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terça-feira, 21 de julho de 2015

O retorno de Izabel – J. A. Redmerski

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- Ficha Técnica:
- Título Original: Reviving Izabel
- N° de páginas: 230
- Editora: Suma de Letras
- Sinopse: Determinada a levar o mesmo estilo de vida do assassino que a libertou do cativeiro, Sarai resolve sair sozinha em missão, com o propósito de matar o sádico e corrupto empresário Arthur Hamburg. No entanto, sem habilidades nem treinamento, os acontecimentos passam muito longe de sair como o planejado. Em perigo, Sarai nem acredita quando Victor Faust aparece para salvá-la — de novo. Apesar de irritado pelas atitudes inconsequentes dela, ele logo percebe que a garota não vai desistir de seus objetivos. Então não há outra opção para ele a não ser treiná-la. Com tamanha proximidade, para eles é impossível resistir à atração explosiva. Nem Victor nem Sarai podem disfarçar o que sentem, ou negar o desejo que os une. No entanto, depois de tantos anos de sofrimento e tantas cicatrizes emocionais, será que eles conseguirão lidar com um sentimento como amor? Só que Sarai — novamente na pele de Izabel Seyfried — ainda terá que passar por um último teste; um teste para provar se conseguirá viver ao lado de Victor, mas que, ao mesmo tempo, poderá fazê-la questionar os próprios sentimentos e tudo que sabe sobre esse homem.

Retomando  um dos mais interessantes livros que li nos últimos meses, J. A. Redmerski nos apresenta a tão esperada continuação de “A morte de Sarai” em “O retorno de Izabel”, trazendo a bagagem de características marcantes dos primórdios da história. O segundo livro dá segmento ao desfecho – na época muito promissor –, do que já poderíamos esperar da conturbada e viciante relação entre Victor e Sarai, dois personagens que se destacaram no gênero do suspense romântico.

Meses após Victor deixá-la, Sarai tenta levar uma vida comum como qualquer garota da sua idade. Namora, trabalha e sai com seus amigos de vez em quando, assim como prometeu a Victor que se esforçaria para fazer. Entretanto, ela sabe que não pode enganar a si mesma por muito mais tempo. Em todos aqueles meses, Sarai nunca foi capaz de esquecer o homem que transformou sua vida, bem como o estilo de vida que esse mesmo homem apresentou a ela.

Decidida a fazer vingança com as próprias mãos, a jovem volta se embrenhar no mundo obscuro de pessoas ruins, encontrando sua vítima. Mas as coisas não saem como planejado, e Sarai é salva por Victor, que decide levá-la em segurança para sua própria casa. Uma vez que ambos estão juntos novamente, Sarai decide seguir a vida que estava predestinada a ter no momento em que conheceu o Victor Faust. Assim, ela é posta em treinamento, mas terá que passar por uma difícil prova de confiança que pode mudar a relação de ambos.

Com um toque do clima tétrico mostrado anteriormente, “O retorno de Izabel” avança em passos significativos na relação entre Victor e Sarai, chegando a um denominador comum. O que era somente uma “parceria necessária e provisória” transforma-se em algo mais, algo que Victor está aprendendo a lidar. Aos poucos, o anti-herói deixa de lado a frieza e a prática, rendendo-se aos sentimentos ligados a garota que entrou escondida em seu carro meses antes. Assim, Victor e Sarai nos conduzem para cenas que podem não alcançar o cume do traço mais romântico, mas que decididamente nos levam a um romance intenso e sedutor.

Reunindo ingredientes essenciais para um bom enredo, “O retorno de Izabel” também conta com personagens secundários que se destacam na história, ganhando papéis fundamentais para dar a liga necessária numa trama cheia de mentiras e conspirações. Niklas e Fredrick são tão importantes quanto Sarai e Victor, merecendo, inclusive, que se abra um espaço na trama para contar suas histórias. Ao menos já sabemos que a trajetória dos primórdios de Fredrick será contada em “O Cisne e o Chacal”, terceiro livro da série a ser lançado pela Suma, ainda sem previsão.

“O retorno de Izabel” só não se equipara ao primeiro da série pela história mais curta e rápida, o que talvez tenha, inclusive, influenciado o desfecho mais apressado depois do gran finale revelador. Contudo, a história consegue alcançar um ápice próximo, não decepcionando o leitor que esperava encontrar a frieza de assassinos misturada ao calor de um romance envolvente, tudo isso jogado a um enredo, no mínimo, diferente e interessante. O desfecho pode soar definitivo, mas isso não significa que não nos deixou ansiosos por mais. A leitura vale a pena, com toda certeza.

- Nota:image

- Capa original:

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Sobrevivente – Gregg Hurwitz

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Survivor

- N° de páginas: 367 páginas

- Sinopse: No parapeito de uma janela de banheiro no 11º andar do First Union Bank, Nate só tem mais um objetivo na vida: reunir a coragem necessária para saltar e acabar com os seus problemas. De repente, ele ouve tiros dentro do banco e, ao espiar o que está acontecendo, vê uma cena terrível: criminosos mascarados disparando cruelmente em qualquer um que se coloque em seu caminho. Enquanto sustenta o olhar de uma mulher agonizante, Nate toma uma decisão. Lançando mão de seu treinamento militar, ele consegue render e matar todo o grupo, exceto o seu líder. Antes de escapar, o homem deixa claro que ele se arrependerá de seu ato heroico. Ele está certo. Em poucos dias, Nate é sequestrado pela máfia ucraniana e recebe uma ameaça: precisa voltar ao banco e concluir a tarefa que os bandidos não puderam cumprir. Do contrário, sua ex-mulher – pela qual ainda é apaixonado – e a filha adolescente, que não o reconhece mais como pai, serão brutalmente assassinadas. Enquanto o tempo corre de maneira implacável e o prazo de Nate se aproxima do fim, ele luta não só para salvar as duas da morte, mas também para recuperar sua confiança e seu amor.

- Nota: image

O Sobrevivente é um thriller de tirar o fôlego. Uma história sensacional, intensa, com uma característica interessante: já conhecemos o vilão. O autor capricha ao mergulhar a fundo no psicológico dos personagens com descrições de seus medos, seus receios e suas dores. Narrado em terceira pessoa, Nate é o protagonista desta história – um homem marcado por situações difíceis que o levam a uma atitude radical. Sem conseguir se livrar do trauma de ver seu melhor amigo morrer na sua frente, de perder o carinho da família, e de descobrir que estava com uma doença sem cura – esclerose lateral – Nate decide não mais continuar com a vida. Ele tenta se suicidar na janela de um banco, porém é interrompido por um assalto que ocorre no local.

Nate estava no lugar errado, na hora errada. Colocando em prática seu treinamento de ex-militar, ele consegue impedir o roubo. Entretanto, um dos homens sobrevive, o que parece ser o líder do bando, e promete vingança. Pouco tempo depois, Nate é sequestrado, e descobre que o que ocorreu naquela dia não era um simples roubo. Um dos mafiosos ucranianos mais perigosos, Pavlo, deixa claro que Nate precisa terminar o serviço, já que matou os homens que estavam destinados aquele objetivo. Se não entregasse o que estava no cofre, sua filha seria cortada ao meio e colocada num cubo de gelo.

Carregado de suspense, acompanhamos a trajetória de Nate para salvar a família. Há uma carga emocional acentuada, pois o autor traça todo o histórico do personagem desde o momento em que ele conheceu sua esposa até a etapa em que sua filha tinha poucos anos de vida. O modo como eles se amavam, a dor de se perder aos poucos no luto, a separação… em seguida, quando Nate precisa retornar a sua antiga casa e alertá-los do perigo, passamos novamente a presenciar seu sofrimento, dessa vez como um pai que precisa lidar com a rejeição da filha e de ver a ex-mulher nos braços de outro. Aliado a tensão psicológica, o autor leva seu personagem ao limite. Foi impossível ficar indiferente a tamanho sofrimento e garra de Nate. Um protagonista forte, adorável, que me fez sofrer junto a cada página. Me envolvi intensamente com sua luta e suas dores.

O fato de conhecermos o vilão é uma manobra ousada, mas que deu certo na história. Pavlo é uma figura intrigante, com um lado emocional perturbado. Frio, assassino – o pior do que há no submundo do crime, sua única humanidade é dedicada a própria filha. Ela é o elo de ligação para entendermos os mistérios envolvendo o roubo malsucedido no banco. Aos poucos as informações se encaixam de maneira clara, sem deixar o leitor no escuro por muito tempo. Quanto ao rumo da história, há momentos incertos que nos deixa grudada as páginas para saber dos acontecimentos finais.

O autor traz a tona perseguições e fugas dignas de um filme cheio de ação. Essa é, de fato, a proposta dele: dar ao leitor a percepção de acompanhar um enredo de um filme policial, envolvendo personagens sujeitos a amarem, a sentirem dor e medo. Há uma riqueza de detalhes quanto aos cenários e armas – porém nada que torne o livro maçante. O ritmo é rápido e a leitura é muito fluída, o que me fez devorar quase 400 páginas em dois dias. Devo dizer que o final, entretanto, me deixou dividida: arrebatador, porém sufocante. É difícil dar detalhes sem contar spoilers, mas fiquei muito mexida com o que encontrei nas últimas páginas do livro

O Sobrevivente foi, para mim, uma das melhores leitura deste ano. Um thriller emocionante, que me levou as lágrimas, ao riso e a tensão por acompanhar essa busca implacável de um homem que ultrapassa os próprios limites para salvar sua família. Uma história impactante que merece, sem dúvida, cinco estrelas. Mais do que recomendado para quem gosta de emoções fortes em um thriller maravilhoso.

Capa original:

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domingo, 30 de junho de 2013

Inferno – Dan Brown

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Inferno

- 443 páginas

- Sinopse: Neste fascinante thriller, Dan Brown retoma a mistura magistral de história, arte, códigos e símbolos que o consagrou em "O Código Da Vinci", "Anjos e Demônios" e "O Símbolo Perdido" e faz de Inferno sua aposta mais alta até o momento. No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri. Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o leva para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo poema de Dante, e mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.

- Nota: image

[OFF TOPIC]

Inferno foi uma leitura agradável e prazerosa, cujo tema escolhido por Dan Brown mostrou-se interessante e bem trabalhado. A Divina Comédia é usada como argumento para a construção de pistas e mensagens que nos levam a uma possível ameaça à humanidade, o que atiça o leitor para a ligação da obra de Dante com o propósito do vilão. Gostei bastante e Inferno conseguiu desfazer a má impressão que tive de sua última obra – O Símbolo Perdido.

Na história, Langdon acorda em um hospital, sedado, sem se lembrar dos últimos acontecimentos. Ele não sabe porque estava ali ou – como viria a descobrir algum tempo depois – porque fora baleado e quase morto. Porém, não sobra tempo para que Langdon tente relembrar os últimos acontecimentos, pois uma mulher vestida de couro invade o hospital à sua procura. Langdon vê o médico que cuidou dele morrer na sua frente, baleado pela mulher. Numa tentativa de salvar sua própria vida, ele e a doutora Sienna Brooks fogem antes que aquela estranha conseguisse alcançá-los. A partir deste ponto, o personagem descobre que carrega um objeto misterioso em seu paletó, um tubo que seria o principal motivo para que ele tivesse acabado em um hospital. Com provas de que não poderia confiar em ninguém, o personagem parte, junto à médica, para explicações sobre o objeto e tenta desvendar os seus significados com a ajuda da obra de Dante.

Houve aspectos positivos e negativos ao longo da história. Desta vez Dan Brown consegue atiçar o leitor através do mistério, mas não ficamos com a sensação de flutuar sem rumo algum. Os enigmas são explorados pouco a pouco de forma ágil, entregando ao leitor informações aqui e ali sobre o tema central proposto na história de modo bem conciso. O argumento que ele propõe é passado ao leitor com tamanha veracidade em seu discurso que é quase impossível não comprar a ideia. Portanto, embarquei na história e me deixei levar pela proposta atraente.

Há uma sensação de satisfação ao se ler uma história cuja narrativa é ágil e dinâmica, sem deixar margem a enrolações ou mistérios vagos. A leitura é fácil e mesmo para aqueles que nunca leram a Divina Comédia, Dan Brown trabalha de tal modo que não só apresenta o contexto de forma esclarecedora, como atiça a curiosidade para a leitura do mesmo. Um ponto positivo para o autor é o caminho que ele utiliza para ligar a obra com os aspectos de sua trama, não há ponta soltas e soa quase lírico os motivos do vilão, que, aliás, traz argumentações com margem a discussões importantes sobre determinado aspecto que soa como o Juízo Final. Infelizmente, acho que qualquer spoiler a mais estragaria a leitura.

A fórmula do autor desenvolve o mesmo roteiro de seus livros anteriores, e, apesar de não ter do que reclamar desta vez, me senti um pouco frustrada por não encontrar nenhuma inovação. Fugas alucinadas, pessoas perseguindo os protagonistas, enigmas que são a chave para resolver o mistério… Vez ou outra  Dan Brown cede espaço para entrar na narrativa ao explicar os aspectos históricos da origem de determinado termo ou objeto recorrente na história, o que oras pode soar esclarecedor como, algumas vezes, desnecessário – mas desta vez nada que beire ao exagero extremo como em seu último livro.  Já Langdon é auxiliado por flashbacks dinâmicos que – muitas vezes –, retornam para alguma palestra ou aula que o mesmo leciona na faculdade ou eventos, mas não consegue lembrar dos últimos acontecimentos até quase o final da história.

O autor promove grandes reviravoltas nas últimas cem páginas, mas aqui o que me chamou a atenção foi o modo como ele manipula o próprio leitor. Acreditamos numa construção de ideias baseada em um jogo de narrativa muito bem contextualizada. E então, quando ficamos certos do caráter dos personagens, o autor entra em cena e mostra que olhávamos sobre uma ótica forçada pelo próprio Brown e que tudo não passou de uma percepção errônea proposital. Achei genial.

Embora Langdon esteja bem melhor neste livro do que em seu antecessor, ainda assim eu sinto falta de ter aquela percepção sobre os sentimentos dos protagonistas. Percebo que Dan Brown cede uma atenção especial ao fundo histórico, mas deixa de lado a interação dos próprios personagens. Em quase trezentas páginas são pouquíssimos os momentos em que encontramos diálogos que fogem de explicações históricas – com um tom didático –, ou cenas em que os protagonistas passam a sensação de serem humanos, como sentirem medo pela caçada ou sensações de surpresa pelos acontecimentos. Isso quase não acontece e, portanto, não consegui me livrar da sensação de ler sobre personagens mecânicos, sem voz emocional. As vezes a obra soa mais como um roteiro de filme do que propriamente um livro.

Talvez a fórmula do autor não esteja mais funcionando para mim, não sei… Pelo burburinho, eu esperava bem mais. O fundo didático é interessante e o argumento central prende, mas não foi minha “leitura do ano”. Entretanto, estaria mentindo se não dissesse que Inferno foi sim uma leitura bem agradável, parte proporcionada pela narrativa dinâmica do autor que não deixa o leitor parado. Mas para me fisgar completamente, faltaram ingredientes. É uma leitura gostosa, mas acho que estou esperando encontrar mais inovações em seus livros, porém não sei se isso vai acontecer tão cedo. Entretanto, para quem é apaixonado por suas fórmulas, é garantia de boa leitura na certa.

Capa original:

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Símbolo Perdido – Dan Brown

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- Ficha Técnica:

- Título Original: The Lost Symbol

- 489 páginas

- Sinopse: Depois de ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris, Robert Langdon está de volta com seus profundos conhecimentos de simbologia e sua brilhante habilidade para solucionar problemas. Em O símbolo perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal'akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo. Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian. Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico.

- Nota: image

[OFF TOPIC]

Até a metade da história, O Símbolo Perdido foi um livro que me deixou dividida. O argumento explorado no enredo é interessante – a francomaçonaria e a ciência noética –, mas, sinceramente, os temas descritos quase não conseguiram me impulsionar a ler a história até o final. Em alguns momentos gostei do modo como as ideias foram apresentadas, porém não demorou muito e eu já estava achando O Símbolo Perdido uma das leitura mais cansativas e arrastadas desse ano. Principalmente da metade do livro para o final, o autor se estende numa enrolação e ladainha sem fim, o que frustrou qualquer expectativa minha de encontrar uma história ao nível de Ponto de Impacto, Anjos e Demônios ou O Código da Vinci.

Na história, Robert Langdon recebe o telefonema do assistente de seu velho amigo, Peter Solomon, onde o assistente afirma que o mesmo está pedindo sua ajuda para substituir um orador em um evento importante no capitólio. Um pouco contrariado, Robert aceita ao desafio, mas quando viaja para Washington não só percebe que não há evento algum como descobre que Peter, seu antigo amigo, fora sequestrado por um louco denominado Mal'akh, cujas exigências ultrapassavam o crível do absurdo. Ao mesmo tempo, Katherine Solomon é uma cientista que desenvolve pesquisas sobre a ciência noética. Uma de suas buscas traria uma grande revelação à humanidade, mas Mal'akh está decidido a não deixá-la levar seu conhecimento ao mundo. Assim, Robert Langdon e Katherine Solomon entram em uma rede de intrigas e caçadas contra um assassino e pela busca por segredos deixados por Peter.

O começo do livro mostrou-se interessante, mas não gostei do modo como a história foi conduzida ao longo das páginas. Dan Brown quis repetir a fórmula de sucesso mas se esqueceu de trazer inovação e os aspectos que mais agradaram em seus livros anteriores. A narrativa ágil foi deixada de lado, em 200 páginas há dois ou três acontecimentos importantes embasados numa história que se arrasta e, consequentemente, parece que não se desenvolve. O objetivo palpável do sequestrador parece não ter um fundamento mais nítido, pois Dan Brown tenta atiçar o leitor através de uma redoma de mistérios vagos até a metade do livro. O leitor fica sem saber, com precisão, qual o sentido daquela caçada desenfreada do sequestrador boa parte da história. Achei que o autor se estendeu demais nesse lengalenga.

Outro problema foram os próprios personagens. Para mim, dessa vez a protagonista mostra-se mais interessante que o próprio Robert Langdon. O personagem perde aquele caráter interessante, torna-se um chato que questiona a todo momento as informações que recebe. “Você está me pedindo para acreditar nisso? Impossível!” - essa frase repete-se várias vezes ao longo da história. Como o livro mexe com a ideia do poder da mente – abordado pela ciência noética –, Robert Langdon entra em discussões sobre o possível e o improvável, mostrando sempre um lado cético que não condiz com o próprio personagem. Fica um embasamento improvável para um protagonista que enfrentou a ameaça da antimatéria em Anjos e Demônios e decifrou enigmas e uma caçada perigosa em O Código da Vinci.

Senão por isso, a cada duas ou três páginas Robert Langdon divaga em discursos que se repetem a todo instante – seja para bater o pé ao afirmar que não acredita naquelas coisa, seja para explorar o seu momento pseudo-filosófico iluminado, o que muitas vezes significa explicações extremamente banais e desnecessárias. Por mais que Langdon tenha uma boa memória, em alguns momentos o personagem soa artificial com suas explicações históricas na ponta da língua, como se ele tivesse decorado um roteiro já pré-estabelecido em sua mente.

O Símbolo Perdido não foi de todo ruim. O começo conseguiu me fisgar um pouco, Katherine Solomon promove uma caçada de gato e rato em seu laboratório que foi de tirar o fôlego. Também achei interessante o passado do sequestrador; por mais que possa parecer óbvio, eu me surpreendi e fiquei besta ao descobrir qual era sua verdadeira identidade. Os temas também, como já mencionei, foram o principal fator para que desse continuidade a história.

De todos os seus livros, Ponto de Impacto continua sendo minha obra favorita. Tenho grandes expectativas para Inferno, pelas críticas positivas do qual vem recebendo. Porém, infelizmente, O Símbolo Perdido passou longe de me conquistar.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Os Doze – Justin Cronin

image- Ficha Técnica:

- Título Original: The Twelve

- 592 páginas

- Sinopse: Em A passagem, doze prisioneiros sentenciados à morte foram usados em um experimento militar que buscava criar o soldado invencível. Mas a experiência deu terrivelmente errado. Um vírus inoculado nas cobaias acabou com qualquer resquício de sua humanidade e elas fugiram, matando ou infectando qualquer um que cruzasse seu caminho. Os infectados se tornavam virais obedientes a seu criador, mais um de seus Muitos. No caos que se formou, a única chance de sobrevivência para a espécie humana eram fortificações altamente protegidas. Assim se formou a Primeira Colônia, um reduto a salvo dos virais, mas isolado do resto do mundo. Noventa e dois anos depois, uma andarilha surgiu às portas da Colônia. Era Amy Harper Bellafonte, a Garota de Lugar Nenhum, aquela que iria liderar um grupo de colonos e... Agora, cinco anos após ter cruzado as Terras Escuras em busca de respostas e salvação, seu grupo está separado. Cada um seguiu seu caminho, mas seus destinos logo voltarão a se cruzar, num embate definitivo contra uma ameaça mortal. Fanning, o Zero, aquele que deu origem ao apocalipse, tem planos para refazer o grupo dos Doze e conta com um aliado poderoso, disposto a qualquer coisa em nome da própria imortalidade. Segundo livro da trilogia A passagem, Os Doze nos faz questionar a mente humana, os avanços científicos e a busca do poder que leva a uma certeza sombria de nossa capacidade para o mal. Mas, acima de tudo, ele reforça nossa esperança em uma humanidade que se adapta, sobrevive e não se rende.

- Nota: clip_image004

Três anos atrás fiz resenha do primeiro livro da trilogia escrita por Justin Cronin. Vocês podem conferir a resenha de A Passagem clicando aqui. Lembro que quando terminei o livro, fiquei decepcionada ao já saber na época que a continuação seria lançada apenas três anos depois. Agora, posso dizer que a espera valeu a pena.

O livro é grande, cheio de personagens e, portanto, o meu objetivo na resenha não será contar em detalhes o papel de cada um, mas sim como um todo. Em A Passagem, o leitor acompanha um experimento militar que sai de controle. A sinopse faz um excelente resumo, sem grandes spoiler, de como o mundo foi aos poucos decaindo e entrando em colapso graças a esse experimento. Na minha resenha de A Passagem, vocês também podem entender a ideia geral do livro. Já em Os Doze, o leitor acompanha os efeitos catastróficos no ambiente e na mente e atitude das pessoas.

Os Doze é aquele tipo de livro que o número de páginas não assusta o leitor, porque a narrativa viciante de Justin Cronin, junto a uma história elaborada, cheia de detalhes ricos e bem construídos, prende você à história do início ao fim. As quase 600 páginas passaram voando e fui conduzida da angustia ao alívio, do choque a expectativa. Foram vários o momento em que me vi na esperança de que tudo acabasse bem.

A história de Os Doze se passa cinco anos depois dos acontecimentos finais de A Passagem. Aqui, há a introdução de novos personagens e somos levados a conhecer cada um deles de um modo bastante íntimo. Justin Cronin não explora somente a situação externa do ambiente, ele aborda o psicológico de cada personagem mediante a situação de um mundo pós-apocalíptico; ou seja, um mundo caótico e destruído. Há aqueles que enlouquecem e a sensação é angustiante, outros lutam pela sobrevivência, e é a realidade como Justin conseguiu transmitir essa esperança, essa luta para se salvar, que conseguiu me emocionar e me levar as lágrimas várias vezes. Principalmente porque, neste aspecto, o autor não tem coração; ele desafia seus próprios personagens, tortura e os sufoca, causando ao leitor momentos angustiante de tensão e drama.

A proposta do livro não fica clara logo no início, vamos desvendando aos poucos sua intenção. É preciso ter paciência, pois  primeiro Justin Cronin nos relembra alguns acontecimentos de A Passagem, para depois introduzir novos personagens – que a princípio não nos parece ter ligação alguma –, além daqueles que já estávamos acostumados a ler no primeiro livro. Há uma quantidade absurda de personagens, e embora este seja um ponto que eu achei não tão favorável, cada um deles leva sua importância à história. Aos poucos torna-se perceptível a linha sutil que conecta todos a uma única só trama.

A escrita de Justin Cronin é minuciosa. Para ele parece importante conduzir o leitor à descrições detalhadas do ambiente, das roupas, até mesmo do clima. É incrível como me deixei levar por essa atmosfera; em momento algum sua narrativa cansa ou torna-se insípida. A história também não deixa por menos, é um bolo de informações que foi preciso uma leitura mais atenta; caso contrário é fácil deixar escapar alguma coisa. E, mais tarde, você descobre que aquele “alguma coisa” pode facilmente ser uma das partes importantes do quebra cabeça construído pelo autor.

É lá pela metade do livro que entendemos sua proposta. Porque aqui, quem espera que a história seguisse o foco dos virais, como no primeiro livro, vai acabar se decepcionando. Eles voltam a ganhar ênfase lá pela metade, pois o ponto principal de Justin foi construir um cenário onde o homem torna-se o principal inimigo dele mesmo. Movido pelo desespero, pela ganância e pelo pior do ser humano, acompanhamos uma nova espécie de governo opressor, que tenta manter 70 mil habitantes em rédeas curtas. As pessoas são humilhadas, espancadas por qualquer motivo, tratadas como lixos e obrigadas a trabalharem em regime escravo. Tudo, como o próprio sistema afirma, “em nome da pátria”. Suas vidas se resumem a sobrevivência e submissão, mas há aqueles que lutam contra o sistema.  Qualquer semelhança à um campo de concentração, para mim, estava longe de ser coincidência.

Os antigos personagens também não aparecem logo de início. Amy é a única que introduz a história, mas Peter, Sara, Alicia, Hollis e Michael só dão as caras lá pela metade do livro. O leitor acompanha a introdução deles à tentativa de acabar com o sistema opressor, além de lidar, claro, com o problema dos virais. Amy passa de criança a mulher, e alguns dos mistérios que pairava sobre ela no primeiro livro é revelado. Aqui, ele brinca com o surreal, os sonhos e a mente.  Ainda assim, há algumas coisas que o autor obviamente deixou para o último livro da trilogia.

Ainda que eu tenha adorado a história, tive dois probleminhas durante a leitura. A primeira foi justamente a quantidade de personagens na história. Até aí  não é problema, se não fosse pelo fato do autor apresentar determinado personagem lá na página 100, por exemplo, e ele retorná-lo apenas na página 500. Até o final do livro, óbvio, eu já havia decorado todos, mas levou um tempinho para eu me acostumar a essa dinâmica do autor.

Outro problema foi a passagem de tempo. A história é divida em várias partes e, geralmente, cada parte evoluía para um determinado ano. Mas poxa, custava ter colocado a data exata no início do capítulo? Não, o leitor tinha que pescar alguma informação durante a narrativa para entender quantos anos haviam se passado em determinado capítulo. Às vezes era só no final de uma longa parte que o personagem dizia que havia se passado quinze anos Além disso, eu tenho quase certeza de que se alguém realmente sentar para fazer essas contas, ela não bate. Senti isso em certa parte do livro, onde o personagem revela que havia se passado mais de cem anos sobre um determinado assunto.

Há exceção desses aspectos, Os Doze continua tão bom quanto seu antecessor. Eu indicaria para as pessoas lerem apenas quando os três livros já estivessem aqui no Brasil; pois, como aconteceu com minha leitura de A Passagem, eu terei que esperar mais dois anos pela continuação. Uma pena, da forma brilhante como o autor aborda sua história, já estava no clima de ler mais outras seiscentas páginas sem problema algum.

Capa original:

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Primeira Noite – Marc Levy

image- Ficha Técnica:

- Título Original:

- 339 páginas

Em O Primeiro Dia, o best-seller francês Marc Levy escreveu seu primeiro romance de aventura, que tem seu desfecho na sequência A Primeira Noite. No primeiro livro, um estranho pingente dado à arqueóloga Keira marca o ponto de partida para a trama de dimensão épica. Nele uma tempestade de areia prejudica uma escavação no vale etíope de Omo, da qual Keira fazia parte, e a força a voltar à Europa. No entanto, antes de partir, uma criança que conheceu no local a presenteia com o curioso artefato. Com a ajuda de Adrian, astrofísico e seu ex-amante, a arqueóloga havia chegado à conclusão de que o pingente reproduz as estrelas do céu, na posição exata em que estavam no dia da criação do universo. Por isso, teria valor inestimável e seria capaz de colocar em risco a vida dos dois, o que acaba por acontecer. Seguidos de perto por misteriosos indivíduos, Adrian e Keira acabam por se envolver em uma tragédia. Perto de descobrirem artefatos que poderão solucionar o enigma da criação do mundo, os dois têm suas buscas interrompidas por um acidente na China. Aparentemente, o evento teria sido provocado por alguém. Agora, Keira está desaparecida - possivelmente morta. Desolado, Adrian retorna à Grécia e se remói pela perda da mulher por quem nutriu sentimentos verdadeiros. No entanto, o aparecimento de uma foto, que talvez seja de Keira, reacende nele as esperanças. Consciente de que o desejo de desvendar os mistérios do universo foi o que o uniu novamente a Keira, mas também os separou, Adrian parte em uma viagem disposto a encontrá-la viva. Ele buscará retomar também a aventura pela solução dos segredos milenares.

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“A Primeira Noite” é a continuação e o desfecho da história escrita por Marc Levy, em seu livro “O Primeiro Dia” (clique aqui para ler a resenha). Portanto, se você não o leu, é possível que a resenha possa conter alguns spoilers.

A história de Adrian, um astrofísico, e Keira, uma arqueóloga, segue continuação na aventura por respostas acerca do universo: Qual seria o primeiro homem a surgir no planeta Terra? E a primeira estrela? É nesse pano de fundo que Marc Levy dá a continuação para um livro que segue um pouco a receita do seu antecessor: muita pesquisa, viagens ao redor do mundo, um toque de perseguição, mistério e romance.

Não falo isso de um modo ruim, pelo contrário. Nesse aspecto, estava gostando da história até mais que o primeiro livro. Se em “O Primeiro Dia” tivemos a introdução aos personagens, a história de pedras que, juntas, formavam um estranho mapa do qual todas as nações estavam interessadas em esconder, em “A Primeira Noite”, Marc Levy foca exclusivamente no achado das pedras e em seus significados. Adrian e Keira ficam cada vez mais perto de achar a terceira pedra, mas, na medida em que isso ocorre, as chances de serem mortos só aumenta.

Preciso admitir que vez ou outra achei um tanto quanto cansativo toda essa áurea de pesquisas e mais pesquisas, viagens e mais viagens (e, vejam bem, eu adoro um bom livro a “la indiana jones”!). Diferente do primeiro, o livro se arrastou um pouco, ainda que o número de páginas seja menor que “A Primeira Noite”. Por outro lado, numa avaliação geral, a história é gostosa de ler e o autor aposta mais em ação. Adorei as cenas de perseguição, bem como o lado romântico de Adrian em alguns momento. Para mim, foram as melhores partes do livro. 

Quanto ao romance, apesar de ter gostado  das vezes em que os dois ficaram juntos – embora tudo passado de forma bem light (sim leitor, nada de descrições detalhadas) –,  não sentia Keira na mesma sintonia de paixão que o Adrian. Aliás, nesse ponto sigo a opinião da maioria: Keira é egoísta e um tanto quanto insensível. Já o personagem tem um lado oposto; sensível e até melancólico em sua narrativa, algo que não combina com Keira. Talvez por isso a química entre os dois não seja assim tão forte.

Toda a pesquisa de Marc e os pontos que ele expõe no livro trazem questionamentos interessantes com relação a religião e ciência, o avanço científico e o que entendemos por evolução. Sendo ateia, sempre gostei dessas discussões e as diversas opiniões diferentes que esse tipo de discussão pode gerar. As últimas páginas compensam qualquer defeito ao longo do livro; ao mesmo tempo dá aquela sensação triste por saber que, embora com alguns aspectos negativos (mas outros muito positivos), terminei uma ótima história, com personagens que conseguiram cativar a ponto de saber que, vez ou outra, vou lembrar da história com carinho. Uma ótimo leitura, que indico com toda certeza. =)

Capa original:

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Primeiro Dia - Marc Levy

image- Ficha Técnica:

- Título Original: Le Premier Jour

- 367 páginas

- Sinopse: Ambiciosa e apaixonada, a arqueóloga Keira comanda uma escavação no Vale de Omo, na Etiópia – e, quando uma tempestade de areia destrói o local, se vê obrigada a retornar à Europa. Mas traz consigo um estranho pingente, que recebeu das mãos de um menino etíope. Em Londres, disputando uma bolsa de pesquisa, seus caminhos se cruzam com o de Adrian, um renomado astrônomo – e seu ex-caso, de muitos anos atrás. Numa visita ao apartamento dele, ela esquece lá o pingente, acendendo em Adrian tanto o interesse científico pela origem do artefato quanto o amoroso por sua dona. Logo se tornará claro para o casal que eles não são os únicos interessados no pingente, e que há gente disposta a tudo para consegui-lo. Keira e Adrian partem numa viagem que os levará a vários continentes, seguindo mapas traçados a partir das estrelas e pistas enterradas no solo. E sua meta é achar a resposta para perguntas que intrigam a todos desde o início dos tempos.

- Nota: 4

- Onde começa a aurora?

(prólogo)

Quando li a sinopse desse livro, me identifiquei logo de cara. Marc Levy é autor do livro “E Se Fosse Verdade?”, que originou o filme pouco tempo depois. Embora eu nunca tenha lido nada do autor, O Primeiro Dia foi uma ótima surpresa e me conquistou com uma tema do qual sou fã de carteirinha desde meus tempos de adolescência: A arqueologia e astronomia.

Keira e Adrian trabalham em profissões diferentes, com um objetivo em comum: os dois procuram os primórdios da humanidade, onde tudo começou. Keira é arqueóloga e procura as respostas na terra, em suas escavações na Etiópia. Adrian por sua vez é astrônomo, estuda as estrelas e procura responder a origem do universo. Após Keira receber um pingente que, para ela, nada mais era que um presente simbólico de Harry (uma criança africana), a vida da arqueóloga muda e o caminho de Keira e Adrian se cruzam com um mesmo propósito.

Incentivado por seu amigo Ivory, Keira decidi buscar mais informações sobre o pingente. Mas o que começa com uma simples pesquisa termina com várias nações interessadas no artefato, e tão importante quanto o objeto era saber se Keira e Adrian deveriam ou não continuar as suas pesquisas que mudaria tudo que o homem sabe sobre si próprio em termos de história.

Já no prólogo fui conquistada. De forma singela e fluída, o autor nos apresenta o pano de fundo da história: Um livro recheado de questionamentos acerca do universo, explicações arqueológicas e astrológicas de fácil compreensão, que envolvem o leitor da primeira a última página. Os acontecimentos são um tanto quanto moderados, sem ser aqueles livros em que tudo ocorre rápido demais. O suspense é a marca do autor, mas ele também resgata o bom e velho estilo “Indiana Jones”. Temos aventura, alguns enigmas, mistério, assassinatos e claro, romance!

Marc Levy optou por dois tipos de narrativa. Quando estamos lendo sobre Keira, a narrativa se encontra em 3° pessoa, mas quando há acontecimento de Adrian, entramos na 1° pessoa. De tal forma, ficamos mais próximos de Adrian, seus pensamentos, sentimentos e conflitos.

Demorei um pouco a me acostumar com os diálogos que preenchiam uma, as vezes duas páginas (ou mais) sem qualquer tipo de interrupção. (tadinho dos personagens, não faziam pausa nem para respirar!). Os pontos de exclamação em cada frase também eram constantes. De certa forma, tudo isso contribuiu para que os personagens não soassem tão naturais, de uma forma um tanto quanto mecânica. Felizmente, isso não durou todo o livro. Lá pela página cem o autor consegue “pegar o jeito” e a leitura fluí de forma ótima e deliciosa. Aquele tipo de livro que, quando vai ver, você já leu mais de cem páginas.

O romance acontece de forma natural. Sem grandes holofotes, mas, ao mesmo tempo, bem trabalhado, acabamos torcendo para que no fim dê tudo certo e eles consigam ficar juntos. Na contracapa do livro há elogios à Marc por trabalhar temas como amor e amizade, e é verdade. A amizade de Adrian com Walter, que acaba se tornando seu melhor amigo, me fez pensá-los como Batman e Robin, ou como o próprio Walter chega a comentar, “Dom Quixote e seu fiel escudeiro”. Ainda assim, temos surpresas bastante interessantes no final e o autor nos mostra que quase ninguém no livro é o que parece.

O resultado? Uma história deliciosa com um final deixando aquele gostinho de quero mais. O Primeiro Dia deixa alguns pontos para o próximo livro, mas nada que dê ao leitor a sensação de ter sido enrolado, pelo contrário. O livro fecha de forma compreensível  e bastante curiosa. O bom é que não precisaremos esperar muito, em outubro a Suma de Letras estará lançando sua continuação, “A Primeira Noite”. Adorei.

Capa Original:

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Booktrailer do livro:

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Identidade Roubada – Chevy Stevens

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- Ficha Técnica:

- Título Original: Still Missing

- 255 páginas

- Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

- Nota:  image

Acho que até agora estou sem palavras para o livro. Portanto, não estranhem se a resenha sair ruim.

Gosto de ler um livro polêmico, um que mexa com questões de compreensão da mente humana, e, juntado isso com suspense policial (é meu segundo gênero favorito depois do “romance romântico”.) não pensei duas vezes.  Portanto, mesmo sabendo que Identidade Roubada não é o gênero que costumo resenhar aqui no blog, resolvi me arriscar a ler. E quando comecei, simplesmente não conseguia parar. Só parei porque precisava dormir, mas de manhã lá estava eu, com o livro na mão.

Annie é corretora de imóveis, e tudo ia bem no seu dia. Até que um cliente inesperado aparece, interessado na casa. A descrição nos faz pensar em até alguém bonito. Loiro, alto, sorriso simpático… Em poucos segundos, Annie estaria prestes a entrar em um inferno que duraria um ano.

Sequestrada por quem ela chama de “Maníaco”, levada para um chalé, Annie passa a viver em cativeiro. Os sentimentos são tantos, que estão sempre conflitando dentro dela. A indignação, depois a rendição, quando vários meses se passam e ela se dá conta que não será resgatada tão cedo. As vezes os dois sentimentos chegavam ao mesmo tempo, se misturando, transbordando, fazendo a personagem entrar em um estado de não poder mais suportar aquilo. Todas as cenas, seja ela a tortura física ou psicológica, são descritas detalhadamente, de modo que é impossível você não sofrer junto com a personagem. São coisas como estupro, surras e terror mental. Confesso, foi uma tênue linha para eu não chorar em certa parte. O Maníaco era cruel, psicótico, sentia prazer no medo, achava que eles seriam felizes juntos. Eles teriam um filho, e viveriam longe da “civilização podre e suja”. Era doente.

Falando sobre a mente humana, somos levados a uma possível “justificativa” (sempre entre aspas, óbvio) a personalidade do Maníaco, do porque ele ser assim. A infância maluca, a mãe usando ele, as mesmas manias que sua mãe o obrigava a fazer, que ele então praticava com Annie… Ela jamais podia ir ao banheiro sem horários, as unhas deveriam estar sempre limpas, ela só poderia comer e beber quando ele mandasse; se a água da louça esfriasse, ela era obrigada a lavar de novo, entre outras coisas. Quando ela desobedecia, o castigo extrapolava o limite do absurdo.

A idéia de como possivelmente alguém poderia voltar a rotina normal, depois de um trauma desses, é apenas um ponto do livro. Annie passa a fazer terapia, tenta, aos poucos, parar de dormir no closet ou olhar as janelas sempre antes de dormir.

Mas o livro não se limita só a isso, em certo momento o jogo vira, e torna-se um ótimo suspense policial. Quando você pensa que terminou, que logo chegará o final feliz…lá vem mais bomba! E é aí que temos um suspense que deixa você preso até as últimas páginas. Quem era aquele homem? Será que ele estava sozinho? Havia mais alguém por trás? As investigações correm. Você sofre junto, você se revolta, você tem vontade de entrar no livro e dar uns tapas (acha que é pouco) em certo personagem, e… você é surpreendido de novo.

A minha única crítica, (e nem chega a ser crítica), é a repetição da expressão ”Que droga!” ou “Que merda!” a cada segundo, quando a autora poderia ter substituído por outras expressões de vez em quando para não soar tão repetitivo. Mas é só. Para quem gosta de um bom suspense policial, uma leve, mas muito leve pitada de romance,  é recomendadíssimo. É um 5 estrelas, definitivamente.

“Identidade Roubada” é lançamento da Editora Arqueiro. Abaixo, a capa americana:

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Onde comprar:

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Confissão – Julie Garwood

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* Título Original: Heartbreaker

A aclamada autora Julie Garwood, cujas obras costumam figurar na lista dos mais vendidos do New York Times, faz uma incursão arrepiante às paixões mais sublimes - e aos impulsos mais sombrios - do coração.
Ansiosamente aguardado, o primeiro romance contemporâneo de Julie Garwood pulsa com suspense eletrizante e reviravoltas engenhosas. O enredo inicia em um confessionário, quando um penitente se ajoelha e faz uma revelação de gelar o sangue.

Primeiro livro da série Buck-Ridner, contando a história de Nick e Laurant.

O que posso dizer? Adorei, foi um dos melhores livro da Julie Garwood! A Confissão traz uma trama que envolve, que prende, e além de, claro, conter o maior número de mocinhos bonitões em uma trama policial, haha. :)

Tom é um padre (também conhecido como padre desperdício, imaginem o porque…), que recebe um estranho em seu confessionário que revela a ele quem será a próxima vítima de suas série de assassinatos (e embora talvez vocês já devam ter lido por aí dezenas de vezes sobre a Laurant, prefiro deixar um suspense e não contar quem é ela).

O livro é simplesmente delicioso! O agente Nick (já citei que só tem homem bonito nessa trama?), tenta protegê-la dessa ameaça e para isso precisa vigiá-la vinte e quatro horas. Por isso a história também conta com uma boa tensão, suspense e mistério.

Nick é do estilo engraçado, hot, durão, carinhoso, sarcástico, e muito cara-de-pau, tudo que você imaginar ele é, em doses equilibradas que garantem cenas muito boas entre Nick e Laurant. A trama para descobrir quem de fato é esse lunático que confessa seus assassinatos a um padre também é muito boa, dessa vez não tinha nem idéia sobre o vilão e acabei me surpreendendo ao descobrir. Super recomendo!

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Série Buchanan-Renard,

1 – A Confissão

2 – O Testamento

3 – O Prazer de Matar

4 – A Próxima Vítima

5 – Marcada para Morrer

6 – A Dança das Sombras

7 – Fogo e Gelo

8 – Sizzle (ainda não publicado no Brasil)

Cotação:

4 estrelas

Assinatura Bruna


 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Depois da escuridão – Sidney Sheldon & Tilly Bagshawe

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A doce e angelical Grace Brookstein é a socialite mais querida dos Estados Unidos e leva uma vida de princesa. Até o dia em que seu marido, o bilionário Lenny Brookstein, dono do fundo de hedge Quorum, sai para velejar e nunca mais retorna. Enquanto lida com a trágica morte do marido, um novo escândalo abala a vida de Grace: bilhões de dólares desaparecem do fundo Quorum, provocando a falência de milhares de famílias. Grace torna-se a principal suspeita e da noite para o dia sua vida se transforma. Determinada a provar sua inocência, Grace embarca numa jornada que revelará que ninguém a sua volta é digno de confiança.

Mais um livro que entra nos melhores lidos deste ano. Eu nunca tinha lido nada do Sidney Sheldon *se esconde*, embora, claro, tinha ouvido falar muito dos livros do autor pelo menos umas dez vezes. Uma hora eu ia ter que tirar o atraso!

O livro é ação, tensão e suspense do começo ao fim. Grace é rica, mulher de um dos homens mais importantes dos Estados Unidos, Lenny Brookstein. A personagem é a típica menina crescida em um mundo de milionários: sempre teve tudo que quis, jamais precisou se preocupar com as próprias contas, e casou-se com o príncipe dos seus sonhos.

Falando assim até parece que estou falando de uma personagem metida, mas Grace é longe disso. Ao contrário, ao decorrer do livro, você percebe que o autor¹ quis mostrar uma sociedade de personagens milionários e corruptos, que não prestam, onde o dinheiro está acima de tudo. Todos os personagens são assim, a exceção de Grace.

Ela vê seu mundo desmoronar quando Lenny morre, e de repente a sociedade acusa seu falecido marido de ter dado o maior golpe já visto nos EUA. Levada a julgamento, os tão “melhores amigos” somem, a tão “sociedade amável” desaparece, e ela se vê sozinha para tentar provar a inocência de seu marido.

Confesso que fiquei com muita pena da personagem, que sofre DEMAIS nessa batalha para tentar limpar seu nome, tudo descrito ao longo da história. De menina ingênua ela passa uma transformação radical para sobreviver, perdendo sua inocência de forma brutal. Os momentos que ela precisa enfrentar são duros, sofríveis, e não deixam de ser reais. Quantas vezes não ouvimos na televisão casos de pessoas que foram julgadas a prisão perpétua, a pena de morte (não aqui no Brasil), e na realidade eram totalmente inocentes?

A narrativa, em terceira pessoa, rápida mas sem deixar de dar detalhes, também foi o ponto forte para deixar tudo parecer mais real. Grace é guerreira, é persistente, ela foge da polícia, ela está sozinha no mundo, e ninguém mais é confiável. Ela tem seus momentos de fraqueza, ela desaba, mas depois volta a se reerguer, e essa perseverança é muito forte, que fica impossível você não se envolver com o psicológico da personagem. Sério!

A trama financeira eu precisei prestar um pouco mais de atenção do que se fosse ler um romance policial “comum” (sou igual a Grace, não entendo nada de bolsas, ações e afins! rs) No final, estava certa sobre o verdadeiro culpado, mas acabei sendo levada a pensar de outra forma durante um bom tempo em que estava lendo. O epílogo talvez eu tenha imaginado de outra forma, mas, mesmo assim, gostei.

Eu SUPER recomendo esse livro, cheio de ação, traições, suspense, fugas alucinadas e um toque de romance. Vou ficar uns bons dias sem encontrar um livro que supere o Depois da escuridão.

¹ – Sidney Sheldon morreu em 2007, aos 89 anos. Esse livro foi escrito por Tilly Bagsahwe, que segundo diz, tenta manter o nome do autor ainda vivo. Há rumores que o livro tenha sido começado por Sheldon, e Tilly deu o fim. Outros dizem que ele havia deixado manuscrito de vários de seus livros, dentre eles Depois da escuridão. Tilly foi contratada pela família dele, e, sinceramente, mostrou grande competência para levar o nome do autor de volta a literatura.

Cotação:

5 estrelas

 

 

 

 

Assinatura Bruna

sábado, 11 de dezembro de 2010

Coração Maligno – Chelsea Cain

image Gretchen Lowell, a Beleza Mortal, charmosa psicopata revelada em Coração Ferido, escapou da cadeia e das mãos de seu perseguidor Archie Sheridan. Agora, voltou a matar. Ou será de fato ela a responsável por mais uma série de assassinatos cruéis?

Bom, o que dizer desse livro? Ele me fez ter várias reações de raiva, ódio, tédio, surpresa, tudo isso do começo até o final da história.

Li algumas resenhas que disseram Coração Maligno ser bobinho perto de Coração Ferido, mas eu achei totalmente ao contrário. O terceiro livro é carregado de um toque mais sádico, mais tenebroso. As torturas descritas no primeiro são ainda piores no terceiro, e algumas até difícieis de imaginar com posições e os cortes descritos. Há o sadomasoquismo presente na trama, além da volta da relação Archie X Gretchen. Só que, enquanto nos dois primeiros livros ele era um obsessivo por ela, nesse livro parece que a serial killer finalmente começou a perder o encanto para ele.

Achei que a trama de verdade, aquela ação e tensão tão presente nos dois primeiros livro, demorou um pouco a acontecer (praticamente a metade do livro), e ficou com um grande foco no suspense de novos assassinatos, dessa vez com grande atenção para o fato de que os olhos das vítimas estavam sendo retirados. A personalidade de Archie a princípio parece um pouco mais senil que nos livros anteriores. Senti que a Susan, da minha “heroína” passou a personagem fraca, querendo um pouco de atenção, tomando desições erradas, sempre metendo os pés pela mão.

Como eu sempre falo, é preciso ter um pouco de estômago pra ler a série (e nunca ler antes ou depois de meia hora de uma refeição, rs). O livro é pra quem realmente gosta de um bom e forte romance policial. Nesse livro a gente tem uma boa surpresa na mudança de Archie em relação a Gretchen, e outro ponto que talvez eu não concorde muito, é sobre um quarto livro. Achei que uma trilogia teria sido ideal para terminar a série, porém, com o desfecho, fica impossível a gente não pensar no que a autora reserva para os personagens. Mais um livro da série, tão bom quanto os outros, porém mais forte, mais “dark”, com os toques psicológicos que a Chelsea sabe manejar como ninguém. Agora é ficar no aguardo pela continuação!

Série “Archie e Gretchen”:

1 – Coração Ferido

2 – Coração Apaixonado

3 – Coração Maligno

4 – The Night Season (lançamento previsto nos EUA: março de 2011)

Cotação:

4 estrelas     Assinatura Bruna

 

domingo, 28 de novembro de 2010

Coração Apaixonado – Chelsea Cain

image “Esta é uma história de amor na medida em que estas duas pessoas têm obsessão uma pela outra. Não é saudável. Não é romântica. Mas há nela uma intimidade que é semelhante ao amor, ou ao que se entende por amor em relacionamentos manipuladores, violentos, terrivelmente conturbados”

(Chelsea Cain)

Mesmo com provas, livros e mais livros para ler, provas e mais provas; acabei não resistindo e fui ler logo o segundo livro da série Archie e Gretchen. Coração Ferido é o primeiro livro, já resenhado aqui no blog.

Gostei tanto que terminei de ler o livro em uma noite. Apenas relembrando para quem não leu minha resenha do primeiro livro: Archie é um policial que foi torturado durante dez dias por uma serial killer, e ele acaba se apaixonando (ou melhor, tendo uma obsessão) por ela. Ponto.

Nesse segundo livro, essa obsessão é ainda mais doentia (mais ainda que no primeiro livro). Ele até que procura tratamento, volta a viver com a família, vai a psicóloga, sabe que essa obsessão é loucura, é algo ruim… mas um fato inesperado tira ele desse caminho, e o faz retornar aquela paixão doentia pela serial killer.

Essa continuação foi até melhor que a primeira. Mesmo tendo um aprofundamento nos personagens logo no início de Coração Ferido, Coração Apaixonado é ainda maior. A mente doentia de Archie é mais explorada, e Gretchen também ganha um destaque maior. Até os filhos de Archie (adorei a fofinha da Sarah) ganham papel.

A história é cheia de “uma hora você odeia Archie, outra hora você tem pena dele”, chegando a um limite para o próprio personagem, que precisa escolher entre a barreira da sanidade e a loucura, e tudo isso é descrito de tal forma que você se vê novamente na pele do Archie. Tenta entender essa loucura que o faz hesitar matá-la até mesmo quando a vida dos próprios filhos é colocada em jogo.

Talvez de todos, Susan tenha sido a única personagem que eu imaginava com um outro tipo de papel nesse segundo livro (mas ainda espero que minhas expectativas com relação a ela se concretizem hehe). No mais, amei o segundo ainda mais que o primeiro.

Trilogia Archie e Gretchen:

1 – Coração Ferido

2 – Coração Apaixonado

3 – Coração Maligno

4 – The Night Season (lançamento previsto nos EUA: março de 2011)

Cotação:

5 estrelas Assinatura Bruna

sábado, 13 de novembro de 2010

Coração Ferido – Chelsea Cain

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O detetive Archie Sheridan passou dez anos perseguindo Gretchen Lowell, uma estonteante serial killer, mas foi ela quem o capturou. Dois anos atrás, Gretchen aprisionou-o e torturou-o por dez dias, mas, em vez de matá-lo, ela surpreendentemente o deixou partir, entregando-se à polícia.

Agora ela está na cadeia pelo resto da vida enquanto Archie se vê em outro tipo de prisão – viciado em analgésicos, incapaz de voltar à sua antiga vida e sem forças para apagar aqueles dez dias horrendos de sua lembrança. Sua mulher, de quem se afastou, diz que o velho Archie não existe mais, e ele concorda. As visitas a Gretchen são semanais, com a justificativa de que só ele pode fazê-la confessar onde estão os corpos das vítimas. Mas Archie sabe qual o real motivo – ele simplesmente não consegue ficar longe dela.

Quando outro criminoso começa a seqüestrar meninas em Portland, Archie tem que se recompor para liderar uma nova força-tarefa que investigará os assassinatos. Uma repórter jovem e determinada, Susan Ward, acompanha o trabalho do grupo, o que desencadeia um jogo mortal entre Archie, Susan, o novo serial killer e até Gretchen. Eles têm um maníaco para capturar, e talvez isso liberte Archie de Gretchen de uma vez por todas.

Quando vi a capa desse livro pela primeira vez, pensei que se tratava de um romance bonitinho, de um casal que provavelmente tivesse magoado um ao outro, daí esse título… Depois quando li a sinopse, vi que estava bem enganada. O livro de bonitinho não tem nada.

Diga-se de passagem, enquadra-se em um dos melhores romances policiais que li esse ano. Aqui conta a história de um policial, Archie, com sua vida completamente destruída por uma seria killer que o seqüestrou há dez anos, e o torturou durante dez dias. Ressalto que é preciso ter um pouco de estômago pra ler o livro, toda a tortura é minunciosamente detalhada, levando você a pele do personagem. Se isso não fosse suficiente, Archie acaba se apaixonando por ela.

Talvez apaixonar não seja a palavra certa. É uma obsessão doentia, uma coisa que realmente você fica tentando entender o personagem. Já houve casos reais de Síndrome de Estocolmo¹, porém o que ela fez com Archie, você se pergunta como, ele acaba caindo nessa. Ele vai visitá-la todos os domingos na cela, afim de que ela diga onde e como torturou e matou as 199 vítimas que vieram antes dele, mas ele mesmo admite que apenas na presença dela encontrava o alívio. Novamente, a obsessão…

Archie  agora é viciado em remédios fortes (que ela o induzia a tomar nas sessões de tortura), mora em um apartamento quase vazio, e abandonou esposa e filhos. Mas é chamado novamente para trabalhar com a jornalista Susan quando assassinatos estranhos estão acontecendo com adolescentes cujas características são parecidas, e parte desta trama também está ligada a seria killer. Susan é outra personagem que também foge dos padrões de típica jornalista certinha. Sua vida é cheia de erros e defeitos.

Já Gretchen, é a serial killer descrita como linda, exuberante, “vestida para matar”. Sua personalidade é fria, mostrando que até na prisão ela parecia ter o controle da sua situação sobre Archie. A relação deles é doentia, fato. Archie é totalmente ciente disto, tanto que ele mesmo se descreve como o “homem problemático”, o “retardado”, que não consegue ficar longe dela. 

Não aconselho para aqueles que curtem algo mais leve, já li alguns comentários de pessoas que pararam logo na primeira página (mas depois fica mais levinho, rs). Porém pra quem gosta de um forte romance policial, com uma boa trama, personagens reais (que possuem seus podres, seus defeitos, nada de heróis e mocinhas perfeitas), vai realmente amar este livro. Super recomendado, não vejo a hora de ir para o segundo. 

¹ - Quando a vítima se apaixona por seu seqüestrador.

Trilogia “Archie e Gretchen”

1 – Coração Ferido

2 – Coração Apaixonado

3 – Coração Maligno

4 – The Night Season (lançamento previsto nos EUA: março de 2011)

Site oficial: http://www.chelseacain.com/

Site da Serial Killer: http://iheartgretchenlowell.com/

Cotação:

5 estrelas

 

 

Assinatura Bruna