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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Onde o amor se esconde – Veridiana Maenaka

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- Ficha Técnica:
- N° de páginas: 350
- Editora: Verus
- Sinopse: Na São Paulo do início do século XX, a jovem Glória sonha com o amor, ao contrário de sua amiga Marisa, cujo desejo é viver tão livremente quanto os homens. Glória, de família tradicional, se casa com o homem escolhido por seu pai. Rico e ambicioso, porém emocionalmente distante, esse homem vê na esposa apenas uma prova de sua ascensão social. Incapaz de dar um herdeiro ao marido, Glória vive uma rotina de violência crescente, enquanto Marisa se casa com o pretendente que escolheu, um notório libertino. A infelicidade de Glória a torna suscetível à sedução de outro homem, e eles têm um encontro avassalador, marcado pela descoberta sexual da jovem. Envolvida em uma trama de luxúria, Glória pode conhecer um prazer jamais imaginado, mas será essa a sua chance de viver um grande amor?

“Onde o amor se esconde”, de Veridiana Maekana, é o livro de estreia da autora na editora Verus. De uma narrativa encorpada e sem pudores, a história de Glória é contada em linhas tristes, cheia de trâmites complicados na vida de uma jovem esperançosa com o primeiro casamento, ansiosa por ser feliz no amor. Contudo, Glória irá traçar um caminho árduo antes de conhecer o verdadeiro sentido dessa palavra. “Onde o amor se esconde” é uma história de romance, mas, antes de tudo, é uma história sobre emancipação feminina, escolhas e liberdade.

O leitor é levado ao início do século XX, numa descrição minuciosa da antiga São Paulo. Glória é uma jovem sonhadora, animada com o casamento que seu pai lhe arranjara. Mesmo que seu pretendente fosse distante durante a corte, a menina cria expectativas de que Erasmo pudesse ser um bom marido, mas não poderia estar mais enganada. Pouco depois do casamento, a moça é submetida as mais diversas humilhações e torturas, ficando a beira da morte. Trancada, prestes a morrer, a jovem acaba sendo salva de seu inferno, afastando-se do marido violento e possessivo.

Glória não esperava que sua liberdade pudesse levá-la a caminhos tempestuosos. Ainda casada, a moça é convencida a se deixar levar por um romance proibido, uma relação que trará consequencias para o futuro. Ao mesmo tempo em que precisa se livrar de uma obsessão doentia por parte de uma pessoa próxima, Glória finalmente terá a chance de conhecer o verdadeiro amor, ainda que precise enfrentar toda uma sociedade – especialmente seu pai –, para finalmente ser feliz na vida.

“Onde o amor se esconde” narra em detalhes as situações degradantes do casamento violento, sem poupar o leitor de cenas mais fortes. Divido em três partes, “Dor”, “Prazer” e “Amor”, a personagem passará por estas três etapas antes de obter o que deseja desde o início da história. Não será fácil, contudo. Junto a um gênio difícil e um tanto pueril – Glória nem sempre toma as melhores decisões, muitas vezes levada ao calor do momento –, a vida da protagonista será um caminho de amadurecimento, passando por frustrações, choques e grandes dificuldades.

A história apresenta um enredo forte e bem construído, de uma narrativa que beira a certo tom sublime. O livro peca, porém, em trazer um trâmite com demasiados acontecimentos. Assim, algumas figuras parecem sobrar ou não ganhar um espaço devido à trama. Marcelo, um personagem importante, é relegado a poucas aparições de início. Só surgirá com força novamente na última parte da história, mas é um personagem robusto e sensível – apaixonante até, o que nos leva a questionar se ele não teria merecido um espaço maior na história de Glória, quando boa parte dela parece ter sido preenchida por Fernando desde o início.

Veridiana mostra que sua escrita e seus enredos a levará a caminhos promissores. “Onde o amor se esconde” nos remete ao romance como o foco da trama, mas eu não o colocaria assim. É um livro sobre o papel feminino na sociedade patriarcal, sobre lutas e perdas, cuja perseverança em não desistir da própria liberdade nos levará a um remate amoroso muito agradável de acompanhar.

- Nota:image

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

8 segundos – Camila Moreira

image - Ficha Técnica:
- N° de páginas:
275
- Editora: Suma de Letras
- Sinopse: O que fazer, quando dois mundos totalmente diferentes se chocam em uma realidade não esperada? Pietra sempre teve tudo o que desejava, mas após ser obrigada a passar trinta dias isolada em uma das fazendas da família, ela vai descobrir que nem tudo está ao alcance de suas mãos. Um peão de olhos azuis está tirando o sono da princesa da cidade.Lucas Ranger é um homem ligado às coisas mais simples da vida. Suas maiores paixões são o rodeio, o campo e os animais. Lucas não se deixa levar pelos lindos olhos verdes de Pietra, ele sabe que ela significa problema. Mas será que o cowboy indomável, irá se deixar laçar por uma menina de cristal? Oito segundos... uma história de amor e paixão superando as diferenças.

- Nota:  image

8 segundos, de Camila Moreira, não é o livro de estreia da autora. “O Amor Não tem Leis” e o “Amor Não Tem Leis: O Julgamento Final” são uma duologia publicadas pela Suma de Letras em 2014, ambas voltadas para o romance erótico. Em “8 segundos”, Camila Moreira também aposta em um romance com cenas sensuais e eróticas, desta vez ambientado em uma fazenda no interior do Brasil, com personagens típicos ao cenário proposto.

Na história, Pietra acaba de chegar a fazenda de seu pai. Antipática e irritante, a personagem trata a todos so seu redor como ignorantes, especialmente Lucas. Seu encontro com o cowboy começou com o pé direito, mesmo que a atração tenha sido imediata. Por sua vez, Lucas não consegue acreditar que uma patricinha mimada, “Cristal”, como ele mesmo se refere, esteja virando sua vida do avesso. Mesmo o levando a loucura, Lucas se sente cada vez mais atraído por ela, e não consegue resistir a paixão que cresce cada vez mais.

Camila tem uma boa história em mãos, mas ainda está na fase de amadurecimento. A autora abusa dos clichês mais óbvios e se ampara sobre situações um tanto convenientes para dar segmento a história. Diria, até, que sua inspiração vem de novelas brasileiras e de filmes de sessão da tarde: a patricinha mimada que faz discursos vazios sobre roupas de marcas e sapatos caros, o cowboy esquentadinho e sexy, que, a menor das provocações, sai por aí querendo bater em todo mundo. Não seria um ponto negativo se não fosse estereotipado demais, mas acabou sendo.

O emprego do “palavreado sujo” causa certo incômodo. “Potranca”, “bocetinha”, “rebola pra mim” e “goza gostoso” são apenas parte das expressões mais obscenas que encontramos no livro. Em muitas situações, Lucas se refere ao próprio pênis como “meu amigo aqui” ou “meu amigão”. Se não é brega, é, no mínimo, desestimulante um personagem se referir assim ao seu próprio órgão genital.

Mas o tema principal do enredo não é o sexo com linguajar mais depravado. A dedicação de Pietra em cuidar do Lucas é o maior apelo da história, a relação carinhosa que ambos constroem mediante as dificuldades de um relacionamento cheio de brigas e reconciliações, além de um passado misterioso que interfere na vida dos dois. Pietra, que melhora gradativamente ao longo da história, e Lucas Vitor, vivem literalmente “entre tapas e beijos”, mas conseguem chegar a um denominador comum.

A escrita da autora é promissora, mas ainda peca em alguns pontos. Camila é muito detalhista e exagera no uso de pronomes possessivos e da primeira pessoa do singular (Eu andei até ele… (…) …Eu peguei sua xícara… (…) …Eu calcei minhas botas.), o que prejudica a história como um todo, deixando a leitura cansativa. Porém, tendo um olhar mais crítico a sua própria narrativa, lapidando alguns pontos, Camila só tende a crescer nos próximos livros. São os pequenos detalhes que acabaram prejudicando sua história.

Pelo burburinho que os livros da autora vem causando nas redes sociais, confesso que esperava mais. Entretanto, sob um ponto de vista menos crítico, a autora consegue atingir seu objetivo: trazer uma história de romance entre duas pessoas de mundo diferentes, mas que uma se adapta a outra mediante aos problemas da vida. A história no geral é agradável, e o final não poderia ser mais justo depois de tudo que os personagens passam. 8 segundos é o terceiro livro de Camila Moreira publicada pela Suma.

 

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Encontrada – Carina Rissi

image - Ficha Técnica:

- N° de páginas: 476

- Sinopse: Sofia está de volta ao século dezenove e mais que animada para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No entanto, em meio à loucura dos preparativos para o casamento, ela percebe que se tornar a sra. Clarke não vai ser tão simples quanto imaginava. As confusões encontram a garota antes mesmo de ela chegar ao altar e uma tia intrometida que quer atrapalhar o relacionamento é apenas uma delas. Além disso, coisas estranhas estão acontecendo na vila. Ian parece estar enfrentando alguns problemas que prefere não dividir com a noiva. Decidida, Sofia fará o que estiver ao seu alcance para ajudar o homem que ama. Ela não está disposta a permitir que nada nem ninguém atrapalhe seu futuro. Porém suas ações podem pôr tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir seu felizes para sempre é ela própria.

- Nota: image

Encontrada, da autora brasileira Carina Rissi, é a continuação de “Perdida”, livro que conta a história da personagem Sofia. A duologia tem como principal tema a viagem no tempo para o século dezenove, onde Sofia conhece Ian, um rapaz jovem e apaixonante. O segundo livro segue a mesma fórmula apresentada no volume anterior: o bom humor atrelado a um romance com ares de conto de fadas. Se “Perdida” apresentou algumas arestas que precisavam ser devidamente aparadas, “Encontrada” supri as falhas de seu antecessor com uma história deliciosa, de qualidade impecável.

Em “Encontrada”, Sofia e Ian estão de casamento marcado, prontos para curtirem o tão sonhado felizes para sempre. Entretanto, Sofia começa a perceber que seu casamento não será assim um evento tão simples. Desastrada, a garota do século vinte e um tem dificuldades de se adaptar no mundo de Ian, e as coisas parecem só piorarem após o casamento.  Longe da dama submissa e pacata exigida pela sociedade, Sofia começa a ser alvo de falatório pelas pessoas da região – o que compromete a reputação da família Clarke. Apesar do amor que nutrem um pelo outro, Sofia, influenciada pelos mexericos – especialmente pelos comentários maldosos da odiosa tia de Ian –, acaba se questionando se seria mesmo a melhor opção para Ian.

O primeiro livro foi uma leitura leve e divertida, mas faltava um pouco mais de contexto à época. É de se esperar que um personagem do século dezenove apresentasse pensamentos mais retrógrados, por mais que ele seja um homem de visão a frente de seu tempo. Mas no primeiro livro, Ian concordava e aceitava com certa naturalidade os pensamentos e as atitudes mais liberais de Sofia. Já nesta continuação a autora apresenta um personagem mais maduro, consistente com a situação daquele tempo – um personagem que se choca e que bate de frente com determinados comportamentos de sua esposa, comportamentos estes que não se encaixavam em uma época mais machista.

Entretanto, Ian está longe de ser uma figura opressora. Os dois juntos formam um dos casais mais fofos e românticos que, entre brigas e reconciliações, arrancam muitos suspiros do leitor. Sofia não faz por menos. A personagem é divertida, forte, com um toque de bondade que encanta qualquer um. A devoção, o carinho e a compreensão que Ian e Sofia sentem um pelo outro são marcas que confere ao enredo um romance delicioso de acompanhar. Junto a narrativa singela e muito bem escrita, “Encontrada” se transforma em uma história sublime, de amor mais açucarado, porém dosado na medida certa.

O desfecho foi uma surpresa. Com um final delicado, é difícil não se encantar ou se emocionar pelo modo como a autora pincela as últimas páginas. Contudo, levanto a bandeira do contra ao saber que haverá um terceiro livro – desta vez na visão de Ian. As vezes, prolongar uma história que já teve o seu fim mais do que merecido pode, uma hora, acabar decepcionando o público. Para mim, “Encontrada” finalizava com chave de ouro a história. A continuação prende do início ao fim, e conseguiu a façanha, inclusive, de superar o primeiro livro.

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domingo, 1 de junho de 2014

Absoluto – M. S. Fayes

image- Ficha Técnica:

- 218 páginas *

- Sinopse: Ela era um fenômeno, como estudante de direito. Ele era o advogado mais temido do estado. Prestes a se formar com honras, Kate se viu imersa no mundo do Direito civil, antes mesmo de estar com seu diploma em mãos. Conhecendo o trabalho do Dr. Gabe Szaloki, ela foi pega, inesperadamente, em uma onda avassaladora de atração, mas ainda assim relutou a se permitir viver esse tórrido romance. Porém, Gabe não era imbatível apenas nos tribunais. Ele queria Kate a qualquer custo e mostraria a ela porque ele sempre saía vitorioso em seus casos. Em meio a casos jurídicos, os dois se enfrentam em um duelo de palavras, que serve apenas para acender a chama incandescente que Gabe sente por Kate. Kate se vê seduzida pouco a pouco pelo poderoso advogado, entregando seu coração de maneira despretensiosa. Maquinações invejosas, um conflito e um mal entendido fazem com que os dois se afastem. E quando a verdade vem à tona, Gabe tem que provar que seu amor por Kate é simplesmente absoluto.

- Nota: image

* no formato e-book

Absoluto, da autora M. S. Fayes, é um dos primeiros lançamentos da editora Charme (mais informações sobre a editora você encontra clicando aqui). O livro cumpre um segmento mais florzinha do gênero romântico, permeando uma relação gradativa entre uma estudante de direito e um dos principais advogados do ramo. Bem escrito, a narrativa é simples e ágil, recheado de clichês ao estilo de um romance de banca. Um homem poderoso e sedutor e uma estudante que o repele num primeiro momento, mas que aos poucos se envolve nesta relação fofa e singela.

Gabe está em uma audiência, e Kate – junto à outros alunos –, está como ouvinte da sessão. Quando são apresentados, a arrogância de Gabe faz com que Kate não tenha uma primeira impressão muito agradável dele – embora o jeito atraente tenha mexido com ela. Kate não esperava que fosse encontrá-lo em diversas ocasiões, e que Gabe começaria um jogo de sedução lento e sensual. Os dois não resistem por muito tempo e se entregam a paixão, porém influências externas – como o ciúmes doentio de um terceiro personagem, por exemplo, e o fato de que os dois eram adversário em um caso –, faz com que o relacionamento perfeito fique balançado. Kate tomará uma difícil decisão que mudaria sua relação com Gabe, mas quando está prestes a tomar sua decisão, um mal entendido os separa. Será que haveria volta?

Absoluto foi uma história que, para mim, pecou pela demora. Em quase cem páginas, os encontros entre Kate e Gabe eram bem causais e não duravam muito. Os diálogos quase sempre tinham conotação sensual, e não havia outro tipo de interação entre eles que não fosse a da atração física. Acabei ficando desmotivada, pois esperava que quase na metade do livro os personagens teriam, ao menos, travado diálogos mais profundos e diversos além de breves flertes e alfinetadas. Em vários momentos me senti indiferente e descrente desta relação.

Mas, na segunda metade do livro, a história engata em um romance fofo – principalmente quando Kate é apresentada a família de Gabe. A partir daí comecei a curtir mais a leitura e me deixei levar pela história de amor entre os dois. Gabe é um personagem atraente cujo diferencial trouxe um toque sexy à história. É implacável nos tribunais, mas fora das salas de audiência se transforma em um homem doce e apaixonado. Já Kate é uma estudante batalhadora e inteligente, porém achei que ela foi ingênua demais nas últimas páginas e se rendeu muito fácil a situação em que se encontrava. Para alguém tão apaixonada, ela poderia ter lutado e confiado mais em Gabe.

O romance entre os dois é mais contido – cenas de amor estão presentes mas nada muito explícito. M. S. Fayes aposta no sensual e na relação cotidiana, o que deixou a história com uma característica mais doce e íntima. Gostei do desfecho, principalmente pelo final trazer algum agito à história. Absoluto é um romance leve e gostoso, que, bem escrito, cativa pela leitura rápida e despretensiosa. Por ser um dos primeiros trabalhos que a editora oferece – ainda que o li no formato ebook –, devo dizer que adorei a qualidade do material. O texto está impecável e a diagramação é bem feita. Que venham os próximos lançamentos! ;)

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Insígnia de Claymor – Josiane Veiga

image- Ficha Técnica:

- Sinopse: A Insígnia de Claymor Europa, Idade Média Jehanie Claymor é uma jovem Lady que cresceu protegida pelo amor incestuoso do irmão Alexei. Sem conhecer os perigos e maldades da época, ela foi mimada e amada ao extremo. Mas, em uma viagem em que abandona o castelo de seu pai para ir de encontro ao seu noivo Garreth, vê todas as suas ilusões românticas chegando ao fim. Sir Daniel Trent só busca vingança. Sua irmã mais jovem foi seduzida pelo cavaleiro Alexei Claymor, e abandonada por ele após engravidar. Sem esperança, a jovem matou-se, deixando Trent com a incumbência de limpar sua honra. No entanto, seu destino muda completamente ao encontrar uma jovem que perdeu a memória. ...E assim, sem saber, ele acaba se apaixonando pela irmã de seu maior inimigo...

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A Insígnia de Claymor é uma história medieval que vinha cobiçando há um tempinho. Josiane Veiga é uma autora brasileira e já ouvi inúmeros elogios sobre seus livros; portanto, minhas expectativas eram bem altas. Felizmente, o resultado foi positivo. Com um enredo bem construído e uma narrativa ágil, me encantei logo no prólogo com a pretensão da autora em abordar uma proposta polêmica e, devo dizer, muito bem apresentada. A Insígnia de Claymor compõe um retrato de diferentes tipos de amor – desde o mais ousado, como o amor de Alexei, o futuro Duque de Claymor, pela sua irmã mais nova –, àqueles que são vistos como amor a primeira vista e a paixão nutrida de um relacionamento sob o véu da vingança. Adorei cada um deles em diferentes proporções.

Alexei é um homem com atrativos irresistíveis. Dotado de uma veia debochada e indiferente aos tabus impostos pela sociedade, o personagem se revela doce e um tanto quanto obsessivo a respeito de sua irmã. O relacionamento entre os dois não ultrapassou, ao meu ver, qualquer limite do absurdo – até porque tudo é muito doce e singelo entre eles. Alexei quase sempre desempenha o papel de mero irmão mais velho protetor, e seu afeto é por demasiado delicado e respeitoso. Embora o prólogo seja atrevido, confesso, não consegui achar doentio a afeição que ele nutre pela irmã, mas sim o contrário. Sou daquelas que ficará na torcida para que Jehanine corresponda aos sentimentos do rapaz.

Na história, Jehanie nunca se interessou por qualquer homem até conhecer Garreth em um baile. O relacionamento instantâneo e abrupto – descrito como amor à primeira vista –, desperta em Alexei um sentimento louco de ciúmes. O irmão então planeja, em segredo, a morte de Garreth, mas as coisas não saem como ele espera. Antes que pudesse resolver o seu problema, Alexei e Jehanie viajam até a Inglaterra, e é neste trajeto que sua irmã é raptada em uma emboscada. O rapaz, inconformado, move céus e terra para encontrar a mulher que ama. Neste meio tempo, Jehanie consegue escapar, mas perde a memória e é resgatada por uma comitiva liderada por Daniel – um rapaz que deseja se vingar de Alexei. Daniel acaba detestando Jehanie logo de cara, mas a antipatia certa se transforma em amor.

Em meio a um cenário pitoresco de tabus quebrados e paradigmas religiosos que são questionados ao longo da história – este último reservado à Adam, o maravilhoso “padre ateu” – Josiane Veiga tece um enredo que reúne componentes para uma trama sólida e deliciosa de ler. A personagem Jehanie se encarrega de trazer ao texto os momentos mais doces e divertidos da história. De um carisma fofo e de um jeito inocente, Jehanie encanta pela alma quase pueril que demonstra ter quando perde a memória – cenas que permeiam um tom jocoso, mas sem forçar a barra. Em especial, devo dizer que adorei cada momento entre ela e Daniel, além de, claro, as cenas com um adorável porquinho de estimação.

Já os demais personagens são repletos de nuances e, em cada um, encontrei características que amei e odiei ao longo da história. Daniel é movido pela vingança, o que o torna do mocinho cativante ao vilão desprezível em uma determinada cena. Richard é uma graça, já Alexei traz uma áurea de perigo e uma personalidade ambígua e perigosa. Doce com sua irmã, atrevido e socialmente desejado por qualquer dama, quando tirado de suas mãos seu bem mais precioso – a irmã –, transforma-se em um vilão sem escrúpulos, que não hesita em matar e torturar para alcançar seu objetivo. Neste triângulo amoroso fico dividida, pois são dois personagens atraentes – porém um lado meu torceu por Alexei, o que me faz desejar que haja, mais para frente, algum tipo de transformação no personagem por meio do amor. Sim, é clichê, mas acredito que a redenção seria uma abordagem interessante.

Há alguns pormenores incômodos que tive durante a leitura. Alguns errinhos e expressões equivocadas que encontrei ao longo das páginas, mas, neste aspecto, não foi nada que tirasse a qualidade da construção do enredo. Entretanto, achei que a história demorou muito para tomar um rumo certo. No começo, por exemplo, a autora explorou em demasia um personagem que, mais para frente, tornou-se praticamente um figurante. Na minha visão, entendi, quase até a metade do livro, que Garreth teria um papel grandioso como mais um integrante a disputar o amor de Jehanine, mas depois de um tempo o personagem ficou reduzido a um coadjuvante inserido na promessa de um romance paralelo. Fiquei com a sensação de que o começo estava bem confuso e a autora não sabia exatamente qual caminho tomar. Felizmente, mais para frente o ritmo melhora e o enredo toma uma direção certa.

Apesar de abordar o romance incestuoso, senti falta de uma interação maior entre Alexei e Jehanie. Ao mesmo tempo, não posso deixar de mencionar que as lembranças da personagem – todas envolvendo o seu irmão –, foram muitos fofas. A Insígnia de Claymor é uma história atraente, cheia de facetas e polêmicas que foram exploradas de forma satisfatória. A narrativa é ótima e, no final, terminei na vontade de ter uma continuação em mãos. Adorei!

 

Obs.: Após minha resenha, a autora me explicou sobre a continuação. Para quem leu a história e quiser saber mais informações, clique Aqui.

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Perdida – Carina Rissi

image- Ficha Técnica:

- 362 páginas

- Sinopse: Sofia vive em uma metrópole, está habituada com a modernidade e as facilidades que isto lhe proporciona. Ela é independente e tem pavor a menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são os que os livros lhe proporcionam. Mas tudo isso muda depois que ela se vê em uma complicada condição. Após comprar um novo aparelho celular, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem ter ideia de como ou se voltará. Ela é acolhida pela família Clarke, enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de voltar para casa. Com a ajuda de prestativo Ian, Sofia embarca numa procura as cegas e acaba encontrando algumas pistas que talvez possam leva-la de volta para casa. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos...

- Nota: clip_image004

Embora tivesse em mente uma abordagem diferente, Perdida, da autora Carina Rissi, me conquistou logo no começo. Esperava um livro mais denso e um contexto histórico que se prendesse a determinadas características da época, bem como o comportamento dos personagens naquele tempo. Porém, o que encontrei foi uma história leve, que recria o conto de fadas do príncipe encantado. Dentro dessa composição, o livro foi uma leitura deliciosa e ótima do início ao fim.

Narrado em primeira pessoa, a história de Sofia é escrita de maneira descontraída, visto que acompanhamos tudo sob a ótica e pensamentos da mesma. Suas impressões e experiências vividas no século dezenove pincelam um texto de humor leve que, em diversos momentos, provoca tiradas engraçadas. Gostei muito de Sofia - a personagem é carismática, espontânea e muitas vezes audaciosa. Aqui, o mais importante foi como a autora soube dosar todos esses ingredientes sem transborda-los na trama, tornando Sofia uma personagem convincente e, por consequência, muito agradável de ler. Gosto quando encontro na trama protagonistas cuja personalidade os destacam de algum modo.

Ian, porém, não trouxe o mesmo brilho para mim. Ele é fofo, um lorde de todos os modos, contudo não parece ir muito além de um jovem educado de boa aparência. Teria adorado encontrar um personagem com um pouco mais de voz, mais crítico e intenso... Para alguém de dois séculos atrás, achei que Ian aceitou muito rápido os modos de Sofia (e vice versa) – especialmente porque falamos de um personagem cujo contexto histórico abordava uma sociedade bem machista. Entretanto, Ian traz poucos traços daquele século. Um pouco mais de verossimilhança para o comportamento de um homem daquele tempo, - um jeitinho mais “turrão” -, teria sido ótimo, pois acho que daria longas discussões divertidas entre os dois.

Bem escrito, a história é gostosa de ler e parece trazer uma linguagem para conquistar o público jovem, contudo o livro se destina a qualquer um que,  assim como eu, curta um romance gracinha no melhor estilo conto de fadas. A autora acrescenta alguns fatos da época – retira outros como ela mesma salienta no final do livro –, mas não se prende muito a detalhes históricos. Já o texto é dinâmico e em nenhum momento instiga o tédio, pois os acontecimentos na trama são muitos – seja pelo romance em si, pelo baile ou pelo simples fato de Sofia conhecer “a casinha” – este último o ápice do bom humor na história.

Gostei muito de Perdida. Houve, entretanto, alguns pontos que me incomodaram e me deixaram bem indecisa quanto a nota final. Como um conto de fadas, não há, de fato, grandes ressalvas, porém em alguns momentos a narrativa escorregou ao meu ver. Repetições de expressões em um espaço curto de tempo, o abuso de determinados artifícios que quebraram o fluxo da história em uma cena importante foram alguns desses pontos. As gírias, usadas para forçar situações cômicas de comunicação, a princípio engraçadas, acabaram se desgastando por serem usadas em excesso, principalmente porque Sofia é uma mulher de 25 anos e não uma adolescente. Ao menos não conseguia ver, na minha mente, alguém com essa idade encaixar tantas gírias dentro de um único diálogo.

Apesar disso, Perdida foi uma leitura muito boa. Li em dois dias. Recheado de momentos fofos, a história retrata um conto de fadas divertido e mágico. Uma graça de leitura que me conquistou e me instigou a ler outros livros da autora. 

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Infiltrada (Infiltrando-se na N.S.A) – Natália Marques

image- Ficha Técnica:

- Sinopse: Membro da máfia italiana Padova, Claire Evans infiltra-se no treinamento militar da agência de segurança nacional norte-americana – NSA – assumindo o pseudônimo de Hailey Dawson. No prazo de um ano, precisa permitir a entrada do maior carregamento de drogas da história no país e matar o generalíssimo Alan Beckert, que tem contas a acertar com a máfia. Contudo, sua vítima não é tão fácil. Além de frio, misterioso, rude, terror dos novatos e possuidor de incríveis olhos verdes que parecem enxergar até sua alma, ele parece saber quem verdadeiramente é. Sabendo que precisa tirá-lo de seu caminho, Claire aproxima-se do temido militar, mas acaba cometendo o pior de todos os erros: apaixona-se por ele. Uma história envolvente que vai prender você a cada capítulo.

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Torço um pouco o nariz para lemas do tipo: “vamos/temos que apoiar a literatura nacional”, pois um lado meu pensa que a nacionalidade de um escritor não é (ou não deveria ser) sinônimo para que ele seja apoiado, comprado ou elogiado. Apenas seu dom de contar uma história - sendo o autor ele um brasileiro, americano, chinês ou indiano –, determina sua qualidade como escritor e se, por tal, ele será ou não apoiado e elogiado. Mas há certas ressalvas e, vez ou outra, nos deparamos com elas. Pois eu confesso, dá certo “gostinho” de orgulho nacional quando descubro uma obra de boa qualidade e, como adicional, descobrimos que provém de uma escritora brasileira.

Foi essa sensação que tive ao terminar o livro da Natália Marques. A autora começou como muitas outras, escrevendo sua história a partir de uma fan fic de Crepúsculo. Sinto muito por aqueles que, nesse momento, estão revirando os olhos e dizendo “mais uma?”, pois A Infiltrada está longe de ser mais uma obra singela de aspectos falhos que lembram descaradamente as transcrições de  diálogos entre Edward e Bella. Aliás, se fosse unicamente pela história, eu nem saberia que a mesma se originou de um fan fic. O embasamento da história é sólida, fiel a proposta e bem original.

Mas, vamos ao livro? Ao começar a leitura, somos apresentados a heroína-vilã Claire, integrante da máfia Padova. A personagem recebe a missão de se infiltrar na agência de segurança norte-americana (N.S.A) para, assim, permitir o maior carregamento de drogas da história. Como um “bônus”, ela deveria matar o generalíssimo Alan Beckert, que possui antigas contas a acertar com a máfia italiana. Até aí tudo bem, Claire estava pronta para se sair bem em sua missão e voltar a ter um status considerável dentro da máfia. Porém, a convivência com o terrível Alan e o dia a dia ao seu lado a faz perceber que as coisas não seriam tão fáceis quanto imaginava: Claire acaba se apaixonando por ele.

A ideia de matar o homem a quem se ama é o conceito principal para uma história de quase quinhentas páginas, que despertam os mais variados sentimentos. O que poderia ser a parte mais tensa do livro – a máfia –, na realidade mostra-se de forma leve, sem qualquer pretensão de passar uma ideia mais tenebrosa e realística, embora eles não deixem de ser os vilões. Até mesmo Marco fez com que eu ficasse dividida se ele deveria receber seu merecido castigo ou talvez pudesse obter a redenção, embora para Marco isso certamente significasse mulheres, dinheiro e vida boa.

Mas é no ambiente da N.S.A que faz com que o leitor se veja quase íntimo dos personagens. Claire passa um ano em treinamento na N.S.A, e, com isso, acompanhamos seu dia a dia ao lado do terrível general Alan. Claire é a típica personagem que está longe de ser uma donzela indefesa. Construída de forma sólida, a mocinha-vilã é forte, decidida, não leva desaforo para casa e possui uma veia sarcástica que garante boas doses de descontração durante a leitura. É com esse lado quase pueril de “menina travessa” que ela usa para importunar e se infiltrar no muro invisível que Alan Beckert construiu para si próprio. O primeiro encontro entre os dois traz a antipatia certa e Alan transforma a vida do “novato” num verdadeiro inferno, porém, ao mesmo tempo, é impossível não se deixar cativar pelo apaixonante herói reservado, com cicatrizes do passado e que, no fundo, como a própria personagem cita em uma das passagens mais belas do livro, só quer ser amado.

E por falar em amor, o romance não nasce de uma hora para outra. Ele é construído pouco a pouco, através de olhares profundos, gestos mais ousados e até mesmo nos diálogos de escárnio que Alan e Claire trocam de forma tão natural, que quase não notamos quando o clima descontraído cede lugar as cenas de reflexões profundas e momentos marcantes que os dois compartilham juntos. Com isso, a autora nos mostra que por trás de um personagem marrento e uma heroína com espírito de menina –  temos dois personagens com marcas profundas em seu coração que precisam do consolo um do outro.

Por mais que eu adore livros românticos com cenas bem mais ousadas do que as descritas no livro, Natália mostrou que consegue prender o leitor sem elas. Isso não signifique que não temos bons momentos de clima quente entre o casal, mas nada tão explícito para quem curte algo mais hot. Mesmo assim, as duas cenas mais românticas e lindas que já li partiram desse livro, sem qualquer conotação sexual. Não é toda a autora que consegue esse feitio.

Quanto às críticas, embora eu admita que o trabalho de diagramação da Editora Lio seja uma das mais bem feitas, a mesma deixou a desejar quanto a revisão. Em todo o momento eu me deparava com errinhos bobos, outros até mais gritantes, mas, no geral, coisas que uma verdadeira revisão não teria deixado escapar. Além disso, como eu não cheguei a acompanhar a fan fic, a expressão “filha de um pai” me pareceu uma tentativa de bordão que, ao meu ver, mais irritou do que agradou. O uso repetitivo faz com que o personagem Luke se torne irritante e eu ficava torcendo para ele não aparecer tão cedo nas cenas. Ao contrário de muitos, eu não consegui me apaixonar por ele. Para exemplificar melhor, eu diria que “filha de um pai” está para A Infiltrada assim como “deusa interior” está para 50 Tons de Cinza. Você até gosta vez ou outra, mas milhares de vezes na mesma página acaba cansando.

Alguns termos também me incomodaram, como “ósculos” e “orbes” que, lá pelo final do livro, começaram a aparecer em demasia. Minha implicância não se trata do rebuscamento do vocabulário, mas que tais palavras, para mim, não pareciam se encaixar na narração. A história é contada de forma mais suave e solta, não combinando com palavras mais pesadas como essas. Também não consegui achar excitante quando lia que seus “ósculos molhados mexeram com ela.“

Ainda assim, os pormenores negativos não foram suficientes para diminuir a qualidade da história e da narrativa. O livro é carregado de amor, belas cenas, ação e tensão. As últimas cinquenta páginas deixam o leitor com o coração comprimido no peito, mostrando mais uma vez que não se trata apenas de mais um livro de romance, mas sim de personagens humanos, que precisam superar seus próprios demônios pessoais e escolherem seus futuros, entre o certo e o errado. Tanto Alan quanto Claire querem uma segunda chance da vida e procuram a redenção. É lindo e tocante.

Há tempos eu não devorada um livro nacional como o de Natália. Terminei o livro com aquela sensação já conhecida quando por fim fechamos a última página de uma obra que, com toda certeza, vai ficar na memória por um bom tempo. O bom é saber que haverá uma continuação para essa história. Entro na torcida para que seja o quanto antes! ;)

Por fim, termino minha resenha voltando ao ponto de vista que apresentei em meu primeiro paragrafo: Natália merece ser apoiada, elogiada e, para mim, A Infiltrada – Infiltrando-se na N.S.A entra para a lista de melhores leituras deste ano. Natalia Marques é, com certeza, a autora mais “filha de um pai” de 2012 ;) Recomendadíssimo.

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PS: Provavelmente esta é minha última leitura de 2012, então… feliz ano novo pessoal! :)