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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Os Sombras – J. R Ward

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Título: Os Sombras
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos Livros
Nota: 5
Sinopse: Dois irmãos, ligados por algo maior que o laço de sangue, lutam para evitar um destino brutal. Trez "Latimer" não existe de fato. E não só porque essa identidade foi criada para que o Sombra pudesse viver no mundo humano. Trez fugiu de sua prisão no palácio dos Sombras há anos, e agora vive em Caldwell como cafetão, sempre tentando evitar seu fatal destino como escravo sexual da rainha. Ele nunca teve em quem confiar de verdade... a não ser no irmão, iAm. O único objetivo de iAm sempre foi impedir que o irmão de autodestruísse, e ele sabe que fracassou nisso. Só depois que Selena, uma Escolhida, entra na vida de Trez, é que o macho começa a dar a volta por cima; porém, é tarde demais. Chegou a hora de cumprir a profecia de se compromissar com a filha da rainha, e Trez não poderá fugir ou se esconder, e não há como negociar. Encurralado entre o desejo de seu coração e um destino que nunca aceitou, Trez deve decidir se põe a si mesmo e aos outros em perigo, ou se esquece para sempre a fêmea amada. Após uma tragédia inimaginável, da beira do seu abismo emocional, Trez precisará encontrar um motivo para continuar ou se arriscará a perder tudo, inclusive a alma. Será que iAm, em nome do amor fraterno, aceitará realizar um derradeiro sacrifico em lugar do irmão?

Os Sombras é o décimo terceiro livro da série “Irmandade da Adaga Negra”, de J. R. Ward. Dentro do universo dos vampiros criado pela autora, uma história vinha se destacando, ganhando o início de seus trâmites no último lançamento, em “O Rei”: Trez e iAm, conhecidos como os irmãos “sombras”, recebem, enfim, uma história própria de quase setecentas páginas ao incrível toque de uma autora cuja narrativa transcende ao sublime. Nem todos os avisos sobre os rumos dessa história, embora ausentes de spoilers, foram suficientes para me preparar para o que estava por vir.

A história segue o velho corpo até então apresentado desde a metade da série: enquanto histórias paralelas correm, interligadas a trama principal, os personagens primários ganham maior destaque, apresentando um romance envolvente e característico a todos os casais da série. Com Trez e Selena não seria diferente. O Sombra reencontra Selena de maneira abrupta, em uma situação problemática em que nenhum dos dois desejaria estar. Mas é a oportunidade para deixarem de lado as questões existenciais e viverem o romance mais intenso da vida de ambos. Isso porque o tempo, para eles, é curto. Há uma questão que interpõe o caminho para o possível final feliz de ambos.

Correndo contra o tempo, todos se mobilizam para ir atrás de respostas. Enquanto Trez permite-se estar ao lado da mulher que ama, o passado do personagem ressurge como um aviso amargo do seu destino inevitável como o Ungido, ou seja, o prometido à rainha da raça dos Sombras. O tempo, para ele, está se acabando. iAm, então, entra como o papel do irmão que está sempre pronto para dar a si mesmo em função da felicidade de Trez. Ainda que gêmeos, Trez e iAm não poderiam ser mais diferentes. A cumplicidade de duas figuras tão distintas e tão próximas se torna essencial para manter o equilíbrio na vida de Trez. Embora o livro seja dele, é iAm quem ganha espaço nos últimos momentos da trama. Um final merecido para quem tanto se dedicou ao seu gêmeo.

Nas tramas paralelas, acompanhamos o início da história de Paradise, personagem principal da série paralela, em “Beijo de Sangue”. Rhage também ganha uma bela introdução para ser o próximo a ter sua história contada em “A Besta”, o décimo quinto volume da série. Assim, Ward mais uma vez nos mostra uma história da melhor qualidade, que nos leva a incansáveis suspiros com a doce e sexy relação de Trez e iAm, mas também a soluços e choques quando chegamos ao fim. Ao contrário do volume anterior, “Os Sombras” é um livro de romance afogado no drama mais profundo. Para quem lê, fica um questionamento: será que ainda veremos Trez como personagem principal, em algum outro momento? Ou isso foi tudo? Vindo da Ward, eu não me surpreenderia se ainda tivéssemos uma reviravolta pela frente…

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Depois de você – Jojo Moyes

imageTítulo: Depois de você
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Nota: 3 estrelas
Sinopse: Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.
Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.

Após o fenômeno bestseller “Depois de você”, Jojo Moyes lançou a continuação da aclamada história que está sendo adaptada para os cinemas. O drama, que no primeiro volume conta as peripécias românticas e dificultosas de um personagem tetraplégico e de sua cuidadora, ganha um segmento que de antemão está mostrando divergências de opiniões muito antes do seu lançamento. Afinal, era mesmo necessário, após uma história tão impactante, com um desfecho digno de fechar com chave de ouro, trazer uma continuação que corria grandes riscos de não ter a mesma essência que o seu antecessor?

Na história de “Depois de você”, o leitor encontrará uma Lou que, apesar de todos os esforços de seguir em frente, não consegue superar a morte de Will. Sua vida está longe de parecer um mar de rosas pós-luto. Ao se mudar para Londres, a promessa que fez a Will é quebrada de imediato. Seu apartamento pequeno e sem graça e o ritmo pacato como encara sua atual situação a leva a um estado de início de depressão. Assim, quando por acidente ela escorrega a cai do telhado do seu apartamento, todos pensam que Lou, na verdade, tentou o suicídio.

Ciente de que precisa dar um passo a frente, Lou decide entrar para um grupo de terapia pós-luto. Apesar de estar pouco a vontade, a ex-cuidadora passa a frequentar as reuniões, dividindo sua dor com os demais presentes. Nesse período, além de conhecer o pai viúvo de um dos membros do grupo, Lou recebe uma inesperada surpresa que bate a sua porta, revivendo o seu passado com Will.

“Depois de você” é o retrato pós-luto, mas não há nada nesta história que possa ser comparado aos trâmites dramáticos e tocantes apresentados no primeiro volume. Nem sequer chega perto. A Lou amadurecida, que promete seguir os desejos de Will, parece voltar algumas casas nesse novo episódio de sua vida. Desanimada com tudo, a personagem passa boa parte da história mostrando ao leitor sua vida sem graça, preenchida por pensamentos com requintes depressivos. Não chega a ser maçante, mas quando estamos falando da continuação de um dos drama mais tocantes dos últimos tempos, é inevitável que se espere algo mais do que descrever uma rotina pacata e suas lamúrias “pós-Will”, ambas sem provocar uma grande e profunda empatia no leitor.

O livro também apresenta uma gama de personagens desconexos. Jéssica surge de repente como a filha desconhecida de Will, sem mais nem menos. Por mais que a autora tente nos convencer sobre a menina, sua personalidade chata, folgada e irritante em boa parte da história, usada com a justificativa de nunca ter recebido carinho dos pais ricos, acaba não trazendo uma ligação especial conosco. O par romântico de Lou passa pela mesma crise: apesar de gentil e bondoso, sua aparição escassa não traz aquela química vista anteriormente.

Sob a ótica de um livro independente, “Depois de você” passaria como uma história razoavelmente agradável, apesar dos pormenores negativos até então citados. Contudo, é impossível enxergá-lo como tal, especialmente ao ser lançado como o sucessor de uma história tão aclamada. O que nos volta ao questionamento do porquê de seu lançamento, se não, em parte, pelo embalo do sucesso com o filme em vias de ser lançado. Não é ruim, mas está muito longe de nos levar à comoção.   Leia, mas sem muita pretensões de se apaixonar profundamente pela história.

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sábado, 30 de julho de 2016

Mia Sheridan – O coração do Leão

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Ficha Técnica:
Título Original: Leo
N° de páginas: 206
Editora: Arqueiro
Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Esta história se baseia na mitologia de Leão e fala sobre as surpresas que a vida nos reserva. Evie e Leo se conheceram ainda crianças, em um lar adotivo, e logo se tornaram grandes amigos. Com o tempo, a amizade se transformou em uma paixão avassaladora, e eles juraram ficar juntos para sempre.
Quando Leo foi inesperadamente adotado na adolescência e teve que se mudar para outra cidade, prometeu a Evie que entraria em contato com ela assim que chegasse lá e que voltaria para buscá-la quando ela fizesse 18 anos. Mas ele nunca mais deu notícias. Oito anos depois, apesar das circunstâncias, Evie conseguiu dar a volta por cima. Tem um emprego, amigos e está feliz. Então, de repente, um homem chamado Jake Madsen surge em sua vida, alegando ter sido enviado por Leo para saber como ela está. Evie não consegue evitar a atração que sente por esse homem sensual e misterioso. Mas será que ela pode confiar em um estranho? Ou será que ele está guardando um segredo sobre sua real ligação com Leo e os motivos que o levaram a sumir de sua vida anos atrás?

Resenha da blogueira Luciara, do blog Leituras e Devaneios.

"Coração do Leão", da autora Mia Sheridan, é o segundo livro da Série Signos do Amor, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. Já conhecia a autora antes dela ter seus livros publicados por aqui e sabia do seu talento para escrever histórias emocionantes, como é o caso de Leo. Suas histórias são de fácil leitura, ou seja, daquelas que você ler num piscar de olhos. Mia escreve aqueles enredos que fazem você chorar litros; pelo menos esse foi o meu caso.

Leo e Evie tiveram um começo de vida difícil, porém isso não fez com que se tornassem crianças problemáticas ou revoltas. Eles se comportavam bem nos orfanatos ou lares adotivos para onde eram enviados. Um dia se conheceram e amizade foi instantânea, depois se transformou em algo a mais, levando-os, já adolescentes, a desejarem ter um futuro juntos. Contudo, algo surpreendente surgiu para mantê-los separados: Leo, na idade de 15 anos, foi adotado por um caso rico. Ele então partiu prometendo manter contato e buscar Evie para viver com ele quando ela fizesse 18 anos. Os dezoito anos de Evie chegou e Leo não cumpriu sua promessa.

Oito anos depois, agora com vinte de um anos, Evie vive uma vida modesta, mas contente. Agora ela possui um lar só seu, mesmo sendo humilde; tem um emprego que paga suas contas e amigos especiais. Porém, ela nunca esqueceu Leo, seu leão. Ela não fazia ideia do que aconteceu com ele ou por que de nunca ter a procurado, no entanto, no velório de sua querida amiga Willow - também uma órfã que conheceu na infância - Evie finalmente têm notícias de Leo.

Jake Madsen, um homem lindo e rico, traz notícias de Leo para Evie, essas nem um pouco agradáveis. O passado resolve bater na sua porta e, apesar das notícias não serem nada agradáveis, levam Jake até Evie. Ele é tudo que uma mulher pode desejar e, mesmo aparentando esconder vários segredos, Evie sente que Jake realmente é o cara certo. Os dois então embarcam em uma linda história de amor. Porém, segredos nunca ficam muito tempo escondidos e Jake deverá estar preparados para manter sua amada ao seu lado quando ela finamente descobrir o que ele esconde.

"Leo" é uma história muito linda com personagens apaixonantes. Não tem como não amar o maravilhoso Jake que, apesar de misterioso e esconder várias coisas de Evie, realmente demonstra ser louco por ela. A devoção que ele demonstra para com ela é lindo e realmente torci pelo casal. Evie também é uma personagem ótima, forte e batalhadora. Gostei muito de sua personalidade e seu jeito forte de sempre encarar a vida com seriedade, mesmo a sua não tendo sido a das melhores.

Chorei no livro com a história de Willow. Mesmo ela tendo aparecido só nos flashback da infância no orfanato, derramei lágrimas ao ler sobre o seu enterro. Sua história é super triste e teve um final trágico. Fico revoltada com esses pais irresponsáveis que botam filhos no mundo para sofrer. Sério, uma das coisas que mais me revoltam é o abandono de crianças e animais de estimação. Se não querem cuidar, não tenha.

O livro tenta criar um ar de mistério sobre o que aconteceu para que Leo não mantivesse contato. Posso dizer que funcionou, pois realmente não dar para imaginar o que fez com ele não se comunicasse com Evie. Claro que o mistério em torno de Jake é bem óbvio, mas não deixa de ser curioso. Não aceitei bem a justificativa de Leo sumir, mas não deixou de ser boa. Super recomendo a história, ela é bem linda e emocionante.

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Capa estrangeira: 

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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

À flor da pele – Helena Hunting

image- Ficha Técnica:
- Título Original: Clipped Wings
- N° de páginas: 331
- Editora: Suma de Letras
- Sinopse: Tudo na tímida Tenley Page intriga o tatuador Hayden Stryker de um modo que ninguém jamais conseguiu: do cabelo longo e esvoaçante com aroma de baunilha até a curva suave do quadril... E o interesse dele só aumenta quando ela pede que ele tatue um desenho incomum em suas costas. Com seu jeito durão, Hayden é tudo que Tenley nunca se atreveu a desejar. A química entre os dois é instantânea e desperta nela o desejo de explorar o corpo escultural que há por baixo de tantas tatuagens. Traumatizada por um passado trágico, Tenley vê em Hayden a chance de um recomeço. No entanto, o que ela não sabe é que ele também tem segredos que o impedem de manter um relacionamento por muito tempo. Quando os dois mergulham em uma relação excitante e enfim passam a confiar um no outro, lembranças e problemas batem à porta — e talvez nem mesmo a paixão entre eles seja capaz de fazê-los superar seus traumas.

Resenha da Denise Ayres, do blog My Book Is

Tenley Page é uma moça tímida e respira ingenuidade, chamando a atenção do bad boy tatuador Hayden. A moça trabalha e mora perto do rapaz, e pretende fazer uma enorme tatuagem nas costas.

Ela também é aluna do programa de mestrado da universidade local, mas o que ela não esperava era se envolver emocionalmente com Hayden. O rapaz é o oposto de tudo do que sempre teve ou pensou em ter, nunca se atreveu olhar para esse tipo de homem.

Obviamente a química entre eles é efusiva e avassaladora.

Ambos possuem um passado tumultuado e guardam mágoas profundas na alma. Hayden teve seus pais assassinados e desconhece o culpado, enquanto Tenley é uma das poucas sobreviventes a um grave acidente de avião que dizimou todas as pessoas que ela amava, que faziam parte de seu mundo.

Tenley perdeu seus pais, seu noivo e seus amigos, e ainda grita a noite com as lembranças da tragédia. Estar com Hayden é uma forma de contravenção à seus padrões, mas acima de tudo silencia a dor que ela carrega, lhe desperta para a vida novamente.

Infelizmente, o passado de ambos bate a porta e com ele as complicações.

Hayden passou por uma fase de revolta com o drama familiar insuperável, fazendo muitas bobagens e arruinando sua reputação.

Tenley não finalizou as coisas.

Está certo que o acidente foi há menos de um ano, mas o fato é que ela não terminou o capítulo, e com isso sofrerá as consequências.

A narrativa é feita sob o ponto de vista dos protagonistas, oscilando a cada capítulo sob o olhar de um deles.

O livro começa de forma lenta, em alguns momentos pensei em desistir. A fórmula 'casal problemático tentando se curar por meio do amor' é meio batida e fiquei meio entediada, mas o ritmo cresce e a leitura vai se tornando bastante envolvente – tanto que do meio pro fim li rapidamente e sem interrupção.

O final deixa um gancho fortíssimo para o segundo, gerando uma necessidade cruel em continuar a leitura. Livro bom para um domingo chuvoso.

- Capa estrangeira:

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A voz do arqueiro – Mia Sheridan

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- Ficha Técnica:
- Título Original: Archer’s Voice
- N° de páginas: 336
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor. Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

“A voz do arqueiro” é o quarto livro da série “Signos do Amor”, porém aqui no Brasil foi o primeiro a ser publicado pela editora Arqueiro. Além do volume fora de ordem, o título do livro foi um erro de tradução quase tão primário que nos leva a questão do porquê esse deslize ter passado despercebido pela editora. “Archer”, nome do personagem, significa “arqueiro” em português, mas não há nenhuma relação da palavra traduzida com a história, assim, não havia a necessidade da traduação.

A exceção desses dois fatos curiosos, a história é despojada de qualquer outro tipo de crítica. Com uma pitada de drama, “A Voz do Arqueiro” traz uma relação amorosa delicada. Archer é um personagem excepcional e diferente. Tendo uma história conturbada em sua infância, o garoto cresceu isolado em uma cidadezinha pequena, aonde todos o tratam com indiferência ou – no máximo, com pena pela sua incapacidade de se comunicar com as pessoas. Archer não vê problemas nisso. Há muito tempo ele se isolou, deixando de se importar com que os outros pensam.

Mas a chegada de Bree na cidade mudará a vida dele e dos habitantes que moram em Pelion. O encontro dos dois não poderia ser mais inusitado e envergonhante para Bree, mas, aos poucos, Bree vai perceber que Archer é como um pássaro machucado, que precisará enfrentar seus dilemas antes de se permitir ter uma vida normal. Bree também precisa enfrentar o passado, que pode voltar a assombrá-la quando ela enfim parece ter encontrado a felicidade ao lado do jovem mais encantador que ela já conheceu.

Narrado em primeira pessoa, “A voz do arqueiro” é uma história delicada, leve, tecida a partir de personagens fortes. Archer e Bree formam casal que trará dilemas tão reais e bem costurados quanto a trama que os envolve devido ao passado de cada um. É um livro que consegue emocionar sem soar piegas, trazendo a aceitação e o amor incondicional como temas a serem explorados ao longo do enredo. Claro, uma pitada de um romance quente não poderia faltar, fechando o que, para mim, foi um dos melhores romances deste ano.

- Nota: image

- Capa original:

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domingo, 30 de agosto de 2015

O Conde Enfeitiçado – Julia Quinn

image - Ficha Técnica:
- Título Original: When he was wicked
- N° de páginas: 290
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: O Conde Enfeitiçado - Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton. Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele. Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite. Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo.

O Conde Enfeitiçado é o sexto livro da série “Os Bridgertons”, de Julia Quinn. Francesa, a protagonista, já foi citada anteriormente na série, num dos momento mais tétricos para a personagem: o enterro de seu querido marido John. Contudo em “O Conde Enfeitiçado”, a história se inicia com John ainda vivo, na propriedade da família, em uma animada conversa com sua esposa e seu primo Michael.

O que ambos desconhecem é a paixão secreta que Michael sempre nutriu por Francesca. Estar tão perto e não poder tê-la é uma loucura, mas Michael resigna-se apenas em ser o melhor amigo dela, sabendo que jamais poderia tê-la. E para tirá-la da cabeça, nada melhor do que ser um dos mulherengos mais inveterados de Londres, dando lhe a fama de “O Devasso Alegre”. Ainda assim, nenhuma mulher consegue fazê-lo esquecer de sua doce e amada Francesa.

Um dia, contudo, John morre subitamente. A dor do luto transforma Michael e Francesa em estranhos, afastando-os do convívio diário. Além da culpa que o assola por ter desejado a mulher de seu primo falecido durante tanto tempo, há também a questão do título: Michael não quer ser o novo conde. Deste modo ele parte para Índia por quatro longos anos, deixando toda a responsabilidade do condado para Francesa.

Diferente dos livros anteriores, “O Conde Enfeitiçado” traz como cenário um desdobramento do enredo pautado no luto e na consciência moral dos personagens: ambos sofrem com a dor de perder alguém próximo, e o maior empecilho certamente está em superar e em seguir em frente após a morte de John. Assim, o relacionamento precisa ser novamente explorado a passos lentos, permitindo a ambos de se conhecerem melhor sem a culpa de trair a memória do marido de Francesa. Contudo, não será assim tão fácil renunciar as normas regentes de suas consciências. 

Ainda que ao falar de perdas, “O Conde Enfeitiçado” não abandona os traços de humor presente nas histórias do Bridgerton, pelo contrário. As falas engraçadas e divertidas nunca estiveram tão acentuadas em uma trama, equilibrando o lado mais pungente com momentos bem descontraídos. E embora a relutância de ficarem juntos chega a ser enfadonha em certo ponto, os diálogos acabam servindo de escape para a demora do romance. É divertido acompanhar os desbravamentos de Michael para se comportar como um cavalheiro e frear seus pensamentos libidinosos quando está na presença de Francesa.

“O Conde Enfeitiçado” não é o melhor livro da série, mas de certo traz suas particularidades que fazem a leitura valer a pena. O próximo livro, “Um Beijo Enfeitiçado” – título este ainda provisório –, ainda não tem previsão de lançamento, e contará a história de Gareth com a irmã caçula da família Hyacinth.

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- Capa original:

 

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terça-feira, 14 de julho de 2015

Entre a vingança e o desejo – Joanna Fulford

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- Ficha Técnica:
- Título Original: Defiant in the Viking’s Bed
- N° de páginas: 284
- Editora: Harlequin
- Sinopse: Capturado pelo inimigo e acorrentado como um animal, o viking Leif Egilsson tem apenas um pensamento: vingança. Ele não será mais enfeitiçado pela beleza ardilosa de lady Astrid. Após a fuga, Leif decide fazê-la pagar pela traição e usará todas as armas para possuir o que mais anseia: a inocência de Astrid. Contudo, ela tem o coração de uma guerreira, e não será domada tão facilmente quanto Leif acredita...

A priori, focado numa relação de vingança, “Entre a Vingança e o Desejo”, de Joanna Fulford, é um romance medieval cujo período histórico se concentra na época das invasões vikings, no reinado do rei Halfdan. Publicado originalmente em 2013, apresentando um enredo de cordialidades vazias de inimigos e planos de fuga forjados no calor do primeiro encontro, a história tece um ritmo forte e bem escrito, tornando a leitura irresistível para qualquer apaixonado por romances medievais.

Depois de resgatar a prometida do rei, Leif está certo de que o seu destino é somente o campo de batalha. Contudo, não esperava conhecer lady Astrid, criada e amiga próxima da futura rainha. A jovem mulher tomou seus pensamento no instante em que Leif a conheceu, e não há como tirá-la da cabeça. Assim, na noite anterior a sua partida, Leif lhe faz uma proposta: que ela abandonasse seu lar e a companhia de um tio cruel, e fosse viver com ele. Contudo, Leif deixa claro que o acordo não incluía casamento.

Dividida, Astrid leva um tempo para tomar sua decisão. Mas quando sua escolha é feita, o inesperado acontece: Astrid e Laif sofrem uma emboscada, tornando Laif prisioneiro do tio dela. Tratado pior do que um escravo, acorrentado junto aos cães como um animal, o guerreiro é levado a crer que Astrid fazia parte deste plano. Logo, ele jura vingança a todos, mas principalmente a mulher que o iludiu com promessas sedutoras. Ao planejar sua fuga, Leif decide levar Astrid consigo, fazendo-a pagar cada uma das humilhações infligidas a ele, assim como aconteceria com os demais.

“Entre a vingança e o desejo” é um romance doce e terno, muito bem construído, que se agarra numa relação de paixão disfarçada no véu da vingança. Não há nada de tirano em Leif que desse ao enredo uma característica mais “crua”. Contudo, com o orgulho ferido, o poderoso guerreiro consegue atormentar a vida de Astrid, transformando-a em uma escrava em seu castelo. Mas Astrid é uma mulher forte, decidida e apaixonada; inteligente, ela consegue se infiltrar pouco a pouco no rancor de Leif.  Ao se dar conta do julgamento errôneo, Leif passa a enxergar uma mulher inocente, tão vítima de Einar quanto ele fora um dia. Assim, o romance gradativo torna-se mais forte, repleto de nuances.

De certo a história possui um ritmo muito gostoso. Diálogos rápidos, sem a interferência de pausas para intercalar ações, pode, de início, dar ao texto um tom mais amador e apressado, porém Joanna Fulford demonstra total habilidade para contar uma história de romance com ares vikings. Recorrendo a alguns clichês deliciosos, “Entre o desejo e a vingança” se destaca entre tantas outras histórias – se não pelo ritmo dos diálogos, então por todo o resto. E, convenhamos, histórias assim são sempre bem-vindas.

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- Capa original:

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Coração Bárbaro – Michelle Styles

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-Ficha Técnica:
-Título Original: Taken by the viking
-N° de páginas: 284
-Editora: Harlequin
-Sinopse: Eles haviam dito que vieram em paz, mas logo Lindis farne estava em chamas. Annis de Birdoswald tentou fugir, porém não conseguiu escapar dos guerreiros do Norte. Haakon Haroldson, o viking sombrio e arrogante, sequestrou-a e a afastou de tudo o que ela amava. Agora, Annis precisa escolher entre continuar uma prisioneira ou viver uma vida de prazer ao lado desse poderoso invasor.
-Nota: 3 estrelas

Coração Bárbaro, de Michelle Styles, foi publicado originalmente em 2007 no exterior. Aqui no Brasil, o romance medieval de mote Viking foi lançado mês passado pela Harlequin Brasil. Dada a descrição do enredo, a percepção inicial é que a história fosse envolta por personagens de índoles mais cruéis, cujo contexto histórico, mais bárbaro, apresentasse grande influência no comportamento dos personagens Contudo, “Coração Bárbaro” é uma história leve, que dita um ritmo agradável, sem muitas reviravoltas.

Embora os personagens sejam todos fictícios, o início da história é baseada em fatos reais, pautado pelas pesquisas da autora. Quando Annis presencia a morte de seu tio, sabe que deve se esconder do ataque súbito dos vikings, ou seria morta em pouco tempo. Seu esconderijo, contudo, logo é atacado por um inimigo enloquecido pela sede de sangue, mas outro viking consegue interfirir a tempo. Haakon Haroldson é o líder do grupo, e possui uma dívida de gratidão com Annis. Por isso, ele a leva para um local seguro, longe de todo o frenesi do ataque.

Pouco tempo depois, Annis acaba sendo capturada por um dos companheiros de Haakon. Não resta outra opção a ele, como jarl, senão levá-la como prisioneira. A vida que Annis conhecia é deixada para trás: Annis viaja para a terra Viking, e é colocada para ajudar outras mulheres na cozinha. Enquanto seu resgate não fosse pago, a prisioneira serviria aos vikings e aprenderia sobre os costumes deles. Ela só não esperava que durante este tempo, fosse se envolver cada vez mais com Haakon, de uma forma muito, muito perigosa. Agora, Annis teria a difícil tarefa entre escolher quem ela um dia fora, para quem um dia ela gostaria de ser.

Dotado de um toque mais suave, “Coração Bárbaro” é a antítese certa de seu título. Ao invés dos conflitos esperados entre os personagens, Annis e Haakon são, na verdade, duas figuras que apresentam um romance mais apático, porém interessante. Não diria que ambos fazem parte daquele típico enredo “água com açucar”, mas de um romance mais discreto, moldado a passos mais lentos. Em alguns momentos, de certo, o leitor mais ávido sentirá falta de uma interação maior. Talvez, se Annis fosse mais impetuosa, a história teria alavancado em um enredo expecional. Contudo, as diferentes posições entre Haakon e Annis, assim como o fato de Annis ser uma prisioneira, fazem com que ambos se mantenham mais distantes durante a história.

“Coração Bárbaro” também possui seus lados positivos, e mostra a contrução de um romance doce e singelo. O livro aprensenta personagens interessante, amigos de Haakoon, que darão segmento individual a trama. Este mês, a Harlequin Brasil lançarará “Força Invasora”, que conta a história de Viking. Já “Coração Bárbaro” pode não ser tudo que eu esperava, mas, de certo, é uma história boa de se ler, com o bom e velho toque de ares vikings, como a tempos eu queria.

Capa original:

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

A Seleção – Kiera Cass

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-Ficha Técnica:
-Título Original:
The Selection
-N° de páginas: 368
-Editora: Seguinte
-Sinopse: Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria apenas ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma...

A Seleção, de Kiera Cass, é o primeiro livro de uma série juvenil publicado pela primeira vez em 2012 pela editora Seguinte. Deixando de lado o cenário sombrio distópico apresentado por muitos livros do gênero, Kiera Cass mergulha numa história singular, cujo foco está em apresentar um mundo dividido por castas. A pobreza e a miséria dependem do grau no qual você está inserido, ocorrendo de forma crescente: quanto maior o número da sua casta, mais pobre e miserável sua família será.

Contudo, um apogeu tétrico pungido por um governo opressor não é, a princípio, o foco da história. Na verdade, A Seleção é construído de um jeito leve e divertido, sobre o alicerce de uma “cinderela distópica”. Em Iléa, um país nascido após uma grande guerra, é comum que os príncipes se casem com plebéias. Foi assim com a mãe de Maxon, e assim seria quando fosse a vez dele de escolher uma pretendente. Trinta e cinco candidatas seriam selecionadas para o conhecido reality show A Seleção, onde só uma delas seria a sortuda a ganhar o posto de princesa ao lado de Maxon. Qualquer garota estaria mais do que ansiosa para ter esta chance.

Qualquer uma, menos America. Impulsionada pela mãe, a garota se inscreve e, surpresa, descobre que ficou entre as finalistas. Abandonar a família para morar no palácio, por tempo indeterminado, enquanto é acompanhada por uma rede de TV, passando por aulas de história, rivalidades e jantares reais, não estava em seus planos. Mas uma vez lá dentro, America vai descobrir que A Seleção pode ser, de fato, uma oportunidade única, especialmente ao conhecer mais a fundo o príncipe Maxon. A aproximação dos dois lhe mostrará que Maxon é mais do que apenas sua aparência de um belo príncipe.

A Seleção é, na melhor das definições, uma leitura doce e singela, que atrai pelo ritmo com que a história é contada. Sem se prender a uma narrativa densa, o que Kiera Cass nos apresenta é uma leitura rápida, onde tudo flui de forma harmoniosa. Personagens juvenis interessantes incrementam a qualidade da história, e embora não esteja livre de alguns clichês – como o triângulo amoroso –, America e Maxon deixam a leitura ainda mais viciante. America é uma protagonista forte, e Maxon, com seu jeito tímido de príncipe adolescente, é irresistível. Sua bondade e seu flerte doce é só parte do charme que acompanha o garoto.

Mesmo sendo avessa a livros distópicos, A Seleção foge a regra.  A história trata, principalmente, sobre as discrepâncias sociais, mas também aposta em um romance que há muito tempo eu não experimentava em uma leitura: doce, inocente e juvenil, mas que consegue, ainda assim, arrancar ótimos e longos suspiros de um leitor. A  Seleção fica entre as leituras mais leves que tive este ano, mas certamente uma das que ficará entre as preferidas de 2015. As expectativas para “A Elite”, continuação do livro, não poderiam ser maiores após a excelente leitura.

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Capa original:

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Obs: Queria agradecer a Mayara Tashiro, do blog Silêncio Contagiante, que foi quem me deu o livro. Obrigada pelo presentão!!!

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Príncipe dos Canalhas – Loretta Chase

image -Ficha Técnica:
-Título Original:
Lord of Scoundrels
-N° de páginas: 285
-Editora: Arqueiro
-Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.

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Obs: Eu sei que ando sumida do blog. Estou com alguns projetos que estão tomando um tempo maior, o que me fez ler menos em maio. Espero, inclusive, trazer novidades legais para vocês em breve. :) Mês que vem tentarei ser mais presente por aqui. ^^

Entendo que muitos elejam “O Príncipe dos Canalhas” como um dos romances históricos mais inteligentes já lançados – e, ao dizer “lançados”, nos referimos a um livro cujo lançamento oficial foi há vinte anos. “O Príncipe dos Canalhas”, vencedor do prêmio RITA de melhor romance histórico, é certamente um livro que dita um ritmo pouco esperado a uma história do gênero. O livro apresenta personagens principais que não hesitam em destilar uma guerra de diálogos aguçados, por vezes ácidos, um contra o outro. Dain e Jéssica são como dois oponentes lutando para encontrarem uma brecha na armadura de cada um.

Dain nunca conheceu qualquer forma de carinho: seu pai o detestava, sua mãe fugiu com um amante e os colegas do internato fizeram de sua vida um inferno. Assim, cresceu como um libertino, rico, decidido a manter suas emoções distantes. Adotou uma personalidade ácida, fria e  egocêntrica, até conhecer Jéssica, a irmã de um de seus seguidores mais tolos. Jéssica entraria em sua vida da forma mais abrupta possível, minando tudo que Dain tinha levado anos para construir.

A história começa bem, fisgando o leitor logo nas primeiras páginas. Tudo em excesso, porém, cansa. Para cada palavra ácida de Dain, Jéssica tem um resposta na ponta da língua. A personagem, muito longe de se adequar aos padrões femininos e recatados da época, não se deixa abalar, nem mesmo quando Dain ressalta que pagou um preço caro para usá-la como bem entendesse, pronta para rebatê-lo com outra de suas respostas rápidas. E assim seguimos em quase trezentas páginas. Por mais que os diálogos sejam bons, a ausência de reações mais convictas torna o livro estagnado. Não há sentimentos da raiva, dor ou mágoa – ou melhor, eles existem, mas são esquecidos ao segundo plano, sem serem convincentes, dando espaço ao incansável jogo de gato e rato de dois personagens muito teimosos.

“O Príncipe dos Canalhas”, contudo, nos mostra certas ressalvas interessantes. Vinte anos atrás, personagens densas como Jéssica, que prefere assistir a luta livre, atirar no pretendente e a pular em cima de um ladrão, fugiam a regra – não somente do contexto social da qual a personagem está inserida, mas da época em que a história foi lançada. A presença de uma figura mais marcante, que fosse páreo as incansáveis recusas de Dain, talvez tenha impulsionado à história ao prêmio RITA. Não é ruim, pelo contrário, e personagens assim deveriam ser mais presentes nas histórias de época. Mas faltou o equilíbrio, mais romance e uma química maior – ou até mesmo reações mais fortes entre os dois além das provocações de cada um. Neste quesito, acredito que “O Príncipe dos Canalhas” tenha falhado. Fico, portanto, com o meio a meio, e três estrelas dada ao livro.

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domingo, 3 de maio de 2015

Um Amor Perfeito – Susan Fox

image - Ficha Técnica:
- Título Original: Caribou Crossing
- N° de páginas: 190
- Editora: Única
- Sinopse: Wade Bly e Miriam são um casal perfeito: juntos desde a escola, ambos sonham com uma vida feliz juntos. Wade tem planos de se casar com Miriam e trabalhar no rancho de seu pai, e futuramente, com o dinheiro que irá guardar, aumentar sua família com quatro filhos. Miriam sabe que sua felicidade está ao lado de Wade. Ele é um homem carinhoso e sonhador e um amante quente e sensual. Suas vidas estão conectadas e felizes. Até que uma gravidez inesperada e algumas decepções irão desafiá-los. Eles estão prontos para encarar os desafios da vida? Um amor que está apenas começando... e provações que irão mostrar-lhes o caminho. Não perca a saga Caribou Crossing!

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“Um Amor Perfeito”, de Susan Fox, é o primeiro volume da série “Caribou Crossing”. Cada volume conta a história de personagens do cotidiano, que nasceram ou se mudaram para a cidade pequena, vivendo dilemas e questões emocionais que estão ligadas intimamente a Caribou Crossing. Retratando uma geração diferente em cada história, “Um Amor Perfeito” destaca a relação entre Wade e Mirian, um casal jovem e apaixonado, cheio de sonhos. Os dois levam a vida perfeita, até que o inesperado acontece.

Wade e Miriam possuem a vida que sempre sonharam. Uma filha querida, um rancho herdado dos pais de Wade e uma vida simples e trabalhadora. Tudo estava indo bem, obrigado. Porém, de repente, um baque transformará a vida dos dois, e eles precisarão lidar com uma perda terrível e dolorosa. A dor do luto não só os afasta, como também os faz perceberem que nenhum dos dois, de fato, estavam sendo sinceros um com outro. Esse difícil momento em suas vidas trará muitas lições a serem aprendidas.

Com menos de 200 páginas, “Um Amor Perfeito” foi uma leitura rápida, mas nem por isso menos prazerosa. A história é simples e despretensiosa, mas consegue traçar um ritmo bom e agradável. O livro retrata as dificuldades de um casal comum, passível de erros, que passam a maior parte da história distantes um dos outro depois de um baque em suas vidas perfeitas. Talvez seja este o único lado negativo da relação entre os dois; um envolvimento romântico mais profundo seria necessário para convencer o leitor do amor entre eles. Porém, a história de Wade e Miriam é prazerosa, com gostinho de cotidiano – especialmente pela filha do casal, Jessie, e sua relação com o melhor amigo, Evan. Os dois prometem serem um ótimo casal na continuação da série, “Um Sonho Perfeito”, já lançado pela editora Única.

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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sua última Duquesa – Gabrielle Kimm

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- Ficha Técnica:
- Título original:
His Last Duchess
- N° de páginas: 350
- Editora: Record
- Sinopse: Seduzida pelo sol ardente e pelas paixões ofuscantes da Itália Renascentista, a jovem Lucrécia de Medici, de 16 anos, vê uma vida dourada estendendo-se à sua frente. Seu marido muito rico escolheu-a como esposa, e o grande castelo dele em Ferrara vai ser o seu playground. Mas Alfonso d’Este, Duque de Ferrara, rapidamente se mostra tão perigoso e misterioso quanto é moreno e bonito, e as paredes de pedra do castelo parecem fechar-se em volta de Lucrécia como os muros de uma prisão. Apenas a amante do duque, Francesca, parece capaz de domar sua fúria crescente, enquanto sua necessidade desesperada de produzir um herdeiro o faz cair numa obsessão delirante. Com a cabeça cheia de sonhos desfeitos, Lucrécia foge dele por um caminho perigoso que pode lhe custar muito caro.

Sua última Duquesa, de Gabrielle Kimm, é um romance histórico que se passa no século XVI, baseada no poema “Minha última duquesa”, de Robert Browning. Os personagens retratados no monólogo do autor de fato existiram, porém a autora ressalta que tomou certas liberdades quanto a posição geográfica e o destino de alguns personagens, visto que, na vida real, guiada por suas pesquisas minuciosas, não se sabe ao certo que fim essas figuras tiveram.

“Sua Última Duquesa” conta a história de Lucrécia de Medici, uma garota jovem e bonita, prestes a se casar com um homem bem mais velho. O Duque Alfonso Este é rico, belo e dono de uma das maiores fortunas do país. O pai de Lucrécia não poderia estar mais feliz pelo arranjo que uniria as duas famílias, mas tanto a mãe de Lucrécia, Eleanora, quanto o seu primo, Giovanni, não estão nada satisfeitos com o matrimônio. Embora Lucrécia esteja interessada no casamento, Giovanni e Eleanora não simpatizam com Alfonso num primeiro momento.

O Duque Este é um homem atormentado. Sua mente é um turbilhão de pensamentos perigosos – sua consciência luta para afastar o prazer na morte, na dor física e emocional que causa às pessoas. Entretanto, quando Este tenta se deitar com a esposa, descobre que é incapaz de fazê-lo do modo convencional. Palavras doces e olhares ternos não o excitam, tampouco o corpo de sua mulher: apesar de desejá-la em pensamento, Alfonso perde a ereção sempre que está na cama com Lucrécia.

O casamento passa a ser um martírio para ambos: Em dois anos de casados, Lucrécia permanece virgem, e se ressente pela falta de carinho do marido. Alfonso, por sua vez, submete a mulher as humilhações mais degradantes na cama, em uma tentativa desesperada de consumarem o matrimônio. A ameaça de perder o Ducado caso não produza um herdeiro consome a tranquilidade Afonso, levando-o para o canto mais obscuro de sua mente ao traçar planos cruéis para resolver este problema. Enquanto isto, sua esposa conhece Jacomo, um dos pintores contratados pelo marido, e se apaixonada por ele. Mas o relacionamento não será fácil: Os dois terão que enfrentar um homem tirano e frio se quiserem ficar juntos.

Gabrielle Kimm pode ser bastante descritiva em certos momentos, ao ponto de narrar a posição dos olhos de um personagem em relação ao seu nariz. Entretanto, engana-se quem cogita, por um segundo, que seus detalhes ínfimos sejam cansativos: sua escrita é boa, ritmada, o que torna a leitura agradável. Não é por menos que somos levados pela narrativa envolvente: Gabrielle Kimm é formada em literatura e em escrita criativa, mostrando, além disso, um talento natural para contar sua história.

Parte do atrativo do livro se deve, também, aos personagens. Quando entramos nos recônditos da mente de Afonso, somos levados a um relato delicado, simples e inquietante – perturbador até. Porém, ao nos depararmos com Lucrécia, encontramos uma jovem, que, apesar das provações diante do marido cruel, mantém o traço jovem, forte e sonhador. Outros personagens, como Giovanni, Catelina e Francesca,  também se destacam na história, cada um com um papel bem delineados na trama. Francesa, aliás, é tão importante na trama que acabou ganhando seu próprio livro, “The Courtsan’s Lover”.

“Sua Última Duquesa” traz uma trama que nos prende até as últimas páginas, aguçados pela luta de Lucrécia em se livrar de um aristocrata perigoso. Apesar de retratar um lado mais sombrio, a leitura é um tanto leve, pois as passagens mais tensas são retratadas de modo superficial. Quando Alfonso submete a esposa a humilhações para excitá-lo, por exemplo, o leitor somente toma conhecimento disto pelo relato breve de Lucrécia, na manhã seguinte após os fatos. Nada que torne a leitura muito tenebrosa, mas que nos inquieta de todos os modos. Um livro que com certeza vale a pena.

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domingo, 19 de abril de 2015

A Rainha Normanda – Patrícia Bracewell

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- Ficha Técnica:
- Título original:
Shadow on the crown
- N° de páginas: 392
- Editora: Arqueiro
- Sinopse: Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, A rainha normanda conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.Governando na época compreendida entre o rei Artur e a rainha Elisabeth I, a rainha Emma é uma heroína inesquecível cuja luta para encontrar seu lugar no mundo continua fascinante até hoje.

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A Rainha Normanda, de Patrícia Bracewell, traz ao leitor uma trama ambientada no ano de 1002, narrando a história de Emma, uma jovem normanda que se vê em meio a um embate político delicado. Baseado nas Crônicas Anglo-saxã, “A Rainha Normanda” é um desses livros envolventes que retrata, mesclando ficção e realidade, os acontecimentos de figuras importantes de um período histórico.

Aos quinze anos de idade, Emma nunca imaginou que acabaria tomando o lugar da irmã para se casar com Æthelred II, o rei da Inglaterra. O que era para ser um acontecimento importante em sua vida, torna-se seu pior martírio: a nova rainha precisará enfrentar inimigos na corte – incluindo a amante de seu marido. Além disso, será necessário conquistar a confiança dos filhos de Æthelred II, que não hesitam em demonstrar o rancor que sentem por ela. O rei, por sua vez, é um marido bruto que não confia nela.

Emma lutará com todas as suas armas para driblar os perigos de sua nova vida, mas uma paixão inesperada colocará em risco sua posição como rainha: Athelstan, o filho de Æthelred II, é um rapaz atraente e atencioso. O que começa como uma aproximação com intenções de se embrenhar nos planos de Emma, termina em uma paixão que nenhum dos dois conseguirá resistir. Entretanto, resta o dilema: Emma colocará sua posição como rainha em risco, por conta de um amor proibido?

Em “A Rainha Normanda”, as intrigas políticas no castelo tecem uma trama repleta de incertezas.  A influência da corte e as pessoas a sua voltam exercem um peso sobre o modo de vida de Emma, e logo a jovem pueril – usada como peão entre o irmão e o marido – amadurece, cedendo espaço para uma mulher forte e determinada, que entrará na disputa pelo poder. Entretanto, o romance com o filho de Æthelred II abala suas estruturas.

O caminho de Emma é decidido somente nos momentos finais da trama. Assim, acompanhamos seu conturbado relacionamento com o rei, com a corte e com os filhos de Æthelred II. Emma também enfrenta um sequestro político que a aproxima de Athelstan, deixando sua situação ainda mais complicada. A rainha, entretanto, reluta em aceitar a paixão que nutre pelo filho do rei, e lutará com afinco para afastar esse sentimento.

Apesar do romance ser um forte atrativo, a relação entre os dois parece pouco explorada. Encontros breves, flertes com olhares mais ousados, mas nada que nos dê o vislumbre de uma paixão forte – pelo contrário. No primeiro empecilho após se envolver com Athelstan, Emma usa da sensatez e não se deixa levar pelo atraente e gentil filho do rei. Assim, sua paixão parece tão passageira quanto um piscar de olhos.

De qualquer modo, “A Rainha Normanda” é uma história envolvente,  retratando personagens bem construídos em uma trama tensa, apoiada em dados reais de uma pesquisa minuciosa feita pela autora. Patrícia Bracewell tem uma escrita envolvente, fluída, o que nos faz virar páginas e mais páginas em poucas horas. Como a própria autora escreve no final do livro, ainda há muito o que contar sobre a história da rainha da Inglaterra. Acredito, portanto, que a continuação, ainda sem data para publicação no Brasil, nos dará o gostinho de uma reviravolta interessante na história – tanto política quanto romântica. Resta a nós aguardarmos ansiosos por isso.

Capa original:

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

8 segundos – Camila Moreira

image - Ficha Técnica:
- N° de páginas:
275
- Editora: Suma de Letras
- Sinopse: O que fazer, quando dois mundos totalmente diferentes se chocam em uma realidade não esperada? Pietra sempre teve tudo o que desejava, mas após ser obrigada a passar trinta dias isolada em uma das fazendas da família, ela vai descobrir que nem tudo está ao alcance de suas mãos. Um peão de olhos azuis está tirando o sono da princesa da cidade.Lucas Ranger é um homem ligado às coisas mais simples da vida. Suas maiores paixões são o rodeio, o campo e os animais. Lucas não se deixa levar pelos lindos olhos verdes de Pietra, ele sabe que ela significa problema. Mas será que o cowboy indomável, irá se deixar laçar por uma menina de cristal? Oito segundos... uma história de amor e paixão superando as diferenças.

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8 segundos, de Camila Moreira, não é o livro de estreia da autora. “O Amor Não tem Leis” e o “Amor Não Tem Leis: O Julgamento Final” são uma duologia publicadas pela Suma de Letras em 2014, ambas voltadas para o romance erótico. Em “8 segundos”, Camila Moreira também aposta em um romance com cenas sensuais e eróticas, desta vez ambientado em uma fazenda no interior do Brasil, com personagens típicos ao cenário proposto.

Na história, Pietra acaba de chegar a fazenda de seu pai. Antipática e irritante, a personagem trata a todos so seu redor como ignorantes, especialmente Lucas. Seu encontro com o cowboy começou com o pé direito, mesmo que a atração tenha sido imediata. Por sua vez, Lucas não consegue acreditar que uma patricinha mimada, “Cristal”, como ele mesmo se refere, esteja virando sua vida do avesso. Mesmo o levando a loucura, Lucas se sente cada vez mais atraído por ela, e não consegue resistir a paixão que cresce cada vez mais.

Camila tem uma boa história em mãos, mas ainda está na fase de amadurecimento. A autora abusa dos clichês mais óbvios e se ampara sobre situações um tanto convenientes para dar segmento a história. Diria, até, que sua inspiração vem de novelas brasileiras e de filmes de sessão da tarde: a patricinha mimada que faz discursos vazios sobre roupas de marcas e sapatos caros, o cowboy esquentadinho e sexy, que, a menor das provocações, sai por aí querendo bater em todo mundo. Não seria um ponto negativo se não fosse estereotipado demais, mas acabou sendo.

O emprego do “palavreado sujo” causa certo incômodo. “Potranca”, “bocetinha”, “rebola pra mim” e “goza gostoso” são apenas parte das expressões mais obscenas que encontramos no livro. Em muitas situações, Lucas se refere ao próprio pênis como “meu amigo aqui” ou “meu amigão”. Se não é brega, é, no mínimo, desestimulante um personagem se referir assim ao seu próprio órgão genital.

Mas o tema principal do enredo não é o sexo com linguajar mais depravado. A dedicação de Pietra em cuidar do Lucas é o maior apelo da história, a relação carinhosa que ambos constroem mediante as dificuldades de um relacionamento cheio de brigas e reconciliações, além de um passado misterioso que interfere na vida dos dois. Pietra, que melhora gradativamente ao longo da história, e Lucas Vitor, vivem literalmente “entre tapas e beijos”, mas conseguem chegar a um denominador comum.

A escrita da autora é promissora, mas ainda peca em alguns pontos. Camila é muito detalhista e exagera no uso de pronomes possessivos e da primeira pessoa do singular (Eu andei até ele… (…) …Eu peguei sua xícara… (…) …Eu calcei minhas botas.), o que prejudica a história como um todo, deixando a leitura cansativa. Porém, tendo um olhar mais crítico a sua própria narrativa, lapidando alguns pontos, Camila só tende a crescer nos próximos livros. São os pequenos detalhes que acabaram prejudicando sua história.

Pelo burburinho que os livros da autora vem causando nas redes sociais, confesso que esperava mais. Entretanto, sob um ponto de vista menos crítico, a autora consegue atingir seu objetivo: trazer uma história de romance entre duas pessoas de mundo diferentes, mas que uma se adapta a outra mediante aos problemas da vida. A história no geral é agradável, e o final não poderia ser mais justo depois de tudo que os personagens passam. 8 segundos é o terceiro livro de Camila Moreira publicada pela Suma.

 

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Um Estranho Perfeito – Susan Fox

image - Ficha Técnica:
- Título Original: Gentle on my mind
- N° de páginas: 380
- Editora: Única
- Sinopse: Caribou Crossing é uma cidade de recomeços. E assim o era para Brooke Kincaid que, há cinco anos, tenta reparar os erros de seu passado. Quando, porém, uma moto Harley-Davidson destrói sua cerca e um estranho perigoso e irresistível literalmente invade sua vida, ela mal imagina as ameaças que a chegada desse fugitivo traria. Jake Brannon sabe que Brooke é vulnerável, mas também forte, gentil e mais quente que o próprio inferno. A personalidade forte dessa mulher intrigante e seu charme perturbador são capazes de fazer até o maior aventureiro sossegar... Apenas para ter o gosto daquele delicioso romance. Agora ela precisa ajudar esse homem misterioso a continuar vivo ou as pessoas que ama estarão em perigo. Brooke precisa fazer as escolhas certas dessa vez. Pode ser sua última chance.

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Um Estranho Perfeito, de Susan Fox, é uma leitura no melhor estilo água com açúcar. Leve e romântico, o livro é próprio para quem procura uma história bem escrita com um toque de romance suave, perfeito para descontrair. A autora nos acolhe em uma cidade pequena fictícia, e apresenta personagens que fogem um pouco do estereótipo que este gênero tende a propor. Um Estranho Perfeito é um romance entre uma mulher de quarenta e três anos, bipolar e ex-alcoólotra, com um homem bem mais jovem, que surge em sua vida da maneira mais inusitada possível.

Brooke está contente. Ela pode ter sido uma mãe terrível no passado para Evan , mas a vida lhe deu uma segunda chance. Quando Evan lhe conta que sua esposa, Jessica, está grávida, Brook sabe que dará o seu melhor para ser a avó perfeita para sua futura neta. Com a doença controlada, e quase  cinco anos sem tomar um gota de álcool, a mulher de quarente e três anos vê em sua família uma nova oportunidade de recomeçar. Entretanto, sua vida, agora perfeita, é abalada quando um estranho destrói seu cercado.

Jake está fugindo de perseguidores após descobrir uma plantação ilegal de maconha. No processo, é baleado e não consegue manter o foco por muito tempo. O policial então cai de sua moto e derrapa em direção a um cercado branco. Meio acordo, mas prestes a desmaiar, Jake acredita que se vê frente a frente com um anjo. Entretanto, mesmo sendo um anjo, Jake não pode confiar em ninguém daquela cidade, e, portanto, faz uma ameaça a mulher a sua frente: se ela não o ajudasse, ele voltaria e mataria a família dela. Acreditando no sujeito, Brooke o leva para dentro de casa e cuida de seus ferimentos.

Jake está na cidade pelo assassinato de uma prostituta jovem de Vancouver, pois descobre que o assassino pode ser alguém da cidade pequena de Caribou Crossing. Com a ajuda de Brooke, ele consegue um disfarce adequado, e, juntos, começam a investigar quem poderia ser o responsável pela morte de Anita. Enquanto trabalham nesse caso, os dois se apaixonam, e são muito sinceros um com o outro: ambos aproveitariam a relação até Jake resolver o caso. Porém, a rotina, o sexo e a companhia agradável um do outro fazem com que a despedida possa ser mais difícil do que imaginam.

A história é impulsionada pelo mistério policial juntamente com o relacionamento cotidiano entre os dois, tudo levado de uma forma bem levinha. Jake e Brooke possuem uma química quase instantânea, em consequência, o livro retrata a amizade e o companheirismo entre eles, além da paixão que sentem um pelo outro. O fato de Brooke ser mais velha, lidando com os receios de seus transtornos, trouxe um diferencial para a relação – uma questão muito interessante levantada pela autora. Apesar de trabalhar de formar mais suave, Susan Fox retratou com relevância o perfil de um bipolar ex-alcóolico em meio a tratamentos e a questões familiares. Por ter um passado conturbado, atrelado a sua idade, Brooke é bem mais madura e sensata em suas decisões no presente, mais do que  a maioria das personagens deste gênero. Porém, também temos um lado seu apaixonado e sonhador.

Com personagens bem estruturados, Um Estranho Perfeito traz o clima de cidade pequena americana: passeios a cavalos, conhecidos em cada esquina, eventos e família reunida todos os finais de semana. A história é uma graça do começo ao fim, nos brindando com um final que não poderia ser mais próprio do gêndeste segmento. Simples, com uma narrativa agradável, Um Estranho Perfeito cativa por trazer o amor como uma forma de recomeço. Não só espero que tenha outros livros da série, como vou atrás de ler os anteriores, que conta a história do filho de Brooke e dos pais de Jessica, a esposa deste. Imagino que todos sejam tão bons quanto este foi para mim.

Capa Original:

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