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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Onde o amor se esconde – Veridiana Maenaka

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- Ficha Técnica:
- N° de páginas: 350
- Editora: Verus
- Sinopse: Na São Paulo do início do século XX, a jovem Glória sonha com o amor, ao contrário de sua amiga Marisa, cujo desejo é viver tão livremente quanto os homens. Glória, de família tradicional, se casa com o homem escolhido por seu pai. Rico e ambicioso, porém emocionalmente distante, esse homem vê na esposa apenas uma prova de sua ascensão social. Incapaz de dar um herdeiro ao marido, Glória vive uma rotina de violência crescente, enquanto Marisa se casa com o pretendente que escolheu, um notório libertino. A infelicidade de Glória a torna suscetível à sedução de outro homem, e eles têm um encontro avassalador, marcado pela descoberta sexual da jovem. Envolvida em uma trama de luxúria, Glória pode conhecer um prazer jamais imaginado, mas será essa a sua chance de viver um grande amor?

“Onde o amor se esconde”, de Veridiana Maekana, é o livro de estreia da autora na editora Verus. De uma narrativa encorpada e sem pudores, a história de Glória é contada em linhas tristes, cheia de trâmites complicados na vida de uma jovem esperançosa com o primeiro casamento, ansiosa por ser feliz no amor. Contudo, Glória irá traçar um caminho árduo antes de conhecer o verdadeiro sentido dessa palavra. “Onde o amor se esconde” é uma história de romance, mas, antes de tudo, é uma história sobre emancipação feminina, escolhas e liberdade.

O leitor é levado ao início do século XX, numa descrição minuciosa da antiga São Paulo. Glória é uma jovem sonhadora, animada com o casamento que seu pai lhe arranjara. Mesmo que seu pretendente fosse distante durante a corte, a menina cria expectativas de que Erasmo pudesse ser um bom marido, mas não poderia estar mais enganada. Pouco depois do casamento, a moça é submetida as mais diversas humilhações e torturas, ficando a beira da morte. Trancada, prestes a morrer, a jovem acaba sendo salva de seu inferno, afastando-se do marido violento e possessivo.

Glória não esperava que sua liberdade pudesse levá-la a caminhos tempestuosos. Ainda casada, a moça é convencida a se deixar levar por um romance proibido, uma relação que trará consequencias para o futuro. Ao mesmo tempo em que precisa se livrar de uma obsessão doentia por parte de uma pessoa próxima, Glória finalmente terá a chance de conhecer o verdadeiro amor, ainda que precise enfrentar toda uma sociedade – especialmente seu pai –, para finalmente ser feliz na vida.

“Onde o amor se esconde” narra em detalhes as situações degradantes do casamento violento, sem poupar o leitor de cenas mais fortes. Divido em três partes, “Dor”, “Prazer” e “Amor”, a personagem passará por estas três etapas antes de obter o que deseja desde o início da história. Não será fácil, contudo. Junto a um gênio difícil e um tanto pueril – Glória nem sempre toma as melhores decisões, muitas vezes levada ao calor do momento –, a vida da protagonista será um caminho de amadurecimento, passando por frustrações, choques e grandes dificuldades.

A história apresenta um enredo forte e bem construído, de uma narrativa que beira a certo tom sublime. O livro peca, porém, em trazer um trâmite com demasiados acontecimentos. Assim, algumas figuras parecem sobrar ou não ganhar um espaço devido à trama. Marcelo, um personagem importante, é relegado a poucas aparições de início. Só surgirá com força novamente na última parte da história, mas é um personagem robusto e sensível – apaixonante até, o que nos leva a questionar se ele não teria merecido um espaço maior na história de Glória, quando boa parte dela parece ter sido preenchida por Fernando desde o início.

Veridiana mostra que sua escrita e seus enredos a levará a caminhos promissores. “Onde o amor se esconde” nos remete ao romance como o foco da trama, mas eu não o colocaria assim. É um livro sobre o papel feminino na sociedade patriarcal, sobre lutas e perdas, cuja perseverança em não desistir da própria liberdade nos levará a um remate amoroso muito agradável de acompanhar.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Encontrada – Carina Rissi

image - Ficha Técnica:

- N° de páginas: 476

- Sinopse: Sofia está de volta ao século dezenove e mais que animada para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No entanto, em meio à loucura dos preparativos para o casamento, ela percebe que se tornar a sra. Clarke não vai ser tão simples quanto imaginava. As confusões encontram a garota antes mesmo de ela chegar ao altar e uma tia intrometida que quer atrapalhar o relacionamento é apenas uma delas. Além disso, coisas estranhas estão acontecendo na vila. Ian parece estar enfrentando alguns problemas que prefere não dividir com a noiva. Decidida, Sofia fará o que estiver ao seu alcance para ajudar o homem que ama. Ela não está disposta a permitir que nada nem ninguém atrapalhe seu futuro. Porém suas ações podem pôr tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir seu felizes para sempre é ela própria.

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Encontrada, da autora brasileira Carina Rissi, é a continuação de “Perdida”, livro que conta a história da personagem Sofia. A duologia tem como principal tema a viagem no tempo para o século dezenove, onde Sofia conhece Ian, um rapaz jovem e apaixonante. O segundo livro segue a mesma fórmula apresentada no volume anterior: o bom humor atrelado a um romance com ares de conto de fadas. Se “Perdida” apresentou algumas arestas que precisavam ser devidamente aparadas, “Encontrada” supri as falhas de seu antecessor com uma história deliciosa, de qualidade impecável.

Em “Encontrada”, Sofia e Ian estão de casamento marcado, prontos para curtirem o tão sonhado felizes para sempre. Entretanto, Sofia começa a perceber que seu casamento não será assim um evento tão simples. Desastrada, a garota do século vinte e um tem dificuldades de se adaptar no mundo de Ian, e as coisas parecem só piorarem após o casamento.  Longe da dama submissa e pacata exigida pela sociedade, Sofia começa a ser alvo de falatório pelas pessoas da região – o que compromete a reputação da família Clarke. Apesar do amor que nutrem um pelo outro, Sofia, influenciada pelos mexericos – especialmente pelos comentários maldosos da odiosa tia de Ian –, acaba se questionando se seria mesmo a melhor opção para Ian.

O primeiro livro foi uma leitura leve e divertida, mas faltava um pouco mais de contexto à época. É de se esperar que um personagem do século dezenove apresentasse pensamentos mais retrógrados, por mais que ele seja um homem de visão a frente de seu tempo. Mas no primeiro livro, Ian concordava e aceitava com certa naturalidade os pensamentos e as atitudes mais liberais de Sofia. Já nesta continuação a autora apresenta um personagem mais maduro, consistente com a situação daquele tempo – um personagem que se choca e que bate de frente com determinados comportamentos de sua esposa, comportamentos estes que não se encaixavam em uma época mais machista.

Entretanto, Ian está longe de ser uma figura opressora. Os dois juntos formam um dos casais mais fofos e românticos que, entre brigas e reconciliações, arrancam muitos suspiros do leitor. Sofia não faz por menos. A personagem é divertida, forte, com um toque de bondade que encanta qualquer um. A devoção, o carinho e a compreensão que Ian e Sofia sentem um pelo outro são marcas que confere ao enredo um romance delicioso de acompanhar. Junto a narrativa singela e muito bem escrita, “Encontrada” se transforma em uma história sublime, de amor mais açucarado, porém dosado na medida certa.

O desfecho foi uma surpresa. Com um final delicado, é difícil não se encantar ou se emocionar pelo modo como a autora pincela as últimas páginas. Contudo, levanto a bandeira do contra ao saber que haverá um terceiro livro – desta vez na visão de Ian. As vezes, prolongar uma história que já teve o seu fim mais do que merecido pode, uma hora, acabar decepcionando o público. Para mim, “Encontrada” finalizava com chave de ouro a história. A continuação prende do início ao fim, e conseguiu a façanha, inclusive, de superar o primeiro livro.

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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Desastre Iminente – Jamie McGuire

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Walking Disaster

- 405 páginas

- Sinopse: Travis perdeu a mãe muito cedo, mas, antes de morrer, ela lhe ensinou duas regras de vida - ame muito, lute mais ainda. Tendo crescido em uma família de homens que gostam de jogos e lutas, Travis Maddox é um cara durão. Musculoso e tatuado, bad boy até o último fio de cabelo, ele leva uma mulher diferente para casa a cada noite. Até conhecer Abby Abernathy. Determinada a se manter longe de problemas, Abby resiste com todas as forças ao charme de Travis, sem saber que assim só o deixa mais determinado a conquistá-la. Será que o invencível Travis 'Cachorro Louco' Maddox vai ser derrotado por uma garota?

- Nota: clip_image004

Quando a autora anunciou que escreveria um livro na visão do irresistível personagem Travis Maddox, fui uma das primeiras a torcer o nariz. Achei que parte do enigma que envolvia a personalidade rebelde do personagem se perderia, assim como ler a mesma história com ínfimas alterações seria uma tarefa cansativa. Não vou negar que, de fato, houve alguns pontos repetitivos durante a leitura, mas assim que peguei o livro fui devorando as páginas. A autora conseguiu trazer a mesma essência impactante de um enredo que envolve uma paixão louca, intensa e irresistível. Desastre Iminente relembrou meu amor por essa história viciante. 

De início pensei que Desastre Iminente não mostraria novidades, mas felizmente eu estava enganada. Os capítulos trazem, obviamente, as cenas familiares encontradas em Belo Desastre, porém o ponto de visão é outro. Isso por si só fez com que a narrativa apresentasse uma ótica inédita e interessante, visto que acompanhamos, desta vez, todas as cenas e diálogos na perspectiva de Travis Maddox. A autora aproveitou para inserir cenas que teriam sido impossíveis descrevê-las no primeiro livro – ou que ficamos sabendo apenas pela menção breve delas em Belo Desastre – como sua rotina no apartamento quando estava longe da Abby e, principalmente, seus pensamentos.

Desastre Iminente foi um presente e tanto da autora para os fãs da série. Entrar na mente de Travis foi como eu esperava: um caixinha de sentimentos intensos onde fui levada a conhecê-lo melhor. Há atitudes que continuaram me irritando, mas em outros momentos foi impossível não amar o personagem que me conquistou em Belo Desastre. Confesso que ficou bem mais fácil compreender certas atitudes de Travis depois da leitura desse livro. Como eu disse, a exceção de alguns diálogos e expressões repetidas – principalmente quando se tratava de descrever o temperamento ciumento do personagem, o que tornou esses momentos cansativos –, Travis continua irritantemente apaixonante. Ele é um personagem intenso como há tempos eu não lia.

Se por um lado a autora insere alguns momentos inéditos, houve passagens do primeiro livro que não constam em Desastre Iminente. Senti falta de uma ou outra cena, mas fiquei contente de ver que Jamie retirou sua inspiração do momento mais estranho da história – uma influência high school musical sem sentido. Aliás, é fácil encontrar no livro influências externas dos filmes de cassino, lutas clandestinas ou – como mencionado – musicais. O enredo é rico na cultura americana e a narrativa da autora é extremamente viciante.

Desastre Iminente fala de um amor intenso, forte, que muitas vezes confunde-se com a linha tênue do amor possessivo. Fala de arriscar tudo pela certeza de ser feliz, ainda que para isso seja preciso enfrentar um caminho cheio de pedras e bater de frente com quem se ama. O final foi uma surpresa que me agradou imensamente. Tive a impressão que a autora deixou margem para que, se um dia quisesse, pudesse dar continuação à história. Até lá – caso aconteça –, já aviso: Desastre Iminente transborda momentos de tirar o fôlego em brigas intensas, cenas ousadas, quentes e apaixonantes. Sinto-me um pouco órfã depois que terminei a leitura, e não vejo a hora de ler a história dos irmãos. Desastre Iminente entra para as melhores leituras de 2013, com toda certeza!

Capa original:

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Easy – Tammara Webber

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Easy

- 305 páginas

- Sinopse: Quando Jacqueline segue o namorado de longa data para a faculdade que ele escolheu, a última coisa que ela espera é levar um fora no segundo ano. Depois de duas semanas em estado de choque, ela acorda para sua nova realidade: ela está solteira, frequentando uma universidade que nunca quis, ignorada por seu antigo círculo de amigos e, pela primeira vez na vida, quase repetindo em uma matéria. Ao sair de uma festa sozinha, Jacqueline é atacada por um colega de seu ex. Salva por um cara lindo e misterioso que parece estar no lugar certo na hora certa, ela só quer esquecer aquela noite — mas Lucas, o cara que a ajudou, agora parece estar em todos os lugares. A atração entre eles é intensa. No entanto, os segredos que Lucas esconde ameaçam separá-los. Mas eles vão ter de descobrir que somente juntos podem lutar contra a dor e a culpa, enfrentar a verdade — e encontrar o poder inesperado do amor.

- Nota: clip_image004

A história de Easy difere dos motes apresentados na literatura NA até então lançadas aqui no Brasil. Easy, da autora Tammara Webber, elabora um enredo cujo romance não tende a grandes holofotes; não houve quaisquer pretensões da autora em transformar Lucas e Jacqueline em um casal moldado aos ingredientes de Belo Desastre, por exemplo. Porém, Easy me conquistou na mesma proporção. A história possui um cunho social bem direto e sua crítica é digna de aplausos.

O livro começa intenso ao apresentar a personagem Jaqueline. Universitária que cursa economia em razão de acompanhar seu namorado, Jaqueline vai embora de uma festa no campus quando é surpreendida por um colega de faculdade que tenta estuprá-la. Ela consegue sair ilesa graças ao misterioso Lucas. Traumatizada, Jacqueline tenta seguir com a vida quando descobre que Lucas está matriculado no mesmo curso de economia. A convivência acaba aproximando os dois e, quando ela percebe, está envolvida em um relacionamento com o rapaz. Mas há muito mais do que aparências, e Jaqueline vai descobrir que Lucas também possui seus segredos e traumas.

Os personagens de Easy conduzem um romance leve e, em alguns momentos, me pareceu proposital que a autora não tivesse inserido elementos mais densos encontrado em muitos NA’s. Não há um romance explosivo, aquela paixão quase doentia - pelo contrário. Tudo é muito sutil, mais doce, sem a carga dramática de posse ou o clímax sexual de personagens deste gênero. Para mim, a escolha se deve ao tema apresentado na história. Para falar de estupro, Tammara agregou um sopro de ar fresco a narrativa, centrada no romance. O livro traz uma crítica social gritante junto a cenas mais intensas e, por tal, os momentos mais doces e leve da história foram destinadas aos encontros de Jacqueline e Lucas. Um equilíbrio muito bom, pois os dois juntos são uma graça.

Easy foi de uma sensibilidade única. É o tipo de livro que me passou uma sensação muito boa pela mensagem de apoio as vítimas de estupro. Tammara parece falar, através da história, diretamente com mulheres ou meninas que já sofreram algum tipo de abuso por parte de namorado, “amigos” ou desconhecidos. O livro explora situações que trabalham o psicológico de vítimas e expõe com dedos críticos alegações bizarras – porém comum em nossa sociedade. Quantas vezes não ouvimos que a vítima provocou porque estava bêbada ou com uma roupa justa? Easy me deixou angustiada em diversos momento, mas, ao mesmo tempo, a história destaca, por meio de quotes maravilhosos, uma visão de apoio positiva muito elogiável. O recado é claro: A culpa jamais é da vítima e seu algoz não deve sair impune.

A narrativa da autora é leve, sem pretensões de trazer muita ação para história. Há dois ou três momentos mais tensos, contudo é no estilo mais calmo que Tammara se prende e segue sua história. Por ser um NA, imaginei que essa linha diferente seria um pouco tediosa, mas, como disse, a autora soube equilibrar muito bem e me conquistou . Há sempre algum argumento sendo levantado em Easy, e, portanto, o leitor não fica com aquela sensação de que a história caiu num vazio – pelo contrário. Easy também fala sobre escolhas e até que ponto um relacionamento deve interferir nas escolhas de seu futuro. Claro, os dilemas universitários também estão presentes. Para mim, Easy é leitura obrigatória. Fiquei tocada e adorei cada momento da história.

Capa Original:

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Perdida – Carina Rissi

image- Ficha Técnica:

- 362 páginas

- Sinopse: Sofia vive em uma metrópole, está habituada com a modernidade e as facilidades que isto lhe proporciona. Ela é independente e tem pavor a menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são os que os livros lhe proporcionam. Mas tudo isso muda depois que ela se vê em uma complicada condição. Após comprar um novo aparelho celular, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem ter ideia de como ou se voltará. Ela é acolhida pela família Clarke, enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de voltar para casa. Com a ajuda de prestativo Ian, Sofia embarca numa procura as cegas e acaba encontrando algumas pistas que talvez possam leva-la de volta para casa. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos...

- Nota: clip_image004

Embora tivesse em mente uma abordagem diferente, Perdida, da autora Carina Rissi, me conquistou logo no começo. Esperava um livro mais denso e um contexto histórico que se prendesse a determinadas características da época, bem como o comportamento dos personagens naquele tempo. Porém, o que encontrei foi uma história leve, que recria o conto de fadas do príncipe encantado. Dentro dessa composição, o livro foi uma leitura deliciosa e ótima do início ao fim.

Narrado em primeira pessoa, a história de Sofia é escrita de maneira descontraída, visto que acompanhamos tudo sob a ótica e pensamentos da mesma. Suas impressões e experiências vividas no século dezenove pincelam um texto de humor leve que, em diversos momentos, provoca tiradas engraçadas. Gostei muito de Sofia - a personagem é carismática, espontânea e muitas vezes audaciosa. Aqui, o mais importante foi como a autora soube dosar todos esses ingredientes sem transborda-los na trama, tornando Sofia uma personagem convincente e, por consequência, muito agradável de ler. Gosto quando encontro na trama protagonistas cuja personalidade os destacam de algum modo.

Ian, porém, não trouxe o mesmo brilho para mim. Ele é fofo, um lorde de todos os modos, contudo não parece ir muito além de um jovem educado de boa aparência. Teria adorado encontrar um personagem com um pouco mais de voz, mais crítico e intenso... Para alguém de dois séculos atrás, achei que Ian aceitou muito rápido os modos de Sofia (e vice versa) – especialmente porque falamos de um personagem cujo contexto histórico abordava uma sociedade bem machista. Entretanto, Ian traz poucos traços daquele século. Um pouco mais de verossimilhança para o comportamento de um homem daquele tempo, - um jeitinho mais “turrão” -, teria sido ótimo, pois acho que daria longas discussões divertidas entre os dois.

Bem escrito, a história é gostosa de ler e parece trazer uma linguagem para conquistar o público jovem, contudo o livro se destina a qualquer um que,  assim como eu, curta um romance gracinha no melhor estilo conto de fadas. A autora acrescenta alguns fatos da época – retira outros como ela mesma salienta no final do livro –, mas não se prende muito a detalhes históricos. Já o texto é dinâmico e em nenhum momento instiga o tédio, pois os acontecimentos na trama são muitos – seja pelo romance em si, pelo baile ou pelo simples fato de Sofia conhecer “a casinha” – este último o ápice do bom humor na história.

Gostei muito de Perdida. Houve, entretanto, alguns pontos que me incomodaram e me deixaram bem indecisa quanto a nota final. Como um conto de fadas, não há, de fato, grandes ressalvas, porém em alguns momentos a narrativa escorregou ao meu ver. Repetições de expressões em um espaço curto de tempo, o abuso de determinados artifícios que quebraram o fluxo da história em uma cena importante foram alguns desses pontos. As gírias, usadas para forçar situações cômicas de comunicação, a princípio engraçadas, acabaram se desgastando por serem usadas em excesso, principalmente porque Sofia é uma mulher de 25 anos e não uma adolescente. Ao menos não conseguia ver, na minha mente, alguém com essa idade encaixar tantas gírias dentro de um único diálogo.

Apesar disso, Perdida foi uma leitura muito boa. Li em dois dias. Recheado de momentos fofos, a história retrata um conto de fadas divertido e mágico. Uma graça de leitura que me conquistou e me instigou a ler outros livros da autora. 

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Belo Desastre – Jamie McGuire

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Beautiful Disaster

- 389 páginas

- Sinopse: A nova Abby Abernathy é uma boa garota. Ela não bebe nem fala palavrão, e tem a quantidade apropriada de cardigãs no guarda-roupa. Abby acredita que seu passado sombrio está bem distante, mas, quando se muda para uma nova cidade com America, sua melhor amiga, para cursar a faculdade, seu recomeço é rapidamente ameaçado pelo bad boy da universidade. Travis Maddox, com seu abdômen definido e seus braços tatuados, é exatamente o que Abby precisa – e deseja – evitar. Ele passa as noites ganhando dinheiro em um clube da luta e os dias seduzindo as garotas da faculdade. Intrigado com a resistência de Abby ao seu charme, Travis a atrai com uma aposta. Se ele perder, terá que ficar sem sexo por um mês. Se ela perder, deverá morar no apartamento de Travis pelo mesmo período. Qualquer que seja o resultado da aposta, Travis nem imagina que finalmente encontrou uma adversária à altura.

- Nota: 5

Depois de tantas resenhas, positivas quanto negativas, minha curiosidade quanto ao livro – e a vontade de ler –, só aumentavam. Travis Maddox veio causando o furor em nove a cada dez blogueiras que liam Belo Desastre, da autora Jamie McGuire. Bom, comigo não foi diferente.

A receita do bolo, todo mundo já conhece. O bad boy cheio de tatuagens, rebelde, que fala palavrão, bebe, fuma, dirige uma moto e participa de uma espécie de Clube da Luta. Ah, o quadro não seria completo se ele não saísse com qualquer vadia que se oferecesse para ele, sem compromissos, e fosse o desejo de consumo de qualquer garota da Universidade. Menos de Abby Abernathy, claro.

Abby ganha o papel de mocinha certinha. A antipatia é certa, mas, devido a uma aposta, Travis consegue conquistá-la pouco a pouco. A narrativa é em 1° pessoa, mas não tira o brilho da sedução de Travis, ou do modo como Abby acaba se apaixonando por ele e, por tal, somos induzidas a se apaixonar pelo bad boy nada perfeito. Entre o belo e o desastre, temos uma relação tensa, cheio de cenas quentes, brigas, reconciliações e mais brigas. O romance beira a uma montanha russa de sentimentos que vão do ódio ao amor repetidas vezes.

Eu gostei da personalidade de todos da trama. A autora consegue escrever de tal modo, que faz tudo parecer mais intenso e real. Engraçado encontrarmos personagens com nomes como Brazil ou America, a melhor amiga da Abby. Outros também acabam cativando de certo modo, como Shepley e Finch. A própria Abby  foge de qualquer estereótipo chatinho, entrando numa personalidade mais madura, que precisa lidar com um romance louco e intenso. Travis é quase um bipolar, e o ponto chave do livro é justamente esse. Jamie McGuire nos mostra uma relação que pode ser doentia, de tão intensa. Só eu sei minha ansiedade para quando sair o livro que contará toda a história dos dois, mas na visão de Travis. Quem sabe assim conseguimos entender um personagem tão conturbado!

Acredito que nem todos possam gostar de um livro com uma quantidade considerável de palavrões, sexo e agressões (é, Travis não podia ver ninguém dar em cima da Abby que enfiava a cara do sujeito no para brisa). Aliás, pesquisando um pouco, descobri que o gênero desse livro não é um YA Book, mas sim um New Adult, gênero que eu pouco tinha ouvido falar no Brasil ainda. *Podem me chamar de lerda.* Isso explica o ar mais adulto que vemos na trama, ainda que estamos falando de “adolescentes” de dezoito, dezenove anos. Sai os velhos clichês saturados para entrarmos num universo mais real, apimentado e conturbado. Tenho alegria em dizer que já estava na hora de livros assim virem para o Brasil. Eu amei!

O livro provoca os mais variados sentimentos. Por um lado, Jamie McGuire nos brinda com o romance no seu melhor. A veneração, a adoração, o romance físico e o carinho; a ideia de saber que alguém iria até o fim do mundo por você. E Travis vai e volta, quantas vezes for preciso. Como ele mesmo diz, Abby era o ar que ele respirava, a vida dele. Por outro, a autora mostra o quão tênue  o mundo florzinha do amor intenso pode se tornar algo doentio. Por vezes, eu mesma me sentia sufocada com Travis e todo seu amor transbordando, nos fazendo questionar até que ponto era, de fato, amor e não obsessão. Travis é obcecado pela Abby. Ele pode ser o mocinho que todas sonham e, no minuto seguinte, ser aquele namorado grudento e perigoso. Jamie mostra os dois lados da moeda de um intenso romance, o bom e o ruim, e quão próximo eles estão. Mas eu concordo com muitas opiniões que andei lendo por aí. Na vida real, acredito que certas atitudes de Travis, bem como a cena final, seriam diferente, e vistas de outro modo. Na história, eu me deixei levar pela fantasia e pelas partes saudáveis. Suspirei pelo Travis, pelo casal desastroso, mas belo. Não consegui largar a leitura até terminar. Definitivamente, 5 estrela e mais algumas!

Capa original:

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amor de redenção – Francine Rivers

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*Título Original: Redeeming Love

* Preço: FNAC | SUBMARINO | SARAIVA

*468 páginas

Nesta versão da história bíblica de Oseias, Francine Rivers conta o romance entre uma prostituta e o honesto e gentil agricultor que se casa com ela. 'Amor de redenção' começa com a Corrida do Ouro de 1850 e sua atmosfera de dura competitividade e ganância. Angel, vendida como prostituta quando criança, aprendeu a desconfiar de todos os homens, que a veem apenas como uma forma de satisfazer seus desejos. Quando o virtuoso Michael Hosea recebe de Deus a ordem de se casar com Angel, ele obedece, apesar de seus receios.

O livro é bem romance, e mexe bastante com perdão, Deus, amor e claro, redenção.

Angel, assim chamada pelo homem que a forçou a ser prostituta, sempre sofreu muito na vida. Os ‘pais’ nunca a quiseram e não ligavam para ela, depois ela acabou caindo nas mãos do Duque, um homem que a estuprou quando ela tinha apenas oito anos de idade. A partir daí a vida da garota é só sofrimento até a idade adulta, onde ela termina em uma casa de prostituição.

O livro apresenta uma personagem que vive o dia-a-dia como um robô sem sentimentos. Para Angel não existe futuro, ela não olha para o passado. Fazer o necessário para sobreviver é o essencial, e isso que importa. Sem planos para melhorar, sem nada. A sociedade do qual foi criada desde aqueles oito anos de idade tirou todos os sentimentos de luta da personagem.

Porém, quando Michael vê ela pela primeira vez, sabe que ela será sua noiva. Esse sentimento tão repentino não me convenceu muito, mas o homem luta com unhas e dentes para tirá-la daquele único mundo que Angel conheceu e trazê-la para um outro tipo de vida. Angel é como um animal maltratado indefeso, que só conheceu o lado ruim dos homens. Por isso quando um deles quer ajudá-la, consegue até ser irritante com seu jeito desconfiado e suas palavras sempre destiladas de ódio e raiva. Um título como “Amor de paciência” também cairia muito bem para o livro, já que o mocinho é um santo.

Amor de redenção também trata bastante de Deus. Ao que indica, Michael ouve a voz de Deus o tempo todo, ele o aconselha, ele tenta ajudá-lo quando o próprio Michael pensa que não há salvação para Angel, e que ele nunca conseguiria fazer com que ela o amasse. Algumas páginas uma mesma ação da mocinha se repetia várias vezes o que acabou cansando, mas é um livro bonito com uma linda história de amor. No final existe uma nota da autora (que é bem religiosa) explicando o porque dela ter escrito Amor de redenção, e logo após existe um tipo de “debate” sobre alguns temas abordados no livro. Vale a pena ler. ;)

Obs: A autora também tem vários outros livros históricos, então fica meu pedido para que no futuro publiquem mais livros dela. :)

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Cotação:

4 estrelas

Assinatura Bruna