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domingo, 30 de agosto de 2015

O Conde Enfeitiçado – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:
- Título Original: When he was wicked
- N° de páginas: 290
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: O Conde Enfeitiçado - Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton. Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele. Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite. Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo.

O Conde Enfeitiçado é o sexto livro da série “Os Bridgertons”, de Julia Quinn. Francesa, a protagonista, já foi citada anteriormente na série, num dos momento mais tétricos para a personagem: o enterro de seu querido marido John. Contudo em “O Conde Enfeitiçado”, a história se inicia com John ainda vivo, na propriedade da família, em uma animada conversa com sua esposa e seu primo Michael.

O que ambos desconhecem é a paixão secreta que Michael sempre nutriu por Francesca. Estar tão perto e não poder tê-la é uma loucura, mas Michael resigna-se apenas em ser o melhor amigo dela, sabendo que jamais poderia tê-la. E para tirá-la da cabeça, nada melhor do que ser um dos mulherengos mais inveterados de Londres, dando lhe a fama de “O Devasso Alegre”. Ainda assim, nenhuma mulher consegue fazê-lo esquecer de sua doce e amada Francesa.

Um dia, contudo, John morre subitamente. A dor do luto transforma Michael e Francesa em estranhos, afastando-os do convívio diário. Além da culpa que o assola por ter desejado a mulher de seu primo falecido durante tanto tempo, há também a questão do título: Michael não quer ser o novo conde. Deste modo ele parte para Índia por quatro longos anos, deixando toda a responsabilidade do condado para Francesa.

Diferente dos livros anteriores, “O Conde Enfeitiçado” traz como cenário um desdobramento do enredo pautado no luto e na consciência moral dos personagens: ambos sofrem com a dor de perder alguém próximo, e o maior empecilho certamente está em superar e em seguir em frente após a morte de John. Assim, o relacionamento precisa ser novamente explorado a passos lentos, permitindo a ambos de se conhecerem melhor sem a culpa de trair a memória do marido de Francesa. Contudo, não será assim tão fácil renunciar as normas regentes de suas consciências. 

Ainda que ao falar de perdas, “O Conde Enfeitiçado” não abandona os traços de humor presente nas histórias do Bridgerton, pelo contrário. As falas engraçadas e divertidas nunca estiveram tão acentuadas em uma trama, equilibrando o lado mais pungente com momentos bem descontraídos. E embora a relutância de ficarem juntos chega a ser enfadonha em certo ponto, os diálogos acabam servindo de escape para a demora do romance. É divertido acompanhar os desbravamentos de Michael para se comportar como um cavalheiro e frear seus pensamentos libidinosos quando está na presença de Francesa.

O Conde Enfeitiçado” não é o melhor livro da série, mas de certo traz suas particularidades que fazem a leitura valer a pena. O próximo livro, “Um Beijo Enfeitiçado” – título este ainda provisório –, ainda não tem previsão de lançamento, e contará a história de Gareth com a irmã caçula da família Hyacinth.

- Nota:image

- Capa original:

 

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Segredos de uma noite de verão – Lisa Kleypas

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- Ficha Técnica:
- Título Original:
Secrets of a Summer Night
- N° de páginas: 285
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. se amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. No primeiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Annabelle sai em busca de um marido, mas encontra amizades verdadeiras e desejos intensos que ela jamais poderia imaginar.

Embora seja uma série anterior a história dos Hathaway, publicada pela editora Arqueiro nos últimos meses, “As Quatro Estações do Amor” é, originalmente, uma história que antecede uma das séries mais queridas entre os leitores de romances históricos. Justamente por isso, a difícil tarefa de se igualar a seu antecessor no Brasil não seria fácil. Não há dúvidas de que “Os Hathaway” marcaram pela história divertida, carismática e de romances arrebatadores.

Logo nas primeiras páginas, “Segredos de uma noite de verão” já nos mostras as divergências entre as duas série. Enquanto “Os Hathaway” trabalhava na delicadeza da amizade familiar e no romance mais açucarado, porém não menos divertido, a série “As Quatro Estações do Amor” trará quatro amigas como tema central, cuja falta de pretendentes as aproximam para um plano em comum: arrumar um partido para cada uma. Juntas darão início a uma caça dos melhores partidos das melhores famílias na Inglaterra.

É aí, para mim, que já reside o primeiro problema da história. Lisa Kleypas transforma uma trama romântica em uma corrida contra o tempo para um casamento as pressas, sem amor, cujo status social do pretendente, bem como sua fortuna, valesse páginas e mais páginas de planos, tramas e diálogos entre as amigas para alcançar o matrimônio. Antipática, arrogante e decidida a não abandonar seus objetivos – ainda que simplesmente pelo amparo social –, Annabelle se recusa a permitir que o filho do açougueiro, Simon Hunt, estrague seu plano. Contudo, Simon tinha seus próprios planos para conseguir que Annabelle se apaixonasse por ele.

Simon parece o elemento chave para sustentar uma história arrastada e apática. A ausência de um romance mais explorado deixou uma lacuna importante a ser preenchida. Tudo parece meio frio, da inimizade ao casamento dos dois, que a princípio nada mais é do que um desvio nos planos iniciais de Annabelle. Mesmo envolvida emocionalmente, a ideia de ser amparada pelo status social do marido parece um ponto ainda presente na história.

Não fez o meu estilo de leitura, o que, confesso, era um dos receios que alimentava após ter devorado “Os Hathways”. Contudo, houve momentos em que Simon fez a história valer a pena. Dono de um coração nobre e de origem humilde, o personagem não desiste em conquistar Annabella, mesmo que, para isso, tenha que recorrer à paciência e à sua astucia. Foi a única parte, ao menos, que não fez da história de todo ruim, embora muitos leitores estejam aplaudindo a “nova” série.

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- Capa original:

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Príncipe dos Canalhas – Loretta Chase

image -Ficha Técnica:
-Título Original:
Lord of Scoundrels
-N° de páginas: 285
-Editora: Arqueiro
-Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.

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Obs: Eu sei que ando sumida do blog. Estou com alguns projetos que estão tomando um tempo maior, o que me fez ler menos em maio. Espero, inclusive, trazer novidades legais para vocês em breve. :) Mês que vem tentarei ser mais presente por aqui. ^^

Entendo que muitos elejam “O Príncipe dos Canalhas” como um dos romances históricos mais inteligentes já lançados – e, ao dizer “lançados”, nos referimos a um livro cujo lançamento oficial foi há vinte anos. “O Príncipe dos Canalhas”, vencedor do prêmio RITA de melhor romance histórico, é certamente um livro que dita um ritmo pouco esperado a uma história do gênero. O livro apresenta personagens principais que não hesitam em destilar uma guerra de diálogos aguçados, por vezes ácidos, um contra o outro. Dain e Jéssica são como dois oponentes lutando para encontrarem uma brecha na armadura de cada um.

Dain nunca conheceu qualquer forma de carinho: seu pai o detestava, sua mãe fugiu com um amante e os colegas do internato fizeram de sua vida um inferno. Assim, cresceu como um libertino, rico, decidido a manter suas emoções distantes. Adotou uma personalidade ácida, fria e  egocêntrica, até conhecer Jéssica, a irmã de um de seus seguidores mais tolos. Jéssica entraria em sua vida da forma mais abrupta possível, minando tudo que Dain tinha levado anos para construir.

A história começa bem, fisgando o leitor logo nas primeiras páginas. Tudo em excesso, porém, cansa. Para cada palavra ácida de Dain, Jéssica tem um resposta na ponta da língua. A personagem, muito longe de se adequar aos padrões femininos e recatados da época, não se deixa abalar, nem mesmo quando Dain ressalta que pagou um preço caro para usá-la como bem entendesse, pronta para rebatê-lo com outra de suas respostas rápidas. E assim seguimos em quase trezentas páginas. Por mais que os diálogos sejam bons, a ausência de reações mais convictas torna o livro estagnado. Não há sentimentos da raiva, dor ou mágoa – ou melhor, eles existem, mas são esquecidos ao segundo plano, sem serem convincentes, dando espaço ao incansável jogo de gato e rato de dois personagens muito teimosos.

“O Príncipe dos Canalhas”, contudo, nos mostra certas ressalvas interessantes. Vinte anos atrás, personagens densas como Jéssica, que prefere assistir a luta livre, atirar no pretendente e a pular em cima de um ladrão, fugiam a regra – não somente do contexto social da qual a personagem está inserida, mas da época em que a história foi lançada. A presença de uma figura mais marcante, que fosse páreo as incansáveis recusas de Dain, talvez tenha impulsionado à história ao prêmio RITA. Não é ruim, pelo contrário, e personagens assim deveriam ser mais presentes nas histórias de época. Mas faltou o equilíbrio, mais romance e uma química maior – ou até mesmo reações mais fortes entre os dois além das provocações de cada um. Neste quesito, acredito que “O Príncipe dos Canalhas” tenha falhado. Fico, portanto, com o meio a meio, e três estrelas dada ao livro.

Capa original:

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domingo, 15 de março de 2015

Para Sir Phillip, com amor – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:

- Título Original: To Sir Phillip, With Love

- N° de páginas: 286 páginas

- Sinopse: Para Sir Phillip, Com Amor - Eloise Bridgerton é uma jovem simpática e extrovertida, cuja forma preferida de comunicação sempre foram as cartas, nas quais sua personalidade se torna ainda mais cativante. Quando uma prima distante morre, ela decide escrever para o viúvo e oferecer as condolências. Ao ser surpreendido por um gesto tão amável vindo de uma desconhecida, Sir Phillip resolve retribuir a atenção e responder. Assim, os dois começam uma instigante troca de correspondências. Ele logo descobre que Eloise, além de uma solteirona que nunca encontrou o par perfeito, é uma confidente de rara inteligência. E ela fica sabendo que Sir Phillip é um cavalheiro honrado que quer encontrar uma esposa para ajudá-lo na criação de seus dois filhos órfãos. Após alguns meses, uma das cartas traz uma proposta peculiar: o que Eloise acharia de passar uma temporada com Sir Phillip para os dois se conhecerem melhor e, caso se deem bem, pensarem em se casar? Ela aceita o convite, mas em pouco tempo eles se dão conta de que, ao vivo, não são bem como imaginaram. Ela é voluntariosa e não para de falar, e ele é temperamental e rude, com um comportamento bem diferente dos homens da alta sociedade londrina. Apesar disso, nos raros momentos em que Eloise fecha a boca, Phillip só pensa em beijá-la. E cada vez que ele sorri, o resto do mundo desaparece e ela só quer se jogar em seus braços. Agora os dois precisam descobrir se, mesmo com todas as suas imperfeições, foram feitos um para o outro.

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“Para Sir Philip, com amor”, é o quinto volume da série “Os Bridgertons”, de Julia Quinn. Tal como os volumes anteriores, o livro traz uma história rápida, leve e muito romântica – tudo no melhor estilo “água com açúcar”. “Para Sir Phillip, com amor”, explora  a relação amorosa entre Eloise e Phillip, com direito a divertidas intromissões dos irmãos mais velhos de Eloise. As relação familiares, seja da família Bridgerton ou de Phillip diante de seus filhos gêmeos terríveis, ganham um destaque merecido na trama, tornando a leitura ainda mais apaixonante.

Ao ver sua amiga casada, Eloise começa a se sentir deprimida. Não que não esteja feliz por Penélope – ela está e muito. Porém sempre imaginou que ela e Penélope passariam longos anos solteiras, e estava feliz em ter uma companheira nessa sua jornada. Agora, Eloise começa a se dar conta de que já não é mais uma adolescente; está cansada de recusar pretendentes que não querem mais do que se exibir para ela. Mas a garota tampouco deseja escolher algum nobre pomposo da sociedade londrina, na verdade, Eloise deseja ter um casamento igual a de seus irmãos: Um casamento por amor.

Quando uma prima distante morre, Eloise decide escrever uma carta para o marido desta, dando a ele os pêsames pela trágica notícia. Phillip a responde, e, assim inicia-se meses de troca de correspondência entre os dois. Eloise e Phillip já se sentem tão íntimos que Phillip lhe faz uma proposta: passar uma temporada ao seu lado para se conhecerem melhor com a intenção de se casarem. Eloise decide comprar a ideia, mas ao chegar a propriedade, não imaginaria se deparar com um Phillip muito diferente daquele descrito nas cartas. Além disso, certamente não esperava ter que lidar com duas crianças malcriadas que a querem bem longe dali, e que farão de tudo para conseguirem seu objetivo.

Trazendo uma das melhores histórias da série, “Para Sir Phillip, com amor” é um livro recheado de cenas fofas, engraçadas e românticas. O desenvolvimento do casal ocorre de forma sutil; de início, o leitor encontrará dois personagens que antipatizam um com outro logo de cara. Entretanto, aos poucos, a convivência os aproxima, e Eloisa e Phillip começam a pensar na possibilidade de um futuro juntos. Claro, nada que uma leve pressão dos irmãos mais velhos para chegar logo a uma decisão. Certamente um dos momentos mais divertidos e gostosos da história.

Apesar do enredo trazer uma trama descontraída, “Para Sir Phillip, com amor” também aborda elementos mais pesados, mesmo que trabalhados de forma suave. A ex-esposa de Phillip tinha depressão, Phillip então se culpa de não ter sido capaz de salvá-la. O personagem também sofre com as memórias de seu pai e o modo severo como tratava os filhos. Com medo de seguir os mesmos passos, Phillip acaba sendo negligente  com Oliver e Amanda, o que resulta em muitos problemas. A relação familiar entre eles é bem trabalhada, com uma carga emocional delicada.

Julia Quinn traz novamente uma história leve, com a mesma qualidade que encontramos nos volumes anteriores. “Para Sir Philip, com amor” é um livro delicioso do começo ao fim, uma história bem escrita e encantadora, impossível de largar. Os leitores vão rir e se emocionar com mais um livro sobre essa família introvertida e querida por todos.

Capa original:

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Paixão ao entardecer – Lisa Kleypas

image - Ficha Técnica:

- Título original: Love in the afternoon

- N° de páginas: 269 páginas

- Sinopse: Mesmo sendo uma família nada tradicional, quase todos os irmãos Hathaways se casaram, até mesmo Leo, que era o mais avesso a essa ideia. Mas para a caçula Beatrix, parece não haver mais esperança. Dona de um espírito livre, apaixonada por animais e pela natureza, Beatrix se sente muito mais à vontade ao ar livre do que em salões de baile. E, embora já tenha frequentado as temporadas londrinas e até feito algum sucesso entre os rapazes, nunca foi seriamente cortejada, tampouco se encantou por nenhum deles. Mas tudo isso pode mudar quando ela se oferece para ajudar uma amiga. A superficial Prudence recebe uma carta de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan, que está na frente de batalha. Mas parece que a guerra teve um forte efeito sobre ele, e seu espírito, antes muito vivaz, se tornou bastante denso e sombrio. Prudence não tem a menor intenção de responder, mas Beatrix acha que ele merece uma palavra de apoio – mesmo depois de tê-la chamado de estranha e dito que a jovem é mais adequada aos estábulos do que aos salões. Então começa a escrever para ele e assina com o nome da amiga. Beatrix só não imaginava o poder que as palavras trocadas teriam sobre eles. De volta como um aclamado herói de guerra, Phelan está determinado a se casar com a mulher que ama. Mas antes disso vai ter que descobrir quem ela é.

- Nota: image

 

“Paixão ao entardecer” é o quinto e, infelizmente, o último livro da série “Os Hathaways”. Desde o primeiro volume, a história conquistou inúmeros leitores por trazer a relação familiar e a amizade intrínseca entre esses personagens fofos e apaixonantes. Cada um dos livros mostra um dos membros introvertidos da família Hathaway com o seu par romântico , retratando uma história engraçada, com um toque de emoção capaz de arrebatar o coração e deixá-lo mais leve do que uma pluma.

A história de “Paixão ao entardecer” não poderia deixar de fazer jus a reputação da série. Beatrix é o único membro da família que ainda está solteira, e, apesar de afirmar com convicção que prefere seus animais exóticos de estimação à homens pomposos da alta sociedade, um lado seu se sente solitária por ainda estar sozinha quando toda a família Hathaway já está casada, seguindo cada um com suas vidas. Entretanto, que homem poderia querer uma garota que preferia cuidar de um ouriço órfão, um gato de três patas ou uma cabra, ao invés de estar dançando e exibindo vestidos elegantes pela temporada londrina?

Mas há um homem. Christopher. Lutando na guerra contra os russos, o jovem que ela outrora conhecera – e imediatamente criara antipatia pelos comentários arrogantes feito ao seu respeito –, enviou uma carta à sua amiga Prudence. Ao lê-la, Beatrix se emociona com o sofrimento do rapaz e sua vida precária na guerra, e, uma vez que Pru não tinha interesse em respondê-lo, Beatrix toma o seu lugar e tece doces palavras para acalentar o sofrimento do homem. Antes que percebesse, os dois passam a trocar cartas cada vez mais íntimas e românticas. Porém havia um enorme problema em tudo isso: ela não escrevia como Beatrix, mas, sim, assinava suas cartas como se fosse Prudence!

“Paixão ao entardecer” é uma leitura simples e rápida – mas, principalmente, viciante. Um texto que transborda emoção em suas páginas por explorar o sofrimento psicológico de um homem afetado pela guerra e seu árduo caminho para voltar a ter uma vida normal. Beatrix, com sua personalidade única, o ajuda a passar pelas mais difíceis provações, e, juntos, os dois tecem uma relação doce e apaixonante. Cada cena é trabalhada com muita paixão, sem, entretanto, abandonar os traços mais delicados da história. Elogios não cabem para descrever um dos melhores livros escritos pela autora, que nos presenteia com um final digno de um verdadeiro clímax literário.

“Paixão ao entardecer”, assim como seus antecessores, apresenta um toque de bom humor atrelado a muita sedução – e, especialmente, a cenas emotivas bem construídas, de arrancar longos suspiros. Personagens cativantes, diálogos inteligentes e situações carinhosas são as marcas já conhecidas de cada uma das histórias sobre a família, e dessa vez não poderia ser diferente. “Os Hathways” certamente deixará saudades enormes – uma das melhores séries de romances de época escritas atualmente, sem dúvida. Porém, felizmente, a editora Arqueiro já confirmou o lançamento de outra série da autora, “As quatro estações do amor”, ainda sem data definida.

Capa original:

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ligeiramente Casados – Mary Balogh

image- Ficha Técnica:

- Título original: Slightly married

- N° de páginas: 286

- Sinopse: À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse Custe o que custar!. Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...

Obs: resenha convidada da querida Luciara, do blog Leituras e Devaneios. 

"Ligeiramente Casados", da autora Mary Balogh, é o primeiro livro da série “Os Bedwyn”, lançado pela editora Arqueiro. A leitura é indicada para quem gosta dos livros da autora Julia Quinn, porém já adianto que, caso considere os livros da Julia "parados", vão achar esse ainda mais. Pelo menos eu achei.

O romance se passa em 1814 e tem como personagens principais Aidan e Eve.

A história desses dois começa com uma promessa feita por Aidan ao irmão de Eve, que estava a beira da morte. Antes de morrer, o soldado pede ao seu coronel que avisasse a irmã sobre sua morte e que a protegesse.

Aidan, como um homem de palavra, decide cumprir a promessa e chega meses depois em Ringwood, para anunciar a triste notícia.

Eve aguarda meses pela chegada do irmão e do vizinho que acredita ser o homem da sua vida, porém o que chega é um belo homem com um semblante fechado e uma triste notícia.

Aidan encontra uma bela jovem com uma vida boa aparente, por isso decide ir embora o mais rápido possível para rever a família que não encontra há anos. Porem os dias se passam e algumas situações (ou o destino?) o obriga a ficar. Ele acaba descobrindo que a vida de Eve está preste a mudar se ela não cumprir em poucos dias algo estipulado no testamento do irmão: casar na data informada, senão perderá as terras da família para um primo odioso.

Sabendo disso, Aidan finalmente entende o que o irmão da mocinha quis dizer quando pediu para que a protegesse. Com uma promessa para cumprir, ele toma a única decisão possível: pede Eve em casamento.

Tudo que Eve não quer é casar com um estranho, porém não mais como esperar o "noivo" que nunca aparece, principalmente porque várias pessoas dependem ela. Por isso, Eve aceita casar com um completo estanho que pretende abandona-la assim que o casamento for realizado.

Eles se casam e decide cada um seguir seu caminho. No entanto o destino e a família Bedwyn têm outros planos para os recém casados.

"Ligeiramente Casados" é daqueles romances históricos light feitos para serem lidos em uma tarde. Não é uma história que possua mistérios ou grandes dramas, o que, sinceramente, senti falta. Também não tem cenas hots, o que é um "crime" em romances (risos).

Não me apaixonei pelos personagens, fora, é claro, as crianças, pois não tem como não gostar delas nas histórias. O mocinho é interessante, mas não tem nada que o torne inesquecível. A mocinha é forte e valente, mas já conheci melhores.

Apesar disso, pretendo continuar a série, até porque tenho esperanças de que os próximos livros sejam melhores.

Esse é o primeiro livro da autora e gostei, porém não amei. Comparei acima com as da Julia Quinn, mas considero seus livros mil vezes melhores que esse da Mary Balogh.

Capa original:

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Encontrada – Carina Rissi

image - Ficha Técnica:

- N° de páginas: 476

- Sinopse: Sofia está de volta ao século dezenove e mais que animada para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No entanto, em meio à loucura dos preparativos para o casamento, ela percebe que se tornar a sra. Clarke não vai ser tão simples quanto imaginava. As confusões encontram a garota antes mesmo de ela chegar ao altar e uma tia intrometida que quer atrapalhar o relacionamento é apenas uma delas. Além disso, coisas estranhas estão acontecendo na vila. Ian parece estar enfrentando alguns problemas que prefere não dividir com a noiva. Decidida, Sofia fará o que estiver ao seu alcance para ajudar o homem que ama. Ela não está disposta a permitir que nada nem ninguém atrapalhe seu futuro. Porém suas ações podem pôr tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir seu felizes para sempre é ela própria.

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Encontrada, da autora brasileira Carina Rissi, é a continuação de “Perdida”, livro que conta a história da personagem Sofia. A duologia tem como principal tema a viagem no tempo para o século dezenove, onde Sofia conhece Ian, um rapaz jovem e apaixonante. O segundo livro segue a mesma fórmula apresentada no volume anterior: o bom humor atrelado a um romance com ares de conto de fadas. Se “Perdida” apresentou algumas arestas que precisavam ser devidamente aparadas, “Encontrada” supri as falhas de seu antecessor com uma história deliciosa, de qualidade impecável.

Em “Encontrada”, Sofia e Ian estão de casamento marcado, prontos para curtirem o tão sonhado felizes para sempre. Entretanto, Sofia começa a perceber que seu casamento não será assim um evento tão simples. Desastrada, a garota do século vinte e um tem dificuldades de se adaptar no mundo de Ian, e as coisas parecem só piorarem após o casamento.  Longe da dama submissa e pacata exigida pela sociedade, Sofia começa a ser alvo de falatório pelas pessoas da região – o que compromete a reputação da família Clarke. Apesar do amor que nutrem um pelo outro, Sofia, influenciada pelos mexericos – especialmente pelos comentários maldosos da odiosa tia de Ian –, acaba se questionando se seria mesmo a melhor opção para Ian.

O primeiro livro foi uma leitura leve e divertida, mas faltava um pouco mais de contexto à época. É de se esperar que um personagem do século dezenove apresentasse pensamentos mais retrógrados, por mais que ele seja um homem de visão a frente de seu tempo. Mas no primeiro livro, Ian concordava e aceitava com certa naturalidade os pensamentos e as atitudes mais liberais de Sofia. Já nesta continuação a autora apresenta um personagem mais maduro, consistente com a situação daquele tempo – um personagem que se choca e que bate de frente com determinados comportamentos de sua esposa, comportamentos estes que não se encaixavam em uma época mais machista.

Entretanto, Ian está longe de ser uma figura opressora. Os dois juntos formam um dos casais mais fofos e românticos que, entre brigas e reconciliações, arrancam muitos suspiros do leitor. Sofia não faz por menos. A personagem é divertida, forte, com um toque de bondade que encanta qualquer um. A devoção, o carinho e a compreensão que Ian e Sofia sentem um pelo outro são marcas que confere ao enredo um romance delicioso de acompanhar. Junto a narrativa singela e muito bem escrita, “Encontrada” se transforma em uma história sublime, de amor mais açucarado, porém dosado na medida certa.

O desfecho foi uma surpresa. Com um final delicado, é difícil não se encantar ou se emocionar pelo modo como a autora pincela as últimas páginas. Contudo, levanto a bandeira do contra ao saber que haverá um terceiro livro – desta vez na visão de Ian. As vezes, prolongar uma história que já teve o seu fim mais do que merecido pode, uma hora, acabar decepcionando o público. Para mim, “Encontrada” finalizava com chave de ouro a história. A continuação prende do início ao fim, e conseguiu a façanha, inclusive, de superar o primeiro livro.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Segredos de Colin Bridgerton – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:

- Título original: Romancing Mr. Bridgerton

- N° de páginas: 335

- Sinopse: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres.
Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente.No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

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Os segredos de Colin Bridgerton é o quarto voluma da série. Assim como seus antecessores, o livro retrata com escárnio os costumes sociais da época em que a alta sociedade londrina se destacava por seus bailes suntuosos, mexericos e escândalos. Esses elementos, atrelado a narrativa bem humorada, faz com que Julia Quinn se destaque por uma história leve e descontraída. Apesar de gostar do estilo, costumo sentir falta de um romance mais condensado entre os protagonistas de cada livro, como foi o caso deste.

A história se inicia no passado da vida de Penélope Featherington, resgatando o primeiro momento em que a moça se apaixonou por Colin; – uma situação que confere as primeiras páginas do livro um texto cheio de bom humor. A partir daí, acompanhamos uma síntese dos encontros entre os dois em bailes e reuniões de família. Mas por mais que Penélope o ame, ela sabe que o fará em silêncio, pois Colin sempre a veria como a melhor amiga de sua irmã e nada mais. Assim, ao voltarmos a narrativa no presente, encontramos Penélope aos 28 anos de idade, considerada uma solteirona pela sociedade.

Quando Colin volta de uma de suas viagens, ele se surpreende ao encontrar Penélope. O rapaz tinha na lembrança uma mulher mais gorducha, que se vestia com cores berrantes que não valorizavam o corpo dela. Já no presente, Penélope está magra, com roupas que delineiam suas curvas e acentuam sua beleza. Além disso, a garota continuava com o jeito cativante e, aos poucos, mediante aos encontros sociais e a determinadas situações que os aproximam, Colin perceberá que Penélope é algo mais para ele.

A história foca no mistério que rege o enredo central de toda a série. Desta vez, a misteriosa Lady  Whistledown – anônima que escreve o periódico de fofocas da cidade –, tem, enfim, sua identidade revelada. Mas até que isso aconteça, uma aposta para descobrir  quem é a cronista responsável pelos textos mordazes agitará Londres e, como dito, aproximará Colin e Penélope. O romance, entretanto, será gradativo e muito sutil: são quase duzentas páginas antes do primeiro beijo entre os dois.

Colin e Penélope foram figuras encantadoras. Através deles a autora aborda questões familiares e dilemas pessoais sobre sonhos e objetivos de vida. Embora o envolvimento romântico seja um tanto disperso – acredito que poderia ter apresentado um foco maior -, os dois formam um casal muito agradável. Já os personagens secundários ganham destaque especial nesta história, principalmente a adorável senhora Lady Danbury, que se mostrou uma grata surpresa. Adorei sua participação na trama.

Os segredos de Colin Bridgerton é uma história leve, ótima para descontrair. Para acompanhar a passagem de tantos personagens da família Bridgerton, é imprescendível ler a série na ordem.

Capa original:

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domingo, 27 de julho de 2014

Manhã de Núpcias – Lisa Kleypas

image- Ficha técnica:

- Título original: Married by Morning

- N° de páginas: 265

- Sinopse: Quando herdou o título de lorde Ramsay, Leo Hathaway e sua família passavam por um dos momentos mais difíceis de sua vida. Mas agora as coisas vão bem. Três de suas quatro irmãs já estão casadas, uma preocupação que Leo nunca teve consigo mesmo. Solteiro inveterado, ele tem uma certeza na vida: nunca se casará. Mas então a família recebe uma carta que pode pôr tudo isso em risco: se Leo não arrumar uma esposa e gerar um herdeiro dentro de um ano, ele perderá o título e a propriedade onde todos vivem. Solteira e sem pretendentes, a governanta Catherine Marks talvez seja a única salvação da família que a acolheu com tanto carinho. O único problema é que Leo não compartilha do mesmo afeto que suas irmãs têm pela moça. Para ele, Catherine é uma megerazinha cheia de opinião que fala demais. Apesar de irritá-lo e quase o levar à loucura, ela é a primeira – e única – mulher com quem ele considera se casar. Catherine, por sua vez, tem uma opinião igualmente negativa a respeito do patrão. Além disso, ela esconde alguns segredos do passado e um deles pode destruir a vida que tão cuidadosamente construiu para si. Agora Leo e Catherine precisam um do outro, mas para vencer as dificuldades e consertar as coisas eles terão que superar as turras e as diferenças, num romance intenso e sensual que só Lisa Lerpas poderia ter escrito.

- Nota: clip_image004

Manhã de Núpcias era uma das histórias mais aguardadas por mim. Desde o primeiro livro, em que a autora abordou o sofrimento de Leo e seu passado complicado, o personagem me ganhou por charme, simpatia e bom humor – características estas, de fato, que são encontradas em quase todos os personagens da série. Em Manhã de Núpcias, Lisa Lerpas conquista novamente ao trazer elementos como o companheirismo familiar, a sedução intensa e a diversão em diálogos inteligentes e cativantes. Assim como todos os outros da série, Manhã de Núpcias é uma leitura muito agradável.

Desta vez, Leo Hathaway recebe uma carta de seu advogado lhe dizendo que precisa se casar e gerar um herdeiro no período de um ano; do contrário eles perderiam a propriedade da família. Embora para os Hathaways um pedaço de terra era somente isso – o que importava era ter a família junta –, as irmãs de Leo se interessam pela ideia e propõe a ele um baile para encontrar uma noiva. Relutante, Leo aceita, porém nenhuma jovem o cativa. Há, entretanto, alguém em especial: a governanta da família.

Catherine Marks, para ele, é ranzinza, misteriosa, e Leo adora provocá-la. Ao mesmo tempo, sente uma atração inevitável pela bela governanta. Esta, por sua vez, não esconde seu encanto pelo rapaz, enquanto trava discussões e brigas com ele. Mas aos poucos, quando ambos começam a se conhecerem melhor, não só descobrem uma grande afinidade – física e emocional –, como vão perceber que foram feitos um para o outro.

Ao invés do período da descoberta, como temos nas outras histórias, aqui o leitor já está familiarizado com a relação de Leo com Catherine. O flerte ocorre entre diálogos jocosos e brigas divertidíssimas dos dois, o que deixa a história com um gosto leve e alegre. Leo é uma figura excepcional – transborda em carinho e bom humor. Quando decide conquistar Catherine, não hesita em recitar palavras cheias de paixão, em dizer o que sente ou fazê-la se sentir querida e amada. Com um humor característico, é um personagem que acolhe e ama sem ressalvas, mesmo que seu passado tenha feito dele um homem cético ao casamento por amor. Leo é um suspiro em cada página. 

Catherine é uma mocinha decidida e altiva, que bate de frente com o protagonista a todo instante. Porém ela também soube ceder, e se deixa envolver neste relacionamento complicado. Os dois sofreram no passado, e por isso há uma sintonia entre os dois. Ao abrirem seus medos e receios, Catherine e Leo travam um companheirismo delicioso de ler. As cenas românticas são delicadas, suaves e cheias de paixão.

Manhã de Núpcias conta como principal elemento o humor – até mesmo nos momentos mais tensos da história. Assim como todos os outros da série, devorei a história em menos de um dia. Personagens inteligentes, carismáticos, e um enredo cativante tornaram a leitura um vício. Detalhe para o furão – o bichinho de estimação de Beatrix. O danado rouba as cenas diversas vezes, transbordando fofura. Manhã de Núpcias é, certamente, um livro que deixa o coração mais leve. Estou ansiosa pelo próximo!

Série “Os Hathaways”:

1 – Desejo à meia-noite
2 – Sedução ao amanhecer
3 – Tentação ao pôr do sol
4 – Manhã de Núpcias
5 – Paixão ao entardecer (ainda não publicado no Brasil).

Capa original:

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Êxtase – Nicole Jordan

image- Ficha Técnica:

- Título original: Ecstasy

- 380 páginas

- Sinopse: Depois de ver seu amor definhar por causa de um amor perdido, Raven Kendrick jurou nunca entregar seu coração. Mas quando sua vida se transforma em um escândalo, ela é forçada a aceitar uma proposta de casamento do sensual prorietário da casa de jogos mais conhecida de Londres. Embora fortemente atraída por seu enigmático salvador, Raven luta para resistir ao marido, cujas carícias prometem um êxtase além de suas fantasias mais selvagens. Para salvar a reputação da inocente jovem, Kell Lasseter se vê obrigado a sacrificar sua liberdade casando-se com a deslumbrante garota, uma vez que o irmão dele foi o causador da ruina de Raven. Desprezado por seu sangue irlândes e seu passado obscuro, Kell não pode negar que essa mulher geniosa e encantadora é diferente de todas as outras que já conheceu... Assim como não pode reprimir o desejo ardente que sente por ela. Dividido entre a lealdade para com o irmão e seus sentimentos crescentes por sua noiva rebelde, Kell precisa libertar o coração relutante de Raven de alguma forma, para que eles possam conhecer o extase do verdadeiro amor.

- Nota:clip_image004

Eu confesso que estava um pouco receosa com esta leitura, pois a sinopse se parecia um tanto quanto a do livro “Paixão” – livro este que não gostei. Porém, felizmente, Êxtase foi o melhor que li da série até o momento presente. As características narrativas permeiam, como marca da autora, um texto mais detalhado, que tende a descrever passagens mais longas – especialmente os momentos sensuais entre os personagens. Outro aspecto é o enredo por vezes delimitado, em que temos a decisão dos protagonistas pela escolha de um casamento arranjado e sem amor. O diferencial, entretanto, está na dinâmica com que isto ocorre, e que vem melhorando consideravelmente a cada volume.

Em Êxtase, a história se inicia de maneira pouco convencional. Raven está para se casar quando é raptada por um de seus antigos admiradores. Seal é um homem perigoso e desequilibrado, que jurou se vingar de Raven após ser levado para a Marinha Britânica, onde sofreu diversos castigos físicos. Então, o rapaz a amarra sobre a cama de um quarto escuro, decidido a fazê-la pagar pelo seu sofrimento. Antes, porém, seu irmão o intercepta, e consegue convencê-lo a ir embora. Kell terá um grande problema pela frente: não somente teria que lidar com o fato de que seu irmão doente poderia ir para a prisão, como também precisaria resolver a reputação da moça em questão.

Ele, então, sugere a Raven um casamento de fachada. Sem outra escolha – uma vez que ser raptada no dia do casamento tinha machado sua honra –, a moça aceita, sabendo que, ao menos, seria concedido a ela um casamento sem amarras. Mas, aos poucos, os acontecimentos sociais e a química entre os dois acabam por aproximá-los. Antes que Kell e Raven percebam, o casamento por conveniência se transforma em amor. Caberia a cada um, então, tomar a decisão de deixar esse sentimento aflorar ou negar-se a ele.

O tema clichê é bem desenvolvido, o que tornou a leitura muito fluida. Assim como no volume anterior, Êxtase não se prende somente a relação sexual entre o casal – estas descritas com um toque de elegância –, mas também na relação cotidiana entre eles. Nenhum dos dois estava interessado naquele casamento, o que os deixa afastado boa parte da história. Porém, influências externas – como mexericos e a má fama que ronda o estabelecimento de seu marido, e que poderia arruiná-lo, faz com que Raven, aos poucos, se aproxime dele. A química se tece aos ao longo das páginas, bem como a convivência entre os dois.

A cada trama a autora nos brinda com antigos personagens. Uma característica marcante é a presença de um vilão que proporciona nos momentos finais um toque de ação à trama. Aqui, a autora explora mais a fundo este vilão, interligado ao passado sofrível de kell. Além disso, Nicole Jordan não deixa de inserir propositalmente um cenário retrógado a liberdade feminina com situações pouco favoráveis à protagonista da história. Nos livros desta série, a autora sempre levanta a questão do papel da mulher no matrimônio.

Apesar de ter gostado bastante, ao olhar para trás, não posso deixar de comentar que me sinto um pouco decepcionada pela falta de inovação. O tema, se sobreposto ao volume anterior, é praticamente o mesmo: o casamento arranjado e a veemente negação de se apaixonar. Há tantas outras variáveis a serem exploradas dentro do romance histórico, que estava esperando algo diferente. Ainda assim, Êxtase se mostrou uma ótima leitura, o diferencial seria somente um adendo para a história. Que venha o próximo!

Capa original:

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segunda-feira, 3 de março de 2014

Um Perfeito Cavalheiro – Julia Quinn

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- Ficha Técnica:

- Título Original: An Offer to a Gentleman

- 295 páginas

- Sinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhce o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

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Em Um Perfeito Cavalheiro, posso dizer que finalmente fiz as pazes com o texto da autora. Longe de Julia Quinn ser ruim, ela apenas tem um estilo que não me agradou tanto quanto eu imaginava. Nos primeiros dois livros, a autora permeia uma narrativa mais voltada a sátira dos costumes sociais da alta nobreza, trazendo situações embaraçosas e cômicas aos seus personagens. Embora esse tom jocoso seja agradável, eu sempre acabava sentindo falta de algo mais nas histórias dela.

Um Perfeito Cavalheiro, portanto, foi esse toque que faltava. A história é uma releitura do conto “Cinderela”, mas soube, ao mesmo tempo, trabalhar características que deram à história sua própria identidade. Um Perfeito Cavalheiro fala sobre Sophie e sua vida como bastarda na casa de seu pai. Relegada aos cuidados da criadagem, Sophie cresceu sem amigos e sem a atenção do dono da casa, mas tinha uma vida razoavelmente confortável. Até que, de repente, seu pai volta de uma viagem com uma madrasta e duas meninas que mudaria a vida de Sophie para sempre.

O pai de Sophie morre, deixando Araminta livre para praticar suas maldades com a menina que ela sempre odiara. Sophie passa, então, a ser uma empregada na casa onde mora – ou melhor, uma escrava, já que não recebia pagamento pelos incontáveis serviços que prestava à Araminta. Em uma noite, Sophie está costurando os vestidos que sua madrasta e as filhas desta usariam em um baile de máscaras dado pelos Bridgertons. A menina apenas sonha em silêncio em ir à um baile daqueles – ao menos uma vez na sua vida –, e seu pedido acaba sendo atendido por uma das empregadas. A filha bastarda do conde vai ao evento e, lá, encontra Benedict Bridgerton. Em uma noite perfeita – porém curta –, Sophie se apaixona pelo rapaz e leva a lembrança de uma noite perfeita durante dois anos, até que o reencontra em uma situação inesperada. Seria possível que ele se lembrasse dela?

A história transborda situações fofas e engraçadas. Desta vez, o obstáculo que os personagens precisam superar está na diferença de classe social entre eles - um argumento que rende ótimos momentos entre o casal. Benedict está sempre provocando-a e perseguindo-a na casa da mãe dele, onde Sophie trabalha como camareira. Já esta tenta lutar contra os próprios sentimentos, embora não resista, vez ou outra, ao charme e a simpatia – e, devo acrescentar, muita insistência –, do rapaz. Sophie não nega o que sente por Benedict, mas, ao mesmo tempo, mantém certa prudência devido a sua classe social. Aos poucos, a diferença entre eles é deixada de lado.

No melhor estilo conto de fadas, Um Perfeito Cavalheiro trouxe um enredo divertido, engraçado e muito romântico. A autora cede suas páginas para uma interação maior entre os personagens secundários – o que, talvez, tenha sido este o diferencial do livro. Victoria, a mãe de Benedict, é um dos grandes destaques da história, e uma figura alegre e encantadora. Aliás, toda a família Bridgerton está mais presente, promovendo as melhores passagens quando se reúnem. Em diversos momentos me peguei com aquele sorrisinho bobo no rosto, pois é impossível não cair de amores pelos diálogos descontraídos entre a família.

Um Perfeito Cavalheiro foi uma dos livros mais fofos que li em meses. Terminei a leitura com dó de fechar o livro, tamanho foi minha afinidade com a história. Julia Quinn não deixou de tecer sua crítica costumeira a algum aspecto dos costumes sociais da época – o que, neste caso, serial a diferença de classes sociais e as regras impostas a eles, mas, dessa vez, senti que o romance ganhou um destaque mais aprofundado. Benedict e Sophie formaram o melhor casal da série, sem sombra de dúvida. Adorei!

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tentação ao pôr do sol – Lisa Kleypas

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Tempt me at Twilight

- 265 páginas

- Sinopse: Poppy Hathaway está em Londres para sua terceira temporada de eventos sociais. Como nos dois anos anteriores, ela se hospedou com a família no hotel Rutledge. E, como nos dois anos anteriores, tudo indica que retornará a Hampshire sem ter encontrado um pretendente com quem se casar. Apesar de ser extremamente bonita e gentil, Poppy tem duas grandes desvantagens em relação às outras moças: sua inteligência deixa muitos homens acuados e o fato de vir de uma família tão pouco convencional faz com que os melhores partidos nem sequer a abordem. Mas o destino a coloca no caminho de Harry Rutledge, um homem de passado triste, que venceu na vida por conta própria e aprendeu a encarar tudo como um negócio. O dono do hotel não ama ninguém, confia em poucos e manipula todos. Porém, mesmo sendo tudo o que Poppy nunca almejou, ela não pode negar o fascínio que sente por ele. Quando Harry conhece Poppy, é tomado pelo desejo. Ele imediatamente tem a certeza de que a jovem será sua – e, para o bem ou para o mal, não mede esforços para que isso aconteça. Mas fascínio e desejo não serão suficientes para construir sua história, sobretudo quando uma traição põe em jogo as bases do relacionamento. Agora, é entre quatro paredes que eles tentarão resolver problemas e anular diferenças, num romance sensual em que seu futuro juntos pode mudar a cada toque, cada encontro, cada descoberta.

- Nota: clip_image004

Cada livro desta série traz uma história envolvente e apaixonante. Que saudade eu estava dos Hathaway! Adoro cada um deles, e estava ansiosa para ler a história de Poppy, uma das irmãs desta família excêntrica e divertida, que me cativou logo no primeiro livro. Em Tentação ao pôr do sol, o enredo - como todos os outros livros da série -, se desmembra em uma composição magnífica de humor, romance adocicado e cenas para lá de sensuais. O contexto histórico também carrega um discurso recheado de críticas a hipocrisia da sociedade nobre londrina, além de abordar a essência de um casamento que não se sustenta somente no “felizes para sempre”.

A história de Poppy se desenrola de uma maneira leve e dinâmica. A família Hathaway se hospeda num dos hotéis de Londres para uma nova temporada. Em uma noite, Poppy sai pelos corredores do lugar em busca do furão de sua irmã. Sem perceber, ela acaba parando em uma passagem secreta, onde é surpreendida por um homem que pensa ser um dos funcionários do hotel. Na verdade, ele é ninguém menos que Harry, o dono do local. O homem reservado sente uma inesperada atração por Poppy e, em pouco tempo, ele traça um plano para que ela caia em suas mãos. Poppy, ao descobrir seu esquema, se decepciona profundamente com o homem com quem estava prestes a se casar. Agora, para que o casamento dê certo, Harry precisará mudar e Poppy necessita superar a traição de seu marido.

Quem acompanha a série sabe que a abordagem familiar é um dos aspectos mais marcantes da história. O companheirismo é um traço envolvente, mas devo dizer que, desta vez, a trama recebeu um contexto mais neutro. Os personagens secundários aparecem, mas o foco se destina ao relacionamento cotidiano do casal em um ambiente diferente. Para isso, Poppy não somente precisa conhecer Harry e entender os seus aspectos mais reclusos, mas também precisa enxergar suas atitudes sob a perspectiva de um passado misterioso, que molda suas características no presente. Apresentado ao leitor e a própria personagem como o vilão da história, Harry não se importa em pensar que jamais será amado. Entretanto, aos poucos, descobrimos nele suas particularidades encantadoras. O homem incorpora um ar blasé para os sentimentos alheios, mas, no fundo, demonstra uma fragilidade tocante. Fica impossível não se apaixonar por ele.

Outro aspecto maravilhoso dos livros da autora refere-se as suas personagens femininas. Figuras intrínsecas que sempre cativam por diálogos inteligentes, jeitinhos fofos e engraçados, que sabem, com muito amor, derreter os corações dos personagens turrões. Poppy é esperta, carismática, além de transbordar sua compaixão e compreensão pela próximo. Uma personagem cheia de vida que fascina pelos momentos doces e divertidos da história. A relação dela com Harry é gradativa - é preciso enfrentar um caminho de conflitos onde há desconfiança, descrenças e ciúmes, pois Harry acredita que, devido ao artifício que ele usou para o casamento acontecer, Poppy jamais viria amá-lo. Entretanto, há muita sedução envolvida. Em uma relação que tece os bons e maus momentos de um casamento, Harry e Poppy vão se apaixonando pouco a pouco. A química natural entre os dois é imprescindível para torná-los mais um casal atraente da série.

Num embasamento geral, os segredos do passado de Harry atiçam ainda mais o romance – especialmente para o próximo volume, onde a autora interliga o passado do personagem a uma figura importante. Fiquei curiosa, porém, ao contexto da personagem Poppy. A personagem tinha um problema que surgiu no primeiro e foi mecionado no segundo volume, mas, no terceiro, esse seu empecilho simplesmente desaparece. Tenho minhas teorias, já que, ao que o livro mostrou, seria inviável colocar um problema daquele tipo na proposta da história. Não me incomodou mas, ao mesmo tempo, fiquei pensando que seria interessante ela expor o problema de Poppy.

De todos, o meu preferido é Sedução ao amanhecer, por questões muito pessoais. Merripen sempre foi meu personagem favorito na história, e o livro dele saciou todas as minhas expectativas. Entretanto, Harry e Poppy não ficam muito atrás. A história é deliciosa, carregada de bom humor e daquele sentimento acolhedor e familiar que temos ao ler sobre os Hathaway. O difícil, agora, será esperar pela continuação, pois Leo é um personagem que, desde o primeiro livro, demonstra ser uma figura cheia de facetas cativantes. Enfim, série mais do que recomendada!

Capa original:

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Desejo – Nicole Jordan

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Desire

- 363 páginas

- Sinopse: Uma noiva relutante. Uma maldição de família. Uma paixão escaldante que não pode ser domada… Amante lendário e chefe de espionagem, o sombriamente sensual conde de Wycliff evita o matrimónio até que um encontro próximo com a morte o faz ansiar por um filho que perpetue o seu nome. No momento em que Lucian avista a atraente Brynn Caldwell numa praia da Cornualha, sabe que encontrou a mulher que quer para sua esposa. Brynn acredita que o fascínio daquele conhecido libertino por ela resulta de uma maldição com séculos que condena as mulheres da sua família a tentarem os homens – apenas para conduzirem aqueles que amam à morte. Obrigada por circunstâncias difíceis a casar com Lucian, Brynn entrega o corpo às suas carícias mas não se atreve a entregar-lhe o coração. Preso numa batalha de vontades com a sua encantadora mulher, Lucian começa a suspeitar que Brynn é uma traidora. Não tarda a ver-se atraído para uma teia de perigo e traição, na qual o preço de conquistar o coração esquivo da esposa pode ser a sua própria vida.

- Nota: clip_image004

Desejo é o terceiro livro da série Notorius. O segundo livro, Paixão, me decepcionou ao tal ponto que minhas expectativas pela continuação não eram tão altas. Felizmente, meu receio de que o terceiro livro pudesse ter seguido os mesmo passos de seu antecessor, se mostrou infundado. Desejo não só foi uma leitura viciante, com elementos muito bem desenvolvidos, como também o considero uma das melhores obras que já li da autora. A premissa é instigante e me fisgou logo nas primeiras páginas. O livro explora o envolvimento emocional de um casamento arranjado, regido pelas convenções formais da época e inserido num contexto repleto de erotismo narrado de forma elegante, além de trazer, de bônus, uma história com traições, segredos e uma terrível maldição.

Em Desejo, Brynn é amaldiçoada. Todos em Cornualha conhecem a calamidade que ronda as mulheres da família dela. Há dois séculos, Eleanor Stanhope fora amaldiçoada por roubar o amante de uma cigana. Ela e todas as mulheres descendentes da família estariam condenadas a enfeitiçar os homens e atrai-los para a morte. Pela sua beleza, Brynn sempre chamara à atenção de pretendentes, mas por causa da maldição ela os repele e se mantém em um certo isolamento da sociedade. Uma única vez, Brynn não se importou com a maldição, o que fora um erro. Seu primeiro e único pretendente morrera afogado, e Brynn jamais se perdoou pelo seu deslize. Desde então, ela evita qualquer atenção masculina e, principalmente, qualquer ideia de matrimônio.

Lucian está em Cornualha como um espião. Ele se depara com uma mulher seminua nadando em uma praia, e se fascina com o que vê. O primeiro encontro dos dois é explosivo. Mais tarde, Lucian descobre a verdadeira identidade de Brynn. Decidido a ter um herdeiro, após um episódio traumático de sua vida, Lucian se empenha em convencê-la a aceitar um matrimônio, ainda que, para isso, ele tenha que recorrer a certos subornos. Brynn não deseja se casar com um libertino como ele, não apenas pela maldição como também pelo caráter irritante de Lucien. Ele é frio e não se importa em concordar com um matrimônio unicamente pela geração de um herdeiro. Os dois não precisariam ter qualquer tipo de envolvimento emocional, se ela assim preferisse. O problema é que, aos poucos, Brynn cai na sedução de seu marido e começa a mudar seus pensamentos. Ela seria capaz de amá-lo e, assim, levá-lo a morte?

Um texto elegante, bem escrito, que trouxe alguns aspectos interessantes. Esse tipo de proposta –abordar um relacionamento sem amor –, traz muitos perigos caso não seja bem estruturado. Mas ao contrário de muitos motes que tornaram a leitura cansativa, Nicole Jordan soube construir, de forma satisfatória, um enredo embasado nas convenções sociais da época. O relacionamento é distante, cheio de brigas e com um toque de frieza que permeia boa parte da história. É importante ressaltar que esses elementos não tornaram os personagens indiferentes, e talvez este tenha sido o diferencial para que o livro se tornasse atraente. Apesar do envolvimento sem amor, garanto que Brynn e Lucien possuem uma química cativante.

O desenvolvimento do romance é gradativo. Lucien e Brynn possuem qualidades e defeitos que amamos e odiamos ao longo da história, porém essa característica os torna agradavelmente mais humanos. O relacionamento é cheio de tropeços. Lucien é sedutor, mas autoritário. Ele está acostumado a ver as coisas pelo lado prático, como o casamento – o que faz com que Brynn se sinta, nas próprias palavras dela, uma égua reprodutora.  Aos poucos, é perceptível uma mudança no comportamento do personagem e seu amadurecimento sobre diversos aspectos. Brynn, entretanto, muitas vezes me cansou com seu discurso pronto sobre a maldição. O jeito insensível e ríspido da personagem é irritante. Dá uma dózinha de Lucien no começo do livro! Se não fosse por isso, o livro poderia muito bem ser um cinco estrelas.

Algumas questões sociais são levantadas ao longo da história. Nicole Jordan aborda a posição social da mulher, suas escolhas e alguns discursos machistas – porém comuns à época –, sobre o papel da mulher no matrimônio. Temas interessantes que trouxeram algumas discussões pertinentes entre os personagens. Além disso, a autora recheia a história inserindo no enredo um contrabando de barras de ouro que estão sendo enviadas para o governo Francês afim de financiar o exército de Napoleão. Cabe a Lucien descobrir quem seria o traidor e, de um jeito que envolve ação e tensão, Brynn é jogada neste meio de traições e conspiração. A última parte da história é eletrizante.

A narrativa refinada trouxe cenas sensuais bem exploradas. Infelizmente, encontrei alguns erros na edição. Traduções e errinhos bobos são alguns dos problemas que ocorreram durante a leitura. Alguns diálogos são cortados; começam numa linha e se iniciam novamente na linha abaixo, o que por vezes me fez voltar na linha anterior para entender qual personagem estava discursando. Isso me incomodou bastante. Contudo, Desejo foi uma leitura muito boa. Fico feliz de não ter desisto da série após o segundo livro, o que seria uma pena. Com um enredo que conquista, devorei a história em pouquíssimo tempo. Já estou me sentindo um pouco órfã por ter terminado a leitura tão rápido, com certeza vale à pena.

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domingo, 13 de outubro de 2013

Paixão – Nicole Jordan

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Passion

- 400 páginas

- Sinopse: A bela e sensual Aurora Demming acaba de perder o seu prometido e para garantir seu futuro, seu autoritário pai arranja-lhe um casamento de conveniência com um homem bem mais velho que ela. Com o fim de espantar a tristeza da sua vida, viaja às Ilhas Britânicas Ocidentais onde conhece Nicholas Sabine, um perigoso e sedutor americano condenado à forca por assassinato e pirataria com quem faz um estranho pacto. Aurora aceita se casar com o enigmático estrangeiro e tornar-se tutora de sua meia-irmã para fugir do acordo paterno. Há porém outra condição essencial, é preciso legitimar a união dos dois e para isso, a angelical donzela deverá realmente consumar a noite de núpcias, um breve espaço de tempo no qual o encantador Nicholas mostrará a Aurora parte dos segredos voluptuosos de dois corpos em um mesmo leito. Viúva, de volta à sociedade inglesa e com a irmã de Nicholas sob a sua responsabilidade, ela inicia uma uma nova vida, independente mas desprovida de amor.

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Paixão é o segundo volume da série Notorius. O primeiro livro “Sedução” foi lançado há algum tempo pela editora Planeta; um dos meus queridinhos desse gênero. Desde então venho aguardando ansiosa pela continuação, porém já adianto que a história não me fisgou. O livro mostrou-se bem menos interessante do que eu esperava, o que geralmente acontece quando as expectativas tendem a ser grandes.

A história tem um bom início, quando Aurora presencia a brutalidade de dois guardas sobre um prisioneiro. Em um ato impulsivo, ela parte para defender o pobre homem. Aurora descobre que o prisioneiro ferido se chama Nicholas Sabine, é americano e condenado à forca por traição. Inconformada com o destino dele, e sem conseguir tirá-lo da cabeça, Aurora volta a visitá-lo na prisão. Ao se conhecerem melhor, Nicholas lhe conta sobre sua meia irmã e o receio de deixá-la  só. Aurora, por sua vez, revela sobre seu casamento forçado que ocorreria em pouco tempo. Então Nicholas lhe faz uma proposta: eles se casariam para um benefício mútuo. Nicholas teria a garantia que sua meia irmã estivesse sobre o amparo de Aurora e, ao mesmo tempo, ela conseguiria se livrar de um matrimônio arranjado.

Quatro meses depois, Aurora leva uma vida amena ao lado de sua tutelada. Entretanto, ela não esperava encontrar Nicholas Sabine em uma festa a fantasia, disfarçado de pirata. O homem que fora seu marido por uma noite – e que ela acreditava que estivesse morto –, está de volta, disposto a retomar o casamento e conquistar Aurora. Entretanto, ela não irá abrir mão de sua liberdade tão facilmente. Nicholas terá um árduo caminho pela frente.

Paixão traz a essência do título às suas páginas. Um livro carregado de cenas sensuais bem descritas, mas que peca pela falta de ação e repetições em demasia. A história fica presa à um único foco – a tentativa de Nicholas em reconquistar a esposa –, o que por si só daria um bom enredo se não fosse esses “poréns” citados. Já a narrativa traz certa elegância e suavidade à história, mas as descrições minuciosas tornam a leitura arrastada. Por exemplo, um beijo de Nicholas motiva páginas inteiras descrevendo o que Aurora sentiu, o que ela pensa e o quão errado era aquele contato – contexto que se repete ao longo do romance. Em diversos momentos fui tentada a pular várias páginas.

Não me senti conectada aos personagens. Entendam, Nicholas é um charme, carinhoso e paciente, já Aurora é irritante. Ela não quer sofrer novamente e tampouco está disposta a abrir mão de sua liberdade, mas com isso só prolonga seu próprio sofrimento. Sem quaisquer traços interessantes, a heroína passa boa parte do livro travando discursos insossos sobre não querer se envolver com o personagem. Seus diálogos são fracos e seu caráter passivo me incomodou. Sou avessa a personagens apáticas e teimosas.

Por outro lado, Paixão tem seus encantos. A história permeia um estilo mais água com açúcar, mais delicado e romântico. Uma sutileza transborda nas cenas mais sensuais. A terceira parte da história traz um diferencial, pois há uma interação maior entre os personagens e até um pouco de ação. Paixão é uma leitura leve que deve ser lida de modo despretensioso, contudo eu certamente teria apreciado mais se o livro fosse menor ou se houvesse mais acontecimentos na trama. Considerei a obra regular, longe de ser o melhor da autora.

Capa Original:

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