados por aqui e sabia do seu talento para escrever histórias emocionantes, como é o caso de Leo. Suas histórias são de fácil leitura, ou seja, daquelas que você ler num piscar de olhos. Mia escreve aqueles enredos que fazem você chorar litros; pelo menos esse foi o meu caso.

Leo e Evie tiveram um começo de vida difícil, porém isso não fez com que se tornassem crianças problemáticas ou revoltas. Eles se comportavam bem nos orfanatos ou lares adotivos para onde eram enviados. Um dia se conheceram e amizade foi instantânea, depois se transformou em algo a mais, levando-os, já adolescentes, a desejarem ter um futuro juntos. Contudo, algo surpreendente surgiu para mantê-los separados: Leo, na idade de 15 anos, foi adotado por um caso rico. Ele então partiu prometendo manter contato e buscar Evie para viver com ele quando ela fizesse 18 anos. Os dezoito anos de Evie chegou e Leo não cumpriu sua promessa.

Oito anos depois, agora com vinte de um anos, Evie vive uma vida modesta, mas contente. Agora ela possui um lar só seu, mesmo sendo humilde; tem um emprego que paga suas contas e amigos especiais. Porém, ela nunca esqueceu Leo, seu leão. Ela não fazia ideia do que aconteceu com ele ou por que de nunca ter a procurado, no entanto, no velório de sua querida amiga Willow - também uma órfã que conheceu na infância - Evie finalmente têm notícias de Leo.

Jake Madsen, um homem lindo e rico, traz notícias de Leo para Evie, essas nem um pouco agradáveis. O passado resolve bater na sua porta e, apesar das notícias não serem nada agradáveis, levam Jake até Evie. Ele é tudo que uma mulher pode desejar e, mesmo aparentando esconder vários segredos, Evie sente que Jake realmente é o cara certo. Os dois então embarcam em uma linda história de amor. Porém, segredos nunca ficam muito tempo escondidos e Jake deverá estar preparados para manter sua amada ao seu lado quando ela finamente descobrir o que ele esconde.

"Leo" é uma história muito linda com personagens apaixonantes. Não tem como não amar o maravilhoso Jake que, apesar de misterioso e esconder várias coisas de Evie, realmente demonstra ser louco por ela. A devoção que ele demonstra para com ela é lindo e realmente torci pelo casal. Evie também é uma personagem ótima, forte e batalhadora. Gostei muito de sua personalidade e seu jeito forte de sempre encarar a vida com seriedade, mesmo a sua não tendo sido a das melhores.

Chorei no livro com a história de Willow. Mesmo ela tendo aparecido só nos flashback da infância no orfanato, derramei lágrimas ao ler sobre o seu enterro. Sua história é super triste e teve um final trágico. Fico revoltada com esses pais irresponsáveis que botam filhos no mundo para sofrer. Sério, uma das coisas que mais me revoltam é o abandono de crianças e animais de estimação. Se não querem cuidar, não tenha.

O livro tenta criar um ar de mistério sobre o que aconteceu para que Leo não mantivesse contato. Posso dizer que funcionou, pois realmente não dar para imaginar o que fez com ele não se comunicasse com Evie. Claro que o mistério em torno de Jake é bem óbvio, mas não deixa de ser curioso. Não aceitei bem a justificativa de Leo sumir, mas não deixou de ser boa. Super recomendo a história, ela é bem linda e emocionante.

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Capa estrangeira: 

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A voz do arqueiro – Mia Sheridan

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- Ficha Técnica:
- Título Original: Archer’s Voice
- N° de páginas: 336
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor. Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

“A voz do arqueiro” é o quarto livro da série “Signos do Amor”, porém aqui no Brasil foi o primeiro a ser publicado pela editora Arqueiro. Além do volume fora de ordem, o título do livro foi um erro de tradução quase tão primário que nos leva a questão do porquê esse deslize ter passado despercebido pela editora. “Archer”, nome do personagem, significa “arqueiro” em português, mas não há nenhuma relação da palavra traduzida com a história, assim, não havia a necessidade da traduação.

A exceção desses dois fatos curiosos, a história é despojada de qualquer outro tipo de crítica. Com uma pitada de drama, “A Voz do Arqueiro” traz uma relação amorosa delicada. Archer é um personagem excepcional e diferente. Tendo uma história conturbada em sua infância, o garoto cresceu isolado em uma cidadezinha pequena, aonde todos o tratam com indiferência ou – no máximo, com pena pela sua incapacidade de se comunicar com as pessoas. Archer não vê problemas nisso. Há muito tempo ele se isolou, deixando de se importar com que os outros pensam.

Mas a chegada de Bree na cidade mudará a vida dele e dos habitantes que moram em Pelion. O encontro dos dois não poderia ser mais inusitado e envergonhante para Bree, mas, aos poucos, Bree vai perceber que Archer é como um pássaro machucado, que precisará enfrentar seus dilemas antes de se permitir ter uma vida normal. Bree também precisa enfrentar o passado, que pode voltar a assombrá-la quando ela enfim parece ter encontrado a felicidade ao lado do jovem mais encantador que ela já conheceu.

Narrado em primeira pessoa, “A voz do arqueiro” é uma história delicada, leve, tecida a partir de personagens fortes. Archer e Bree formam casal que trará dilemas tão reais e bem costurados quanto a trama que os envolve devido ao passado de cada um. É um livro que consegue emocionar sem soar piegas, trazendo a aceitação e o amor incondicional como temas a serem explorados ao longo do enredo. Claro, uma pitada de um romance quente não poderia faltar, fechando o que, para mim, foi um dos melhores romances deste ano.

- Nota: image

- Capa original:

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domingo, 30 de agosto de 2015

O Conde Enfeitiçado – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:
- Título Original: When he was wicked
- N° de páginas: 290
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: O Conde Enfeitiçado - Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton. Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele. Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite. Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo.

O Conde Enfeitiçado é o sexto livro da série “Os Bridgertons”, de Julia Quinn. Francesa, a protagonista, já foi citada anteriormente na série, num dos momento mais tétricos para a personagem: o enterro de seu querido marido John. Contudo em “O Conde Enfeitiçado”, a história se inicia com John ainda vivo, na propriedade da família, em uma animada conversa com sua esposa e seu primo Michael.

O que ambos desconhecem é a paixão secreta que Michael sempre nutriu por Francesca. Estar tão perto e não poder tê-la é uma loucura, mas Michael resigna-se apenas em ser o melhor amigo dela, sabendo que jamais poderia tê-la. E para tirá-la da cabeça, nada melhor do que ser um dos mulherengos mais inveterados de Londres, dando lhe a fama de “O Devasso Alegre”. Ainda assim, nenhuma mulher consegue fazê-lo esquecer de sua doce e amada Francesa.

Um dia, contudo, John morre subitamente. A dor do luto transforma Michael e Francesa em estranhos, afastando-os do convívio diário. Além da culpa que o assola por ter desejado a mulher de seu primo falecido durante tanto tempo, há também a questão do título: Michael não quer ser o novo conde. Deste modo ele parte para Índia por quatro longos anos, deixando toda a responsabilidade do condado para Francesa.

Diferente dos livros anteriores, “O Conde Enfeitiçado” traz como cenário um desdobramento do enredo pautado no luto e na consciência moral dos personagens: ambos sofrem com a dor de perder alguém próximo, e o maior empecilho certamente está em superar e em seguir em frente após a morte de John. Assim, o relacionamento precisa ser novamente explorado a passos lentos, permitindo a ambos de se conhecerem melhor sem a culpa de trair a memória do marido de Francesa. Contudo, não será assim tão fácil renunciar as normas regentes de suas consciências. 

Ainda que ao falar de perdas, “O Conde Enfeitiçado” não abandona os traços de humor presente nas histórias do Bridgerton, pelo contrário. As falas engraçadas e divertidas nunca estiveram tão acentuadas em uma trama, equilibrando o lado mais pungente com momentos bem descontraídos. E embora a relutância de ficarem juntos chega a ser enfadonha em certo ponto, os diálogos acabam servindo de escape para a demora do romance. É divertido acompanhar os desbravamentos de Michael para se comportar como um cavalheiro e frear seus pensamentos libidinosos quando está na presença de Francesa.

O Conde Enfeitiçado” não é o melhor livro da série, mas de certo traz suas particularidades que fazem a leitura valer a pena. O próximo livro, “Um Beijo Enfeitiçado” – título este ainda provisório –, ainda não tem previsão de lançamento, e contará a história de Gareth com a irmã caçula da família Hyacinth.

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- Capa original:

 

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Segredos de uma noite de verão – Lisa Kleypas

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- Ficha Técnica:
- Título Original:
Secrets of a Summer Night
- N° de páginas: 285
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. se amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. No primeiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Annabelle sai em busca de um marido, mas encontra amizades verdadeiras e desejos intensos que ela jamais poderia imaginar.

Embora seja uma série anterior a história dos Hathaway, publicada pela editora Arqueiro nos últimos meses, “As Quatro Estações do Amor” é, originalmente, uma história que antecede uma das séries mais queridas entre os leitores de romances históricos. Justamente por isso, a difícil tarefa de se igualar a seu antecessor no Brasil não seria fácil. Não há dúvidas de que “Os Hathaway” marcaram pela história divertida, carismática e de romances arrebatadores.

Logo nas primeiras páginas, “Segredos de uma noite de verão” já nos mostras as divergências entre as duas série. Enquanto “Os Hathaway” trabalhava na delicadeza da amizade familiar e no romance mais açucarado, porém não menos divertido, a série “As Quatro Estações do Amor” trará quatro amigas como tema central, cuja falta de pretendentes as aproximam para um plano em comum: arrumar um partido para cada uma. Juntas darão início a uma caça dos melhores partidos das melhores famílias na Inglaterra.

É aí, para mim, que já reside o primeiro problema da história. Lisa Kleypas transforma uma trama romântica em uma corrida contra o tempo para um casamento as pressas, sem amor, cujo status social do pretendente, bem como sua fortuna, valesse páginas e mais páginas de planos, tramas e diálogos entre as amigas para alcançar o matrimônio. Antipática, arrogante e decidida a não abandonar seus objetivos – ainda que simplesmente pelo amparo social –, Annabelle se recusa a permitir que o filho do açougueiro, Simon Hunt, estrague seu plano. Contudo, Simon tinha seus próprios planos para conseguir que Annabelle se apaixonasse por ele.

Simon parece o elemento chave para sustentar uma história arrastada e apática. A ausência de um romance mais explorado deixou uma lacuna importante a ser preenchida. Tudo parece meio frio, da inimizade ao casamento dos dois, que a princípio nada mais é do que um desvio nos planos iniciais de Annabelle. Mesmo envolvida emocionalmente, a ideia de ser amparada pelo status social do marido parece um ponto ainda presente na história.

Não fez o meu estilo de leitura, o que, confesso, era um dos receios que alimentava após ter devorado “Os Hathways”. Contudo, houve momentos em que Simon fez a história valer a pena. Dono de um coração nobre e de origem humilde, o personagem não desiste em conquistar Annabella, mesmo que, para isso, tenha que recorrer à paciência e à sua astucia. Foi a única parte, ao menos, que não fez da história de todo ruim, embora muitos leitores estejam aplaudindo a “nova” série.

- Nota: image

- Capa original:

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Príncipe dos Canalhas – Loretta Chase

image -Ficha Técnica:
-Título Original:
Lord of Scoundrels
-N° de páginas: 285
-Editora: Arqueiro
-Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.

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Obs: Eu sei que ando sumida do blog. Estou com alguns projetos que estão tomando um tempo maior, o que me fez ler menos em maio. Espero, inclusive, trazer novidades legais para vocês em breve. :) Mês que vem tentarei ser mais presente por aqui. ^^

Entendo que muitos elejam “O Príncipe dos Canalhas” como um dos romances históricos mais inteligentes já lançados – e, ao dizer “lançados”, nos referimos a um livro cujo lançamento oficial foi há vinte anos. “O Príncipe dos Canalhas”, vencedor do prêmio RITA de melhor romance histórico, é certamente um livro que dita um ritmo pouco esperado a uma história do gênero. O livro apresenta personagens principais que não hesitam em destilar uma guerra de diálogos aguçados, por vezes ácidos, um contra o outro. Dain e Jéssica são como dois oponentes lutando para encontrarem uma brecha na armadura de cada um.

Dain nunca conheceu qualquer forma de carinho: seu pai o detestava, sua mãe fugiu com um amante e os colegas do internato fizeram de sua vida um inferno. Assim, cresceu como um libertino, rico, decidido a manter suas emoções distantes. Adotou uma personalidade ácida, fria e  egocêntrica, até conhecer Jéssica, a irmã de um de seus seguidores mais tolos. Jéssica entraria em sua vida da forma mais abrupta possível, minando tudo que Dain tinha levado anos para construir.

A história começa bem, fisgando o leitor logo nas primeiras páginas. Tudo em excesso, porém, cansa. Para cada palavra ácida de Dain, Jéssica tem um resposta na ponta da língua. A personagem, muito longe de se adequar aos padrões femininos e recatados da época, não se deixa abalar, nem mesmo quando Dain ressalta que pagou um preço caro para usá-la como bem entendesse, pronta para rebatê-lo com outra de suas respostas rápidas. E assim seguimos em quase trezentas páginas. Por mais que os diálogos sejam bons, a ausência de reações mais convictas torna o livro estagnado. Não há sentimentos da raiva, dor ou mágoa – ou melhor, eles existem, mas são esquecidos ao segundo plano, sem serem convincentes, dando espaço ao incansável jogo de gato e rato de dois personagens muito teimosos.

“O Príncipe dos Canalhas”, contudo, nos mostra certas ressalvas interessantes. Vinte anos atrás, personagens densas como Jéssica, que prefere assistir a luta livre, atirar no pretendente e a pular em cima de um ladrão, fugiam a regra – não somente do contexto social da qual a personagem está inserida, mas da época em que a história foi lançada. A presença de uma figura mais marcante, que fosse páreo as incansáveis recusas de Dain, talvez tenha impulsionado à história ao prêmio RITA. Não é ruim, pelo contrário, e personagens assim deveriam ser mais presentes nas histórias de época. Mas faltou o equilíbrio, mais romance e uma química maior – ou até mesmo reações mais fortes entre os dois além das provocações de cada um. Neste quesito, acredito que “O Príncipe dos Canalhas” tenha falhado. Fico, portanto, com o meio a meio, e três estrelas dada ao livro.

Capa original:

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domingo, 19 de abril de 2015

A Rainha Normanda – Patrícia Bracewell

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- Ficha Técnica:
- Título original:
Shadow on the crown
- N° de páginas: 392
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, A rainha normanda conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.Governando na época compreendida entre o rei Artur e a rainha Elisabeth I, a rainha Emma é uma heroína inesquecível cuja luta para encontrar seu lugar no mundo continua fascinante até hoje.

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A Rainha Normanda, de Patrícia Bracewell, traz ao leitor uma trama ambientada no ano de 1002, narrando a história de Emma, uma jovem normanda que se vê em meio a um embate político delicado. Baseado nas Crônicas Anglo-saxã, “A Rainha Normanda” é um desses livros envolventes que retrata, mesclando ficção e realidade, os acontecimentos de figuras importantes de um período histórico.

Aos quinze anos de idade, Emma nunca imaginou que acabaria tomando o lugar da irmã para se casar com Æthelred II, o rei da Inglaterra. O que era para ser um acontecimento importante em sua vida, torna-se seu pior martírio: a nova rainha precisará enfrentar inimigos na corte – incluindo a amante de seu marido. Além disso, será necessário conquistar a confiança dos filhos de Æthelred II, que não hesitam em demonstrar o rancor que sentem por ela. O rei, por sua vez, é um marido bruto que não confia nela.

Emma lutará com todas as suas armas para driblar os perigos de sua nova vida, mas uma paixão inesperada colocará em risco sua posição como rainha: Athelstan, o filho de Æthelred II, é um rapaz atraente e atencioso. O que começa como uma aproximação com intenções de se embrenhar nos planos de Emma, termina em uma paixão que nenhum dos dois conseguirá resistir. Entretanto, resta o dilema: Emma colocará sua posição como rainha em risco, por conta de um amor proibido?

Em “A Rainha Normanda”, as intrigas políticas no castelo tecem uma trama repleta de incertezas.  A influência da corte e as pessoas a sua voltam exercem um peso sobre o modo de vida de Emma, e logo a jovem pueril – usada como peão entre o irmão e o marido – amadurece, cedendo espaço para uma mulher forte e determinada, que entrará na disputa pelo poder. Entretanto, o romance com o filho de Æthelred II abala suas estruturas.

O caminho de Emma é decidido somente nos momentos finais da trama. Assim, acompanhamos seu conturbado relacionamento com o rei, com a corte e com os filhos de Æthelred II. Emma também enfrenta um sequestro político que a aproxima de Athelstan, deixando sua situação ainda mais complicada. A rainha, entretanto, reluta em aceitar a paixão que nutre pelo filho do rei, e lutará com afinco para afastar esse sentimento.

Apesar do romance ser um forte atrativo, a relação entre os dois parece pouco explorada. Encontros breves, flertes com olhares mais ousados, mas nada que nos dê o vislumbre de uma paixão forte – pelo contrário. No primeiro empecilho após se envolver com Athelstan, Emma usa da sensatez e não se deixa levar pelo atraente e gentil filho do rei. Assim, sua paixão parece tão passageira quanto um piscar de olhos.

De qualquer modo, “A Rainha Normanda” é uma história envolvente,  retratando personagens bem construídos em uma trama tensa, apoiada em dados reais de uma pesquisa minuciosa feita pela autora. Patrícia Bracewell tem uma escrita envolvente, fluída, o que nos faz virar páginas e mais páginas em poucas horas. Como a própria autora escreve no final do livro, ainda há muito o que contar sobre a história da rainha da Inglaterra. Acredito, portanto, que a continuação, ainda sem data para publicação no Brasil, nos dará o gostinho de uma reviravolta interessante na história – tanto política quanto romântica. Resta a nós aguardarmos ansiosos por isso.

Capa original:

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domingo, 15 de março de 2015

Para Sir Phillip, com amor – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:

- Título Original: To Sir Phillip, With Love

- N° de páginas: 286 páginas

- Sinopse: Para Sir Phillip, Com Amor - Eloise Bridgerton é uma jovem simpática e extrovertida, cuja forma preferida de comunicação sempre foram as cartas, nas quais sua personalidade se torna ainda mais cativante. Quando uma prima distante morre, ela decide escrever para o viúvo e oferecer as condolências. Ao ser surpreendido por um gesto tão amável vindo de uma desconhecida, Sir Phillip resolve retribuir a atenção e responder. Assim, os dois começam uma instigante troca de correspondências. Ele logo descobre que Eloise, além de uma solteirona que nunca encontrou o par perfeito, é uma confidente de rara inteligência. E ela fica sabendo que Sir Phillip é um cavalheiro honrado que quer encontrar uma esposa para ajudá-lo na criação de seus dois filhos órfãos. Após alguns meses, uma das cartas traz uma proposta peculiar: o que Eloise acharia de passar uma temporada com Sir Phillip para os dois se conhecerem melhor e, caso se deem bem, pensarem em se casar? Ela aceita o convite, mas em pouco tempo eles se dão conta de que, ao vivo, não são bem como imaginaram. Ela é voluntariosa e não para de falar, e ele é temperamental e rude, com um comportamento bem diferente dos homens da alta sociedade londrina. Apesar disso, nos raros momentos em que Eloise fecha a boca, Phillip só pensa em beijá-la. E cada vez que ele sorri, o resto do mundo desaparece e ela só quer se jogar em seus braços. Agora os dois precisam descobrir se, mesmo com todas as suas imperfeições, foram feitos um para o outro.

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“Para Sir Philip, com amor”, é o quinto volume da série “Os Bridgertons”, de Julia Quinn. Tal como os volumes anteriores, o livro traz uma história rápida, leve e muito romântica – tudo no melhor estilo “água com açúcar”. “Para Sir Phillip, com amor”, explora  a relação amorosa entre Eloise e Phillip, com direito a divertidas intromissões dos irmãos mais velhos de Eloise. As relação familiares, seja da família Bridgerton ou de Phillip diante de seus filhos gêmeos terríveis, ganham um destaque merecido na trama, tornando a leitura ainda mais apaixonante.

Ao ver sua amiga casada, Eloise começa a se sentir deprimida. Não que não esteja feliz por Penélope – ela está e muito. Porém sempre imaginou que ela e Penélope passariam longos anos solteiras, e estava feliz em ter uma companheira nessa sua jornada. Agora, Eloise começa a se dar conta de que já não é mais uma adolescente; está cansada de recusar pretendentes que não querem mais do que se exibir para ela. Mas a garota tampouco deseja escolher algum nobre pomposo da sociedade londrina, na verdade, Eloise deseja ter um casamento igual a de seus irmãos: Um casamento por amor.

Quando uma prima distante morre, Eloise decide escrever uma carta para o marido desta, dando a ele os pêsames pela trágica notícia. Phillip a responde, e, assim inicia-se meses de troca de correspondência entre os dois. Eloise e Phillip já se sentem tão íntimos que Phillip lhe faz uma proposta: passar uma temporada ao seu lado para se conhecerem melhor com a intenção de se casarem. Eloise decide comprar a ideia, mas ao chegar a propriedade, não imaginaria se deparar com um Phillip muito diferente daquele descrito nas cartas. Além disso, certamente não esperava ter que lidar com duas crianças malcriadas que a querem bem longe dali, e que farão de tudo para conseguirem seu objetivo.

Trazendo uma das melhores histórias da série, “Para Sir Phillip, com amor” é um livro recheado de cenas fofas, engraçadas e românticas. O desenvolvimento do casal ocorre de forma sutil; de início, o leitor encontrará dois personagens que antipatizam um com outro logo de cara. Entretanto, aos poucos, a convivência os aproxima, e Eloisa e Phillip começam a pensar na possibilidade de um futuro juntos. Claro, nada que uma leve pressão dos irmãos mais velhos para chegar logo a uma decisão. Certamente um dos momentos mais divertidos e gostosos da história.

Apesar do enredo trazer uma trama descontraída, “Para Sir Phillip, com amor” também aborda elementos mais pesados, mesmo que trabalhados de forma suave. A ex-esposa de Phillip tinha depressão, Phillip então se culpa de não ter sido capaz de salvá-la. O personagem também sofre com as memórias de seu pai e o modo severo como tratava os filhos. Com medo de seguir os mesmos passos, Phillip acaba sendo negligente  com Oliver e Amanda, o que resulta em muitos problemas. A relação familiar entre eles é bem trabalhada, com uma carga emocional delicada.

Julia Quinn traz novamente uma história leve, com a mesma qualidade que encontramos nos volumes anteriores. “Para Sir Philip, com amor” é um livro delicioso do começo ao fim, uma história bem escrita e encantadora, impossível de largar. Os leitores vão rir e se emocionar com mais um livro sobre essa família introvertida e querida por todos.

Capa original:

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terça-feira, 10 de março de 2015

Tensão – Gail McHugh

image - Título original: Collide

- N° de páginas: 336

- Sinopse: Após a morte da mãe, a vida de Emily Cooper vira de cabeça para baixo. Ela precisa de um novo começo, e Dillon Parker, seu namorado, a convence a se mudar para mais perto dele a fim de passarem mais tempo juntos. Em Nova York, Emily arranja um emprego temporário como garçonete em um restaurante no centro de Manhattan. Ao sair para fazer uma entrega logo no primeiro dia de trabalho, ela esbarra em Gavin Blake, um empresário sexy e bem-sucedido. Assim que seus olhares se encontram, há uma tensão no ar, mas nenhum dos dois consegue entender ou explicar essa forte conexão. Atormentada, Emily tenta não pensar muito naquele desconhecido que mexeu tanto com ela. Porém, ela descobre que Dillon e Gavin são amigos e que terá de conviver com ele muito mais do que poderia ter imaginado. Perdida em sentimentos confusos, Emily sente o desejo por Gavin crescer e se tornar mais ardente a cada vez que se encontram. Será que os dois vão resistir à tensão ou se entregar a essa paixão, apesar de todas as consequências?

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“Tensão”, da autora Gail McHugh, é um livro que daria tudo para ser uma ótima história. Daria. Com uma escrita fraca, situações previsíveis e personagens pobres, “Tensão” entra para a lista de livros que conseguem subir ao topo unicamente pelo marketing. É, ao menos, a única explicação cabível para uma história cheia de furos e de exageros, que se repetem exaustivamente ao longo do livro. Gail McHugh tinha uma ótima ideia em mãos, mas não soube trabalhar os elementos de sua própria história.

Narrado em terceira pessoa, “Tensão” conta a história de Emily, namorada de longa data de Dillon. Emily acaba de perder a mãe para o câncer, e decide ir em busca de novos rumos para sua vida. Com a ajuda do namorado, ela se muda para Nova York, na casa de uma de suas melhores amigas. Olivia fala o que pensa, e por isso não hesita em deixar claro que sempre detestou Dillon e suas atitudes machistas, mas o atura em respeito a Emily. Já esta nem imagina que sua vida tranquila ao lado do namorado estaria prestar a mudar drasticamente.

Quando Emily consegue um emprego numa lanchonete, não tinha ideia que se apaixonaria por um dos clientes do local. Tampouco imaginaria que este cliente é Gavin, ninguém menos que um dos amigos mais próximos de Dillon. O que começa com encontros casuais se transforma em uma paixão silenciosa que nenhum dos dois consegue fugir. Porém, há o dilema: Emily seria capaz de deixar a culpa de lado, de abandonar o amparo de Dillon para se jogar nos braços de Gavin? Ela seria capaz de ser sincera consigo mesma quanto a quem ela queria?

As primeiras páginas permeiam um ritmo agradável e promissor, mas Gail McHugh não demonstra habilidade para sustentar a história por muito tempo. Após introduzir os personagens, o que resta é uma ladainha sem fim de “chove não molha” protagonizado por Emily e Gavin. Cada encontro dos dois abre um espaço para descrever sensações repetidas em demasia; “falta de ar”, “coração disparado”, “boca seca” e uma variedade de outros clichês , mas não vamos muito além de um punhado de palavras repetitivas que não consegue transmitir qualquer emoção de fato. Graças a escrita fraca, aos exageros e a uma trama totalmente previsível, ainda que a autora consiga a proeza de enrolar trezentas e tantas páginas, “Tensão” deixa a história com uma incômoda sensação de que tudo soa artificial.

Após algum tempo, fica claro a ideia principal: falarmos sobre relacionamentos abusivos. Enquanto Emily se corrói em culpa por ter desejos por Gavin, a personagem também sofre nas mãos do namorado, que não hesita em abusar do psicológico frágil da moça. Mas aí reside outro problema: Emily é tão ingênua e cega aos caprichos machistas de Dillon, que ao invés de sentirmos compaixão pela personagem e de nos inteirarmos da importância do tema – o abuso –, o que se destaca são as decisões erradas e estúpidas da personagem – muitas inclusive chegam a insultar a capacidade do leitor de tão forçadas. É difícil encontrar algo em Emily que gere alguma simpatia.

“Tensão” é uma história que prometeu muito e não cumpriu nem metade. Uma história que se vista sob a ótica de um romance de banca, dos mais fraquinhos, lido despretensiosamente, talvez agrade. Algumas passagens até chegam a entreter, especialmente quando Gavin e Emily chegam as vias de fato. Porém, para um livro que vendeu mais de 400 mil cópias, “Tensão” deixa muito a desejar. A continuação, “Pulsação”, é segmento da história do ponto onde ela parou, e, por enquanto, ainda não tem data de lançamento definida.

Capa original: 

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Paixão ao entardecer – Lisa Kleypas

image - Ficha Técnica:

- Título original: Love in the afternoon

- N° de páginas: 269 páginas

- Sinopse: Mesmo sendo uma família nada tradicional, quase todos os irmãos Hathaways se casaram, até mesmo Leo, que era o mais avesso a essa ideia. Mas para a caçula Beatrix, parece não haver mais esperança. Dona de um espírito livre, apaixonada por animais e pela natureza, Beatrix se sente muito mais à vontade ao ar livre do que em salões de baile. E, embora já tenha frequentado as temporadas londrinas e até feito algum sucesso entre os rapazes, nunca foi seriamente cortejada, tampouco se encantou por nenhum deles. Mas tudo isso pode mudar quando ela se oferece para ajudar uma amiga. A superficial Prudence recebe uma carta de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan, que está na frente de batalha. Mas parece que a guerra teve um forte efeito sobre ele, e seu espírito, antes muito vivaz, se tornou bastante denso e sombrio. Prudence não tem a menor intenção de responder, mas Beatrix acha que ele merece uma palavra de apoio – mesmo depois de tê-la chamado de estranha e dito que a jovem é mais adequada aos estábulos do que aos salões. Então começa a escrever para ele e assina com o nome da amiga. Beatrix só não imaginava o poder que as palavras trocadas teriam sobre eles. De volta como um aclamado herói de guerra, Phelan está determinado a se casar com a mulher que ama. Mas antes disso vai ter que descobrir quem ela é.

- Nota: image

 

“Paixão ao entardecer” é o quinto e, infelizmente, o último livro da série “Os Hathaways”. Desde o primeiro volume, a história conquistou inúmeros leitores por trazer a relação familiar e a amizade intrínseca entre esses personagens fofos e apaixonantes. Cada um dos livros mostra um dos membros introvertidos da família Hathaway com o seu par romântico , retratando uma história engraçada, com um toque de emoção capaz de arrebatar o coração e deixá-lo mais leve do que uma pluma.

A história de “Paixão ao entardecer” não poderia deixar de fazer jus a reputação da série. Beatrix é o único membro da família que ainda está solteira, e, apesar de afirmar com convicção que prefere seus animais exóticos de estimação à homens pomposos da alta sociedade, um lado seu se sente solitária por ainda estar sozinha quando toda a família Hathaway já está casada, seguindo cada um com suas vidas. Entretanto, que homem poderia querer uma garota que preferia cuidar de um ouriço órfão, um gato de três patas ou uma cabra, ao invés de estar dançando e exibindo vestidos elegantes pela temporada londrina?

Mas há um homem. Christopher. Lutando na guerra contra os russos, o jovem que ela outrora conhecera – e imediatamente criara antipatia pelos comentários arrogantes feito ao seu respeito –, enviou uma carta à sua amiga Prudence. Ao lê-la, Beatrix se emociona com o sofrimento do rapaz e sua vida precária na guerra, e, uma vez que Pru não tinha interesse em respondê-lo, Beatrix toma o seu lugar e tece doces palavras para acalentar o sofrimento do homem. Antes que percebesse, os dois passam a trocar cartas cada vez mais íntimas e românticas. Porém havia um enorme problema em tudo isso: ela não escrevia como Beatrix, mas, sim, assinava suas cartas como se fosse Prudence!

“Paixão ao entardecer” é uma leitura simples e rápida – mas, principalmente, viciante. Um texto que transborda emoção em suas páginas por explorar o sofrimento psicológico de um homem afetado pela guerra e seu árduo caminho para voltar a ter uma vida normal. Beatrix, com sua personalidade única, o ajuda a passar pelas mais difíceis provações, e, juntos, os dois tecem uma relação doce e apaixonante. Cada cena é trabalhada com muita paixão, sem, entretanto, abandonar os traços mais delicados da história. Elogios não cabem para descrever um dos melhores livros escritos pela autora, que nos presenteia com um final digno de um verdadeiro clímax literário.

“Paixão ao entardecer”, assim como seus antecessores, apresenta um toque de bom humor atrelado a muita sedução – e, especialmente, a cenas emotivas bem construídas, de arrancar longos suspiros. Personagens cativantes, diálogos inteligentes e situações carinhosas são as marcas já conhecidas de cada uma das histórias sobre a família, e dessa vez não poderia ser diferente. “Os Hathways” certamente deixará saudades enormes – uma das melhores séries de romances de época escritas atualmente, sem dúvida. Porém, felizmente, a editora Arqueiro já confirmou o lançamento de outra série da autora, “As quatro estações do amor”, ainda sem data definida.

Capa original:

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ligeiramente Casados – Mary Balogh

image- Ficha Técnica:

- Título original: Slightly married

- N° de páginas: 286

- Sinopse: À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse Custe o que custar!. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...

Obs: resenha convidada da querida Luciara, do blog Leituras e Devaneios. 

"Ligeiramente Casados", da autora Mary Balogh, é o primeiro livro da série “Os Bedwyn”, lançado pela editora Arqueiro. A leitura é indicada para quem gosta dos livros da autora Julia Quinn, porém já adianto que, caso considere os livros da Julia "parados", vão achar esse ainda mais. Pelo menos eu achei.

O romance se passa em 1814 e tem como personagens principais Aidan e Eve.

A história desses dois começa com uma promessa feita por Aidan ao irmão de Eve, que estava a beira da morte. Antes de morrer, o soldado pede ao seu coronel que avisasse a irmã sobre sua morte e que a protegesse.

Aidan, como um homem de palavra, decide cumprir a promessa e chega meses depois em Ringwood, para anunciar a triste notícia.

Eve aguarda meses pela chegada do irmão e do vizinho que acredita ser o homem da sua vida, porém o que chega é um belo homem com um semblante fechado e uma triste notícia.

Aidan encontra uma bela jovem com uma vida boa aparente, por isso decide ir embora o mais rápido possível para rever a família que não encontra há anos. Porem os dias se passam e algumas situações (ou o destino?) o obriga a ficar. Ele acaba descobrindo que a vida de Eve está preste a mudar se ela não cumprir em poucos dias algo estipulado no testamento do irmão: casar na data informada, senão perderá as terras da família para um primo odioso.

Sabendo disso, Aidan finalmente entende o que o irmão da mocinha quis dizer quando pediu para que a protegesse. Com uma promessa para cumprir, ele toma a única decisão possível: pede Eve em casamento.

Tudo que Eve não quer é casar com um estranho, porém não mais como esperar o "noivo" que nunca aparece, principalmente porque várias pessoas dependem ela. Por isso, Eve aceita casar com um completo estanho que pretende abandona-la assim que o casamento for realizado.

Eles se casam e decide cada um seguir seu caminho. No entanto o destino e a família Bedwyn têm outros planos para os recém casados.

"Ligeiramente Casados" é daqueles romances históricos light feitos para serem lidos em uma tarde. Não é uma história que possua mistérios ou grandes dramas, o que, sinceramente, senti falta. Também não tem cenas hots, o que é um "crime" em romances (risos).

Não me apaixonei pelos personagens, fora, é claro, as crianças, pois não tem como não gostar delas nas histórias. O mocinho é interessante, mas não tem nada que o torne inesquecível. A mocinha é forte e valente, mas já conheci melhores.

Apesar disso, pretendo continuar a série, até porque tenho esperanças de que os próximos livros sejam melhores.

Esse é o primeiro livro da autora e gostei, porém não amei. Comparei acima com as da Julia Quinn, mas considero seus livros mil vezes melhores que esse da Mary Balogh.

Capa original:

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mar da Tranquilidade – Katja Millay

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Sea of Tranquility

- N° de páginas: 368

- Sinopse: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

- Nota: image

Mar da Tranquilidade, da autora Katja Millay, é um sick-lit bem estereotipado na proposta do gênero: o enredo traz uma narrativa cujo relato emocional da protagonista transparece em sentimentos como dor, apatia, medo e até mesmo raiva de si próprio e do mundo a sua volta. A indiferença as pessoas e a autodepreciação são as características mais marcantes, e estão presentes em uma personagem em que o passado misterioso e cruel é desmembrado lentamente ao longo da história. Eu já comentei aqui uma vez que não gosto desse tipo de enredo – especialmente pelas características melancólicas do gênero. Mar da Tranquilidade não foi a exceção.

Nastysa é uma garota que mudou-se para uma nova cidade com sua tia. Ela não fala, mas não porque nasceu muda. Ela simplesmente decidiu parar de falar desde o que ocorrera quanto tinha 15 anos. Sua vida perdeu a cor, seus amigos sumiram e ela não se importa com as pessoas da nova escola – nem o que estes dizem a respeito de sua roupa preta decotada ou de sua maquiagem pesada. Todo dia Nastysa deseja ter morrido desde o ocorrido – e, acredite, enfrentar uma nova escola é o menor dos males. É lá que ela conhece Josh, um garoto que fará com que as coisas comecem a mudar em sua vida.

Josh não parece muito sociável. Quieto e misterioso, o rapaz carrega um passado traumático, mas, após um encontro forçado e inusitado entre os dois, Josh e Nastysa começam a se aproximar. O relacionamento gradativo transforma duas almas perdidas e lhes dão a chance de um novo recomeço. Porém, Nastysa precisará enfrentar o seu passado antes de seguir em frente – de dar a si própria a chance de um recomeço. Seria possível deixar tanta dor, ódio e sofrimento para trás? Será que algum dia ela seria capaz de ter uma vida normal novamente?

Narrado em primeira pessoa, sob pontos de vista alternados, Mar da Tranquilidade é uma história morna e apática. O tom delicado que a autora se propõe a passar confere um ritmo lento à história. Tanto o psicológico de cada personagem, quanto o envolvimento emocional entre eles, é ditado por passos sutis e quase imperceptíveis. A evolução da história parece não ocorrer, e tive a impressão, muitas vezes, de ficar estagnada num mesmo ponto. Aliás, a leitura só foi possível porque trapaceei e dei uma espiada no final para saber o que, de fato, ocorreu no passado da protagonista. A todo momento a autora nos fornece algumas pistas, mas fica a sensação do leitor ser enrolado para estender este mistério até as últimas páginas.

Por sem bem escrito, a leitura não foi de todo maçante. Mar da Tranquilidade é o relato emocional e por vezes tocante da dor e do sofrimento de uma pessoa que teve o seu psicológico abalado de forma cruel. A história aborda o luto pessoal e a recuperação gradativa de alguém cuja vida foi destruída em algum momento. Neste ponto, o livro atingi sua proposta. Porém, Mar da Tranquilidade peca por levantar outros elementos – como o romance, por exemplo -, e não explorá-los de forma satisfatória.  Josh e Nastysa até possuem um bom entrosamento, mas falta aos dois um aprofundamento maior. Os dois passam a maior parte da história sem de fato se conhecerem, e levam muito tempo para engatarem diálogos mais concisos e interessantes.

No final, quando os segredos vêem a tona, tudo parece muito abrupto e terminado de forma conveniente. O desfecho para determinado personagem – uma peça chave do livro -, ficou  à margem da história. Se no começo a autora desliza por se prolongar muito, nas últimas páginas a solução para resolver as questões propostas parecem apressadas, sem o cuidado que um tema deste requer. Enfim, Mar da Tranquilidade foi uma leitura muito mediana, cheia de altos e baixos.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Segredos de Colin Bridgerton – Julia Quinn

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- Título original: Romancing Mr. Bridgerton

- N° de páginas: 335

- Sinopse: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres.
Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente.No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

- Nota: image

Os segredos de Colin Bridgerton é o quarto voluma da série. Assim como seus antecessores, o livro retrata com escárnio os costumes sociais da época em que a alta sociedade londrina se destacava por seus bailes suntuosos, mexericos e escândalos. Esses elementos, atrelado a narrativa bem humorada, faz com que Julia Quinn se destaque por uma história leve e descontraída. Apesar de gostar do estilo, costumo sentir falta de um romance mais condensado entre os protagonistas de cada livro, como foi o caso deste.

A história se inicia no passado da vida de Penélope Featherington, resgatando o primeiro momento em que a moça se apaixonou por Colin; – uma situação que confere as primeiras páginas do livro um texto cheio de bom humor. A partir daí, acompanhamos uma síntese dos encontros entre os dois em bailes e reuniões de família. Mas por mais que Penélope o ame, ela sabe que o fará em silêncio, pois Colin sempre a veria como a melhor amiga de sua irmã e nada mais. Assim, ao voltarmos a narrativa no presente, encontramos Penélope aos 28 anos de idade, considerada uma solteirona pela sociedade.

Quando Colin volta de uma de suas viagens, ele se surpreende ao encontrar Penélope. O rapaz tinha na lembrança uma mulher mais gorducha, que se vestia com cores berrantes que não valorizavam o corpo dela. Já no presente, Penélope está magra, com roupas que delineiam suas curvas e acentuam sua beleza. Além disso, a garota continuava com o jeito cativante e, aos poucos, mediante aos encontros sociais e a determinadas situações que os aproximam, Colin perceberá que Penélope é algo mais para ele.

A história foca no mistério que rege o enredo central de toda a série. Desta vez, a misteriosa Lady  Whistledown – anônima que escreve o periódico de fofocas da cidade –, tem, enfim, sua identidade revelada. Mas até que isso aconteça, uma aposta para descobrir  quem é a cronista responsável pelos textos mordazes agitará Londres e, como dito, aproximará Colin e Penélope. O romance, entretanto, será gradativo e muito sutil: são quase duzentas páginas antes do primeiro beijo entre os dois.

Colin e Penélope foram figuras encantadoras. Através deles a autora aborda questões familiares e dilemas pessoais sobre sonhos e objetivos de vida. Embora o envolvimento romântico seja um tanto disperso – acredito que poderia ter apresentado um foco maior -, os dois formam um casal muito agradável. Já os personagens secundários ganham destaque especial nesta história, principalmente a adorável senhora Lady Danbury, que se mostrou uma grata surpresa. Adorei sua participação na trama.

Os segredos de Colin Bridgerton é uma história leve, ótima para descontrair. Para acompanhar a passagem de tantos personagens da família Bridgerton, é imprescendível ler a série na ordem.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Sobrevivente – Gregg Hurwitz

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Survivor

- N° de páginas: 367 páginas

- Sinopse: No parapeito de uma janela de banheiro no 11º andar do First Union Bank, Nate só tem mais um objetivo na vida: reunir a coragem necessária para saltar e acabar com os seus problemas. De repente, ele ouve tiros dentro do banco e, ao espiar o que está acontecendo, vê uma cena terrível: criminosos mascarados disparando cruelmente em qualquer um que se coloque em seu caminho. Enquanto sustenta o olhar de uma mulher agonizante, Nate toma uma decisão. Lançando mão de seu treinamento militar, ele consegue render e matar todo o grupo, exceto o seu líder. Antes de escapar, o homem deixa claro que ele se arrependerá de seu ato heroico. Ele está certo. Em poucos dias, Nate é sequestrado pela máfia ucraniana e recebe uma ameaça: precisa voltar ao banco e concluir a tarefa que os bandidos não puderam cumprir. Do contrário, sua ex-mulher – pela qual ainda é apaixonado – e a filha adolescente, que não o reconhece mais como pai, serão brutalmente assassinadas. Enquanto o tempo corre de maneira implacável e o prazo de Nate se aproxima do fim, ele luta não só para salvar as duas da morte, mas também para recuperar sua confiança e seu amor.

- Nota: image

O Sobrevivente é um thriller de tirar o fôlego. Uma história sensacional, intensa, com uma característica interessante: já conhecemos o vilão. O autor capricha ao mergulhar a fundo no psicológico dos personagens com descrições de seus medos, seus receios e suas dores. Narrado em terceira pessoa, Nate é o protagonista desta história – um homem marcado por situações difíceis que o levam a uma atitude radical. Sem conseguir se livrar do trauma de ver seu melhor amigo morrer na sua frente, de perder o carinho da família, e de descobrir que estava com uma doença sem cura – esclerose lateral – Nate decide não mais continuar com a vida. Ele tenta se suicidar na janela de um banco, porém é interrompido por um assalto que ocorre no local.

Nate estava no lugar errado, na hora errada. Colocando em prática seu treinamento de ex-militar, ele consegue impedir o roubo. Entretanto, um dos homens sobrevive, o que parece ser o líder do bando, e promete vingança. Pouco tempo depois, Nate é sequestrado, e descobre que o que ocorreu naquela dia não era um simples roubo. Um dos mafiosos ucranianos mais perigosos, Pavlo, deixa claro que Nate precisa terminar o serviço, já que matou os homens que estavam destinados aquele objetivo. Se não entregasse o que estava no cofre, sua filha seria cortada ao meio e colocada num cubo de gelo.

Carregado de suspense, acompanhamos a trajetória de Nate para salvar a família. Há uma carga emocional acentuada, pois o autor traça todo o histórico do personagem desde o momento em que ele conheceu sua esposa até a etapa em que sua filha tinha poucos anos de vida. O modo como eles se amavam, a dor de se perder aos poucos no luto, a separação… em seguida, quando Nate precisa retornar a sua antiga casa e alertá-los do perigo, passamos novamente a presenciar seu sofrimento, dessa vez como um pai que precisa lidar com a rejeição da filha e de ver a ex-mulher nos braços de outro. Aliado a tensão psicológica, o autor leva seu personagem ao limite. Foi impossível ficar indiferente a tamanho sofrimento e garra de Nate. Um protagonista forte, adorável, que me fez sofrer junto a cada página. Me envolvi intensamente com sua luta e suas dores.

O fato de conhecermos o vilão é uma manobra ousada, mas que deu certo na história. Pavlo é uma figura intrigante, com um lado emocional perturbado. Frio, assassino – o pior do que há no submundo do crime, sua única humanidade é dedicada a própria filha. Ela é o elo de ligação para entendermos os mistérios envolvendo o roubo malsucedido no banco. Aos poucos as informações se encaixam de maneira clara, sem deixar o leitor no escuro por muito tempo. Quanto ao rumo da história, há momentos incertos que nos deixa grudada as páginas para saber dos acontecimentos finais.

O autor traz a tona perseguições e fugas dignas de um filme cheio de ação. Essa é, de fato, a proposta dele: dar ao leitor a percepção de acompanhar um enredo de um filme policial, envolvendo personagens sujeitos a amarem, a sentirem dor e medo. Há uma riqueza de detalhes quanto aos cenários e armas – porém nada que torne o livro maçante. O ritmo é rápido e a leitura é muito fluída, o que me fez devorar quase 400 páginas em dois dias. Devo dizer que o final, entretanto, me deixou dividida: arrebatador, porém sufocante. É difícil dar detalhes sem contar spoilers, mas fiquei muito mexida com o que encontrei nas últimas páginas do livro

O Sobrevivente foi, para mim, uma das melhores leitura deste ano. Um thriller emocionante, que me levou as lágrimas, ao riso e a tensão por acompanhar essa busca implacável de um homem que ultrapassa os próprios limites para salvar sua família. Uma história impactante que merece, sem dúvida, cinco estrelas. Mais do que recomendado para quem gosta de emoções fortes em um thriller maravilhoso.

Capa original:

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