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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Os Sombras – J. R Ward

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Título: Os Sombras
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos Livros
Nota: 5
Sinopse: Dois irmãos, ligados por algo maior que o laço de sangue, lutam para evitar um destino brutal. Trez "Latimer" não existe de fato. E não só porque essa identidade foi criada para que o Sombra pudesse viver no mundo humano. Trez fugiu de sua prisão no palácio dos Sombras há anos, e agora vive em Caldwell como cafetão, sempre tentando evitar seu fatal destino como escravo sexual da rainha. Ele nunca teve em quem confiar de verdade... a não ser no irmão, iAm. O único objetivo de iAm sempre foi impedir que o irmão de autodestruísse, e ele sabe que fracassou nisso. Só depois que Selena, uma Escolhida, entra na vida de Trez, é que o macho começa a dar a volta por cima; porém, é tarde demais. Chegou a hora de cumprir a profecia de se compromissar com a filha da rainha, e Trez não poderá fugir ou se esconder, e não há como negociar. Encurralado entre o desejo de seu coração e um destino que nunca aceitou, Trez deve decidir se põe a si mesmo e aos outros em perigo, ou se esquece para sempre a fêmea amada. Após uma tragédia inimaginável, da beira do seu abismo emocional, Trez precisará encontrar um motivo para continuar ou se arriscará a perder tudo, inclusive a alma. Será que iAm, em nome do amor fraterno, aceitará realizar um derradeiro sacrifico em lugar do irmão?

Os Sombras é o décimo terceiro livro da série “Irmandade da Adaga Negra”, de J. R. Ward. Dentro do universo dos vampiros criado pela autora, uma história vinha se destacando, ganhando o início de seus trâmites no último lançamento, em “O Rei”: Trez e iAm, conhecidos como os irmãos “sombras”, recebem, enfim, uma história própria de quase setecentas páginas ao incrível toque de uma autora cuja narrativa transcende ao sublime. Nem todos os avisos sobre os rumos dessa história, embora ausentes de spoilers, foram suficientes para me preparar para o que estava por vir.

A história segue o velho corpo até então apresentado desde a metade da série: enquanto histórias paralelas correm, interligadas a trama principal, os personagens primários ganham maior destaque, apresentando um romance envolvente e característico a todos os casais da série. Com Trez e Selena não seria diferente. O Sombra reencontra Selena de maneira abrupta, em uma situação problemática em que nenhum dos dois desejaria estar. Mas é a oportunidade para deixarem de lado as questões existenciais e viverem o romance mais intenso da vida de ambos. Isso porque o tempo, para eles, é curto. Há uma questão que interpõe o caminho para o possível final feliz de ambos.

Correndo contra o tempo, todos se mobilizam para ir atrás de respostas. Enquanto Trez permite-se estar ao lado da mulher que ama, o passado do personagem ressurge como um aviso amargo do seu destino inevitável como o Ungido, ou seja, o prometido à rainha da raça dos Sombras. O tempo, para ele, está se acabando. iAm, então, entra como o papel do irmão que está sempre pronto para dar a si mesmo em função da felicidade de Trez. Ainda que gêmeos, Trez e iAm não poderiam ser mais diferentes. A cumplicidade de duas figuras tão distintas e tão próximas se torna essencial para manter o equilíbrio na vida de Trez. Embora o livro seja dele, é iAm quem ganha espaço nos últimos momentos da trama. Um final merecido para quem tanto se dedicou ao seu gêmeo.

Nas tramas paralelas, acompanhamos o início da história de Paradise, personagem principal da série paralela, em “Beijo de Sangue”. Rhage também ganha uma bela introdução para ser o próximo a ter sua história contada em “A Besta”, o décimo quinto volume da série. Assim, Ward mais uma vez nos mostra uma história da melhor qualidade, que nos leva a incansáveis suspiros com a doce e sexy relação de Trez e iAm, mas também a soluços e choques quando chegamos ao fim. Ao contrário do volume anterior, “Os Sombras” é um livro de romance afogado no drama mais profundo. Para quem lê, fica um questionamento: será que ainda veremos Trez como personagem principal, em algum outro momento? Ou isso foi tudo? Vindo da Ward, eu não me surpreenderia se ainda tivéssemos uma reviravolta pela frente…

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Rei – J. R. Ward

image - Ficha Técnica:

- Título Original:
The King

- N° de páginas: 680

- Sinopse: O Rei - Nas sombras da noite em Caldwell, Nova York, desenrola-se uma furiosa guerra entre vampiros e seus assassinos. Há uma Irmandade secreta, sem igual, formada por guerreiros vampiros defensores de sua raça. Depois de recusar seu trono por séculos, Wrath finalmente assumiu o manto de seu pai – com a ajuda de sua amada companheira. Mas a coroa pesa fortemente em sua cabeça. Enquanto a guerra com a Sociedade Redutora continua, e a ameaça vinda do Bando de Bastardos está prestes a acontecer, Wrath é forçado a fazer escolhas que colocam em risco tudo e a todos. Beth Randall pensou que sabia em que estava se metendo quando ela se relacionou com o último vampiro puro-sangue no planeta: não seria nada fácil. Mas quando ela decide ter um filho, percebe que não está preparada para a resposta de Wrath – ou o afastamento que essa decisão criaria entre eles. A questão é: o amor verdadeiro vencerá... ou será derrotado pelo passado sombrio?

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“O Rei” é o décimo terceiro volume da série IAN, de J.R Ward. A partir de Amante Vingado, Ward adquiriu uma escrita mais dispersa e mudou o foco da trama deste livro em diante. Não vou negar, sou do time que sente falta dos bons e velhos tempos de IAN, quando tínhamos em cada livro um enredo mais centrado no protagonista, focando sempre nos Irmãos originais. Mas Ward decidiu que deveria estender a série, acrescentar personagens novos e trabalhar subtramas junto ao casal principal de cada volume. E não tem nenhuma pretensão de voltar atrás.

J. R. Ward, contudo, anunciou recentemente que lançará uma nova série que voltará as origens, trabalhado paralelamente à IAN. “Black Dagger Legacy” ainda não tem previsão de lançamento, mas a notícia não poderia ter vindo em melhor hora. Pelo visto, Ward também sente falta da história original, e, como ela própria afirma que não pode mais voltar ao que a série já foi, correr uma série paralela parece a melhor forma de sanar a saudade que todos tinham dos primeiros personagens apresentados aos leitores. Enquanto isso não acontece, os irmãos aparecem vez ou outra nas histórias dos últimos volumes, como foi o caso de “O Rei”.

Neste livro, Ward explora o romance de diversos personagens, correndo suas histórias intercaladas ao longo de seiscentas páginas. Mas “O Rei” está longe de ser cansativo, cada momento é um deleite para o leitor, traçando um ritmo ágil e envolvente para cada um dos romances apresentados. Xcor e Layla, Assail e Sola, Wrath e Beth, Trez e Selena e até os pais de Wrath ganham seu destaque merecido. As relações possuem tramas próprias, mas são ligadas entre em si. Como resultado, temos uma história romântica com personagens apaixonantes, daqueles que não te fazem largar o livro tão cedo.

J. R. Ward ainda pode estar longe de ter voltado as origens, mas sua escrita em “O Rei” está muito próxima ao que era nos primeiros volumes. E isso é de deixar qualquer fã eufórico. Dessa vez, a autora se mostra mais centrada, sem atropelar os acontecimento ou fazer com que uma trama se sobressaia a outra. Cada um ganha seu espaço, e cada história é recheada de muito romance, explorando os defeitos e os méritos dos casais presentes no livro. Como tema central, contudo, Ward prima pela relação entre Wrath e Beth, apresentando um novo dilema entre os dois: Beth decide ter um filho. E em meio a um complô para tirá-lo do trono, Wrath ficará mais conturbado do que nunca.

“O Rei” é uma mistura de nostalgia do velho com o melhor momento da autora para o futuro da série. Bem desenvolvido, a história em nenhum momento deixa a desejar. Volto a reiterar, foram mais de seiscentas páginas devoradas em pouco mais de três dias. O final não poderia ser mais perfeito, dando-nos a sensação de ter lido um dos melhores livros da série. “O Rei” não decepciona, e  certamente emocionará aos fãs da Irmandade da Adaga Negra. 

Capa original:

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Outra Vida – Suzanne Winnacker

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Other Life

- 270 páginas

- Sinopse: O mundo de Sherry — de uma hora para outra — mudou completamente. Por causa de um vírus muito contagioso, as pessoas que ela costumava conhecer, e quase todas as pessoas de sua cidade, Los Angeles, na Califórnia, se transformaram em mutantes assustadores. Esses mutantes têm uma força excessiva, são ágeis, o corpo é coberto de pelos, eles lacrimejam um líquido imundo e… comem gente! Portanto, não há muito o que fazer — talvez tentar fugir — quando se encontra algum deles. A não ser que você tenha ao seu lado a força e a determinação de um jovem como Joshua. Joshua perdeu uma irmã para os mutantes e sua raiva é tão grande que ele seria capaz de vingar todos aqueles que perderam alguém para as criaturas. No entanto, para que esta revanche aconteça, é preciso prudência. Afinal, até que ponto a disseminação deste vírus foi uma coisa realmente natural? Que poderosos interesses estão por trás desta devastação? E será que Joshua e Sherry conseguirão ter a cautela necessária para lutar contra as criaturas justo agora que seus corações estão agitados pelo começo de uma paixão?

- Nota: clip_image004

[OFF TOPIC]

A Outra Vida é um livro distópico ambientado em um mundo tomado por aberrações descritas como “Chorões” – seres desenvolvidos por um vírus da raiva que se alastrou por Los Angeles, saindo de controle. Os Chorões – denominados assim devido ao som similar à um choro no qual produzem –, possuem compleições diferentes: alguns se parecem quase como humanos, outros são animais peludos que soltam pele, correm com quatros patas, possuem olhos animalescos e características ferozes. Há um senso comum em todos eles: caçar e matar humanos.

Sherry e sua família vivem em um abrigo, longe de qualquer ameaça. Por três anos eles ficaram longe da civilização, até que, um dia, a comida acaba. Sabendo que sua família morreria em pouco tempo se não fizesse nada, o pai de Sherry decide sair do abrigo à procura de comida. A menina consegue convencê-lo a levá-la junta. Entretanto, ao encontrarem um supermercado abandonado, as coisas fogem de controle e ela e seu pai são atacados por vários Chorões. Sherry é salva por Joshua, um adolescente que está em busca de vingança. Seu pai, porém, desaparece, e Joshua promete trazê-lo de volta. Antes, contudo, ele a levaria, juntamente com o resto de sua família, para o Refúgio, um dos últimos abrigos que restara na região.

O começo do livro é muito bom. Sob a ótica do suspense psicológico, somos introduzidos a vida de uma família que passou três anos dentro de  um abrigo construído embaixo de sua casa. Suzanne Winnacker utiliza-se de uma descrição que preza pequenos detalhes importantes para dar veracidade ao tom de seu texto: a sensação do calor abafado, o suor na testa, a respiração entrecortada, o gosto da comida na boca… tudo é descrito de um modo que passamos a fazer parte daquele cubículo sufocante em que a família vive para sobreviver. A experiência sensorial me conquistou logo nas primeiras páginas e passei a ler ansiosa pelo que viria a seguir.

Decepcionará, entretanto, quem esperar um enredo com muito sangue, correria e zumbis à todos instante. A história possui um ótimo ritmo, mas seu foco é destinado a um objetivo mais centrado na trama, que é o resgate do pai de Sherry. Enquanto isso há pequenos acontecimentos paralelos, porém por ser um livro curto, o foco mantém-se no resgate e na tentativa de sobreviverem a essa tarefa. Sherry e Joshua passam boa parte da história percorrendo ninhos de Chorões para descobrirem o paradeiro do pai dela. A cada novo capítulo, há uma passagem de uma página contendo alguma lembrança da personagem antes do vírus, mostrando interesses corriqueiros como garotos, festas e escolas.

O enredo é leve, mas achei-o na medida certa. Algumas coisas me incomodaram na leitura, como por exemplo, a autora sempre trazer cálculos específicos em dados momentos para dar um tom impactante à história. Eu explico: Sherry diz que passou cinquenta e cinco mil minutos desde a última vez que rira, ou tantos mil dias sem comer uma barra de chocolate, tantos minutos sem chuva etc, etc. Quem faz cálculos assim em meio a fugas e cenas de tiros? Soou forçado e muito repetitivo. A exceção dessas passagens, a escrita da autora é fluída e muito gostosa, tanto que terminei a leitura em apenas dois dias.

Com personagens interessantes – o qual escondem passados que são aos poucos desvendados –, A Outra Vida é uma história curta que teve um ótimo desfecho. A autora atiçou o leitor propositalmente para a continuação, e devo dizer que não só comprei a ideia como fiquei ansiosa para o próximo livro.  Reunindo ingredientes como ação, um romance leve e a busca pela sobrevivência, Suzanne Winnacker construiu uma história promissora, sem deixar pontas soltas. Espero que a editora não demore a publicar a continuação!

Capa original:

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Amante Finalmente – J.R. Ward

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Lovers at Last

- 700 páginas

- Sinopse: Qhuinn está acostumado à solidão. Repudiado por sua linhagem e evitado pela aristocracia, ele finalmente encontrou uma identidade como um dos lutadores mais brutais na guerra contra a Sociedade Redutora. Mas sua vida não está completa. Mesmo que a perspectiva de ter uma família esteja ao seu alcance, ele está vazio por dentro, com o coração entregue a outra pessoa... Blay, depois de anos de amor não correspondido, acredita já ter superado Qhuinn. E já era hora: o homem parece ter encontrado o seu par ideal em uma fêmea Escolhida, e eles terão um filho, exatamente como Qhuinn sempre quis. O destino parece ter levado a vida desses vampiros soldados em direções diferentes... Mas a batalha pela liderança da raça se intensifica, e os novos jogadores na cena de Caldwell estão criando um perigo mortal para a Irmandade. Qhuinn finalmente descobre a verdadeira definição de coragem, e os dois corações que estão destinados a ficar juntos... finalmente se tornam um.

- Nota: clip_image004

Esperei ansiosamente pela história de Blay e Qhuinn. No fundo, nunca aceitei o fato da autora não ter juntado Vishous e Butch como um dos casais gays presentes na história. Entretanto, minha frustração foi compensada pelo relacionamento complicado entre Blay e Qhuinn, personagens que me conquistaram ao longo da série com suas idas e vindas de uma grande amizade e de amor não correspondido. Confesso que fiquei contente com o desfecho que encontrei neste volume, assim como o desenvolvimento das cenas românticas, porém o livro não foi de todo satisfatório. Houve alguns pontos que me incomodaram.

Quando Qhuinn quase morre em uma arriscada missão para salvar a vida de Zsadist, o rapaz percebe que poderia ter passado desta para melhor sem abrir seus sentimentos para o homem que sempre amou. Entretanto, Blay não parece acreditar que Qhuinn não esteja apaixonado por Laya, e este não consegue esconder o ciúmes que sente ao ver Blay e Saxton juntos, sem saber que a relação deles pende por um fio. Em uma trilha onde os dois precisarão aprender a superar seus próprios dilemas – e isto inclui preconceitos, orgulho besta e a entrega de si próprio – , Blay e Qhuinn iniciarão um romance sedutor e delicioso.

Os momentos entre o casal foram bem desenvolvidos. Para os apaixonados pelos dois, o romance é um deleite, cheio de passagens que não traçam qualquer pudor à respeito das cenas de sexo. O clima da paixão é acentuado – o amor intenso é abordado de forma um tanto dinâmica, já que há quase um jogo de gato e rato entre eles. Blay e Qhuinn estão sempre sendo interrompidos por alguém ou um dos dois acaba se afastando do outro, deixando a impressão que, quando estão para ingressar num outro nível do relacionamento, o casal volta dez casas e precisam começar tudo outra vez. Isso não foi particularmente um incômodo, pelo contrário. O lado emocional é intenso e cada cena trouxe momentos únicos entre os dois.

Entretanto, o contexto geral da história não me agradou. O enredo não gira exclusivamente em torno dos dois, e isso sim foi um incômodo. Desde Amante Meu, Ward vem traçando novos personagens paralelos que ganham um destaque exagerado na trama, ao ponto do leitor se perguntar de quem exatamente é a história. Quando terminei, fiquei com a sensação de não saber se esse era o livro de Qhuinn e de Blay, ou se era de Assail, por exemplo, que apareceu tantas vezes – senão mais, até –, que os próprios protagonistas. Aliás, achei o personagem um poço de chatice, e espero, sinceramente, que a autora não continue essa tendência nos próximos livros. Se ao menos as cenas paralelas fossem sobre os irmãos da história…

Por outro lado, Amante Renascido trouxe antigos personagens que tornaram a leitura bem atraente. Trez e iAm são figuras maravilhosas que ganharam grande destaque, assim como Saxton, cujo jeito de menino bonzinho me conquistou logo no começo. Outro foco entre personagens – e confesso que fiquei surpresa comigo mesma por ter adorado –, foi a relação desenvolvida entre Layla e Qhuinn. Gostei do modo protetor como Qhuinn cuidou dela durante a história, e Layla está bem melhor neste volume.

Amante Renascido, para mim, poderia ter focado mais nos protagonistas, mas fiquei satisfeita com que a autora nos ofereceu. A história é muito linda e o romance fofo nos proporciona ótimos momentos de leitura. Amante Renascido aborda o preconceito em diversas facetas – mas, principalmente, fala de aceitar quem você é, não importa quais obstáculos precisa superar para isso. Uma ótima leitura.

Capa Original:

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amante Renascido – J. R. Ward

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Lover Reborn

- 704 páginas

- Sinopse: Das sombras da noite em Caldwell, Nova York, desenrola-se uma furiosa guerra entre vampiros e seus assassinos. Há uma irmandade secreta, sem igual, formada por guerreiros vampiros defensores de sua raça. Desde a morte de sua shellan, Tohrment tornou-se irreconhecível. Fisicamente abalado e com o coração partido, ele é levado de volta para a Irmandade pelo anjo Lassiter. Agora, lutando com uma fúria implacável, ele está preparado para enfrentar outra tragédia. Ao descobrir que sua amada está presa em um submundo frio e isolado, Tohr procura o anjo na esperança de salvá-la. No entanto, quando Lassiter lhe diz que ele precisa aprender a amar outra fêmea para libertar sua antiga parceira, Tohr percebe que eles estão condenados. Mas ele não esperava que uma mulher intrigante e sexy começasse a mexer co seus instintos adormecidos. Em meio a uma guerra violenta contra os redutores e um novo clã de vampiros competindo pelo trono do Rei Cego, Tohr divide-se entre o amor antigo e um futuro arrebatador. Será que ele se entregará a essa nova paixão e conseguirá libertar a todos?

- Nota: clip_image004

Esperava ansiosamente por esse livro. De todos os personagens criados pela autora, tenho uma admiração particular por Tohr, não somente pelo caráter singular – e claro que isso soa redundante quando a autora tece minuciosamente uma personalidade marcante para cada um de seus personagens –, que confere à este uma figura sólida e sábia em meio a tantos personagens brincalhões, como também pela história que acentua o drama romântico, uma vez que, até o terceiro livro - e diferente de todos os personagens -, Tohr já era vinculado à uma shellan.

Caso você jamais tenha ouvido falar sobre, ou lido qualquer livro da Irmandade, a minha resenha certamente soará confusa e cheia de spoilers. IAN é uma série longa com terminações próprias, inserida em um contexto de rituais, leis e sistemas arcaicos que contrastam com as características tecnológicas e sociais dos dias de hoje. Sou fã dessa mistura da autora, acho que ela equilibra muito bem o mundo particular de sua autoria em paralelo a sociedade em que vivemos.

Nos dois últimos livros – Amante Meu e Amante Desperta –, senti uma falta imensa de uma interação maior dos personagens paralelos e de mais ação, o que acabou pesando pontos negativos na minha leitura. Em Amante Renascido, felizmente, a autora volta a destacar o relacionamento da Irmandade, principalmente porque, neste livro, o Rei sofre um atentado e deixa todos mais atentos aos laços de amizades e perdas. Quanto à ação, embora Amante Renascido se dedique à relação delicada entre No’One e Tohr, o livro não decepciona com uma trama bem elaborada, que conta com doses de ação e muitas conspirações. Aliás, neste aspecto, os novos vilões contra a Irmandade são bem vindos e prometem mais agito à história.

Tohr é um personagem solitário, que se agarra ao seu luto eterno como forma de consolo a perda de sua shellan. A tristeza e a dor são obstáculos que permeiam uma característica melancólica ao protagonista. Em cenas pra lá de tristes, Tohr demonstra o quanto está frágil em seu estado físico e psicológico, e não pensa em amar novamente. Entretanto, nosso herói descobre que sua shellan não foi para o Fade graças a ele, que não consegue se desprender das lembranças da fêmea. Em uma tarefa árdua de aprender a amar e lidar com seus próprios sentimentos, Tohr enfrentará um romance complicado com No’One, uma antiga conhecida de outros tempos.

A ligação entre No’One e Tohr é longa, portanto, para evitar spoilers, acho interessante que o leitor descubra por si só. A princípio a personagem mostra-se apática, mas aos poucos cresce e ganha voz na trama. O relacionamento é delicado e se sustenta por meio da paixão que nutrem um pelo outro – além de contarem com o empurrãozinho do anjo Lassiter, cujo propósito é unir os dois como meio de sua redenção para com o Criador. Lassiter é uma graça com seu humor debochado, seu jeito bonachão que, no fundo, esconde uma alma boa. Um personagem cativante e sedutor, que rendeu à história momentos de descontração e me fez ansiar que ele tivesse um livro próprio, algo já confirmado pela autora. Simplesmente amei todas as passagens de Lassiter na história.

A narrativa trouxe alguns diferenciais. O pulo no tempo, por exemplo, foi uma novidade. A relação dos protagonistas é bem estruturada e, portanto, mesmo se passando meses entre duas partes da história, não senti que tinha perdido algo. Além disso, o foco da trama ganha ares mais interessante com os novos vilões que já citei. Neste volume, quase não ouvimos falar do Ômega e seus redutores.

Infelizmente, devo discordar da maioria dos leitores que acharam a tradução ótima pela volta dos palavrões, uma vez que até o volume anterior as traduções eram suavizadas. De fato, encontrar um texto mais próximo do original – independente de qual estilo ele tenha –, é sempre um fato que, para mim, deva ser levado como prioridade máxima em uma tradução. Entretanto, a tradução, bem como a revisão, estava muito ruim. Houve elementos, por exemplo, em que o tradutor optou por deixar no original, mas no final da história ele mudou de ideia e traduziu-as. Como tradutora, para mim, ou deixa de um jeito, ou de outro. A revisão não ficou por menos: erros de digitação foram encontrados em várias páginas, o que tornou algumas passagens bizarras e dificultou minha leitura.

No fundo, não concordei com a decisão da autora em não trazer a Wesllie de volta, uma vez que ela já abriu essa exceção a outros personagens, mas gostei mesmo assim da história. Amante Renascido fala de luto, perdas e amizades. Depois de me decepcionar com os dois últimos livros, senti de volta aquele clima de irmandade que me conquistou. Um livro sensual, que aborda o lado emocional do luto de forma interessante e, ao mesmo tempo, nos brinda com momentos divertidos entre os irmãos. Já comecei ansiosíssima o próximo volume, que conta a trajetória de idas e vidas de um dos casais mais esperado: Blay e Qhuinn! Vale a pena ler…

Capa original:

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Princesa Mecânica – Cassandra Clare

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Clockwork Princess

- 496 páginas

- Sinopse: Continuação de Príncipe mecânico, “Princesa Mecânica” é ambientado no universo dos Caçadores de sombras, também explorado na série Os Instrumentos mortais, que chega agora ao cinema. Neste volume, o mistério sobre Tessa Gray e o Magistrado continua. Mas enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, a moça se envolve cada vez mais num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para ela, seu noivo, seu verdadeiro amor e os habitantes do Submundo.

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Quando pensei em ler a série Os Instrumentos Mortais, não estava preparada para encontrar uma trilogia que retratasse uma história tão intensa. O primeiro livro não me fisgou de início, mas resolvi que continuaria a série; com isso fui envolvida numa das melhores histórias do gênero Young Adult. Em Príncipe Mecânico, fiquei apaixonada pelo enredo recheado de fortes emoções em uma trama com um ritmo intenso, e um conflito envolvendo um triângulo amoroso com personagens encantadores e complexos. Agora, no terceiro livro da trilogia, Princesa Mecânica não somente trouxe os mesmos elementos que me conquistaram no segundo livro, como foi além e superou todas as minhas expectativas. Encantador, divertido, doce e muito triste, a história foi um verdeiro baque emocional.

O livro possui uma carga sentimental intensa. Princesa Mecânica é, sobretudo, uma história triste. Utilizando-se de um tom quase poético, o retrato da morte é um dos principais temas abordados sob a ótica da fantasia. Discussões sobre reencarnação, a passagem da alma e temas interligados foram bem trabalhados e inseridos no contexto da trama. A morte é um coadjuvante que conduz às emoções e os conflitos mais intensos de cada personagem. Will, por exemplo, é movido neste livro pela busca incessante de trazer à Jem, em seu leito de morte, a última vontade de seu parabatai. É arrebatador os sentimentos e a devoção que Will nutre pelo seu amigo e seu irmão – o que consiste na tal relação denominada – ; seu afeto e sua jornada por Jem conseguiram me levar às lágrimas diversas vezes. Há um momento na história onde é impossível não se emocionar com o sofrimento do personagem.

A saúde frágil de Jem permeia uma atmosfera melancólica. Não somente o personagem inspira compaixão, como os acontecimentos presentes na trama envolvem sentimentos de dor e perda. A história fala sim de esperança, de amizade no sentindo mais profundo, mas também de sacrifícios e sofrimentos. Princesa Mecânica misturou elementos que se encaixaram perfeitamente, sem que um se sobressaísse ao outro. O caráter e o aspecto emocional de cada personagem, a trama centrada, assim como as cenas de ação de tirar o fôlego – características estas presentes em todos os livros –, foram fundamentais para a construção de uma história impactante.

Os personagens são bem estruturados e cativantes. O triângulo amoroso – artifício esse do qual sou avessa –, foi um dos poucos que me conquistaram. Will e Jem são encantadores, sofríveis e apaixonantes. A relação entre eles com Tessa é algo muito especial. Mais do que um simples romance, a conexão dos personagens é tão intensa que o dilema comum envolvendo esses triângulos – que geralmente se resume a qual personagem a protagonista vai ficar -, é quase imperceptível na trama. A mera disputa romântica é deixada em segundo plano; o foco maior é a relação de afeto e companheirismo que nutrem um pelo outro. Porém, admito que, por mais que eu entenda a visão da autora, não posso dizer que tenha gostado do resultado final. Não que a história não garanta o final feliz, mas sim porquê a autora vai além dele. O pós-final feliz é doloroso. Triste, de apertar o coração e levar às lágrimas mais uma vez.

Cassandra Clare judiou de seus leitores nesse livro, mas concluiu a trilogia com chave de ouro. Chorei, me emocionei, ri e torci com os personagens. A minha dica é: leia e se emocione, pois é uma história marcante e um dos melhores Young Adults que li. Princesa Mecânica entra para a lista dos melhores deste ano.

Capa Original:

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Laços de Sangue – Richelle Mead

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Bloodlines

- 440 páginas

- Sinopse: Sydney estava encrencada. Em sua última missão, ela tinha ajudado a dampira Rose Hathaway a escapar da prisão, e essa aliança foi considerada uma traição grave, já que vampiros e dampiros são criaturas terríveis e antinaturais, ameaças àqueles que os alquimistas devem proteger: os humanos.
Com sua lealdade colocada em questão, Sydney se sente obrigada a voluntariar-se para uma tarefa nada agradável: ajudar a esconder Jill Dragomir, uma princesa vampira que está sendo perseguida por rebeldes que querem o poder. Caso ela seja capturada e assassinada, a rainha Lissa ficará sem nenhum parente vivo e, como manda a lei, terá de abdicar do trono - o que culminará numa guerra civil tão sangrenta no mundo dos vampiros que certamente afetará a humanidade.
Primeiro volume da série Bloodlines, "Laços de Sangue" apresenta o ponto de vista de Sydney Sage. Por ser uma alquimista, ela foi criada para acreditar que vampiros são criaturas terríveis e antinaturais. Até ser enviada à ensolarada Califórnia em uma missão para proteger a princesa vampira Jill Dragomir.

- Nota: clip_image004

Fiquei um pouco receosa de ler esse livro sem ter antes lido a série anterior por completo. Mas a exceção de pequenos spoilers inevitáveis, Laços de Sangue não revela muita coisa. Já seu conteúdo; a autora volta a repetir seu feito de trazer ao leitor personagens cativante e um história pincelada de mistério e ação. Laços de sangue também conta com uma pitada de brigas escolares, bom humor e a promessa de ótimos romances.

O livro conta a história de Sydney, uma alquimista que ficou, de certo modo, com sua reputação manchada após ajudar Rose em uma fuga. Para voltar a ter crédito com outros alquimistas mais velhos – e não decepcionar seu pai –, ela aceita servir como “babá” para Jill, uma Moroi que corre perigo de vida. Levadas ao ambiente escolar, com identidades falsas, Sydney, primeiro, precisaria vencer seu preconceito contra vampiros e tudo que envolvia esta palavra – magia, sangue, caninos… Segundo, ela precisaria saber lidar com Keith, um alquimista desprezível que a acompanharia nessa tarefa. Keith está decidido não apenas a tratá-la com o máximo de desprezo possível, como também a encurtar seu trabalho com a Moroi.

A medida que o tempo passa, Sydney não apenas se envolve com o meio escolar como também se torna amiga de Jill e outros vampiros. Lee parece um rapaz bacana, que está interessado em Jill. Eddie, o guardião da vampira, parece esconder mais do que simples afeto por ela, já Adrian… ele é antipatia certa. O vampiro sarcástico parece sempre pronto para provocá-la e fazê-la perder a paciência. E enquanto ela precisa lidar com ele, Sydney tenta desvendar a morte de alunas, tatuagens estranhas em alunos e um inimigo que está mais próximo do que ela pode imaginar.

Laços de sangue é uma leitura light, porém muito gostosa. Richelle tem um jeitinho único de deixar o leitor envolvido em qualquer enredo escrito por ela – no caso, o ambiente escolar. Mesmo a picuinha mais boba de colégio, aqui se transforma em uma descontraída e inteligente história de vingança  entre alunas. Há pesquisas escolares, crédito extra, lições, romances juvenis e muitas aulas – como qualquer enredo deste meio. Um gostinho característico já visto em Academia de Vampiros, que retorna as páginas de Laços de Sangue de um jeito mais suave, sem trazer muito os aspectos mais sobrenaturais de uma escola de vampiros já que boa parte da história se passa no meio humano. 

Gostei muito dos personagens. Há muitos encontros entre eles apenas pelo prazer de saírem juntos, como quando todos se reúnem para jogar golfe. Lee é uma surpresa e adorei Eddie, que promete trazer um romance doce com Jill nos próximos volumes. Adrian é o destaque da história – ele traz um ar indiferente ao mundo e esconde suas mágoas através de uma máscara de escárnio, atribuindo ao personagem um ar divertido e cativante. O humor delicioso do protagonista me conquistou. Com um jeitinho playboy, Adrian finge que não quer nada da vida mas que, no fundo, esconde muita coisa. Confesso, fiquei curiosa para continuar minha leitura de Academia de Vampiro e, assim, descobrir mais sobre seu passado.

Parte do meu amor pelos personagens balançou um pouco em relação à Sydney. Não que a protagonista não fuja dos estereótipos já criados pela autora – e que eu adoro –; personagens fortes que estão prontas para briga e que dispensam melodramas enrolados. Porém, Sydney é insegura. Ela está sempre querendo andar na linha e fazer de tudo para cair na graça do pai megero, dos alquimistas ou de Keith. Suspeito que isso fará com que a personagem meta os pés pelas mãos em algum momento. Além disso, há um quê de preconceito em sua visão aos vampiros que chega a ser irritante. Sydney ainda precisa amadurecer nos próximos volumes.

Laços de Sangue não se aprofunda muito no romance. Há apenas uma prévia do que teremos nos próximos volumes, mas já sentimos o gostinho de um casal que promete ter bastante química. A leitura traz um mistério gostoso e muita ação nas últimas páginas. Adorei cada página. Para finalizar, como assim o livro termina daquele jeito? Preciso da continuação pra ontem!

Capa original:

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Príncipe Mecânico – Cassandra Clare

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Clockwork Prince

- 396 páginas

- Sinopse: Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

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A continuação de Anjo Mecânico mostrou-se uma agradável e bem-vinda surpresa. No primeiro volume fui levada as páginas que narram a história dos antepassados dos personagens mostrados na série Os Instrumentos Mortais. Mesmo curtindo a leitura, houve alguns excessos que, devo confessar, não me agradaram muito. Já Príncipe Mecânico foi diferente; quase não conseguia largar o livro.  Retomei meu gosto pela série que entrou para os meus preferidos.

A narrativa cria um clima de aventura muito agradável. Ao longo da história a autora desmembra seus personagens, ou seja, muitas das dúvidas no primeiro livro são respondidas de forma satisfatória. As revelações feitas mostram uma trama bem amarrada, concisa, – o que trouxe uma compreensão mais clara do por que determinados personagens agirem de tal forma. Will, por exemplo, era intrigante. Já neste volume seu passado é resgatado, o que, devo dizer, me deixou ainda mais apaixonada por ele. Porém Tessa ainda é um mistério sobre suas origens.

O que encontrar na história? Um texto dinâmico, bem escrito e envolvente. Há reencontros, traições, muita ação e um triângulo amoroso delicado. Geralmente sou avessa a triângulos amorosos, contudo isso não me incomodou aqui. É quase impossível escolher entre dois personagens tão encantadores. Will se destaca graças ao humor ácido; Jem é o oposto, mas tampouco fica atrás. Aliás, a relação entre ambos é um forte atrativo; amei essa abordagem cúmplice dos dois. Will e Jem são o “parabatai” um do outro – termo para designar uma espécie amizade, como irmãos, com fortes laços que envolvem inclusive magia. Ao longo do livro Will e Jem demonstram essa lealdade de forma intensa e cativante.

E por falar em personagens, eles estão muito melhores. Will, Tessa e Jem exalam sua essência juvenil de dezessete anos, entretanto são personagens que precisam ou precisaram amadurecer rápido – o que trouxe uma abordagem mais adulta. Will, cujo caráter debochado no primeiro livro me irritou em diversos momentos, está diferente neste volume. Sua característica indiferente e sarcástica se mantém, porém, ao descobrir mais sobre o personagem, passamos a enxergá-lo de outro modo. Seu psicológico é delicado e Will, desta vez, se mostra humano ao desnudar seus sentimentos.

Jem possui um caráter mais reservado. Ele é fofo e sua saúde frágil carrega um ar melancólico no comportamento do personagem. Ele inspira compaixão mas, ao mesmo tempo, demonstra força através da amizade com Will e seu amor por Tessa. Já esta me agradou em diversos momentos; Tessa é madura, sensata e não hesita em proteger aos seus. Ela está mais ativa, mais guerreira - principalmente porque, neste volume, começa a ter aulas de luta. Ah, também não poderia deixar de comentar sobre Mangus Bane – mesmo em sua breve aparição o personagem me deixou intrigada, já que não o conhecia e espero saber mais sobre ele. 

Príncipe Mecânico traz o gostinho do que há de melhor na literatura jovem adulto. Um livro que fala sobre amizades, redenção, sacrifícios e paixões, que provoca um torvelinho de sentimentos no leitor. Amei cada momento da história e já sinto falta dos personagens. Agora é esperar ansiosa pela continuação que sai mês que vem pela editora Galera Record.

Capa Original:

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Como salvar um vampiro apaixonado – Beth Fantaskey

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Jessica Rules the Dark Side

- 264 páginas

- Sinopse: Depois de se casarem na Romênia, agora Jessica e Lucius devem unir os clãs mais poderosos dos vampiros e estabelecer a paz de uma vez por todas.Mas primeiro ela vai ter que convencer uma nação inteira de vampiros ardilosos de que tem plenas condições de se tornar rainha. O problema é que Jessica nem mesmo consegue pedir uma refeição decente aos empregados de seu castelo, quanto mais lidar com súditos mortos-vivos malignos que adorariam vê-la fracassar. Tudo se complica ainda mais quando Lucius é acusado de assassinar um vampiro Ancião e é condenado à masmorra, onde espera pelo julgamento que pode levá-lo à morte. Jessica então se vê em apuros, lutando não só pela vida de seu amado, mas também pela própria sobrevivência em um mundo repleto de intrigas.

- Nota: clip_image004

A história é continuação do livro “Como se livrar de um vampiro apaixonado”. Li muitas resenhas bem críticas e quase unânimes que me deixaram um pouco receosa, pois sou apaixonada pela história e não queria pensar que a autora pudesse ter errado à mão. Porém à medida em que fui lendo, minhas preocupações foram deixadas de lado. A exceção de alguns pontos que citarei na resenha, “Como salvar um vampiro apaixonado” se mostrou uma história muito gostosa de ler. A narrativa é leve, flui muito bem e trouxe novidades – como a predominância do suspense e a participação ativa de personagens secundários através de suas narrações.

A história começa pouco tempo depois do casamento entre Lucius e Antanasia. Está se aproximando o dia em que haveria uma votação entre os vampiros para decidir se o casal seria digno de governar a raça. Jéssica, contudo, é atingida pela descrença em si mesma; ela não se acha suficientemente capaz de liderar ao lado de Lucius e teme que, de algum modo, possa vir a prejudicá-lo. Enquanto a personagem se debate em conflitos internos e não consegue se acostumar com esse novo mundo, Lucius precisa lidar com as tarefas diárias de um príncipe – como decretar sentenças –, enfrentar a desconfiança e a provocação dos Anciões, e fazê-los crer que sua esposa será digna de ocupar o trono ao seu lado.

Entretanto, em uma noite, um dos anciões questiona Lucius abertamente sobre a capacidade de Antanasia em ser a rainha, o que gera uma discussão acalorada entre os dois. Alguns dias depois o ancião é achado morto e as suspeitas recaem em Lucius, já que este o ameaçara no final de discussão. Sem outra saída, Antanasia se vê obrigada a cumprir a lei; seu marido seria preso até que houvesse um julgamento para condená-lo ou inocentá-lo. Ela então precisa correr contra o tempo para salvar a vida de seu marido e descobrir a verdadeira identidade do assassino. Para isso, Antanasia contará com a ajuda de Mindy – sua melhor amiga do colégio e Raniero, o melhor amigo de Lucius e a paixão de Mindy.

A história gira em torno do suspense; uma corrida contra o relógio em busca de pistas que pudessem inocentar Lucius. Embora haja um clima de mistério, a autora opta por deixar em aberto a identidade do vilão logo nas primeiras páginas. O culpado não é declarado abertamente, mas o leitor facilmente percebe quem está por trás de toda a trama. Isso não me incomodou, pois fiquei na torcida para que os personagens também descobrissem – o que gerou uma expectativa gostosa ao longo da leitura.

No primeiro livro a narrativa era destilada de humor, já no segundo volume essa característica é deixada de lado. O contexto leve se mantém, contudo os diálogos engraçados e cenas divertidas não estão mais presentes ou são raros na trama. Achei essa nova abordagem bem condizente com a proposta da história - uma vez que os personagens não estão mais no colégio e sim em um castelo tétrico, enfrentando traições, julgamentos e vampiros que desejam o poder. Aliás, há uma atmosfera de escuridão que se entrelaça à narrativa.

A exceção de Antanasia, a caracterização dos personagens não deixa a desejar. Já a protagonista, que sempre se mostrou uma personagem altiva e corajosa no primeiro livro, sofre uma mudança brusca de personalidade. Ela está insegura, só sabe reclamar e se afoga em autopiedade. A abordagem psicológica de Antanasia é o que torna o começo da história entediante e sofrível, pois a autora tenta desenvolver um período de evolução pessoal que acaba se estendendo em choros e insegurança. Eu também senti muita falta de Lucius nessa história, já que, após ser encarcerado, o contato que temos com o personagem é por meio das cartas que ele escreve ao seu amigo.  Entretanto, a autora compensa a ausência de nosso herói querido através da narrativa de Mindy e Raniero, ao mesmo tempo em que desenvolve um romance entre eles. Os dois são maravilhosos, roubam toda a cena e compensam qualquer deslize da autora. Mindy é engraçada e Raniero se mostra um jovem poderoso e sedutor com sua áurea de mistério.

Gostei da abordagem por trás do assassinato do personagem. Há um pano de fundo muito bem estruturado, tornando a leitura mais que um mero passatempo de detetive. Conhecemos melhor o passado de Lucius – e consequentemente de Ramiero, para entendermos o motivo do personagem se portar de tal forma. Ainda sou apaixonada pelo primeiro livro, mas também adorei essa continuação. A leitura foi extremamente prazerosa e devorei as páginas, mesmo sentindo falta do Lucius. Por mim, a autora poderia escrever mais um livro com ele, não seria nada mal, sim? Leiam e se divirtam nessa aventura.

Capa original:

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Como se livrar de um vampiro apaixonado – Beth Fantaskey

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Jessica’s Guide to Dating on the Dark Side

- 299 páginas

- Sinopse: Casar-se com um vampiro certamente não estava nos planos de Jessica Packwood para seu último ano escolar. Mas quando um novo aluno esquisitão (e muito gato) chamado Lucius Vladescu aparece do nada, dizendo que Jessica pertence à realeza vampírica e está prometida em casamento a ele, futuro líder do clã mais poderoso dos vampiros, ela é obrigada a rever seus conceitos. Se a garota ainda nem beijou na boca, como pode sequer pensar em um compromisso eterno? Armada com uma autoconfiança recém-adquirida, Jessica passa por uma transformação drástica de adolescente nerd americana para princesa vampira europeia nessa sátira cheia de reviravoltas e surpresas.

- Nota: image

Como se livrar de um vampiro apaixonado foi resenhado no blog há algum tempo (clique aqui para ler a resenha), porém como estava querendo ler o segundo volume da série e já não lembrava tanto assim da história, resolvi relê-lo para retomar alguns detalhes. E não é que tinha me esquecido o quanto o livro é uma delícia? Fiquei tão apaixonada pela história como se estivesse lendo-a pela primeira vez e, por consequência, fui tentada a escrever uma nova resenha. Como se livrar de um vampiro apaixonado continua sendo, sem dúvida, um dos meus favoritos do gênero sobrenatural.

A história é contada em primeira pessoa, do ponto de vista da personagem Jéssica Packwood, também conhecia pelo seu antigo nome antes de ser adotada – Antanasia. Embora narrações assim sejam restritas – e muitas vezes perigosas, dependendo da construção psicológica e o caráter do personagem -, é fácil se deixar envolver pelos pensamentos descontraídos e os diálogos concisos que carregam, em vários momentos, um toque de bom humor delicioso. Jéssica é uma adolescente comum que, de repente, começa a ser perseguida pelo novo aluno da escola. Lucius Vladescu não só fala de forma pomposa, se veste como se fosse da realeza, como também afirma – quando se encontram no estábulo, ao ser convidado pelos pais de Jéssica para o jantar – que é um vampiro e que Jéssica é sua prometida desde que nascera.

Portanto, a característica principal da narrativa, num primeiro momento, é o humor. Não aquele que destila gargalhadas, mas sim o que promove uma história leve e muito gostosa. Um dos problemas que geralmente encontro em livros YA é que, em algum momento, a narração se torna enrolada, mas não foi o caso. O texto é dinâmico e extremamente agradável de se ler. Na metade da trama em diante o leitor encontra um drama romântico bem acentuado, intenso – e delicioso -, mas, ao mesmo tempo, Bethy manteve o contexto leve da história. Como se livrar de um vampiro apaixonado traz como enredo um pacto para casar dois adolescentes cujas famílias são as mais poderosas, porém também fala de amizade, escolhas, família e a luta entre o bem e o mau – tudo muito bem explorado na trama.

Os personagens da história são carismáticos, divertidos e há uma personalidade marcante em cada um. Jéssica foge de qualquer estereótipo lúgubre; ela é espontânea, inteligente e decidida – uma graça de personagem. Lucius é cativante e apresenta várias facetas ao longo da história. Há um caráter psicológico mais reservado devido a sua disciplina severa, uma personalidade mais sofrível e madura. Porém, Lucius conta com uma veia sarcástica deliciosa e diverte em vários momentos pelos comentários sobre os costumes americanos – já que o personagem fora criado na Romênia, ao lado de seu tio –, como as cartas que escreve para este. Lucius também apresenta uma carga emocional juvenil tocante, o que inspira compaixão. O personagem é uma mescla de mistério, diversão e sedução; impossível não se afeiçoar e se apaixonar por ele.

O romance acontece de forma gradual, o que tornou a leitura bem mais interessante do que romances com paixões avassaladoras e instantâneas. É uma graça acompanhar Lucius fazer a corte – como ele mesmo cita - à Antanasia, o que acarreta cenas bem românticas (porém nada explícito), divertidas, mas também cenas mais dramáticas que me deixaram apaixonada por esse vampiro sedutor. Como se livrar de um vampiro apaixonado é uma história sobrenatural romântica viciante. Assim como na primeira vez em que a li, devorei o livro em poucas horas. Mais que recomendado para os amantes do gênero.

Capa original:

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lírio Vermelho – Nora Roberts

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Red Lily

- Sinopse: A trilogia começa com a morte repentina do marido de Stella Rothchild e sua mudança, com os dois filhos, para a misteriosa Harper House, em Menphis. Na casa, moram Roz Harper, severa dona do viveiro de plantas, e também a assombração da Noiva Harper. Lá, Stella fica amiga de Hayley Phillips. No segundo volume, as mulheres se unem ao Dr. Mitchell Carnegie para descobrir os ancestrais da família Harper. E, conforme o mistério por trás da identidade da Noiva começa a se desfazer, Roz percebe que está apaixonada pelo médico.Em Lírio Vermelho, a história está centrada, principalmente, em Hayley e sua filha, Lily. A vida das duas segue tranquila, até o dia em que a mãe se percebe atraída pelo filho de Roz.Por não achar tal sentimento correto, acredita que a Noiva Harper encontrou um modo de possuir sua mente e seu corpo. Será loucura da protagonista ou mais uma armadilha do fantasma?

- Nota: clip_image004

Lírio Vermelho é o terceiro livro da trilogia das flores, escrita por Nora Roberts. O primeiro livro trouxe uma história agradável, porém não ao ponto de conseguir me fazer cair de amores. Entretanto, aquele “toque” especial que, para mim, faltou em Dália Azul, a autora acrescentou em grande dose no último livro da trilogia. Encontrei uma história deliciosa, difícil de largar com uma narrativa maravilhosa e personagens muito bem construídos.

Eu não li o segundo da trilogia, então perdi o nascimento da filha de Hayley e algumas cenas que não são essencialmente necessárias para a compreensão da trama, mas teria apreciado de qualquer jeito. Aqui, Lily já sabe andar, porém ainda não fala. Ela é o xodó de todos na família e conquistou o coração de Harper. Ele e Hayley continuam mantendo uma relação como amigos, mas ela começa a perceber que, se quisesse ter algo com o filho de Roz, teria que dar um “empurrãozinho” na relação para mostrar a Harper que seus sentimentos por ele eram outros. Enquanto isso, a família continua a desvendar o mistério sobre a morte da Noiva Harper, a mulher que assombra a mansão da família por gerações, cantando à noite para as crianças da casa.

O livro é uma graça do começo ao fim! A história dosa entre o romance delicioso e divertido com momentos mais tensos sempre que a Noiva Harper entra em cena. Aqui, ela está mais assustadora – quebra uma cozinha inteira, aparece com corda e foice na mão e faz números mais macabros como se desintegrar em ossos – porém, não é nada que tenha a pretensão de provocar no leitor uma história cujo foco seja, de fato, o sobrenatural, mas sim passar aquele clima suave de mistério e tensão. O tema equilibra com a história leve e gostosa entre o casal e serve como argumento para trazer o passado do fantasma a tona.

A narrativa é na medida certa. Os segredos que envolvem a assombração são relevados pouco a pouco; entre uma descoberta e outra acompanhamos o relacionamento do filho de Roz, Harper, com Hailey, sua prima de quinto grau. O romance é daqueles pra “ninguém botar defeito”, pois traz uma cumplicidade deliciosa entre o casal, aquela atmosfera gracinha que provoca um sorriso bobo no rosto sempre que os dois apareciam juntos. O elo entre Harper e Hailey se intensifica com a presença de sua filha, Lily, que é uma fofura e rouba a cena muitas vezes. Me apaixono por histórias com crianças e com a “pequena” Lily não foi diferente. A relação de Harper com a filha de Hayley é fofo, de derreter o coração em muitas páginas.

Os personagens são ótimos. Há alguns dilemas no relacionamento, mas são coerentes e a autora não abusa deles, o que torna a história bem mais interessante. Hailey é  espontânea, carrega um tom cômico por falar o que pensa e por isso, muitas vezes, me peguei rindo com ela. A personagem transmite alegria e vida por seu jeito meio “louquinha”, ao menos foi a impressão que tive. Os personagens secundários – que já tiveram seus livros – também aparecem e acabam se tornando fundamentais para a busca sobre a Noiva Harper. O protagonista, Harper, transborda charme e se mostra um verdadeiro protetor quando o fantasma começa a, digamos, “tomar o corpo de Hayley emprestado”.

Lírio Vermelho esbanja em carisma e bom humor. Aquele romance leve e ao mesmo tempo delicioso, que oferece um clima descontraído e uma leitura com o propósito de divertir e relaxar. Nora Roberts colocou seus melhores ingredientes nessa história e eu adorei cada momento.

Capa original:

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Pessegueiro – Sarah Addison Allen

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Peach Keeper

- 247 páginas

- Sinopse: Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.

- Nota: clip_image004

O Pessegueiro traz uma história fofa e singela. O livro é repleto de temas recorrentes da vida que vão desde inveja, falsidade, amadurecimento, amizade até atitudes e escolhas para definir a si próprio. A autora também cede espaço para uma leve trama mágica como pano de fundo e dois romances que seguem em paralelo ao longo da história. O principal aqui é mostrar o desenvolvimento de cada personagem em meio a esse contexto de dúvidas e superações em seus próprios conflitos internos, seja ele fora ou dentro do romance. A narrativa traz leveza à história e encanta pela suavidade com que a autora consegue trabalhar seus temas. Para mim, O Pessegueiro é uma história cheia de mensagens bonitas com o gostinho ótimo do romance.

O livro retrata a vida de personagens que passaram suas vidas em Walls of Water, bem como aqueles que saíram em busca daquele “algo mais” que uma cidade pequena não podia proporcionar. Primeiro o leitor conhece Willa, a dona de de uma loja de equipamentos para camping. A personagem tinha uma vida estável e sossegada até receber um convite para participar do Clube Social Feminino enviado pela socialite Paxton Osgood, sua antiga colega de escola. Ao mesmo tempo, o irmão gêmeo de Paxton, Colin, está de volta e decidido a tirar Willa de sua zona de conforto. O leitor também acompanha a relação de Paxton com seu melhor amigo Sebastian, embora para ela, Sebastian sempre fora algo mais. O problema estava justamente em lidar com seus sentimentos sem saber se era recíproco.

Em O Pessegueiro, os personagens são um tanto quanto inseguros e apresentam dilemas ao longo do livro que são explorados de forma gradativa. Dúvidas quanto a aparência, insegurança à própria independência, incertezas sobre o amor, sobre a vida… porém, não ficamos com a sensação de ler sobre personagens vazios que não sabem o que querem. As dúvidas, o receio, a hesitação é apenas parte das características atribuídas a cada um, o que torna os personagens agradavelmente mais humanos. É através desses dilemas que Colin, Willa, Paxton e Sebastian crescerão ao longo da história.

Os romances paralelos são ótimos e se entrelaçam a todo instante. Dos dois, minha preferência pendeu para Paxton e Sebastian já que este me conquistou por todo carinho e charme. Tudo é descrito de forma suave, um ar de leveza e romantismo que traz elegância e encanto à história. O principal aqui é tratar o contexto da relação, não se preocupar com cenas físicas mais detalhadas. Já o romance de Colin e Willa baseia-se principalmente sobre decisões do futuro e o fato de que eles precisavam se conhecer novamente, uma vez que Colin achava que Willa ainda era aquela garota rebelde da escola que ele um dia conhecera.

A narrativa da autora é doce e acolhedora. É difícil trazer um conceito mais concreto, mas me senti flutuando na história pela leveza e delicadeza com que Sarah trabalha as relações amorosas, os diálogos sensíveis, as cenas de amizade… mesmo o toque sobrenatural ligado ao passado das avós de Paxton e Willa, que vai sendo desmembrado durante a história, é tratado de forma leve. O livro carrega um sopro de ar fresco ao mesmo tempo em que consegue trabalhar temas com profundidade. Sarah consegue equilibrar muito bem todos os ingredientes dentro da trama, mas principalmente, ela soube como entrelaçá-los

Meu único porém fica quanto ao argumento mágico. Tive a impressão que o toque surreal acrescentado ao livro ficou um pouco vago e possivelmente desnecessário à trama. O livro podia muito bem contar a mesma história sem o “toque mágico” que continuaria fazendo o mesmo sentido. Posso ter deixado escapar alguma metáfora aí, não sei… Porém, ainda assim, gostei desse tom de magia que a autora aborda, só achei que poderia ter sido mais enfático nos argumentos.

O Pessegueiro conquista por personagens simpáticos e pelos temas retratados. O livro fala sobre autoconhecimento, amizade e escolhas para a vida. Achei a história uma graça, singela e super gostosa. Fiquei apaixonada pela narrativa da autora e sei que ela tem outro livro também lançado pela Planeta que vou tratar de ler.

Capa original:

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Bruna Britti