quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Pessegueiro – Sarah Addison Allen

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Peach Keeper

- 247 páginas

- Sinopse: Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.

- Nota: clip_image004

O Pessegueiro traz uma história fofa e singela. O livro é repleto de temas recorrentes da vida que vão desde inveja, falsidade, amadurecimento, amizade até atitudes e escolhas para definir a si próprio. A autora também cede espaço para uma leve trama mágica como pano de fundo e dois romances que seguem em paralelo ao longo da história. O principal aqui é mostrar o desenvolvimento de cada personagem em meio a esse contexto de dúvidas e superações em seus próprios conflitos internos, seja ele fora ou dentro do romance. A narrativa traz leveza à história e encanta pela suavidade com que a autora consegue trabalhar seus temas. Para mim, O Pessegueiro é uma história cheia de mensagens bonitas com o gostinho ótimo do romance.

O livro retrata a vida de personagens que passaram suas vidas em Walls of Water, bem como aqueles que saíram em busca daquele “algo mais” que uma cidade pequena não podia proporcionar. Primeiro o leitor conhece Willa, a dona de de uma loja de equipamentos para camping. A personagem tinha uma vida estável e sossegada até receber um convite para participar do Clube Social Feminino enviado pela socialite Paxton Osgood, sua antiga colega de escola. Ao mesmo tempo, o irmão gêmeo de Paxton, Colin, está de volta e decidido a tirar Willa de sua zona de conforto. O leitor também acompanha a relação de Paxton com seu melhor amigo Sebastian, embora para ela, Sebastian sempre fora algo mais. O problema estava justamente em lidar com seus sentimentos sem saber se era recíproco.

Em O Pessegueiro, os personagens são um tanto quanto inseguros e apresentam dilemas ao longo do livro que são explorados de forma gradativa. Dúvidas quanto a aparência, insegurança à própria independência, incertezas sobre o amor, sobre a vida… porém, não ficamos com a sensação de ler sobre personagens vazios que não sabem o que querem. As dúvidas, o receio, a hesitação é apenas parte das características atribuídas a cada um, o que torna os personagens agradavelmente mais humanos. É através desses dilemas que Colin, Willa, Paxton e Sebastian crescerão ao longo da história.

Os romances paralelos são ótimos e se entrelaçam a todo instante. Dos dois, minha preferência pendeu para Paxton e Sebastian já que este me conquistou por todo carinho e charme. Tudo é descrito de forma suave, um ar de leveza e romantismo que traz elegância e encanto à história. O principal aqui é tratar o contexto da relação, não se preocupar com cenas físicas mais detalhadas. Já o romance de Colin e Willa baseia-se principalmente sobre decisões do futuro e o fato de que eles precisavam se conhecer novamente, uma vez que Colin achava que Willa ainda era aquela garota rebelde da escola que ele um dia conhecera.

A narrativa da autora é doce e acolhedora. É difícil trazer um conceito mais concreto, mas me senti flutuando na história pela leveza e delicadeza com que Sarah trabalha as relações amorosas, os diálogos sensíveis, as cenas de amizade… mesmo o toque sobrenatural ligado ao passado das avós de Paxton e Willa, que vai sendo desmembrado durante a história, é tratado de forma leve. O livro carrega um sopro de ar fresco ao mesmo tempo em que consegue trabalhar temas com profundidade. Sarah consegue equilibrar muito bem todos os ingredientes dentro da trama, mas principalmente, ela soube como entrelaçá-los

Meu único porém fica quanto ao argumento mágico. Tive a impressão que o toque surreal acrescentado ao livro ficou um pouco vago e possivelmente desnecessário à trama. O livro podia muito bem contar a mesma história sem o “toque mágico” que continuaria fazendo o mesmo sentido. Posso ter deixado escapar alguma metáfora aí, não sei… Porém, ainda assim, gostei desse tom de magia que a autora aborda, só achei que poderia ter sido mais enfático nos argumentos.

O Pessegueiro conquista por personagens simpáticos e pelos temas retratados. O livro fala sobre autoconhecimento, amizade e escolhas para a vida. Achei a história uma graça, singela e super gostosa. Fiquei apaixonada pela narrativa da autora e sei que ela tem outro livro também lançado pela Planeta que vou tratar de ler.

Capa original:

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Bruna Britti

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