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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As Crônicas de Bane – Cassandra Clare

image - Ficha Técnica:

- Título Original: The Bane Chronicles

- N° de página: 388

- Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

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As Crônicas de Bane reúne contos de um dos personagens mais famosos do universo criado por Cassandra Clare, autora da série “Os Instrumentos Mortais” e do spin-off “As Peças Infernais”. O livro foi escrito em parceria com mais duas autoras: Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson, e explora os anos e os acontecimentos aleatórios na vida de Magnus Bane – desde sua vida no Peru, em 1791, até o seu relacionamento com Alec, nos dias atuais. Imprescindível dizer que os contos seguem a trajetória das duas séries citadas acima – portanto, o livro contém spoilers destas histórias.

Magnus Bane é dotado de características divertidas e encantadoras – quiçá charmosas, uma vez que o feiticeiro possui a postura e a aparência de classe e de elegância de acordo com o seu próprio senso de moda. É justamente seu modo peculiar de viver e de ver as coisas, ou as situações mais diversas – e únicas, devo acrescentar – na qual qual se encontra, que “As Crônicas de Bane” se torna um deleite para qualquer um que aprecie o humor sutil e refinado, ainda que, algumas vezes, o contexto não seja propício a isso, como em contos onde o drama é mais acentuado. Magnus é, de longe, a figura de um homem com a alma de um rapaz vivendo e experimentando as mais diversas peripécias.

Suas “grandes aventuras”, descritas sempre com entusiasmo pelo próprio personagem, inclui salvar Maria Antonieta, enfrentar um bando de vampiros vingativos, se embebedar sempre que possível, flertar com homens e mulheres de qualquer espécie, rever antigos amigos e assim por diante. A lista é longa, e o ritmo, muitas vezes, acelerado. Os contos são interligados, já que descrevem sua trajetória de vida e quase sempre citam um ou outro fato do conto anterior. Aliás, “As Crônicas de Bane” é o momento que muitos leitores esperavam para rever antigos personagens do universo criado por Cassandra Clare, como Will e Tessa, por exemplo, que encantaram muitos – e eu faço parte deste coro –, pela sua história em “As Peças Infernais”. Os melhores contos certamente foram aqueles em que personagens já familiares aparecem na história.

O senso de ajudar o próximo, seu lado gentil e o seu carisma fazem de Magnus Bane uma figura introvertida e muito envolvente. A leitura é obrigatória para conhecermos mais a respeito de um personagem que roubava as cenas sempre que aparecia nos volumes anteriores. Não tardou muito, e um dos feiticeiros mais “sem noção” e, de certo modo, “fofo”, recebeu o seu próprio livro – livro este mais do que merecido. Fecho este ano literário de 2014 da melhor forma possível, sem dúvida.

Capa original:

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Poseidon – Anna Banks

image- Ficha Técnica:

- Título original: Of Poseidon

- 285 páginas

- Sinopse: Além da beleza fora do comum, com seu cabelo quase branco e seus olhos cor de violeta, Emma chama a atenção por ser um pouco desajeitada. Ela não se sente muito à vontade em lugar nenhum... e não sabe que sua misteriosa origem é a fonte dessa sensação. Galen, príncipe dos Syrenas, vasculha a terra procurando uma garota especial, capaz de se comunicar com os peixes — e que poderá salvar seu reino. Quando ele se encontra com Emma, a conexão é imediata: embora não saiba, Emma parece ter o dom que Galen procura. Mas, então, por que ela não conseguiu salvar sua melhor amiga do ataque do tubarão? Cabe ao príncipe convencer a teimosa Emma a enfrentar sua real natureza e aceitar o desafi o. E nada pode impedi-lo de alcançar seu objetivo.

- Nota: image

As primeiras páginas de Poseidon quase me fizeram desistir do livro. A sinopse, bem como o início, prometia uma história maçante com diálogos rasos e tema batido. Não estava muito empolgada para seguir em frente com a leitura, mas a narrativa descontraída foi um atrativo para continuar virando as páginas – o que, devo dizer, foi ótimo, pois teria perdido uma ótima história. Após o final da primeira parte, o livro melhora e mostra um enredo interessante e bem desenvolvido.

Poseidon conta a história de Emma e como ela conhece Galen, um garoto em que ela esbarra na praia. Esse encontro marcará para sempre sua vida, não somente por ele, mas por outro acontecimento especial que unirá os dois daquele dia em diante. Galen desconfia que Emma seja uma syrena – alguém do seu povo. Ele só não sabe o porque Emma não vive no oceano - pelo contrário. A misteriosa garota leva uma vida aparentemente comum na superfície da terra. Estaria ela fingindo sua identidade, mesmo sendo uma violação as regras de seu povo? Para começar a investigá-la, Galen se matricula na mesma escola que Emma.

A partir daí, ele começa a obter respostas para seus questionamentos. Emma não sabe sua verdadeira identidade e, além disso, parece ter um estranho poder de conversar com os animais. Isso significaria que ela não é qualquer syrena, mas sim do reino de Poseidon – um reino extinto há muitos anos. Emma será a chave para unir dois reinos, mas será que Galen estaria preparado a abrir mão dela para o irmão – o rei da casa de Tritão –, a fim de extinguir os problemas que o seu povo enfrenta?

Ao invés de criar expectativas para uma leitura mais densa, me deixei levar pelo enredo leve e, com isso, fui envolvida pela história encantadora. Poseidon possui um ritmo ágil; um romance doce e sem pretensões que cativou pela simplicidade. Seu argumento para o desenvolvimento da trama – um mundo de tritões, reinos em guerras, príncipes e dons especiais –, envolvem o leitor em uma atmosfera mística deliciosa. Entretanto, na maior parte da história, a trama se passa na terra; acredito que somente nos próximos volumes a autora explore mais afundo este campo mitológico particular.

Personagens atraentes – tanto protagonistas quanto secundários - foram outro ponto positivo para o livro. A sinopse dá a entender que Emma será uma personagem estereotipada às protagonistas dos primeiros livros deste gênero: estabanadas, sem voz e sem atrativos que fazem dela um ser que não se encaixa em seu próprio mundo. Encontramos, porém, uma figura alegre, briguenta e cheia de energia. Já Galen desempenha o papel de moço bonzinho e certinho – tenho simpatia por personagens masculinos mais ousados, mas, ainda assim, Galen me conquistou na mesma medida – principalmente pelos diálogos divertidos entre Emma e ele. Impossível não gostar de um personagem tão fofo.

Poseidon mais parece um grande prólogo atraente, que termina de um jeito instigante. O livro cumpre sua proposta de trazer ao leitor uma história leve, ágil e divertida – um ar fresco juvenil que encanta pelo seu jeito singelo, mas que tem muito para mostrar. Com certeza vale a pena conhecer a história.

Capa Original:

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Princesa Mecânica – Cassandra Clare

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Clockwork Princess

- 496 páginas

- Sinopse: Continuação de Príncipe mecânico, “Princesa Mecânica” é ambientado no universo dos Caçadores de sombras, também explorado na série Os Instrumentos mortais, que chega agora ao cinema. Neste volume, o mistério sobre Tessa Gray e o Magistrado continua. Mas enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, a moça se envolve cada vez mais num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para ela, seu noivo, seu verdadeiro amor e os habitantes do Submundo.

- Nota: image

Quando pensei em ler a série Os Instrumentos Mortais, não estava preparada para encontrar uma trilogia que retratasse uma história tão intensa. O primeiro livro não me fisgou de início, mas resolvi que continuaria a série; com isso fui envolvida numa das melhores histórias do gênero Young Adult. Em Príncipe Mecânico, fiquei apaixonada pelo enredo recheado de fortes emoções em uma trama com um ritmo intenso, e um conflito envolvendo um triângulo amoroso com personagens encantadores e complexos. Agora, no terceiro livro da trilogia, Princesa Mecânica não somente trouxe os mesmos elementos que me conquistaram no segundo livro, como foi além e superou todas as minhas expectativas. Encantador, divertido, doce e muito triste, a história foi um verdeiro baque emocional.

O livro possui uma carga sentimental intensa. Princesa Mecânica é, sobretudo, uma história triste. Utilizando-se de um tom quase poético, o retrato da morte é um dos principais temas abordados sob a ótica da fantasia. Discussões sobre reencarnação, a passagem da alma e temas interligados foram bem trabalhados e inseridos no contexto da trama. A morte é um coadjuvante que conduz às emoções e os conflitos mais intensos de cada personagem. Will, por exemplo, é movido neste livro pela busca incessante de trazer à Jem, em seu leito de morte, a última vontade de seu parabatai. É arrebatador os sentimentos e a devoção que Will nutre pelo seu amigo e seu irmão – o que consiste na tal relação denominada – ; seu afeto e sua jornada por Jem conseguiram me levar às lágrimas diversas vezes. Há um momento na história onde é impossível não se emocionar com o sofrimento do personagem.

A saúde frágil de Jem permeia uma atmosfera melancólica. Não somente o personagem inspira compaixão, como os acontecimentos presentes na trama envolvem sentimentos de dor e perda. A história fala sim de esperança, de amizade no sentindo mais profundo, mas também de sacrifícios e sofrimentos. Princesa Mecânica misturou elementos que se encaixaram perfeitamente, sem que um se sobressaísse ao outro. O caráter e o aspecto emocional de cada personagem, a trama centrada, assim como as cenas de ação de tirar o fôlego – características estas presentes em todos os livros –, foram fundamentais para a construção de uma história impactante.

Os personagens são bem estruturados e cativantes. O triângulo amoroso – artifício esse do qual sou avessa –, foi um dos poucos que me conquistaram. Will e Jem são encantadores, sofríveis e apaixonantes. A relação entre eles com Tessa é algo muito especial. Mais do que um simples romance, a conexão dos personagens é tão intensa que o dilema comum envolvendo esses triângulos – que geralmente se resume a qual personagem a protagonista vai ficar -, é quase imperceptível na trama. A mera disputa romântica é deixada em segundo plano; o foco maior é a relação de afeto e companheirismo que nutrem um pelo outro. Porém, admito que, por mais que eu entenda a visão da autora, não posso dizer que tenha gostado do resultado final. Não que a história não garanta o final feliz, mas sim porquê a autora vai além dele. O pós-final feliz é doloroso. Triste, de apertar o coração e levar às lágrimas mais uma vez.

Cassandra Clare judiou de seus leitores nesse livro, mas concluiu a trilogia com chave de ouro. Chorei, me emocionei, ri e torci com os personagens. A minha dica é: leia e se emocione, pois é uma história marcante e um dos melhores Young Adults que li. Princesa Mecânica entra para a lista dos melhores deste ano.

Capa Original:

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Laços de Sangue – Richelle Mead

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Bloodlines

- 440 páginas

- Sinopse: Sydney estava encrencada. Em sua última missão, ela tinha ajudado a dampira Rose Hathaway a escapar da prisão, e essa aliança foi considerada uma traição grave, já que vampiros e dampiros são criaturas terríveis e antinaturais, ameaças àqueles que os alquimistas devem proteger: os humanos.
Com sua lealdade colocada em questão, Sydney se sente obrigada a voluntariar-se para uma tarefa nada agradável: ajudar a esconder Jill Dragomir, uma princesa vampira que está sendo perseguida por rebeldes que querem o poder. Caso ela seja capturada e assassinada, a rainha Lissa ficará sem nenhum parente vivo e, como manda a lei, terá de abdicar do trono - o que culminará numa guerra civil tão sangrenta no mundo dos vampiros que certamente afetará a humanidade.
Primeiro volume da série Bloodlines, "Laços de Sangue" apresenta o ponto de vista de Sydney Sage. Por ser uma alquimista, ela foi criada para acreditar que vampiros são criaturas terríveis e antinaturais. Até ser enviada à ensolarada Califórnia em uma missão para proteger a princesa vampira Jill Dragomir.

- Nota: clip_image004

Fiquei um pouco receosa de ler esse livro sem ter antes lido a série anterior por completo. Mas a exceção de pequenos spoilers inevitáveis, Laços de Sangue não revela muita coisa. Já seu conteúdo; a autora volta a repetir seu feito de trazer ao leitor personagens cativante e um história pincelada de mistério e ação. Laços de sangue também conta com uma pitada de brigas escolares, bom humor e a promessa de ótimos romances.

O livro conta a história de Sydney, uma alquimista que ficou, de certo modo, com sua reputação manchada após ajudar Rose em uma fuga. Para voltar a ter crédito com outros alquimistas mais velhos – e não decepcionar seu pai –, ela aceita servir como “babá” para Jill, uma Moroi que corre perigo de vida. Levadas ao ambiente escolar, com identidades falsas, Sydney, primeiro, precisaria vencer seu preconceito contra vampiros e tudo que envolvia esta palavra – magia, sangue, caninos… Segundo, ela precisaria saber lidar com Keith, um alquimista desprezível que a acompanharia nessa tarefa. Keith está decidido não apenas a tratá-la com o máximo de desprezo possível, como também a encurtar seu trabalho com a Moroi.

A medida que o tempo passa, Sydney não apenas se envolve com o meio escolar como também se torna amiga de Jill e outros vampiros. Lee parece um rapaz bacana, que está interessado em Jill. Eddie, o guardião da vampira, parece esconder mais do que simples afeto por ela, já Adrian… ele é antipatia certa. O vampiro sarcástico parece sempre pronto para provocá-la e fazê-la perder a paciência. E enquanto ela precisa lidar com ele, Sydney tenta desvendar a morte de alunas, tatuagens estranhas em alunos e um inimigo que está mais próximo do que ela pode imaginar.

Laços de sangue é uma leitura light, porém muito gostosa. Richelle tem um jeitinho único de deixar o leitor envolvido em qualquer enredo escrito por ela – no caso, o ambiente escolar. Mesmo a picuinha mais boba de colégio, aqui se transforma em uma descontraída e inteligente história de vingança  entre alunas. Há pesquisas escolares, crédito extra, lições, romances juvenis e muitas aulas – como qualquer enredo deste meio. Um gostinho característico já visto em Academia de Vampiros, que retorna as páginas de Laços de Sangue de um jeito mais suave, sem trazer muito os aspectos mais sobrenaturais de uma escola de vampiros já que boa parte da história se passa no meio humano. 

Gostei muito dos personagens. Há muitos encontros entre eles apenas pelo prazer de saírem juntos, como quando todos se reúnem para jogar golfe. Lee é uma surpresa e adorei Eddie, que promete trazer um romance doce com Jill nos próximos volumes. Adrian é o destaque da história – ele traz um ar indiferente ao mundo e esconde suas mágoas através de uma máscara de escárnio, atribuindo ao personagem um ar divertido e cativante. O humor delicioso do protagonista me conquistou. Com um jeitinho playboy, Adrian finge que não quer nada da vida mas que, no fundo, esconde muita coisa. Confesso, fiquei curiosa para continuar minha leitura de Academia de Vampiro e, assim, descobrir mais sobre seu passado.

Parte do meu amor pelos personagens balançou um pouco em relação à Sydney. Não que a protagonista não fuja dos estereótipos já criados pela autora – e que eu adoro –; personagens fortes que estão prontas para briga e que dispensam melodramas enrolados. Porém, Sydney é insegura. Ela está sempre querendo andar na linha e fazer de tudo para cair na graça do pai megero, dos alquimistas ou de Keith. Suspeito que isso fará com que a personagem meta os pés pelas mãos em algum momento. Além disso, há um quê de preconceito em sua visão aos vampiros que chega a ser irritante. Sydney ainda precisa amadurecer nos próximos volumes.

Laços de Sangue não se aprofunda muito no romance. Há apenas uma prévia do que teremos nos próximos volumes, mas já sentimos o gostinho de um casal que promete ter bastante química. A leitura traz um mistério gostoso e muita ação nas últimas páginas. Adorei cada página. Para finalizar, como assim o livro termina daquele jeito? Preciso da continuação pra ontem!

Capa original:

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Príncipe Mecânico – Cassandra Clare

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Clockwork Prince

- 396 páginas

- Sinopse: Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres — ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada — foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.

- Nota: image

A continuação de Anjo Mecânico mostrou-se uma agradável e bem-vinda surpresa. No primeiro volume fui levada as páginas que narram a história dos antepassados dos personagens mostrados na série Os Instrumentos Mortais. Mesmo curtindo a leitura, houve alguns excessos que, devo confessar, não me agradaram muito. Já Príncipe Mecânico foi diferente; quase não conseguia largar o livro.  Retomei meu gosto pela série que entrou para os meus preferidos.

A narrativa cria um clima de aventura muito agradável. Ao longo da história a autora desmembra seus personagens, ou seja, muitas das dúvidas no primeiro livro são respondidas de forma satisfatória. As revelações feitas mostram uma trama bem amarrada, concisa, – o que trouxe uma compreensão mais clara do por que determinados personagens agirem de tal forma. Will, por exemplo, era intrigante. Já neste volume seu passado é resgatado, o que, devo dizer, me deixou ainda mais apaixonada por ele. Porém Tessa ainda é um mistério sobre suas origens.

O que encontrar na história? Um texto dinâmico, bem escrito e envolvente. Há reencontros, traições, muita ação e um triângulo amoroso delicado. Geralmente sou avessa a triângulos amorosos, contudo isso não me incomodou aqui. É quase impossível escolher entre dois personagens tão encantadores. Will se destaca graças ao humor ácido; Jem é o oposto, mas tampouco fica atrás. Aliás, a relação entre ambos é um forte atrativo; amei essa abordagem cúmplice dos dois. Will e Jem são o “parabatai” um do outro – termo para designar uma espécie amizade, como irmãos, com fortes laços que envolvem inclusive magia. Ao longo do livro Will e Jem demonstram essa lealdade de forma intensa e cativante.

E por falar em personagens, eles estão muito melhores. Will, Tessa e Jem exalam sua essência juvenil de dezessete anos, entretanto são personagens que precisam ou precisaram amadurecer rápido – o que trouxe uma abordagem mais adulta. Will, cujo caráter debochado no primeiro livro me irritou em diversos momentos, está diferente neste volume. Sua característica indiferente e sarcástica se mantém, porém, ao descobrir mais sobre o personagem, passamos a enxergá-lo de outro modo. Seu psicológico é delicado e Will, desta vez, se mostra humano ao desnudar seus sentimentos.

Jem possui um caráter mais reservado. Ele é fofo e sua saúde frágil carrega um ar melancólico no comportamento do personagem. Ele inspira compaixão mas, ao mesmo tempo, demonstra força através da amizade com Will e seu amor por Tessa. Já esta me agradou em diversos momentos; Tessa é madura, sensata e não hesita em proteger aos seus. Ela está mais ativa, mais guerreira - principalmente porque, neste volume, começa a ter aulas de luta. Ah, também não poderia deixar de comentar sobre Mangus Bane – mesmo em sua breve aparição o personagem me deixou intrigada, já que não o conhecia e espero saber mais sobre ele. 

Príncipe Mecânico traz o gostinho do que há de melhor na literatura jovem adulto. Um livro que fala sobre amizades, redenção, sacrifícios e paixões, que provoca um torvelinho de sentimentos no leitor. Amei cada momento da história e já sinto falta dos personagens. Agora é esperar ansiosa pela continuação que sai mês que vem pela editora Galera Record.

Capa Original:

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Como salvar um vampiro apaixonado – Beth Fantaskey

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Jessica Rules the Dark Side

- 264 páginas

- Sinopse: Depois de se casarem na Romênia, agora Jessica e Lucius devem unir os clãs mais poderosos dos vampiros e estabelecer a paz de uma vez por todas.Mas primeiro ela vai ter que convencer uma nação inteira de vampiros ardilosos de que tem plenas condições de se tornar rainha. O problema é que Jessica nem mesmo consegue pedir uma refeição decente aos empregados de seu castelo, quanto mais lidar com súditos mortos-vivos malignos que adorariam vê-la fracassar. Tudo se complica ainda mais quando Lucius é acusado de assassinar um vampiro Ancião e é condenado à masmorra, onde espera pelo julgamento que pode levá-lo à morte. Jessica então se vê em apuros, lutando não só pela vida de seu amado, mas também pela própria sobrevivência em um mundo repleto de intrigas.

- Nota: clip_image004

A história é continuação do livro “Como se livrar de um vampiro apaixonado”. Li muitas resenhas bem críticas e quase unânimes que me deixaram um pouco receosa, pois sou apaixonada pela história e não queria pensar que a autora pudesse ter errado à mão. Porém à medida em que fui lendo, minhas preocupações foram deixadas de lado. A exceção de alguns pontos que citarei na resenha, “Como salvar um vampiro apaixonado” se mostrou uma história muito gostosa de ler. A narrativa é leve, flui muito bem e trouxe novidades – como a predominância do suspense e a participação ativa de personagens secundários através de suas narrações.

A história começa pouco tempo depois do casamento entre Lucius e Antanasia. Está se aproximando o dia em que haveria uma votação entre os vampiros para decidir se o casal seria digno de governar a raça. Jéssica, contudo, é atingida pela descrença em si mesma; ela não se acha suficientemente capaz de liderar ao lado de Lucius e teme que, de algum modo, possa vir a prejudicá-lo. Enquanto a personagem se debate em conflitos internos e não consegue se acostumar com esse novo mundo, Lucius precisa lidar com as tarefas diárias de um príncipe – como decretar sentenças –, enfrentar a desconfiança e a provocação dos Anciões, e fazê-los crer que sua esposa será digna de ocupar o trono ao seu lado.

Entretanto, em uma noite, um dos anciões questiona Lucius abertamente sobre a capacidade de Antanasia em ser a rainha, o que gera uma discussão acalorada entre os dois. Alguns dias depois o ancião é achado morto e as suspeitas recaem em Lucius, já que este o ameaçara no final de discussão. Sem outra saída, Antanasia se vê obrigada a cumprir a lei; seu marido seria preso até que houvesse um julgamento para condená-lo ou inocentá-lo. Ela então precisa correr contra o tempo para salvar a vida de seu marido e descobrir a verdadeira identidade do assassino. Para isso, Antanasia contará com a ajuda de Mindy – sua melhor amiga do colégio e Raniero, o melhor amigo de Lucius e a paixão de Mindy.

A história gira em torno do suspense; uma corrida contra o relógio em busca de pistas que pudessem inocentar Lucius. Embora haja um clima de mistério, a autora opta por deixar em aberto a identidade do vilão logo nas primeiras páginas. O culpado não é declarado abertamente, mas o leitor facilmente percebe quem está por trás de toda a trama. Isso não me incomodou, pois fiquei na torcida para que os personagens também descobrissem – o que gerou uma expectativa gostosa ao longo da leitura.

No primeiro livro a narrativa era destilada de humor, já no segundo volume essa característica é deixada de lado. O contexto leve se mantém, contudo os diálogos engraçados e cenas divertidas não estão mais presentes ou são raros na trama. Achei essa nova abordagem bem condizente com a proposta da história - uma vez que os personagens não estão mais no colégio e sim em um castelo tétrico, enfrentando traições, julgamentos e vampiros que desejam o poder. Aliás, há uma atmosfera de escuridão que se entrelaça à narrativa.

A exceção de Antanasia, a caracterização dos personagens não deixa a desejar. Já a protagonista, que sempre se mostrou uma personagem altiva e corajosa no primeiro livro, sofre uma mudança brusca de personalidade. Ela está insegura, só sabe reclamar e se afoga em autopiedade. A abordagem psicológica de Antanasia é o que torna o começo da história entediante e sofrível, pois a autora tenta desenvolver um período de evolução pessoal que acaba se estendendo em choros e insegurança. Eu também senti muita falta de Lucius nessa história, já que, após ser encarcerado, o contato que temos com o personagem é por meio das cartas que ele escreve ao seu amigo.  Entretanto, a autora compensa a ausência de nosso herói querido através da narrativa de Mindy e Raniero, ao mesmo tempo em que desenvolve um romance entre eles. Os dois são maravilhosos, roubam toda a cena e compensam qualquer deslize da autora. Mindy é engraçada e Raniero se mostra um jovem poderoso e sedutor com sua áurea de mistério.

Gostei da abordagem por trás do assassinato do personagem. Há um pano de fundo muito bem estruturado, tornando a leitura mais que um mero passatempo de detetive. Conhecemos melhor o passado de Lucius – e consequentemente de Ramiero, para entendermos o motivo do personagem se portar de tal forma. Ainda sou apaixonada pelo primeiro livro, mas também adorei essa continuação. A leitura foi extremamente prazerosa e devorei as páginas, mesmo sentindo falta do Lucius. Por mim, a autora poderia escrever mais um livro com ele, não seria nada mal, sim? Leiam e se divirtam nessa aventura.

Capa original:

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Como se livrar de um vampiro apaixonado – Beth Fantaskey

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Jessica’s Guide to Dating on the Dark Side

- 299 páginas

- Sinopse: Casar-se com um vampiro certamente não estava nos planos de Jessica Packwood para seu último ano escolar. Mas quando um novo aluno esquisitão (e muito gato) chamado Lucius Vladescu aparece do nada, dizendo que Jessica pertence à realeza vampírica e está prometida em casamento a ele, futuro líder do clã mais poderoso dos vampiros, ela é obrigada a rever seus conceitos. Se a garota ainda nem beijou na boca, como pode sequer pensar em um compromisso eterno? Armada com uma autoconfiança recém-adquirida, Jessica passa por uma transformação drástica de adolescente nerd americana para princesa vampira europeia nessa sátira cheia de reviravoltas e surpresas.

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Como se livrar de um vampiro apaixonado foi resenhado no blog há algum tempo (clique aqui para ler a resenha), porém como estava querendo ler o segundo volume da série e já não lembrava tanto assim da história, resolvi relê-lo para retomar alguns detalhes. E não é que tinha me esquecido o quanto o livro é uma delícia? Fiquei tão apaixonada pela história como se estivesse lendo-a pela primeira vez e, por consequência, fui tentada a escrever uma nova resenha. Como se livrar de um vampiro apaixonado continua sendo, sem dúvida, um dos meus favoritos do gênero sobrenatural.

A história é contada em primeira pessoa, do ponto de vista da personagem Jéssica Packwood, também conhecia pelo seu antigo nome antes de ser adotada – Antanasia. Embora narrações assim sejam restritas – e muitas vezes perigosas, dependendo da construção psicológica e o caráter do personagem -, é fácil se deixar envolver pelos pensamentos descontraídos e os diálogos concisos que carregam, em vários momentos, um toque de bom humor delicioso. Jéssica é uma adolescente comum que, de repente, começa a ser perseguida pelo novo aluno da escola. Lucius Vladescu não só fala de forma pomposa, se veste como se fosse da realeza, como também afirma – quando se encontram no estábulo, ao ser convidado pelos pais de Jéssica para o jantar – que é um vampiro e que Jéssica é sua prometida desde que nascera.

Portanto, a característica principal da narrativa, num primeiro momento, é o humor. Não aquele que destila gargalhadas, mas sim o que promove uma história leve e muito gostosa. Um dos problemas que geralmente encontro em livros YA é que, em algum momento, a narração se torna enrolada, mas não foi o caso. O texto é dinâmico e extremamente agradável de se ler. Na metade da trama em diante o leitor encontra um drama romântico bem acentuado, intenso – e delicioso -, mas, ao mesmo tempo, Bethy manteve o contexto leve da história. Como se livrar de um vampiro apaixonado traz como enredo um pacto para casar dois adolescentes cujas famílias são as mais poderosas, porém também fala de amizade, escolhas, família e a luta entre o bem e o mau – tudo muito bem explorado na trama.

Os personagens da história são carismáticos, divertidos e há uma personalidade marcante em cada um. Jéssica foge de qualquer estereótipo lúgubre; ela é espontânea, inteligente e decidida – uma graça de personagem. Lucius é cativante e apresenta várias facetas ao longo da história. Há um caráter psicológico mais reservado devido a sua disciplina severa, uma personalidade mais sofrível e madura. Porém, Lucius conta com uma veia sarcástica deliciosa e diverte em vários momentos pelos comentários sobre os costumes americanos – já que o personagem fora criado na Romênia, ao lado de seu tio –, como as cartas que escreve para este. Lucius também apresenta uma carga emocional juvenil tocante, o que inspira compaixão. O personagem é uma mescla de mistério, diversão e sedução; impossível não se afeiçoar e se apaixonar por ele.

O romance acontece de forma gradual, o que tornou a leitura bem mais interessante do que romances com paixões avassaladoras e instantâneas. É uma graça acompanhar Lucius fazer a corte – como ele mesmo cita - à Antanasia, o que acarreta cenas bem românticas (porém nada explícito), divertidas, mas também cenas mais dramáticas que me deixaram apaixonada por esse vampiro sedutor. Como se livrar de um vampiro apaixonado é uma história sobrenatural romântica viciante. Assim como na primeira vez em que a li, devorei o livro em poucas horas. Mais que recomendado para os amantes do gênero.

Capa original:

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domingo, 7 de julho de 2013

Will & Will – John Green & David Levithan

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Will Grayson, Will Grayson

- 348 páginas

- Sinopse: Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.

- Nota: clip_image004

Eu não andava muito empolgada com minhas últimas leituras, mas Will & Will me tirou dessa “letargia” por apresentar uma história que, não só mostrou diversas facetas diferentes que me surpreenderam, como também me conquistou com sua leitura leve e deliciosa. Will & Will consegue trazer uma história engraçada e ao mesmo tempo emociona por retratar dilemas amorosos, seja ele hetero ou homossexual. Além disso, temas como amizade e depressão também estão presentes na trama, tudo de uma maneira descomplicada e deliciosamente leve.

Will & Will traz uma linguagem jovem de um modo que soa natural e muito divertido. A narrativa parece própria de dois adolescentes com seus dilemas e conflitos internos. Já no começo fui surpreendida, pois imaginei que a história traria a relação entre dois Will – como parece sugerir a sinopse e o título –, mas, na realidade, o que encontramos é a vivência de dois personagens em relação a um terceiro, Tiny Cooper. Ele não é, de fato, o protagonista, mas traz consigo o argumento principal para a trama. O personagem possui 1,90, 130 quilos, é gay e está trabalhando em uma peça para o colégio cujo enredo é sobre ele mesmo. Ele e Will Grayson são melhores amigos, o que não impede que os dois briguem ou se irritem um com outro – principalmente Will se irritar com Tiny sempre que este queria interferir em seu modo de ser ou sua vida amorosa.

Em outro momento o leitor conhece… bom, Will Grayson. O outro Will, que neste caso também é gay, é caracterizado pelo contexto social – Will tem poucos amigos, não assume sua sexualidade perante eles e sua relação familiar é um tanto instável –, o que acaba refletindo, de certo modo, em um conflito interno sobre sua condição mental. Mas que fique bem claro, aqui não se trata de pieguice envolvendo clichês de existência, mas sim um problema de depressão cujo personagem trata por meio de remédios. Seus pensamentos autodestrutivos, próprios de alguém com esta doença, trazem dois lados - um que exala tristeza e inspira a afeição do leitor – e o outro que destila seu humor negro, o que tornou impossível não rir em diversos momentos.

Em uma noite os dois Will se encontram, o que faz com que o “Will gay” se aproxime de Tiny Cooper no âmbito amoroso, porém a relação é instável devido, não apenas, a sua condição social, já que isto incomoda ao personagem, mas pelo conflito interno do mesmo. Ao mesmo tempo, o “Will hétero” tenta enfrentar seus próprios dilemas de insegurança e dúvidas quanto a amar alguém, enquanto precisa lidar com problemas de sua amizade com Tiny. Qualquer coisa a mais que eu dissesse, infelizmente, considero como spoiler.

Eu nunca tinha lido nada dos dois escritores, mas gostei muito da forma como apresentaram um livro sobre preconceitos, dramas, homossexualidade, amizade e romance sem cair em uma história estereotipada. É difícil explicar, mas Will & Will traz uma abordagem criativa, diferente, sem focar em um único tópico – como eu também pensei que faria –, mas, ao mesmo tempo, dando ênfase em cada assunto de modo único… Não vou mentir, há alguns clichês, mas eles não incomodam. A história é trabalhada de forma leve e, ao mesmo tempo, sentimental. Will & Will é um sopro de ar fresco com mensagens nas entrelinhas que não são difíceis de entender a medida que o leitor se permite entrar na história. `

Os personagens transformam a leitura num momento agradável que garante boas risadas. Em vários momentos me peguei rindo das reações e pensamentos espontâneos – pois, como eu citei – os autores escrevem em linguagem descontraída, como se de fato o leitor estivesse conversando diretamente com os protagonistas e não houvesse qualquer intermediador. Tiny, entretanto, conseguiu me irritar em alguns momentos, mas o personagem compensa seus deslizes em argumentos sólidos no final da história. Já os temas são retratados sem holofotes melodramáticos – por exemplo –, Tiny Cooper é gay, mas isso é normal. Não é o fato de ele ser gay  que o livro trabalha, mas o relacionamento amoroso dele que é contextualizado nos mesmos aspectos de um relacionamento hétero, inclusive sua amizade com Will, por exemplo. Há mágoas, dilemas bobos ou simples, dramas com o mesmo conteúdo que qualquer outro relacionamento. Mesmo o preconceito, aqui, é trabalhado de forma sutil, o que torna o livro interessante por retratar temas fortes de maneira quase despretensiosa, mas, ao mesmo tempo, suficiente ao ponto de causar reflexão.

Will & Will é delicioso e me diverti muito lendo. Adoro romances gays que abordam o amor simples e sem complicações e há muito tempo sou apaixonada por esse gênero literário, embora até então só cheguei a ler literatura homo adulta retratada por autoras como J.R Ward ou Carol Lynne, mas Will & Will conseguiu me conquistar quase na mesma medida. Quando comecei a ler foram mais de 200 páginas sem que eu notasse o tempo. O desfecho me pareceu um filme americano, só lendo para entender o que quero dizer, mas, ainda assim, me tocou. Mensagens trabalhadas de um jeito simples, leves e muito gostosas. Adorei e recomendo.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Amada Imortal – Cate Tiernan

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Imortal Beloved

- 279 páginas

- Sinopse: Primeiro livro de bem-sucedida trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito. E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.

- Nota: 3 (Bom)

A sinopse prometia. A capa é linda, com um efeito fosco, destacando as flores ao redor. Entretanto, Amada Imortal tem seus prós e contras. Sabe quando você até gostou da história, mas acha que ela podia ser muito melhor? Então…

Nastasya é uma garota com 449 aninhos. Tantos anos de vida tornaram a vida da personagem num completo vazio. Drogas, sexo fácil e viajar o mundo afora eram seus passatempos preferidos, até que assiste seu melhor amigo torturar um taxista. Incy simplesmente achou divertido quebrar a coluna do homem, deixá-lo em meio a chuva numa situação agonizante. Depois disso, ela percebe que é hora de mudar.

River’s Edge é o local perfeito para ela. Uma espécie de “clínica” de reabilitação para Imortais que procuram uma segunda chance. A rebelde percebe que não é a única com problemas e, enquanto tenta se adaptar naquele lugar exótico, diferente do luxo que estava acostumada, Nastasya vive crônicas do dia a dia entre aulas com outros alunos e afazeres domésticos.

Já aviso que o início do livro é lento. As coisas só começam realmente acontecer lá pela página 150. Se você estiver procurando um livro mais light, sem muita ação, esse é a história certa. O ponto aqui é a redenção de Nastasya, e isso ocorre aos poucos. A autora não tem pressa e mantém o leitor no mistério quase até o final. Porque, enquanto a heroína está varrendo o chão, colhendo ovos, trabalhando na farmácia e procurando sua paz interior – ao mesmo tempo acompanhamos o passado de Nastasya em algumas visões bastante interessantes, que fazem parte do mistério sendo desvendado pouco a pouco.

A trama é bem escrita. Dessa vez, não temos vampiros, lobos ou fadas. Eles são imortais que usam Magick, um tipo de magia que, ou você sabe usar, ou pode ser completamente desastroso (o que geralmente inclui mortes ou pessoas agonizando). Durante minha leitura, tive a impressão que Magick era quase uma religião (que me lembrou a Wicca), onde, para que a pessoa se aperfeiçoe, ela precisa ter uma certa harmonia com as energias, a natureza, a lua, etc. Gostei  e fiquei encantada com esse lado mais “zen” que a autora propôs, fugindo dos temas mais populares e seguros. Cate apostou e deu certo.

Entretanto, meu lado que gosta de explosões, brigas, ação e correria gritou pela falta dos mesmos na trama. Então, vem o romance. Ah, o romance é frustrante! O mesmo tem grande importância, mas a química é quase zero. Pouquíssimas cenas, pouquíssimos diálogos, e somos apresentados a um dos casais mais fraquinhos deste ano. A não ser, é claro, que a autora esteja jogando tudo para o segundo livro. Por enquanto, não me convenceu.

Amada Imortal parece quase uma introdução; onde a história só vai começar, de fato, no segundo livro. Aliás, o final deixa a gente com um gostinho de “quero mais”. É como eu disse no começo da resenha. Gostei do livro, mas achei que poderia ter sido muito, muito, mas muito melhor. Cate Tiernan tinha a faca e o queijo na mão, mas não soube tirar tanto proveito disso. Quem sabe na continuação?

Capa original:

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Anjo Mecânico – Cassandra Clare

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Clocwork Angel: The Infernal Device

- 390 páginas

- Sinopse: Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.

- Nota: 4

Com tantos burburinhos a respeito de Cassandra Clare e sua fama de plagiadora da série Harry Potter, eu não fiquei muito interessada nos livros dela. Mas a medida em que o tempo passava, foram tantos elogios a série Instrumentos Mortais que, no fim, resolvi tentar a leitura em um prequel dessa série, o livro Anjo Mecânico.

No começo, confesso que fiquei incomodada com algumas semelhanças entre as obras. Não é nada que o leitor vá dizer “nossa, pegaram Harry Potter INTEIRO e transcreveram nos livros da Cassandra”; ao menos, não em Anjo Mecânico. Você até percebe as semelhanças quando lê sobre um instituto de feiticeiros, ou quando Charlotte explica sobre os mundandos, aqueles que não sabem fazer magia. Lembrou dos trouxas? Pois é. Até fiquei um pouco incomodada no início, demorando um pouco na leitura. Depois, vi que as semelhanças paravam por aí. Cassandra Clare constrói uma ótima história cheia de mistérios, aventura e romance.

Quando sua tia morre, Tessa vai em busca do irmão, em Londres, mas acaba sendo sequestrada por duas mulheres, as irmãs Dark e Black. Alegando que estavam mantendo seu irmão em cativeiro, Tessa é forçada a fazer tudo o que as irmãs desejam, incluindo desenvolver um poder dentro dela que ela mal conhecia. À medida que os dias passam, Tessa descobre ser capaz de se transformar em quem ela quiser, desde que tenha um objeto pessoal da mesma.

As irmãs sombrias estão treinando-a para ser a esposa de alguém intitulado “O Magistrado”. Tessa recusa pensar que não teria escolha, mas é mandada num navio para o seu noivo. Entretanto, ela é resgatada por Will, um Caçador de Sombras e membro do Instituto. A partir daí, a vida dela muda drasticamente, entrando em um mundo com fadas, vampiros e Nephilins.

A autora meio que usou a receita do “tudo junto e misturado”. Não é que deu certo? Quanto as personagens, Tessa foi uma das que me agradou muito. Tem uma voz muito boa no livro, fugindo dos velhos estereótipos dos YA’s. Cassandra pegou um pouco de cada qualidade e colocou nela. É inteligente, tem traços de bondade, romântica incorrigível e… ama ler!

Já Will… Por incrível que pareça, Will me irritou com suas frases prontas. Até certo ponto, as tiradas humorísticas em praticamente 90% das suas falas foram engraçadas e deu pra sorrir algumas vezes. Depois, começou a soar batido, e quando eu estava começando a achar que a autora tinha forçado de vez, Cassandra mostrou que há sim um motivo para o personagem ser daquele jeito. O que vemos é um mocinho mais complexo do que se imagina, solitário e com uma atmosfera triste em sua vida. Podem me matar, mas foi essa parte dele, a parte que eu enxerguei como “madura”, que realmente me encantou.

Os outros personagens também cativam, cada um a sua maneira. Jem é uma graça, assim como os outros no Instituto. A história fluiu muito bem, e tem uma coerência ótima. Cassandra mostra que sabe como chegar no final e, ainda assim, deixar o leitor surpreso com certas reviravoltas.

A autora não se apegou muito as características de Londres Vitoriana, mas, mesmo assim, a leitura conseguiu atingir seu objetivo, da história se passar com ares de época antiga. Eu amo romances históricos, e ver um YA Book nos tempos de Londres Vitoriana foi ótimo.

Não vou dizer que caí de amores pela série, mas fiquei encantada com essa história. O bom é que, até esperar o próximo livro, tenho toda a série de Instrumentos Mortais para ler (pois é, não li nenhum dos livros ainda!). Leitura ótima e envolvente.

Capa Original:

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Destino – Ally Condle

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Matched

- 238 páginas

- Sinopse: Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander - bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.

- Nota: 3

De vez em quando vou contra a correnteza. Quando todos adoram um livro, comentam, divulgam,  eu leio e acabo achando… bom. bom.

Isso aconteceu com Destino. Depois de duas tentativas, acho que distopia não é minha praia. Definitivamente. Para quem ficar curioso, minha primeira leitura partiu de Jogos Vorazes, e o resultado foi decepção por tanto barulho que o livro vinha causando. Com Destino foi igual. Eu até gostei, mas… não achei tudo isso que falam.

Cassia é uma garota que vive num futuro onde a Sociedade, uma espécie de governo, controla tudo. Mas quando falamos em tudo, é tudo mesmo. Como você vai se divertir, quais serão os jogos, o que você vai comer, qual a quantidade, quando você vai morrer, o que vai vestir e quem você você vai se apaixonar. Até mesmo seus sonhos são monitorados pela Sociedade, que tem como justificava a proposta de uma sociedade harmoniosa, sem a discórdia, o caos, inveja, pobreza e todos esses blá, blá, blás que um dia já foram a desgraça da humanidade.

Todos aceitam isso pacificamente, até mesmo Cassia. Todos ficam agradecidos por um Sociedade que cuide deles, proporcionando um estilo de vida razoavelmente feliz. Entretanto, poucos dias depois de ter sido apresentada ao rapaz que seria seu Par – ou seja, seu marido para a vida toda, algo dá errado e o sistema que controla isso apresenta para ela outra possibilidade, um garoto chamado Ky. É aí que Cassia se pergunta até onde a Sociedade está correta.

Posso dizer que tudo que encontrei de negativo em Jogos Vorazes apareceu em Destino também. A narrativa lenta, sem atrativos, sem diálogos realmente interessantes ou uma ação que não acontecesse somente nas últimas páginas do livro. O romance? Achei um dos mais fracos e sem graça que já li. Nada acontecia e já na metade da história me vi pulando várias páginas. Uma pena.

Então, porque três estrelas? Embora eu ainda ache que as autoras precisem adaptar melhor essa idea de romance + crítica social + narrativa, sem que uma acabe jogando as outras para escanteio, a proposta foi melhor apresentada. Um governo – ou melhor, uma Sociedade manipuladora em causa de um “bem maior” foi bem elaborada e até bastante plausível. Com o tempo, as pessoas acabaram se acomodando com o que a Sociedade tinha a oferecer – a aparência da vida perfeita, -  e se esqueceram de lutar pelas próprias escolhas e opiniões.

Sim, embora eu tenha achado a narrativa lenta, também tenho que dar algum crédito a ela. É através dos pensamentos de Cassia que toda essa abordagem é feita. No princípio apenas mais uma entre tantos outros que seguem as regras, mas, conforme virava as páginas, seus pensamentos rebelava-se em pequenas doses. Porque ela tinha que amar quem a Sociedade designava? Porque ela não podia ter um objeto pessoal? Porque a Sociedade não permite as pessoas lerem poemas, a não ser aquelas que ela havia escolhido? Em parte, a narrativa chega ser poética e bonita. Em outras, um tanto repetitiva e monótona, mas não deixa de ser interessante toda essa mensagem por trás.

Acabei gostando da proposta. O resultado foi esse, gostei da mensagem, achei ruim a história. Se é possível não sei, mas confesso que não me animei para ler a continuação, Travessia, que foi lançado pela Suma não faz muito tempo. Entretanto, indico dois filmes maravilhosos que representam exatamente esse livro e toda essa idea. Ambos estão disponíveis no Brasil, mas não encontrei trailers legendados para colocar aqui. Para quem gosta, será uma noite de pipoca:

Equilibrium, um filme que retrata  tudo que foi proposto pelo livro. (Hum… será que a autora se baseou nele?):

A Ilha, que embora fale de clones, retrata a ideia de manipulação de uma sociedade que escolhe o que você come, veste ou como se diverte…

Capa original:

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sábado, 26 de maio de 2012

Nas Sombras – Jeri Smith Ready

image - Ficha Ténica:

- Título Original: Shade

- 335 páginas

- Sinopse: o futuro, um misterioso acontecimento (que ficará conhecido como Passagem) dará para os nascidos depois desta data a capacidade de ver e se comunicar com os mortos. Sendo uma dessas pessoas, Aura passa toda a sua vida tendo que lidar com essa condição. Quando o aniversário de 18 anos de seu namorado, Logan, se aproxima, Aura sabe que será o melhor de todos. A banda dele tem um megashow marcado e há uma festa planejada. Está tudo dentro dos planos, exceto Logan morrer de overdose... E voltar, se fazendo presente na vida de Aura exatamente como antes, só que roxo.

Nota: 4

Vivo dizendo que estou cansada de YA’s. Sempre o mais do mesmo, a mesma receitinha, aquele enredo batido que já ouvimos em algum lugar. Todavia, nos últimos tempos venho percebendo uma alteração gradativa nisso. As autoras estão, aos poucos, apostando em outros caminhos que não sejam a velha cópia de Crepúsculo.

Alguns clichês são inevitáveis. Nas Sombras ainda conta com eles, como o aluno novo que vai parar no colégio, misterioso e sedutor, ou o triângulo amoroso perceptível logo que conhecemos Logan e Zachary. Porém, a autora consegue trabalhar esse e outras receitas de forma mais diferenciada. Em tempos de vampiros, lobisomens e fadas, temos Aura, uma garota comum se não fosse pela sua capacidade de enxergar fantasmas que ainda não fizeram a passagem.

Aura não é a única. Todos que nasceram depois do que eles chamam de “A Passagem” são capazes de enxergar fantasmas. São almas que possuem alguma pendência nesse mundo, de cor roxa e temperamento bem excêntrico. Podem se irritar facilmente e, com isso, correm o risco de virarem sombras, uma alma negra bem perigosa para os humanos.

Os fantasmas são aceitos na sociedade. O que muitos considerariam uma dádiva, para Aura e outros que nasceram após a passagem, é irritante. Para ajudar, o governo está de olho em todos eles, procurando pessoas que possam trabalhar, desenvolvendo essa habilidade. Em troca, eles oferecem suborno faculdade gratuita e outros benefícios.

Até então Aura sabia como lidar com isso, mas quando seu namorado morre e vira um deles, a situação muda. Logan precisa fazer a passagem, mas o amor é muito forte para que Aura, a princípio, deixe-o ir. A dor da perda é enorme, e com isso, a trama entra em novos ares.

Todo esse ar sobrenatural é envolvido de forma leve pela autora, algumas vezes engraçada, mas com um pano de fundo bastante trabalhado. Aí que está o diferencial. Jeri entra no campo da astronomia, de segredos de estados e grupos controlados pelo governo. A autora tinha a opção de entregar tudo facilmente  no primeiro livro, mas liberou em doses médias para o leitor, segurando o gran finale para o próximo livro. Felizmente, nada que deixe enormes ponto de interrogações em nossas cabeças. Tudo ficou claro e, de certa forma, fechando boa das questões.

Jeri também tocou em assuntos como sexo na primeira vez e drogas, de uma forma bem interessante. O romance YA está lá, mas ao mesmo tempo, os fantasmas ganham atenção na mesma proporção. Finalmente as autoras estão entendendo que criar aquele estereótipo de mocinha frágil e ingênua  já deu. Aura não deixa de ser aquela adolescente com dúvidas, mas nada irritante. Aliás, ponto para a autora que criou, de fato, verdadeiros adolescentes. Porque sim, adolescentes falam palavrão, pensam em sexo e fazem bobagens vez ou outra, tudo isso retratado de forma bem explícita no livro.

Foi uma leitura muito agradável e rápida. Algumas vezes engraçadas, outras com um toque dramático e fofo. Os personagens são todos ótimos. O triângulo amoroso é difícil de escolher dessa vez, embora quem está vivo irá, ao meu ver, ganhar alguns pontinhos na continuação. ;) Logan é sexy, mas com um jeitinho meio imaturo, já Zachary, talvez pela responsabilidade que tem, seja o mais sensato. Enfim, indico com toda certeza.

Trilogia Shade:

1. Nas Sombras

2. Shift

3. Shine

Capa Original:

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Assinatura (2)