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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mar da Tranquilidade – Katja Millay

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Sea of Tranquility

- N° de páginas: 368

- Sinopse: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

- Nota: image

Mar da Tranquilidade, da autora Katja Millay, é um sick-lit bem estereotipado na proposta do gênero: o enredo traz uma narrativa cujo relato emocional da protagonista transparece em sentimentos como dor, apatia, medo e até mesmo raiva de si próprio e do mundo a sua volta. A indiferença as pessoas e a autodepreciação são as características mais marcantes, e estão presentes em uma personagem em que o passado misterioso e cruel é desmembrado lentamente ao longo da história. Eu já comentei aqui uma vez que não gosto desse tipo de enredo – especialmente pelas características melancólicas do gênero. Mar da Tranquilidade não foi a exceção.

Nastysa é uma garota que mudou-se para uma nova cidade com sua tia. Ela não fala, mas não porque nasceu muda. Ela simplesmente decidiu parar de falar desde o que ocorrera quanto tinha 15 anos. Sua vida perdeu a cor, seus amigos sumiram e ela não se importa com as pessoas da nova escola – nem o que estes dizem a respeito de sua roupa preta decotada ou de sua maquiagem pesada. Todo dia Nastysa deseja ter morrido desde o ocorrido – e, acredite, enfrentar uma nova escola é o menor dos males. É lá que ela conhece Josh, um garoto que fará com que as coisas comecem a mudar em sua vida.

Josh não parece muito sociável. Quieto e misterioso, o rapaz carrega um passado traumático, mas, após um encontro forçado e inusitado entre os dois, Josh e Nastysa começam a se aproximar. O relacionamento gradativo transforma duas almas perdidas e lhes dão a chance de um novo recomeço. Porém, Nastysa precisará enfrentar o seu passado antes de seguir em frente – de dar a si própria a chance de um recomeço. Seria possível deixar tanta dor, ódio e sofrimento para trás? Será que algum dia ela seria capaz de ter uma vida normal novamente?

Narrado em primeira pessoa, sob pontos de vista alternados, Mar da Tranquilidade é uma história morna e apática. O tom delicado que a autora se propõe a passar confere um ritmo lento à história. Tanto o psicológico de cada personagem, quanto o envolvimento emocional entre eles, é ditado por passos sutis e quase imperceptíveis. A evolução da história parece não ocorrer, e tive a impressão, muitas vezes, de ficar estagnada num mesmo ponto. Aliás, a leitura só foi possível porque trapaceei e dei uma espiada no final para saber o que, de fato, ocorreu no passado da protagonista. A todo momento a autora nos fornece algumas pistas, mas fica a sensação do leitor ser enrolado para estender este mistério até as últimas páginas.

Por sem bem escrito, a leitura não foi de todo maçante. Mar da Tranquilidade é o relato emocional e por vezes tocante da dor e do sofrimento de uma pessoa que teve o seu psicológico abalado de forma cruel. A história aborda o luto pessoal e a recuperação gradativa de alguém cuja vida foi destruída em algum momento. Neste ponto, o livro atingi sua proposta. Porém, Mar da Tranquilidade peca por levantar outros elementos – como o romance, por exemplo -, e não explorá-los de forma satisfatória.  Josh e Nastysa até possuem um bom entrosamento, mas falta aos dois um aprofundamento maior. Os dois passam a maior parte da história sem de fato se conhecerem, e levam muito tempo para engatarem diálogos mais concisos e interessantes.

No final, quando os segredos vêem a tona, tudo parece muito abrupto e terminado de forma conveniente. O desfecho para determinado personagem – uma peça chave do livro -, ficou  à margem da história. Se no começo a autora desliza por se prolongar muito, nas últimas páginas a solução para resolver as questões propostas parecem apressadas, sem o cuidado que um tema deste requer. Enfim, Mar da Tranquilidade foi uma leitura muito mediana, cheia de altos e baixos.

Capa original: image

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domingo, 15 de junho de 2014

Um Caso Perdido – Colleen Hoover

image- Ficha Técnica:

- Título original: Hopeless

- 381 páginas

- Sinopse: Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras... Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.

- Nota: image

Um Caso Perdido, da autora Collen Hoover, é um romance adolescente voltado para o drama. Acredito que o livro se encaixe na definição de sick-lit, cujo enredo transborda em acontecimentos sofríveis que marcaram ou marcam a vida dos protagonistas. Confesso que não sou muito fã deste tipo de história, o que prejudicou um pouco minha leitura. O enredo apresenta ao leitor um mistério sutil que é desmembrado aos poucos, entrelaçado a uma carga acentuada de drama.

Sky é uma garota adotada por Karen, e não se lembra de sua vida antes dos cinco anos. Sua vida é relativamente comum; possui uma melhor amiga, leva meninos para o seu quarto e mantém uma amizade com sua mãe baseado em companheirismo e confiança. Algumas coisas, porém, são diferentes: Sky jamais estudou em uma escola – e sim em casa. Além disso, Karen é contra tecnologia, e por isso jamais permitiu que Sky usasse aparelhos como televisão, telefone ou celular. Entretanto, quando Sky compartilha seu anseio por estudar no último ano de um colégio, Karen abre esta exceção a sua regra.

Um dia, enquanto estava fazendo compras, Sky conhece Holder. O encontro gera certo desconforto, pois o jovem se comporta de maneira esquisita por achar que a conhecia de algum lugar. Mais tarde, ela o encontra novamente enquanto corria na rua. Então, descobre que Holder está na mesma sala de seu colégio, e os dois travam um romance que trará alguns mistérios. Porque Hold age como se estivesse escondendo algo dela? O comportamento instável de Holder a assusta, mas ela logo descobrirá o motivo. Sky precisará encarar verdades de sua própria vida e os mistérios de sua adoção.

Achei que a história começou muito bem até Sky encontrar Holder. Daí começa uma ladainha sem fim sobre como ela se sentia sempre que ele estava por perto, a tocava, tirava a camisa, respirava… achei que ela fosse entrar em combustão alguma hora! Achei muito exagerado e a autora pecou pela repetição. Entretanto, admito que em algum momentos me envolvi com a história dos dois. Holder é um personagem misterioso mas ao mesmo tempo sua personalidade faz mais o estilo romântico devoto. Quando os segredos são desmembrados, ele protege e acompanha Karen nas situações mais complicadas de sua vida.

A história traz uma realidade cruel e revoltante. Ao mesmo tempo, a quantidade de situações convenientes e furos na trama fazem de Um Caso Perdido uma história inverossímil. Não contarei qualquer um dos fatos presentes no enredo, pois uma vez que se centram no mistério, são spoilers importante para o leitor. Só ressalto que um tema tão importante, para mim, foi trabalhada sem o menor cuidado. Em momentos em que esperava mais bom senso, a autora escolhe uma via de fuga sem sentido, e, em outros, se repete e se enrola em uma narrativa cansativa e pedante.

Narrado em primeira pessoa, Um Caso Perdido é uma leitura que, para mim, não funcionou. Gostei em alguns momentos, mas confesso que pulei e fiz uma leitura “dinâmica” na maior parte da história. O mais curioso é que, quando comecei a leitura, não sabia que se tratava da mesma autora que escreveu Métrica – livro, que, por sinal, abandonei logo no começo. É, acho que definitivamente não me encaixo nas histórias de Colleen Hoover. Uma pena.

Capa original:

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