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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Depois de você – Jojo Moyes

imageTítulo: Depois de você
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Nota: 3 estrelas
Sinopse: Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.
Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.

Após o fenômeno bestseller “Depois de você”, Jojo Moyes lançou a continuação da aclamada história que está sendo adaptada para os cinemas. O drama, que no primeiro volume conta as peripécias românticas e dificultosas de um personagem tetraplégico e de sua cuidadora, ganha um segmento que de antemão está mostrando divergências de opiniões muito antes do seu lançamento. Afinal, era mesmo necessário, após uma história tão impactante, com um desfecho digno de fechar com chave de ouro, trazer uma continuação que corria grandes riscos de não ter a mesma essência que o seu antecessor?

Na história de “Depois de você”, o leitor encontrará uma Lou que, apesar de todos os esforços de seguir em frente, não consegue superar a morte de Will. Sua vida está longe de parecer um mar de rosas pós-luto. Ao se mudar para Londres, a promessa que fez a Will é quebrada de imediato. Seu apartamento pequeno e sem graça e o ritmo pacato como encara sua atual situação a leva a um estado de início de depressão. Assim, quando por acidente ela escorrega a cai do telhado do seu apartamento, todos pensam que Lou, na verdade, tentou o suicídio.

Ciente de que precisa dar um passo a frente, Lou decide entrar para um grupo de terapia pós-luto. Apesar de estar pouco a vontade, a ex-cuidadora passa a frequentar as reuniões, dividindo sua dor com os demais presentes. Nesse período, além de conhecer o pai viúvo de um dos membros do grupo, Lou recebe uma inesperada surpresa que bate a sua porta, revivendo o seu passado com Will.

“Depois de você” é o retrato pós-luto, mas não há nada nesta história que possa ser comparado aos trâmites dramáticos e tocantes apresentados no primeiro volume. Nem sequer chega perto. A Lou amadurecida, que promete seguir os desejos de Will, parece voltar algumas casas nesse novo episódio de sua vida. Desanimada com tudo, a personagem passa boa parte da história mostrando ao leitor sua vida sem graça, preenchida por pensamentos com requintes depressivos. Não chega a ser maçante, mas quando estamos falando da continuação de um dos drama mais tocantes dos últimos tempos, é inevitável que se espere algo mais do que descrever uma rotina pacata e suas lamúrias “pós-Will”, ambas sem provocar uma grande e profunda empatia no leitor.

O livro também apresenta uma gama de personagens desconexos. Jéssica surge de repente como a filha desconhecida de Will, sem mais nem menos. Por mais que a autora tente nos convencer sobre a menina, sua personalidade chata, folgada e irritante em boa parte da história, usada com a justificativa de nunca ter recebido carinho dos pais ricos, acaba não trazendo uma ligação especial conosco. O par romântico de Lou passa pela mesma crise: apesar de gentil e bondoso, sua aparição escassa não traz aquela química vista anteriormente.

Sob a ótica de um livro independente, “Depois de você” passaria como uma história razoavelmente agradável, apesar dos pormenores negativos até então citados. Contudo, é impossível enxergá-lo como tal, especialmente ao ser lançado como o sucessor de uma história tão aclamada. O que nos volta ao questionamento do porquê de seu lançamento, se não, em parte, pelo embalo do sucesso com o filme em vias de ser lançado. Não é ruim, mas está muito longe de nos levar à comoção.   Leia, mas sem muita pretensões de se apaixonar profundamente pela história.

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sábado, 30 de julho de 2016

Mia Sheridan – O coração do Leão

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Ficha Técnica:
Título Original: Leo
N° de páginas: 206
Editora: Arqueiro
Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Esta história se baseia na mitologia de Leão e fala sobre as surpresas que a vida nos reserva. Evie e Leo se conheceram ainda crianças, em um lar adotivo, e logo se tornaram grandes amigos. Com o tempo, a amizade se transformou em uma paixão avassaladora, e eles juraram ficar juntos para sempre.
Quando Leo foi inesperadamente adotado na adolescência e teve que se mudar para outra cidade, prometeu a Evie que entraria em contato com ela assim que chegasse lá e que voltaria para buscá-la quando ela fizesse 18 anos. Mas ele nunca mais deu notícias. Oito anos depois, apesar das circunstâncias, Evie conseguiu dar a volta por cima. Tem um emprego, amigos e está feliz. Então, de repente, um homem chamado Jake Madsen surge em sua vida, alegando ter sido enviado por Leo para saber como ela está. Evie não consegue evitar a atração que sente por esse homem sensual e misterioso. Mas será que ela pode confiar em um estranho? Ou será que ele está guardando um segredo sobre sua real ligação com Leo e os motivos que o levaram a sumir de sua vida anos atrás?

Resenha da blogueira Luciara, do blog Leituras e Devaneios.

"Coração do Leão", da autora Mia Sheridan, é o segundo livro da Série Signos do Amor, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Já conhecia a autora antes dela ter seus livros publicados por aqui e sabia do seu talento para escrever histórias emocionantes, como é o caso de Leo. Suas histórias são de fácil leitura, ou seja, daquelas que você ler num piscar de olhos. Mia escreve aqueles enredos que fazem você chorar litros; pelo menos esse foi o meu caso.

Leo e Evie tiveram um começo de vida difícil, porém isso não fez com que se tornassem crianças problemáticas ou revoltas. Eles se comportavam bem nos orfanatos ou lares adotivos para onde eram enviados. Um dia se conheceram e amizade foi instantânea, depois se transformou em algo a mais, levando-os, já adolescentes, a desejarem ter um futuro juntos. Contudo, algo surpreendente surgiu para mantê-los separados: Leo, na idade de 15 anos, foi adotado por um caso rico. Ele então partiu prometendo manter contato e buscar Evie para viver com ele quando ela fizesse 18 anos. Os dezoito anos de Evie chegou e Leo não cumpriu sua promessa.

Oito anos depois, agora com vinte de um anos, Evie vive uma vida modesta, mas contente. Agora ela possui um lar só seu, mesmo sendo humilde; tem um emprego que paga suas contas e amigos especiais. Porém, ela nunca esqueceu Leo, seu leão. Ela não fazia ideia do que aconteceu com ele ou por que de nunca ter a procurado, no entanto, no velório de sua querida amiga Willow - também uma órfã que conheceu na infância - Evie finalmente têm notícias de Leo.

Jake Madsen, um homem lindo e rico, traz notícias de Leo para Evie, essas nem um pouco agradáveis. O passado resolve bater na sua porta e, apesar das notícias não serem nada agradáveis, levam Jake até Evie. Ele é tudo que uma mulher pode desejar e, mesmo aparentando esconder vários segredos, Evie sente que Jake realmente é o cara certo. Os dois então embarcam em uma linda história de amor. Porém, segredos nunca ficam muito tempo escondidos e Jake deverá estar preparados para manter sua amada ao seu lado quando ela finamente descobrir o que ele esconde.

"Leo" é uma história muito linda com personagens apaixonantes. Não tem como não amar o maravilhoso Jake que, apesar de misterioso e esconder várias coisas de Evie, realmente demonstra ser louco por ela. A devoção que ele demonstra para com ela é lindo e realmente torci pelo casal. Evie também é uma personagem ótima, forte e batalhadora. Gostei muito de sua personalidade e seu jeito forte de sempre encarar a vida com seriedade, mesmo a sua não tendo sido a das melhores.

Chorei no livro com a história de Willow. Mesmo ela tendo aparecido só nos flashback da infância no orfanato, derramei lágrimas ao ler sobre o seu enterro. Sua história é super triste e teve um final trágico. Fico revoltada com esses pais irresponsáveis que botam filhos no mundo para sofrer. Sério, uma das coisas que mais me revoltam é o abandono de crianças e animais de estimação. Se não querem cuidar, não tenha.

O livro tenta criar um ar de mistério sobre o que aconteceu para que Leo não mantivesse contato. Posso dizer que funcionou, pois realmente não dar para imaginar o que fez com ele não se comunicasse com Evie. Claro que o mistério em torno de Jake é bem óbvio, mas não deixa de ser curioso. Não aceitei bem a justificativa de Leo sumir, mas não deixou de ser boa. Super recomendo a história, ela é bem linda e emocionante.

Nota: image

Capa estrangeira: 

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A voz do arqueiro – Mia Sheridan

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- Ficha Técnica:
- Título Original: Archer’s Voice
- N° de páginas: 336
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor. Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

“A voz do arqueiro” é o quarto livro da série “Signos do Amor”, porém aqui no Brasil foi o primeiro a ser publicado pela editora Arqueiro. Além do volume fora de ordem, o título do livro foi um erro de tradução quase tão primário que nos leva a questão do porquê esse deslize ter passado despercebido pela editora. “Archer”, nome do personagem, significa “arqueiro” em português, mas não há nenhuma relação da palavra traduzida com a história, assim, não havia a necessidade da traduação.

A exceção desses dois fatos curiosos, a história é despojada de qualquer outro tipo de crítica. Com uma pitada de drama, “A Voz do Arqueiro” traz uma relação amorosa delicada. Archer é um personagem excepcional e diferente. Tendo uma história conturbada em sua infância, o garoto cresceu isolado em uma cidadezinha pequena, aonde todos o tratam com indiferência ou – no máximo, com pena pela sua incapacidade de se comunicar com as pessoas. Archer não vê problemas nisso. Há muito tempo ele se isolou, deixando de se importar com que os outros pensam.

Mas a chegada de Bree na cidade mudará a vida dele e dos habitantes que moram em Pelion. O encontro dos dois não poderia ser mais inusitado e envergonhante para Bree, mas, aos poucos, Bree vai perceber que Archer é como um pássaro machucado, que precisará enfrentar seus dilemas antes de se permitir ter uma vida normal. Bree também precisa enfrentar o passado, que pode voltar a assombrá-la quando ela enfim parece ter encontrado a felicidade ao lado do jovem mais encantador que ela já conheceu.

Narrado em primeira pessoa, “A voz do arqueiro” é uma história delicada, leve, tecida a partir de personagens fortes. Archer e Bree formam casal que trará dilemas tão reais e bem costurados quanto a trama que os envolve devido ao passado de cada um. É um livro que consegue emocionar sem soar piegas, trazendo a aceitação e o amor incondicional como temas a serem explorados ao longo do enredo. Claro, uma pitada de um romance quente não poderia faltar, fechando o que, para mim, foi um dos melhores romances deste ano.

- Nota: image

- Capa original:

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mar da Tranquilidade – Katja Millay

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Sea of Tranquility

- N° de páginas: 368

- Sinopse: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

- Nota: image

Mar da Tranquilidade, da autora Katja Millay, é um sick-lit bem estereotipado na proposta do gênero: o enredo traz uma narrativa cujo relato emocional da protagonista transparece em sentimentos como dor, apatia, medo e até mesmo raiva de si próprio e do mundo a sua volta. A indiferença as pessoas e a autodepreciação são as características mais marcantes, e estão presentes em uma personagem em que o passado misterioso e cruel é desmembrado lentamente ao longo da história. Eu já comentei aqui uma vez que não gosto desse tipo de enredo – especialmente pelas características melancólicas do gênero. Mar da Tranquilidade não foi a exceção.

Nastysa é uma garota que mudou-se para uma nova cidade com sua tia. Ela não fala, mas não porque nasceu muda. Ela simplesmente decidiu parar de falar desde o que ocorrera quanto tinha 15 anos. Sua vida perdeu a cor, seus amigos sumiram e ela não se importa com as pessoas da nova escola – nem o que estes dizem a respeito de sua roupa preta decotada ou de sua maquiagem pesada. Todo dia Nastysa deseja ter morrido desde o ocorrido – e, acredite, enfrentar uma nova escola é o menor dos males. É lá que ela conhece Josh, um garoto que fará com que as coisas comecem a mudar em sua vida.

Josh não parece muito sociável. Quieto e misterioso, o rapaz carrega um passado traumático, mas, após um encontro forçado e inusitado entre os dois, Josh e Nastysa começam a se aproximar. O relacionamento gradativo transforma duas almas perdidas e lhes dão a chance de um novo recomeço. Porém, Nastysa precisará enfrentar o seu passado antes de seguir em frente – de dar a si própria a chance de um recomeço. Seria possível deixar tanta dor, ódio e sofrimento para trás? Será que algum dia ela seria capaz de ter uma vida normal novamente?

Narrado em primeira pessoa, sob pontos de vista alternados, Mar da Tranquilidade é uma história morna e apática. O tom delicado que a autora se propõe a passar confere um ritmo lento à história. Tanto o psicológico de cada personagem, quanto o envolvimento emocional entre eles, é ditado por passos sutis e quase imperceptíveis. A evolução da história parece não ocorrer, e tive a impressão, muitas vezes, de ficar estagnada num mesmo ponto. Aliás, a leitura só foi possível porque trapaceei e dei uma espiada no final para saber o que, de fato, ocorreu no passado da protagonista. A todo momento a autora nos fornece algumas pistas, mas fica a sensação do leitor ser enrolado para estender este mistério até as últimas páginas.

Por sem bem escrito, a leitura não foi de todo maçante. Mar da Tranquilidade é o relato emocional e por vezes tocante da dor e do sofrimento de uma pessoa que teve o seu psicológico abalado de forma cruel. A história aborda o luto pessoal e a recuperação gradativa de alguém cuja vida foi destruída em algum momento. Neste ponto, o livro atingi sua proposta. Porém, Mar da Tranquilidade peca por levantar outros elementos – como o romance, por exemplo -, e não explorá-los de forma satisfatória.  Josh e Nastysa até possuem um bom entrosamento, mas falta aos dois um aprofundamento maior. Os dois passam a maior parte da história sem de fato se conhecerem, e levam muito tempo para engatarem diálogos mais concisos e interessantes.

No final, quando os segredos vêem a tona, tudo parece muito abrupto e terminado de forma conveniente. O desfecho para determinado personagem – uma peça chave do livro -, ficou  à margem da história. Se no começo a autora desliza por se prolongar muito, nas últimas páginas a solução para resolver as questões propostas parecem apressadas, sem o cuidado que um tema deste requer. Enfim, Mar da Tranquilidade foi uma leitura muito mediana, cheia de altos e baixos.

Capa original: image

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domingo, 15 de junho de 2014

Um Caso Perdido – Colleen Hoover

image- Ficha Técnica:

- Título original: Hopeless

- 381 páginas

- Sinopse: Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras... Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.

- Nota: image

Um Caso Perdido, da autora Collen Hoover, é um romance adolescente voltado para o drama. Acredito que o livro se encaixe na definição de sick-lit, cujo enredo transborda em acontecimentos sofríveis que marcaram ou marcam a vida dos protagonistas. Confesso que não sou muito fã deste tipo de história, o que prejudicou um pouco minha leitura. O enredo apresenta ao leitor um mistério sutil que é desmembrado aos poucos, entrelaçado a uma carga acentuada de drama.

Sky é uma garota adotada por Karen, e não se lembra de sua vida antes dos cinco anos. Sua vida é relativamente comum; possui uma melhor amiga, leva meninos para o seu quarto e mantém uma amizade com sua mãe baseado em companheirismo e confiança. Algumas coisas, porém, são diferentes: Sky jamais estudou em uma escola – e sim em casa. Além disso, Karen é contra tecnologia, e por isso jamais permitiu que Sky usasse aparelhos como televisão, telefone ou celular. Entretanto, quando Sky compartilha seu anseio por estudar no último ano de um colégio, Karen abre esta exceção a sua regra.

Um dia, enquanto estava fazendo compras, Sky conhece Holder. O encontro gera certo desconforto, pois o jovem se comporta de maneira esquisita por achar que a conhecia de algum lugar. Mais tarde, ela o encontra novamente enquanto corria na rua. Então, descobre que Holder está na mesma sala de seu colégio, e os dois travam um romance que trará alguns mistérios. Porque Hold age como se estivesse escondendo algo dela? O comportamento instável de Holder a assusta, mas ela logo descobrirá o motivo. Sky precisará encarar verdades de sua própria vida e os mistérios de sua adoção.

Achei que a história começou muito bem até Sky encontrar Holder. Daí começa uma ladainha sem fim sobre como ela se sentia sempre que ele estava por perto, a tocava, tirava a camisa, respirava… achei que ela fosse entrar em combustão alguma hora! Achei muito exagerado e a autora pecou pela repetição. Entretanto, admito que em algum momentos me envolvi com a história dos dois. Holder é um personagem misterioso mas ao mesmo tempo sua personalidade faz mais o estilo romântico devoto. Quando os segredos são desmembrados, ele protege e acompanha Karen nas situações mais complicadas de sua vida.

A história traz uma realidade cruel e revoltante. Ao mesmo tempo, a quantidade de situações convenientes e furos na trama fazem de Um Caso Perdido uma história inverossímil. Não contarei qualquer um dos fatos presentes no enredo, pois uma vez que se centram no mistério, são spoilers importante para o leitor. Só ressalto que um tema tão importante, para mim, foi trabalhada sem o menor cuidado. Em momentos em que esperava mais bom senso, a autora escolhe uma via de fuga sem sentido, e, em outros, se repete e se enrola em uma narrativa cansativa e pedante.

Narrado em primeira pessoa, Um Caso Perdido é uma leitura que, para mim, não funcionou. Gostei em alguns momentos, mas confesso que pulei e fiz uma leitura “dinâmica” na maior parte da história. O mais curioso é que, quando comecei a leitura, não sabia que se tratava da mesma autora que escreveu Métrica – livro, que, por sinal, abandonei logo no começo. É, acho que definitivamente não me encaixo nas histórias de Colleen Hoover. Uma pena.

Capa original:

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

A garota que você deixou para trás – Jojo Moyes

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Girl You Left Behind

- 379 páginas

- Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

- Nota: clip_image004

Não costumo ler livros cujo contexto histórico se passe ou envolva, de algum modo, a primeira guerra mundial. Períodos como estes são muito tristes, e particularmente não gosto muito. O tema, porém, chamou minha atenção para um enredo bem desenvolvido, que aborda, como argumento principal, a esperança em meio a um cenário caótico. No período da guerra, a personagem Sophie Lefévre nunca desistiu de se reencontrar com seu marido, e passa por momentos sofríveis e angustiantes, apoiada na esperança, para encontrá-lo. Já no ano 2000, Liv Halston tenta exaustivamente vencer, nos tribunais, uma acusação de posse inapropriada de um antigo quadro que seu falecido marido lhe dera de presente. 

São duas histórias que se entrelaçam de maneira suave. As duas personagens seguem uma jornada onde acreditam em ideais e transmitem essa força a cada capítulo. Mesmo quando todos se voltam contra elas, – e estes são os momentos mais difíceis do trajeto de cada uma – Liv e Sophie passam uma mensagem de fé e esperança, sem abandonar aquilo em que acreditam. A sacada da autora está em trabalhar o lado emocional, que por vezes abalado, nos passa a sensação de personagens humanas, em que conseguimos nos identificar. Ou seja, mesmo acreditando em um objetivo, elas não deixam de se sentirem oprimidas, tristes e feridas por dentro e por fora. Compartilhamos parte da dor e do sofrimento de cada uma, porém, as duas também demonstram um lado guerreiro persistente.

Para contar a história de duas épocas diferentes, Jojo Moyes faz uma salada mista em sua narrativa. Há momentos contados em primeira pessoa, terceira, depois lembranças de personagens secundários – e, também, cartas narradas por terceiros. Além disso, não há um segmento definido para o pulo no tempo. Quando menos se espera, a autora fecha uma passagem e volta para os acontecimentos do passado, e vice versa. Em relação ao estilo narrativo, confesso que demorei a me acostumar – principalmente porque não sou muito fã desse gênero de idas e vindas. Já os pulos no tempo de maneira aleatória, penso que a autora tenha feito propositalmente para atiçar o leitor nos momentos mais decisivos de cada história. Quem está lendo é levado pelo desejo de saber o que acontecerá nas últimas páginas – desfecho este que surpreende pelas reviravoltas de última hora.

O romance é uma abordagem sutil na história que se passa na primeira guerra mundial. Sophie descreve lembranças de sua vida com o marido, os momentos felizes, e mostra como ela se agarra a esses momentos do passado para tomar uma difícil decisão. No ano 2000, cem anos depois, Liv é dona de um quadro que retrata o rosto de Sophie. Ela é levada aos tribunais, pois uma família alega que o quadro fora roubado por nazistas e que, por isso, não era direito de Liv tê-lo. Nesta briga judicial, Liv se vê em uma disputa com ninguém menos que Paul, o advogado com quem ela se envolvera sem saber sua identidade. Aqui, o romance é mais acentuado, dedicando bons momentos ao casal.

Acho difícil a autora escrever qualquer outra obra que me comova tanto quanto Como eu era antes de você, mas A garota que você deixou para trás é uma ótima pedida para quem já está familiarizado com sua narrativa que mistura o drama acentuado, cheia de trajetos espinhosos para seus personagens. Ao mesmo tempo, suas histórias trazem diferentes lições a serem absorvidas. Para aqueles que temem um final triste – só digo para darem uma chance ao livro. Prometo que não vai decepcionar. ;)

Capa original:

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Na Ilha – Tracey Garvis Graves

image- Ficha Técnica:

- Título Original: On the Island

- 285 páginas

- Sinopse: Anna Emerson é uma professora de inglês de 30 anos desesperada por aventura. Cansada do inverno rigoroso de Chicago e de seu relacionamento que não evolui, ela agarra a oportunidade de passar o verão em uma ilha tropical dando aulas particulares para um adolescente. T.J. Callahan não quer ir a lugar algum. Aos 16 anos e com um câncer em remissão, tudo o que ele quer é uma vida normal de novo. Mas seus pais insistem em que ele passe o verão nas Maldivas colocando em dia as aulas que perdeu na escola. Anna e T.J. embarcam rumo à casa de veraneio dos Callahan e, enquanto sobrevoam as 1.200 ilhas das Maldivas, o impensável acontece. O avião cai nas águas infestadas de tubarão do arquipélago. Eles conseguem chegar a uma praia, mas logo descobrem que estão presos em uma ilha desabitada. De início, tudo o que importa é sobreviver. Mas, à medida que os dias se tornam semanas, e então meses, Anna começa a se perguntar se seu maior desafio não será ter de conviver com um garoto que aos poucos torna-se homem.

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Uau! Desde que bati o olho na sinopse pressenti que “Na Ilha” traria uma ótima história. Dessa vez, não me decepcionei! Era difícil largar o livro, mas, ao mesmo tempo, ficava adiando a leitura, pois não queria que acabasse. O mote é clichê, contudo o texto é viciante – uma história que trabalha diferentes temas, como a luta pela sobrevivência e a força e a capacidade de se adaptar ao meio. Na Ilha também traz uma bela mensagem sobre o amor verdadeiro entre pessoas de idades distintas e as barreiras deste amor mediante aos julgamentos da sociedade.

A história começa quando Anna, uma professora de inglês, está prestes a embarcar em um voo com T.J. O rapaz tem dezesseis anos e se recupera de um câncer em remissão. A doença o deixou afastado do colégio e ele precisa retomar a matéria que perdeu durante seu tratamento, portanto, Anna lhe daria aulas durante o verão. Mas ao descobrir que o voo deles já estava lotado, Anna aceita de prontidão embarcar em outro avião – um que levaria apenas eles dois. O que nenhum dos dois esperava era que o piloto sofresse um ataque cardíaco e o avião caísse no mar.

A escrita da autora é muito gostosa. Narrado em primeira pessoa na visão de T.J e Anna, em capítulos alternados, “Na Ilha” passa ao leitor todos os tipos de sentimentos. O cenário e a atmosfera são perfeitos para acompanharmos não apenas a luta diária pela sobrevivência – a busca por comida, água e abrigo –, como também o limite psicológico de cada um deles e a convivência diária entre os dois. Até onde eles seriam capazes de aguentar? Os personagens buscam superar seus medos e encarar os perigos da ilha, mas não é tão fácil. Há poucos altos e muitos baixos; algumas passagens são angustiantes. Para mim, os momentos mais sofríveis foram os primeiros dias que os dois passam no local.

T.J e Anna foram personagens que me agradaram muito. Impossível não amá-los. Ficamos próximos aos dois por meio de seus relatos diários, suas inseguranças, as dificuldades e os momentos em que a esperança de um dia serem resgatados parece se esvair – um texto narrado  de forma surpreedentemente leve. Além disso, não pensem que todo o enredo baseia-se apenas no drama de sobreviver dia-a-dia na ilha. Os dois amadurecem muito e a convivência diária transforma dois estranhos de idades bem distintas – T.J com dezesseis anos e Anna com trinta –, em um casal apaixonado que busca o conforto nos braços um do outro. Um romance doce, construído em meio ao forte laço de dependência que criam entre si. Há cenas mais ousadas para os que gostam – como eu –, e o apoio mútuo é um dos aspectos mais gostosos de acompanhar nesse romance.

Os personagens, contudo, descobrem que teriam que superar mais do que apenas os desafios de uma ilha. Não quero entrar em muitos detalhes para evitar spoilers, mas uma parte do livro diz respeito aos desafios de um romance com diferenças de idade gritantes – um contexto envolvendo o olhar crítico da sociedade, as piadinhas e as dificuldades de se encaixar no ambiente pertencente a cada idade. Para o leitor que possa achar duvidoso a consistência desse romance, pode ficar tranquilo. A autora conseguiu passar em T.J a essência de um jovem que precisou amadurecer rápido. O personagem traz um jeito adolescente de início, mas sempre muito maduro. Ele é amável, apaixonante e decidido, um rapaz que torna-se um homem gradativamente ao longo do romance. Anna felizmente não é muito diferente, a personagem é forte, é sonhadora e lutadora – é muito fácil se apegar aos dois.

Eu amei o final e fiquei tocada pelo jeito como a autora terminou. Lindo, emocionante, Tracey Garvis Graves me conquistou com um texto singelo e despretensioso, onde o menos transformou-se em muito, muito mais. Um texto agridoce e leve; uma delícia de leitura que entrou para os melhores deste ano. Amei cada página.

Capa Original:

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sábado, 8 de junho de 2013

Entre o Amor e a Paixão – Lesley Pearse

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Promise

- 502 páginas

- Sinopse: "Uma mulher dividida entre o compromisso e o calor de um relacionamento passado." No início da Primeira Guerra, Jimmy, o marido de Belle Reilly, é levado para as trincheiras mortais do norte da França e Belle percebe que não pode ficar de braços cruzados quando tantos estão sacrificando suas vidas. Armada de coragem e boa vontade, ela se torna voluntária como motorista da Cruz Vermelha, também na França. Então, enquanto cumpre seu dever humanitário, um trágico acidente lhe coloca frente a frente com Etienne — o homem que fez parte de seu passado e a quem nunca esqueceu completamente. Dividida entre a paixão proibida por Etienne e a lealdade e o amor por Jimmy, Belle encontra-se em uma situação impossível. A confusão de seus sentimentos, misturada à escuridão da mais brutal das guerras, a levará a sucumbir para sempre, ou a força da vida será maior e a conduzirá, finalmente, à verdadeira felicidade?

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O primeiro livro escrito por Lesley contava a história de Belle, uma menina traficada aos 16 anos e levada a se prostituir no submundo dos bordeis e prostíbulos luxuosos (clique aqui para ler a resenha). Na história, a personagem se adapta ao meio, porém enfrenta as piores situações que vão desde o estado social e moral dada a uma prostituta na época até condições físicas e psicológicas provocadas por abusos e violência. Por mais que livro traga uma atmosfera polêmica e apresente algumas falhas, eu gostei da história pela narrativa crua e realística, mas principalmente pela perseverança da personagem. Entretanto, o final me decepcionou por ser pouco desenvolvido e trazer uma escolha do qual, pessoalmente, eu não concordei. Parece que a autora também não gostou muito e decidiu escrever uma continuação para “contornar” sua escolha.

[A partir daqui contém spoilers caso não tenha lido o primeiro livro]

Entre o Amor e a Paixão, portanto, conta a história de Belle após o seu casamento com Jimmy. Três anos se passam em um casamento lindo e perfeito; Belle está feliz com seu marido amoroso, com sua loja de chapéus e sua família que incluía Mog e Garth. Mesmo a visita de Etienne em sua loja, por mais que tivesse mexido com seus sentimentos, não foi suficiente para tirá-la de seu pequeno mundo perfeito. Entretanto, ela começa a ouvir rumores sobre a guerra dos britânicos contra os alemães – a conhecida primeira guerra mundial –, e fica preocupada de que seu marido pudesse se alistar. Afinal, por onde quer que olhasse, via homens empolgados pela ideia de se aventurarem em uma jornada pela pátria. 

Jimmy, porém, lhe convence de que não se alistaria a menos que fosse obrigatório. Ele jamais deixaria sua esposa perfeita sozinha, mas as coisas começam a mudar quando os sussurros de “covarde” para os homens que não se alistaram ecoam nas esquinas, bem como os grupos de mulheres que entregavam penas brancas que simbolizavam covardia para todos aqueles que não tinham problemas físicos e mesmo assim não foram defender seu país. Pressionado pelo seu senso de honra, Jimmy se alista mesmo contra a vontade de Belle. A personagem, sabendo que não havia nada que pudesse fazer, acaba lhe incentivando e Jimmy parte para a guerra.

A partir daí, Belle passa por algumas situações que a impulsionam a seguir seu marido e ajudar por uma causa nobre. A personagem fecha sua loja de chapéus e se alista como voluntária para dirigir ambulâncias na Cruz Vermelha, sabendo que esta seria uma decisão que mudaria sua visão do mundo. Ela, então, passa a cuidar dos feridos no período de três anos. Nesse tempo, Belle presencia ferimentos terríveis, os rumores catastróficos da guerra, volta a se encontrar com Etienne e se preocupa todos os dias de que Jimmy voltasse para ela são e salvo.

A princípio pensei que o livro traria mais destaque ao romance de Etienne e Belle, já que é esta a premissa principal da história. Porém, Lesley Pearse escreveu um livro cujo fundo histórico da guerra ficou em primeiro plano e muitas vezes nos esquecemos do argumento romântico que foi pouco desenvolvido. As cenas entre Jimmy e Belle ou a mesma com Etienne são raras e pecam pela falta de profundidade. São quatro ou cinco cenas em meio as 502 páginas argumentadas na atmosfera da guerra. Fica a sensação de que a autora não conseguiu encaixar sua proposta principal e, portanto, tentou inseri-la-la nas poucas oportunidades que apareceram, o que me deixou frustrada.

A narrativa continua detalhista, prima por fatos históricos verídicos que contribui para a consistência do cenário e a situação psicológica de cada personagem. Temos como exemplo as penas brancas distribuídas por senhoras aos homens que não se alistaram para a guerra ou os tipos de licenças que homens conseguiam dependendo da gravidade de seus ferimentos; uma curiosidade no final da história é a nota que a autora traz listando os livros que utilizou para sua pesquisa. Lesley continua apostando em longas narrativas e poucos diálogos, o que me deixou dividida, pois as vezes gostava e muitas vezes me deixei cair pelo tédio. Ao mesmo tempo em que o meio traz verossimilhança e certa riqueza de detalhes - o que impacta o leitor com os horrores da guerra e comove em determinadas cenas -, o estilo peca por muitas vezes carregar uma narrativa repetitiva e cansativa. Para um livro médio, talvez não houvesse esse incômodo, mas mais de 300 páginas retratando o cotidiano de Belle na Cruz Vermelha – acordar cedo, cuidar de feridos, ver os horrores da guerra, dormir e lidar com condições precárias –, torna a história muitas vezes maçante. Chegou um tempo em que comecei a virar as páginas direto sem perder qualquer informação da história.

Uma característica da autora  um tanto quanto exagerado é abusar de situações dramáticas. No primeiro livro Belle sofre por surras, estupros ou preconceitos durante toda a história, e neste aqui não é muito diferente. Embora o tema retratado em Belle foi deixado de escanteio, a maré de má sorte continua lhe acompanhando até o fim, estendo-se inclusive a outros personagens. Ninguém no livro parece ter o direito de ser feliz sem antes sofrer as piores tragédias ou os piores traumas, o que contribui para aquele clima de desgraça todo o tempo. No final, voltei a achar extremamente forçado como de repente a autora decidiu dar um fim aos empecilhos para dar a personagem o final desejado.

O espaço temporal no livro é longo, passa-se mais de três anos no período da primeira guerra mundial com diversos saltos no tempo, e, portanto, poucos acontecimentos marcantes entre os personagens. Há uma ou duas vezes em que acompanhamos a narrativa voltada para Etienne e Jimmy, um fato que contribuiu sempre que eu estava achando a narrativa enfadonha. Etienne, principalmente, salva os momentos mais tediosos do livro com seu carinho e adoração por Belle, e Jimmy dessa vez transforma-se em um homem frio e distante pela sua condição devido ao que viu na guerra. Entre o Amor e a Paixão traz sim os dilemas dos votos de um matrimônio com amor ou a paixão de um homem que marcou a vida de Belle, porém de forma breve. Fica a sensação de que poderia muito bem ter cortado umas 200 páginas ou que o casal poderia ter sido mais desenvolvido. O foco acaba sendo passar ao leitor os detalhes da guerra. Por gostar de história, achei interessante, mas para um livro de 502 páginas, para mim, infelizmente, faltou o romance prometido. 

Capa original:

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terça-feira, 30 de abril de 2013

Como eu era antes de você – Jojo Moyes

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Me Before You

- Sinopse: [spoiler na sinopse] Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

- Nota: clip_image004

Como eu era antes de você foi minha escolha para sair um pouco dos romance novels, mas não pensei que ficaria tão envolvida com o livro. Desde a primeira página, devorei a história em pouco mais de duas noites, totalmente atraída no relato lindo e emocionante sobre duas pessoas que se conhecem e mudam a vida uma da outra de forma impactante. Abordando questões sociais como preconceito e eutanásia; questões familiares e um romance delicado, Como eu era antes de você é um tapa com luva de pelica à qualquer leitor. Por mais que o livro carregue uma sombra triste, devo confessar que também me diverti muito com a leitura.

A história é contada em primeira pessoa, o que aqui parece aproximar mais o leitor da relação preciosa que Louisa Clark desenvolve com o seu paciente, Will Traynor. Louisa era garçonete de uma das únicas lanchonetes de uma cidadezinha de fim de mundo. Ao perder o seu emprego, Louisa não consegue arranjar outro como garçonete e não se dá bem em outros setores. Depois de tentar por semanas, lhe é oferecido uma vaga de cuidadora de um homem tetraplégico. Com certo ar de orgulho, deixando claro que ela não “limparia traseiro de velho”, a protagonista aceita e passa a trabalhar para Will Traynor.

O protagonista é rabugento e por vezes proporciona certa diversão ao leitor. O começo do relacionamento é terrível; Will provoca tiradas sarcásticas, esbanja humor negro e não hesita em destilar seu veneno com deboches e provocações. Isso, para mim, foi um sopro de ar fresco em um tema tão denso, pois acho que não teria gostado tanto do livro se a autora optasse por um clima tétrico a história toda. Mesmo porque, não ficamos acomodados por muito tempo, Jojo Moyes não hesita em sacudir o leitor para lembrá-lo da condição tetraplégica de seu personagem e seus dilemas que surgem ao longo do livro. São muitos os desafios perante a sociedade – desde sair para ir a um evento  como lidar com olhares de pena e afirmações escabrosas - mas, principalmente, o livro fala de aceitação pessoal, de desafiar a si mesmo e sair da sua zona de conforto.

Isso é simplesmente maravilhoso. Eu me emocionei com a peregrinação de Louisa, sua força de vontade em resgatar Will e fazê-lo perceber as nuances da vida. Se em parte a narrativa em primeira pessoa torna-se um vício, foi graças ao bom humor da protagonista e sua fé em acreditar que era capaz de ajudar o próximo. Ela transborda vida em sua narrativa, há um traço divertido e reflete a esperança. Mas o livro é uma via de mão dupla e Louisa passa por um amadurecimento notório durante a história, uma evolução espiritual gerada pela a amizade doce desenvolvida ao longo do livro. Tudo é contado de uma forma gradativa, sem choque e, portanto, não nos espantamos quando somos levados ao romance.

Mas não espere mais que alguns toques românticos, pois qualquer coisa a mais tiraria o foco da proposta da história. O romance é suave e o tema de amizade prevalece. Aqui, é mais importante mostrar o dilema que Louisa se encontra e sua jornada para mudar o que parece uma decisão inalterável. Fujam de resenhas com grandes spoilers desta parte, pois acho que tiraria toda a “graça” da história, já que é neste momento que somos conduzidos as cenas mais densas. Conforme rolava as páginas, fiquei numa tensão absurda, sofrendo junto aos personagens nesses momentos angustiantes, torcendo para que houvesse um reviravolta.

Como eu era antes de você é um romance lindo sobre como enxergamos a vida. O livro fala de atitude, superação e amor. Se me perguntassem por que eu tirei uma estrela, bom… houve certa ocasião em que não gostei do rumo que as coisas tomaram. Isso é tão pessoal, mas acredito que muitos, ao lerem, concordarão comigo. Há certos caminhos traçados que, as vezes, por mais repetitivos que soem, os autores não conseguem se desvencilhar. Ou talvez eu esteja sendo implicante mesmo. De qualquer modo, preparem-se, porque do riso às lágrimas é um salto pequeno e constante na leitura. É o livro perfeito para quem deseja algo mais impactante, uma inspiração agridoce para o leitor que consegue resistir a emoções mais fortes ou aquele que se debulha em lenços de papéis, mas que, ainda assim, adora uma lição de vida dentro de uma história…

Capa original:

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quarta-feira, 13 de março de 2013

Belle – Lesley Pearse

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Belle

- Sinopse: Londres, 1910. Belle, de 15 anos, viveu em um bordel em Seven Dials por toda sua vida, sem saber o que acontecia nos quartos do andar de cima. Mas sua inocência é estilhaçada quando vê o assassinato de uma das garotas e, depois, pega das ruas pelo assassino para ser vendida em Paris. Sem poder ser dona de seu próprio destino, Belle é forçada a cruzar o mundo até a sensual Nova Orleans onde ela atinge a maioridade e aprende a aproveitar a vida como cortesã. A saudade de casa — e o conhecimento de que seu status como garota de ouro não durará muito — a leva a sair de sua gaiola de ouro. Mas Belle percebe que escapar é mais difícil do que imaginou, pois sua vida inclui homens desesperados que imploram por sua atenção. Espirituosa e cheia de desenvoltura, ela tem uma longa e perigosa jornada pela frente. A coragem será suficiente para sustentá-la? Ela poderá voltar para sua família e amigos e encontrar uma chance para a felicidade? Autora # 1 bet-seller, Lesley Pearse criou em Belle a heroína de nossos tempos: uma mulher forte que luta por seus direitos em um mundo perigoso.

- Nota: clip_image004

Quando pesquisei a respeito de Belle, as opiniões das resenhas eram quase unânimes. Belle traz uma história intensa, cheia de acontecimentos dramáticos que mexem com o leitor. De fato, tive os mais variados sentimentos durante a leitura. Belle é um livro denso, daqueles que provoca e consegue comover ao mesmo tempo.

São quase 600 páginas narrando a história de Belle. A início, a personagem é descrita de modo a pensarmos na personificação da inocência. Embora viva em um bordel, administrado pela mãe, Bella ficou um longo tempo sem saber exatamente o que significava aquela palavra. Ninguém lhe explicava e as regras rigorosas da mãe lhe impediam de subir ao andar de cima durante a noite. Nesses momentos ela ficava no porão, aonde era seu quarto, apenas ouvindo a voz de homens se divertindo com as meninas que trabalhavam para sua mãe.

Entretanto, ela acaba no local errado, na hora errada. Justamente por isso Belle presencia um assassinato, e desde então sua vida muda. Ela descobre o que significava ser uma prostituta, o que as “meninas” de sua mãe faziam todas as noites e, principalmente, descobre como os homens podiam ser cruéis. Como efeito, o assassino volta e sequestra Belle, vendendo-a à um bordel em Paris. A partir de então, a vida dela muda drasticamente.

A história de Belle retrata a vida de meninas traficadas, do submundo de bordéis – dos mais imundos aos mais luxuosos –,  onde garotas são vendidas como pedaços de carne para satisfazer os desejos de homens com os mais variados gostos sexuais. A autora reforça todo um ambiente tenso retratando mais a fundo a identidade dessas mulheres, aquelas que entram pela condição financeira, que se prostituem por vontade própria, aquelas que suportam mas fazem planos para sair daquela vida, meninas iludidas por propostas falsas de emprego e, no caso de Belle, meninas raptadas, violentadas e sem qualquer oportunidade para voltar à suas casas. O leitor observa como uma criança, jogada a uma condição fora de seu ambiente, tenta se encaixar e sobreviver a um mundo que retrata o pior do ser humano.

Aos poucos, acompanhamos a garota inocente mudar gradativamente e se moldar aos padrões e exigências desse mundo. O fato de Bella se tornar aquilo que seu raptor lhe impôs é revoltante, pois ficamos com a sensação da impunidade. Do rapto a aceitação, da decisão de se tornar a melhor cortesã de Paris, das tentativas de fuga e estupros, das vezes em que Belle cede pela própria vontade ou pelo dinheiro, cada cena é narrada de forma crua e mais explícita, sem tentar poupar o leitor dos mais variados sentimentos. Você vai do ódio a pena, da revolta ao choque várias vezes.

O tema é denso, porém bem trabalhado. Lesley aborda o sexo de maneira dura e crua, às vezes com mais sutilezas mas, no geral, é para deixar bem claro o sofrimento de muitas garotas deste meio, principalmente de Belle. Ela é uma lutadora, consegue se adaptar as piores provações e, por mais que aquele meio fosse seu único meio de sobreviver – impostas a ela de maneira terrível –,  ainda assim Belle não perde a doçura, a bondade e até certo traço pueril de menina sonhadora que vimos no começo da história. Belle retrata a esperança e a sobrevivência em uma história onde só há a incerteza e o sofrimento.

A narrativa da autora contribui para que a leitura flua tão rápido que as 500 e tantas páginas quase não pesam e em pouco tempo terminei o livro. Lesley trabalha com narrativas mais longas, diálogos mais curtos, porém a naturalidade com que ela consegue colocar na história faz com que o livro não se torne cansativo. Os cenários são detalhados, bem descritos, o que faz com que o leitor facilmente visualize as situações. Ela ainda consegue envolver vários personagens que, ao longo da história, vão se tornando essenciais para contar a narrativa de Belle.

Porém, houve algumas implicâncias minha durante a leitura. Como eu disse, a capacidade de Belle de aceitar a situação e tirar o melhor dela é admirável, mas, na primeira vez que isso acontece, não me convenceu. Porque entre ser violentada mais de uma vez, arrancada de seu lar e sofrer ameaças, eu acho difícil que alguém estaria pensando, poucas semanas depois, que poderia se dar bem na vida de prostituição e lucrar muito. Além disso, quando Belle já possui experiências suficientes para saber que não deveria confiar nas pessoas, ela faz exatamente ao contrário. Apenas nesses momentos achei que a autora se perde um pouco na personalidade da personagem.

Outro ponto é a autora ter construído uma história gigantesca, mas aposta naquela receita em que a personagem se dá mal até as últimas páginas. Não quero parecer pedante, mas fiquei com a sensação de que a autora podia ter explorado outros caminhos do que unicamente fazer a personagem sofrer o tempo todo. Eu já ficava esperando para saber qual seria a próxima “desventura” em que Belle entraria e que, com certeza, traria mais cicatrizes emocionais à moça.

Apesar dos pontos negativos, eu gostei muito da história. Ele nos passa uma mensagem de esperança, de força e coragem que poucos teriam na situação de Belle. Você torce por ela, torce por seus familiares e deseja que ela consiga se sair bem dessa. É uma história que contrasta entre as belezas de vestidos luxuosos, belas cortesãs, ambientes suntuosos com a terrível realidade de mulheres traficadas. Indico para quem se interessa por histórias mais fortes, com um leve toque de romance, aventuras intensas e grandes reviravoltas.

Capa original:

 

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cante para eu dormir – Angela Morrison

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- Título Original: Sing me to sleep

- 240 páginas

- Sinopse: Cante para eu dormir revelará a dura realidade da vida, a energia firme da amizade e mostrará que o verdadeiro amor transcende tudo. O livro conta a história de Beth, uma garota que sofre bulling e passa toda sua infância sendo rejeitada por sua aparência. As únicas pessoas a aceitá-la são sua mãe e seu melhor amigo, Scott. Mas tudo isso fica para trás quando ela é convidada para ser a vocalista do coral da escola e recebe a transformação que lhe dará a oportunidade de conhecer um amor que vai além de tudo, até mesmo da própria vida. Derek é tão lindo, tão doce, tão fantástico que Beth acha que não merece, mas quer experimentar, mesmo estando á milhas de distância. Porém, existem segredos não revelados entre eles. A história reúne as mais profundas emoções humanas: decepções, tristezas, alegrias, amores e paixão, muita paixão, que ficará gravada em cada coração por muito tempo, mesmo depois do término da leitura.

- Nota:  image

Beth sempre foi conhecida por ser “a fera”. A típica adolescente com espinhas, óculos “fundo de garrafa“ e ridicularizada por todos os garotos da escola, a exceção de Scott, seu melhor amigo desde a infância. Scott sempre quis algo mais, porém Beth estava tão envolta em sua nuvem de feiúra, que lhe impedia de enxergar coisas que estavam a um palmo de seu nariz.

As coisas mudam quando seu grupo de canto é chamado para participar de um dos principais campeonatos. Sua voz é encantadora, mas sua aparência não. Mas as coisas mudam, e acredito que é neste ponto que a narrativa da autora também dá uma guinada, evoluindo para outro tipo de história.

Quando somos apresentados a Beth, dá a impressão que teríamos algo mais superficial. A história da menina que se achava feia, tão feia ao ponto do exagero, cujo o amor seria disputado por dois garotos. Trata-se disso? Em parte. Mas de fato, o centro da história é mais profundo que isso.

“Cante para eu dormir” trata-se de um livro carregado de poesias. Tanto no sentido literal da palavras, com poemas e trechos de belas canções ao longos das páginas, como no relacionamento amoroso da garota ‘feia’ e desiludida na vida, com o solista de um dos principais grupos de coro que iriam competir contra o grupo de Beth. Derek logo se torna seu mundo, sua alma e seu universo. Os dois juntos se completam, sentem-se como um só e feitos um para o outro.

O romance entre os dois é forte. Tanto no sentido físico demonstrado por carícias mais ousadas, quanto o amor das palavras, o desejo expressado fortemente em olhares e promessas, torna o amor deles algo maravilhoso. A autora não se prende a muitos  clichês já tão usados e abusados nos livros de adolescente, e aquele eco que víamos no começo do livro, da garota que se achava lixo, é deixado em segundo plano. Não sei explicar, há sim o receio de uma adolescente com o seu primeiro amor. Mas nada exageradamente melodramático, a autora faz tudo parecer natural.

Certo, a receita usada pela autora não é nenhuma novidade. Porém somos surpreendidos nas últimas páginas com algumas notas importantes da autora. Isso torna o livro mais verossímil e sua mensagem mais importante para quem o lê. 

Lindo, suave, deliciado. Tocante. Uma história que vou guardar com carinho e que, com certeza, vai ficar na cabeça dos leitores por um bom tempo. Super recomendado.

Cante para eu dormir” é da Editora Pandorga. Abaixo, a capa em inglês:

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Onde comprar:

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Assinatura (2)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Identidade Roubada – Chevy Stevens

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Still Missing

- 255 páginas

- Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

- Nota:  image

Acho que até agora estou sem palavras para o livro. Portanto, não estranhem se a resenha sair ruim.

Gosto de ler um livro polêmico, um que mexa com questões de compreensão da mente humana, e, juntado isso com suspense policial (é meu segundo gênero favorito depois do “romance romântico”.) não pensei duas vezes.  Portanto, mesmo sabendo que Identidade Roubada não é o gênero que costumo resenhar aqui no blog, resolvi me arriscar a ler. E quando comecei, simplesmente não conseguia parar. Só parei porque precisava dormir, mas de manhã lá estava eu, com o livro na mão.

Annie é corretora de imóveis, e tudo ia bem no seu dia. Até que um cliente inesperado aparece, interessado na casa. A descrição nos faz pensar em até alguém bonito. Loiro, alto, sorriso simpático… Em poucos segundos, Annie estaria prestes a entrar em um inferno que duraria um ano.

Sequestrada por quem ela chama de “Maníaco”, levada para um chalé, Annie passa a viver em cativeiro. Os sentimentos são tantos, que estão sempre conflitando dentro dela. A indignação, depois a rendição, quando vários meses se passam e ela se dá conta que não será resgatada tão cedo. As vezes os dois sentimentos chegavam ao mesmo tempo, se misturando, transbordando, fazendo a personagem entrar em um estado de não poder mais suportar aquilo. Todas as cenas, seja ela a tortura física ou psicológica, são descritas detalhadamente, de modo que é impossível você não sofrer junto com a personagem. São coisas como estupro, surras e terror mental. Confesso, foi uma tênue linha para eu não chorar em certa parte. O Maníaco era cruel, psicótico, sentia prazer no medo, achava que eles seriam felizes juntos. Eles teriam um filho, e viveriam longe da “civilização podre e suja”. Era doente.

Falando sobre a mente humana, somos levados a uma possível “justificativa” (sempre entre aspas, óbvio) a personalidade do Maníaco, do porque ele ser assim. A infância maluca, a mãe usando ele, as mesmas manias que sua mãe o obrigava a fazer, que ele então praticava com Annie… Ela jamais podia ir ao banheiro sem horários, as unhas deveriam estar sempre limpas, ela só poderia comer e beber quando ele mandasse; se a água da louça esfriasse, ela era obrigada a lavar de novo, entre outras coisas. Quando ela desobedecia, o castigo extrapolava o limite do absurdo.

A idéia de como possivelmente alguém poderia voltar a rotina normal, depois de um trauma desses, é apenas um ponto do livro. Annie passa a fazer terapia, tenta, aos poucos, parar de dormir no closet ou olhar as janelas sempre antes de dormir.

Mas o livro não se limita só a isso, em certo momento o jogo vira, e torna-se um ótimo suspense policial. Quando você pensa que terminou, que logo chegará o final feliz…lá vem mais bomba! E é aí que temos um suspense que deixa você preso até as últimas páginas. Quem era aquele homem? Será que ele estava sozinho? Havia mais alguém por trás? As investigações correm. Você sofre junto, você se revolta, você tem vontade de entrar no livro e dar uns tapas (acha que é pouco) em certo personagem, e… você é surpreendido de novo.

A minha única crítica, (e nem chega a ser crítica), é a repetição da expressão ”Que droga!” ou “Que merda!” a cada segundo, quando a autora poderia ter substituído por outras expressões de vez em quando para não soar tão repetitivo. Mas é só. Para quem gosta de um bom suspense policial, uma leve, mas muito leve pitada de romance,  é recomendadíssimo. É um 5 estrelas, definitivamente.

Identidade Roubada” é lançamento da Editora Arqueiro. Abaixo, a capa americana:

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Onde comprar:

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